sexta-feira, 1 de março de 2019

ENTRETANTO

Enquanto as televisões e jornais focam as lentes e as giratórias a cada manifestação de dezenas de activistas da esquerda identitária que aparece deixo aqui uma fotografia de um fenómeno que a media mainstream tem deixado completamente de lado: este é o último anfiteatro que encheu para ver e ouvir ao vivo o Prof. Jordan Peterson, agora na Australia. Fake news é, por exemplo, inventar notícias, é certo, mas também é dar lastro a activismos da treta tal como fazer gatekeeping sobre o que realmente vai sendo cada vez mais relevante no mundo. Hoje o status quo da propaganda mediática pode muito bem ser a agenda igualitária e identitária da esquerda mas a reacção está em marcha. Ou os centros compreendem que o povo não quer a agenda progressista da extrema-esquerda ou então depois admirem-se com os resultados eleitorais.

UMA POSSIBILIDADE

Sou da opinião que o Prof. Marcelo pode muito bem perder as eleições ou, até, nem sequer ser recandidato. Passo a explicar. Duas coisas caracterizam o Prof. Marcelo: a primeira é ser um fala barato incontinente, um hiperactivo que não consegue estar calado ou quieto; a segunda é a sua natural cobardia política assente no orgulho próprio que o faz viver no terror de perder umas eleições. Ora, considerando que a sua popularidade está em queda, muito também devido à sua cansativa hiperactividade (apenas na banalidade pois que no que interessa nada faz, nem sequer um pedido de fiscalização constitucional), o pânico e a incontinência apenas terão tendência a aumentar. Na urgência de fazer alvo para estancar a hemorragia eleitoral, como não consegue ficar quieto, as suas soluções apenas aprofundarão as suas dificuldades. Um verdadeiro buraco negro de autodestruição eleitoral. Ao mesmo tempo, o horror a uma hipotética derrota eleitoral pode fazer com que, na dúvida, nem sequer se candidate. Para isso basta que o PS apresente um candidato e que à direita apareça um nome forte o suficiente para ser capaz de forçar a uma segunda volta (quaisquer 10% o farão). Ambos os requisitos são prováveis.

DECLARAÇÃO DE VOTO

Sou militante do PSD desde 1997 (já pertencia à JSD desde 1995). Nunca votei noutro partido. No entanto, lamento, mas não votarei em partido algum que não assuma claramente que não viabiliza um governo do Dr. Costa seja em que circunstância for. Se forem eleitos 116 ou mais deputados à esquerda, que governe a frente de esquerda; se forem eleitos 116 ou mais deputados à direita que governe a direita. Se o PSD não quiser liderar o espaço da direita, se não assumir que é alternativa ao Dr. Costa, então não conta comigo nem com o meu voto. É simples.

SENTIMENTO DE PERTENÇA

Na ausência de uma cultura civilizacional que ofereça um sentimento de pertença aos indivíduos sobram os substitutos: vão os novos órfãos civilizacionais, normalmente os mais jovens, identificar-se com gangs, seitas, cultos, ideologias, grupos e grupetas que, perante a oportunidade, manipulam os mais impressionáveis acenando com uma cenoura que oferece a ilusão de um propósito e um sentido para a vida. Um exemplo? As supostas minorias e a sua operacionalização política.

FEMINISMO 2.0

Se as feministas de faca e alguidar querem garantir empregos apenas por serem mulheres depois não podem ficar admiradas se forem vistas como pessoas que tiveram a vida profissional que tiverem apenas por serem mulheres. Curiosamente, de quotas femininas para trolhas, mineiros, lixeiros e coveiros, precisamente as profissões onde a disparidade sexual é mais acentuada, ainda não ouvi falar. O feminismo militante além de deitar fora o mérito de tantas e tantas mulheres que o merecem ainda consegue cheirar a oportunismo. Oportunismo histérico, acrescente-se.

CAPITALISMO E LIBERDADE

O capitalismo não é bom por ser uma idolatria da riqueza ou do dinheiro. Quem vir a riqueza e o dinheiro como um fim em si mesmo tenderá a ser um escravo da riqueza e do dinheiro. Não. O capitalismo é bom por implicar a possibilidade - a necessidade - de poder trocar-se aquilo de que não se precisa, ou que não se quer para nós, por aquilo que se quer ou por aquilo do qual se necessita. A liberdade de cada um escolher o que quer para si próprio a cada momento, portanto. Esta é a essência do consenso democrático e liberal ocidental. Ora, o socialismo representa a introdução de um intermediário - uma função acrescida do Estado - que vem dizer a cada um de nós o que cada um deve querer, e quando, tal como aquilo do qual todos necessitamos por igual. A tirania, portanto. Uma tirania que varia em grau mas uma tirania não obstante. Não tenhamos dúvidas: não há militantes ou partidos da extrema-esquerda que não sejam adeptos da tirania. É uma impossibilidade. Tudo o resto é propaganda para enganar idiotas úteis e convencê-los da virtude de serem mandados por outros. A abdicação da liberdade.

A IMPORTÂNCIA DO CAPITALISMO

Nos últimos séculos o capitalismo retirou da pobreza milhões e milhões de pessoas, permitiu um desenvolvimento tecnológico que, entre outras coisas, aumentou brutalmente a esperança média de vida e, como se isso não bastasse, garantiu a abastança de alimento, abrigo e segurança em maior número de sempre e ao maior número de sempre de pessoas. Coisa pouca, certo? Apesar disto, continuam a perorar os iluminados sobre as tragédias do capitalismo e os benefícios do comunismo/marxismo/socialismo. Muito bem, estão no seu direito. Mas, no entanto, permitam-me que diga o seguinte: se querem um outro sistema alternativo ao capitalismo, no mínimo, o ónus da prova sobre os benefícios da mudança de sistema estará do lado dos que querem mudar. Isto será evidente. E que oferecem os marxistas/ comunistas como prova das virtudes do seu modelo para além de cem anos de experiências falhadas, milhões e milhões de mortos e perseguidos, fome e miséria generalizada sempre que o sistema que propõem foi intentado? Nada, pois claro. A continuação de partidos militantemente anti-capitalistas, logo anti direitos de propriedade privada e liberdade individual, é, em boa verdade, um verdadeiro atentado à História humana. Que continuem impunemente esses apologistas de criminosos a cirandar pelas televisões e jornais a arrotar ilusões é uma autêntica vergonha face à memória de todos os milhões de seres humanos barbaramente assassinados por comunistas. Do mesmo modo, o relativo sucesso eleitoral destes partidos de extrema-esquerda configura um facto muito triste que, primeiro, demostra a fragilidade das democracias ocidentais e, depois, quando bem visto, revela-se um autêntico atestado de estupidez humana a quem, seja por ignorância, seja por incúria, seja por interesse, contribua seja de que forma for para o avanço da causa anti-capitalista.

ACÓLITOS DE UM DEUS MENOR

Quando bem visto fica bem evidente que os mais militantes revolucionários da extrema-esquerda comunista anti-cristianismo são precisamente aqueles que mais procuram imitar a doutrina cristã. Senão vejamos. Primeiro, quanto ao exemplo. Assim como Cristo resumiu em Si todos os males do mundo - o carneiro de Deus que tira o pecado do mundo - assumindo o maior papel possivelmente imaginável de vítima da injustiça, da mentira, da traição e da opressão, injustiça essa sublimada na Cruz, também o militante da extrema-esquerda se imagina o mais injustiçado do mundo: sobre ele recaem as maiores iniquidades, infâmias e opressões, desde as económicas às sociais, desde as sexuais às raciais. Daqui se justifica um discurso - a Mensagem - supostamente também ele, tal como o cristão, assente na protecção dos oprimidos e das vítimas do mundo, apelando ao Amor, à Fraternidade, à Igualdade, etc., etc.. Segundo, quanto à Promessa. A Terra Prometida comunista, não no Além, é certo, mas no aqui e agora, é também a libertação, o paraíso agora na Terra e o triunfo perfeito das virtudes sobre os defeitos: a vitória última e final do Homem perfeito, despojado da ganância - mais facilmente passa um camelo pelo buraco de uma agulha do que entra um homem rico no paraíso comunista. É, pois, um paraíso aberto a todos os que abracem a ideologia marxista e aceitem a doutrina salvadora. Finalmente, quanto ao Pecado. Não apenas a riqueza é um pecado contra a Humanidade mas, pior, também a noção de pecado original é agora no zeitgeist comunista do século XXI importada para vergastar as costas largas de qualquer desgraçado caucasiano. Do mesmo modo, a par da raça (branca), também o sexo (masculino) e a orientação sexual (hetero), são consideradas vantagens indevidas, logo pecados originais que exigem expiação. Infelizmente, também o Apocalipse faz parte da doutrina: para o advento do paraíso comunista requer-se a destruição e a morte das estruturas organizadoras do mundo. Daí resulta a necessária destruição da sociedade e a decorrente violência pela qual secreta e inconscientemente anseiam. No fundo, na rejeição militante do exemplo de Cristo, uma rejeição racionalizada mas que de tão pobre no seu conteúdo moral acaba involuntariamente imitando o que rejeitam tão veementemente, acabam os comunistas simbolizando, com orgulho atente-se, o Anti-Cristo que trará a guerra ao mundo.

O CULTO DO FUTURO

Como Oakeshott bem explicou, a crença no progresso pelo progresso apenas pode ser desejada por aqueles que não reparam em nada, que são ignorantes sobre o que têm ou que são apáticos perante as suas próprias circunstâncias. A mudança pela mudança apenas pode ser efusivamente saudada por aqueles que estimam nada, que são ligados a nada e que são estranhos ao amor e à afeição ao que os rodeia (e que pode ser afectado ou destruído pela mudança abrupta e imponderada). No fundo, trocando por miúdos, um povo que celebra o futuro que lhe vendem em troca do passado que lhe roubam é um povo que troca tudo o que tem por uma ilusão que dificilmente, como todas as ilusões, se tornará realidade. Esse é o supremo crime dos paladinos dos paraísos na terra, dos revolucionários das soluções milagrosas e dos sistemas perfeitos: apropriarem-se, ou destruírem, aquilo que as sociedades mais têm de importante: a sua História, as suas tradições, a sua cultura, em suma, o seu conhecimento civilizacional e a sua forma de estar no mundo. Sem isso, reduzem-se os homens a meros autómatos, individualizados mas estandardizados, pequenos elos iguais, logo substituíveis, organizados em gigantescas máquinas eficazes e centralizadas, tão destruidoras quanto desumanizadas. Nesses sistemas, onde antes a morte de um indivíduo era uma tragédia única e irreparável passa então a ser uma estatística ou uma probabilidade para a qual haverá sempre um elemento de substituição. A barbárie, pois claro.

BARBÁRIE

A esquerda contemporânea advoga que, por um lado, todas as culturas são igualmente válidas mas que, por outro, a cultura particular embutida na tradição cristã europeia é má. Pertences a uma seita radical de burka, chicotadas e mãos cortadas? É uma expressão cultural. Advogas que a paz, tolerância e bem-estar ocidentais derivam da cultura cristã que lhe está na base e que, por essa razão, essa nossa cultura é preferível às outras, as violentas? És um xenófobo. Assim se faz a lógica da esquerda contemporânea, advogando uma coisa e o seu contrário, sempre aliada à barbárie e inimiga de tudo aquilo que faz de nós a sociedade mais pacífica, rica e tolerante da História da Humanidade.

PECADO CAPITAL

O pecado capital da esquerda é a vaidade. Vaidade de se considerarem donos da razão, vaidade de se acharem sabedores da solução para todos os males do mundo. Apenas na mais profunda vaidade, e na ignorância que lhe está na génese, pode o militante da extrema-esquerda arrogantemente acreditar que o tamanho do mundo é o mesmo que o da sua capacidade para o controlar. Dessa crença absolutamente estúpida fará o revolucionário votos de considerar-se como o verdadeiro salvador da Humanidade. Maior vaidade que esta não há.

O CONSERVADOR E O FANÁTICO

Um conservador, por mais que tente, nunca convencerá um fanático. O conservador, realista por definição, observa que a realidade se constrói de múltiplas dimensões, variáveis e circunstâncias. O fanático, revolucionário por definição, tende a reduzir a complexidade da realidade a uma única dimensão: todos os problemas do mundo têm uma causa comum (que urge extinguir) e uma solução comum (que urge implementar). Ora, quem vê múltiplas dimensões nunca convencerá alguém que apenas vê uma do que quer que seja: para isso seria necessário que um ser bidimensional onde apenas vê círculos conseguisse descortinar esferas. Por esta razão a democracia não serve para discutir extremos, apenas encontrar centros de compromisso. Ora, estes centros têm, então, que partir de visões potencialmente conciliáveis. Num debate entre extremos, entre visões inconciliáveis do mundo, com a consequente ausência de centros de compromisso, sobra a pancada entre pessoas que não vêem o mesmo mundo. Ao mesmo tempo, Infelizmente, e razão de tanta mortandade pela nossa história fora, é muito mais fácil articular um discurso unidimensional, falar de círculos portanto, do que com um mínimo de profundidade que a realidade exige. Do mesmo modo, também é muito mais fácil propagandear círculos do que esferas. Uma e outra somadas, com a idade da mass media, da mass propaganda, a coisa tem tudo para acabar muito mal.

MAQUIAVÉLICA

A grande arte da esquerda é profundamente maquiavélica: onde há famílias logo vem o fuinha vender que apenas há mulheres oprimidas por homens. Onde há uma sociedade logo vem o fuinha vender que apenas há ricos que exploram pobres. Do mesmo modo, assim se faz para raças, orientação sexual, idades, etc., etc.. O lema, aprendido de Maquiavel, é dividir para reinar: numa sociedade dividida, atomizada, onde todos estão contra todos, como Hobbes bem explicou, sobra o Estado para por todos na ordem.

UM PÁSSARO NA MÃO

Se tivesse que escolher um lema para uma disposição conservadora talvez fosse com o célebre “mais vale um pássaro na mão do que dois a voar”. Antigamente, os progressistas, ao contrário dos conservadores, preferiam acreditar que no futuro agarrariam os dois pássaros - coisa de optimista que se desculpa quando bem intencionada. Hoje, a esquerda nada tem de bem intencionada: um tipo que se queira agarrar ao pássaro que tem na sua mão é logo tratado como xenófobo, homofóbico, ladrão. Ele, na verdade, já não merece o pássaro que tem na mão ou sequer os dois pássaros futuros que anteriormente lhe eram acenados. Para a esquerda, hoje, devemos todos largar os pássaros que queremos guardar por que não somos dignos de tais pássaros, não são nossos, são de quem os merece verdadeiramente. E quem são esses? Os eleitores de esquerda, naturalmente. Em nome deles, a esquerda torna-se no Juiz moral que diz quem merece o quê, quando e como. No caso da esquerda light do PS, os funcionários públicos e avençados do Estado; no caso da esquerda comunista do PCP, os seus militantes e sindicatos; no caso dos neo-comunistas do BE, as supostas minorias oprimidas pela sociedade. E ai de quem reclamar, eles é que sabem. Conclusão? Agarrem-se bem aos pássaros que têm, os tempos não estão para aventuras.

BODE EXPIATÓRIO

O capitalismo é o bode expiatório dos ressentidos: naquele podem estes culpar todos os seus azares, todas as suas limitações, todas as suas fraquezas, tal como menorizar todas as sortes dos outros, todas as forças dos outros, todos os sucessos dos outros.

PREICAMENTO EXISTENCIAL

Perante o predicamento da existência humana há cinco abordagens fundamentais: há uns que metem mãos à obra, outros que se ressentem do esforço dos primeiros - e, em alguns casos, do seu sucesso -, outros há que desistem, depois, uns quantos que pretendem vantagens sem trabalho e, finalmente, uns tantos que, mimados, perante a tragédia da vida com a qual não querem lidar, fantasiam neuroticamente sobre mundos perfeitos que os livrem da sua condição. Os primeiros, os empreendedores, são os produtores da riqueza humana, os obreiros do sistema; já os segundos e terceiros, os ressentidos e desistentes, são os idiotas úteis dos quartos e dos quintos: os aldrabões em busca de atalhos e os revolucionários propagandistas dos paraísos na terra - no fundo vão dar no mesmo. Uma pequena verdade sabe aquele que enfrenta a vida de frente: não há almoços grátis. Se alguém nos aparece a vender facilidades futuras podemos bem ter a certeza que seremos nós a pagar a conta das fantasias dos revolucionários ou das aldrabices dos preguiçosos.

DA VACINAÇÃO

Dois bons exemplos em áreas completamente distintas de sintomas de uma mesma doença: os casos de sarampo e os casos de violência de rua que vão ocorrendo em maior número pela Europa fora. No primeiro exemplo, fruto de muita ignorância, uma inocente crença numa pseudo-harmonia natural do mundo e uma incapacidade do debate público em desmontar as falácias conspirativas, temos no movimento anti-vacinação um conjunto enorme de gente que acredita que não deve vacinar os filhos. Resultado? Os casos de sarampo estão a disparar na Europa. No segundo exemplo, fruto da mesma crença na harmonia natural do mundo, aqui traduzida na ontologia do bom selvagem de Rousseau onde todas as pessoas são imaginadas como naturalmente boas, logo todas elas integráveis e potenciais bons vizinhos, ajuntada à ignorância sobre os princípios basilares de como uma sociedade se mantém forte, próspera e saudável, aliada, também, a uma grande incapacidade do espaço público verdadeiramente debater os assuntos sociais com um mínimo de profundidade e verdade, logo se imagina que todas as culturas são igualmente válidas, todas harmonizáveis, o celebrado multiculturalismo, ao qual se soma ainda a crença na teoria da conspiração que afirma que todos os males do mundo - atente-se que é mesmo do mundo inteiro que se fala aqui - se devem às limitações dos nossos próprios valores civilizacionais europeus, bem como ao capitalismo “selvagem”. Resultado? Logo se pensa que se tem a obrigação de aceitar o inaceitável como banal, como tão válido como outra coisa qualquer: o relativismo cultural. Conclusão: assim como os casos de sarampo se alastram também alastra a violência de rua, a intolerância, a impune opressão “cultural” sobre as mulheres dentro de certos grupos minoritários, casos de violações, agressões, etc., etc. Do mesmo modo, tal como no primeiro caso a evidência empírica dos milhões de seres humanos que se salvaram devido à vacinação não deveria ser colocada em causa pela comprovada existência de alguns raríssimos casos onde, fruto de erros ou abusos, a vacinação se revelou nociva, também no segundo caso não deverão os valores fundamentais civilizacionais do Ocidente serem colocados em causa pelo facto de não serem perfeitos. Podem, de facto, não ser perfeitos mas trouxeram paz, segurança e prosperidade a grande parte do mundo, tendo tirado literalmente da miséria material biliões de seres humanos. Olho para a luta pelos nossos valores do mesmo modo como olho para a vacinação: formas de melhorar e proteger a vida dos meus filhos. E não, lamento, mas infelizmente nem o mundo nem as pessoas são um paraíso de harmonia e bondade.

O LEGADO DE 60

Aquilo que a magnífica geração dos anos sessenta conseguiu implementar na sociedade resume-se a duas coisas: primeiro, fruto do esforço dos seus antecessores, cavalgar a abastança e oferecer aos seus filhos tudo e mais uns pares de botas; depois, fruto da ideologia neo-marxista dominante e disseminada nos mass-media, aboliu, ou pretendeu abolir, a hierarquia social. Ora, junte-se crianças mimadas com um sistema em desestabilização hierárquica e sobram dois tipos de jovens adultos: o primeiro, mais afoito, assim que dá de frente com as agruras da vida às quais foi sempre poupado - derivando na recusa de reconhecer como verdadeiro o facto de não se poder ter tudo sempre que se quer e ao mesmo tempo - revolta-se contra a ordem social remanescente que, segundo eles, tem a obrigação de lhes acomodar as vontades individuais. Acabam, então, aos gritos e aos berros, na rua a rasgar as vestes e a puxar os cabelos por o mundo não ser aquilo que os seus pais lhes venderam que era. O segundo tipo, mais tímido, prefere nem enfrentar o mundo: ascetas residentes nas caves dos pais optam por ver o mundo de longe, por detrás da segurança de um ecrã de computador: se eu não quiser ser nada, o nada que serei serve-me perfeitamente. No final, entre uns e outros, mais os do meio, fica uma geração inteira de jovens com expectativas completamente erradas do mundo, desconectados uns dos outros por não saberem o seu lugar, o que de si é esperado, ou o que esperar dos outros, isolados - onde até a intimidade se torna cada vez mais problemática -, ou seja, em suma, uma geração profundamente infeliz e impreparada. Não vai ser fácil.

PROPAGANDA II

Outro exemplo de propaganda comunista? Os estrumpfes. Ora reparem lá: uma pequena aldeia pacífica e perfeitamente harmónica, cada um com a sua profissão e com as suas necessidades plenamente satisfeitas, o chefe tem um barrete vermelho e uma barba igual à do Marx e sempre todos a combater o quê? Um gigante obcecado com acumular moedas de ouro ou, por outras palavras, o grande capital que quer destruir a felicidade comunal dos estrumpfes. Estrumpfes mas é o caraças, um bando de comunas é o que é.