quinta-feira, 16 de novembro de 2017

THEORY

                                                                Daqui.

DA LENHA

Aqui no Alentejo, por esta altura do ano, discute-se quando se começa a fazer lume. Eu comecei ontem. Um dos meus vizinhos dizia-me ontem lá em baixo no café que, mesmo esfriando, ainda irá esperar mais uns dias: queria ver, disse-me, se os quatro metros de lenha que comprou lhe duravam o Inverno inteiro. Custaram duzentos euros, explicou-me.

EUROCENTENAS

Aqui há dois dias cruzei-me com um indivíduo no aeroporto de Zaventem que circulava no tapete rolante em sentido contrário ao meu. Pareceu-me familiar e prestei-lhe atenção: dava ares de ser o Dr. Centeno. O homem olhava para os carros de alta cilindrada ali em exposição e sorria para o ar. A vida corre-lhe bem, pensei. Sei agora que o Dr. Centeno andou nos últimos dois dias a tratar da sua vida tendo em vista o Eurogrupo. Entretanto, noticia-se que faltam mil milhões de euros no serviço nacional de saúde português. Não parecia preocupado.

UEBESAMITE (II)

Em Portugal, desde mil quinhentos e picos que a prosperidade e o progresso material são coisas que nos acontecem, não são feitas por nós: tal como os turistas, vêm de fora, não são nossas. Pior: em muitas circunstâncias, tais como os tempos que vivemos, acontecem apesar de nós. Ocorreu-me isto ao ver aqueles dois palonços que mandam, um no governo do país, o outro no da câmara de Lisboa, a acenarem à populaça da Web Summit como se aquilo fosse obra deles.

TRISTE SINA

Na Expo, num ambiente de euforia pejada de frémitos de excitação deslumbrada, crê-se nas ilimitadas possibilidades do futuro, fala-se de investimento, financiamento, empreendorismo. A coisa, naturalmente, é tratada pelos governantes e pelos media de forma deslumbrada, pacóvia mesmo, é certo, mas, mal ou bem, é um mercado: há vendedores e há compradores, todos em liberdade, todos a tratarem das suas vidas - é o capitalismo. Do outro lado da cidade, ao mesmo tempo, no Coliseu, num ambiente de ainda maior fanatismo ignorante, discursa o secretário-geral do PCP dando largas à sua crença que o socialismo e o comunismo são o futuro iluminado da Humanidade. Louvando o passado, exalta a ex-URSS - omitindo os vinte milhões de assassinatos lá cometidos pelos seus correlegionários comunistas - como o exemplo de regime igualitário libertado de perigosos exploradores capitalistas. Se os primeiros, os da Expo, são ingénuos ou oportunistas, o futuro ou uma ilusão, não faço ideia, haverão de uns e de outros. Mas uma coisa é certa: esses não me atemorizam: compro-lhes as coisas que vendem apenas se, e quando, eu quiser. Já os outros, os comunistas, esses tratam da sua vida e dos seus interesses tanto como os outros. A diferença é que esses interesses, os comunistas, são abertamente contra todos nós, incluindo os da Web Summit: contra a nossa propriedade, contra a nossa liberdade e contra as nossas vidas. Seja por ignorância (não é), seja por fanatismo estúpido (é), são cúmplices e apologistas de assassinos, mortes e barbáries em massa. E gente psicopata desta, tal como fascistas e nazis - são todos iguais - não deveria ter lugar numa democracia liberal, menos ainda numa maioria parlamentar que governa Portugal. O poder e a importância do PCP é um sintoma do atraso português e uma vergonha para cada um de nós - é o caruncho que nos corrói por detrás da fachada "para inglês ver" das Web Summits da vida. Daqui por uns dias, os estrangeiros investidores vão à vida deles. E, enquanto esses levantam voo da Portela, os comunistas lá continuarão na Assembleia da República a ajudar a decidir o futuro dos que cá ficaram. Que tristeza.

UEBESAMITE

Estes pacóvios do governo português vão para a Web Summit pedinchar investimento num inglês constrangedor para, dizem, criar empregos e demais maravilhas para a população indígena. Nos entretantos, a frente de esquerda que governa o país e a câmara de Lisboa conspira contra o Alojamento Local que, só no ano passado, criou mais de quarenta mil empregos e gerou mais de oitocentos milhões de euros de retorno, isto só na área metropolitana de Lisboa. O melhor mesmo é encharcar os investidores em álcool e porco preto a ver se se distraem: só se mete nisto quem vem ao engano.

WEB GNR

Aterro ontem em Lisboa no meio de uma multidão de voluntários de T-shirt azul excitadíssimos com a Web Summit. Cartazes, flyers, carros, fanfarra moderna. Tudo muito bem. Melhor ainda, mesmo moderno, foi ao entrar no Uber que já esperava por mim à saída do aeroporto o motorista pedir-me para ir à frente porque, atente-se, a polícia estava a fazer uma operação Stop na rotunda à cata de Ubers. Perante a minha estranheza, explicou: "a malta da Web Summit chama toda um Uber". Meu dito, meu feito, na rotunda lá estavam uns GNR de boné e barriga a pararem viaturas para ver se aquelas eram uma coisa que nem sequer é ilegal. Mas, admitamos, faz sentido: que melhor cartão de visita para os empreendedores estrangeiros que, dizem-nos, vêm investir no país? Ficam já a saber o que os espera.

CASO PRÁCTICO

Tudo na vida se trata de equilibrar valores que não são, à partida, nem conciliáveis nem compatíveis. Veja-se o caso do meu mais novo talento: secar o cabelo a infantes. Não falando nas diversas capacidades técnico-tácticas envolvidas na actividade - o engodo, a imobilização do sujeito, a compreensão teórico-práctica das ondas térmicas, o conhecimento, e controlo, do confronto daquelas com as vibrações capilares e, não menos fundamental, o manuseamento eficaz do instrumento de secagem - atente-se nos valores que se gladiam na acção praticada: por um lado, o valor da eficiência energético-temporal, a rapidez portanto, com que se despacha a coisa; pelo outro, o valor igualmente pivotal do conforto do infante face ao choque térmico. Se puxo de um lado, pela temperatura para ser mais rápido, logo a manta se destapa do outro: a criança reclama. Se, pelo contrário, ajusto a temperatura tendo por base a vontade infantil, nem a criançada vai para a cama a horas nem eu vejo o Benfica. Na arte da secagem capilar, como na vida, não há almoços grátis.

POLITIQUICE

Sobre o amor ao PSD, é simples: dois homens casados discutem com as mulheres. Um, Santana, pondera o hipotético divórcio, o tal partido social liberal, que não concretiza: fica em casa e resolve as coisas. O outro, Rio, pula a cerca e vai namorar com a mulher do vizinho, que é como quem diz vai inventar um sucessor para a CMP contra o próprio partido, e passa uns anos fora de casa a falar mal da mulher mas sempre a dizer que, se ela quiser, desde que seja para mandar, até volta para casa. Quem é que, afinal, se portou mal?

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

DESESTRUTURAÇÃO

O Rui Ramos tem toda a razão no artigo que assina hoje no Observador. Escreve ele que
"Os vigilantes dos costumes pareceram mais empenhados em condenar hierarquias, do que em condenar comportamentos: o problema parece apenas o facto de haver homens em posições de poder. Percebe-se porquê: não é politicamente correcto tocar na chamada “libertação sexual” da década de 1960. Mas foi essa “libertação” que impôs o actual regime em que o sexo é concebido, simultânea e paradoxalmente, como a expressão mais profunda da personalidade, e como um divertimento inconsequente. Qualquer ética, em relação ao sexo, passou a nunca poder ser mais do que uma racionalização de inibições ou uma impostura. A “libertação sexual” dissipou muitos escrúpulos e aliviou bastantes consciências – ainda hoje se fazem filmes sobre isso –, mas também “libertou” muitos dos predadores. Convém recordar que, em nome dessa “libertação”, a pedofilia chegou a ter defensores públicos nos anos 70."
 Há a partir daqui alguns pontos importantes que gostaria de comentar. Primeiro, o paradoxo que está na origem da cultura sexual: por um lado, a ideia que está na base da libertação sexual e que assenta no pressuposto de que cada um deve ser livre de exprimir a sua identidade sexual da forma como muito bem entender e, por outro lado, a obsessão permanente para com essas mesmas identidades: são catalogadas, dão origem a movimentos, servem de agenda mediática, etc. Ou seja, e aqui reside o paradoxo, por um lado quer libertar-se os indivíduos do jugo opressor sexual, entenda-se a moral cristã repressiva mas, por outro, assenta-se a própria identidade pessoal na sua vertente sexual, dessa forma reduzindo pessoas inteiras apenas às suas preferências ou comportamentos sexuais. Parece-me a mim ser profundamente mais libertador viver num mundo onde ninguém tem nada que ver com a vida sexual de ninguém do que neste mundo actual onde tudo aquilo que parece contar é o sexo: por ele nos identificamos, rotulamos, vendemos e compramos.

Em segundo lugar, a questão da repressão versus libertação. Rui Ramos, e bem, alude a isto quando diz que com a libertação se aliviaram muitas consciências mas também se libertaram muitos predadores. É verdade, mas a essência do problema não reside tanto na libertação sexual per se mas muito mais no facto de numa comunidade onde o que regula os costumes serem as leis e não a "sociedade civil" ser impossível, tal como rui Ramos exemplifica, tipificar legalmente comportamentos tão complexos. Pegando nesta questão, parece-me, é necessário ir mais longe e demonstrar como, e precisamente utilizando como exemplo a questão sexual, as questões de costumes nunca podem ser resolvidas pelo Estado ou pelo corpo legal de uma comunidade. Atenção que falo de costumes, não de violência de uns indivíduos sobre outros. Nestes casos, um crime de violação, por exemplo, nunca poderá ter um tratamento diferente do que um crime de homicídio: a comunidade agirá sempre através da lei. Agora, assédios, piropos, convites, favores sexuais, etc., consistem uma área muito mais cinzenta e complexa onde a cegueira da justiça não poderá nunca querer entrar.

Em terceiro lugar, algo parece estar esquecido em toda esta polémica: as garantias do Estado de direito para com os acusados. Pessoas, independentemente de serem culpadas ou não - a minha posição sobre a matéria nunca poderá ser outra coisa além de uma mera opinião - estão a ser julgadas na praça pública, condenadas sem direito a defesa legal e a cumprirem sentenças sumárias (despedimentos, perdas de prémios anteriormente conquistados, etc.) apenas para agradar à maioria indignada. E aqui se pode constatar a diferença entre uma comunidade ordenada a priori por princípios morais e éticos que restringem os comportamentos dos indivíduos, minorando estes casos, por oposição à comunidade que temos hoje em dia que, na ausência dessa estrutura moral, se vê sem ter a quem recorrer: por um lado, o Estado meter-se no meio da corte sexual dos indivíduos só pode estragar - como dizia acima, não há lei que distinga a benevolência ou maldade de um olhar ou de um piropo - e, pior ainda, na altura de emendar os estragos não consegue garantir um dos mais fundamentais pilares de um Estado de Direito: a presunção de inocência. Conclui-se, portanto, que o Estado não apenas não evita este problema como não o consegue resolver: é a sociedade que está a faltar. Compreender isto é fundamental.

Finalmente, a questão da estrutura moral de uma sociedade. Esta "superestrutura" é o grande adversário dos marxistas e dos pós-estruturalistas (que, a bem dizer eram também marxistas). Durante os últimos cento e cinquenta anos o ataque a esta moralidade, ou ética, de inspiração cristã, tem representado o maior ataque intelectual aos alicerces da civilização ocidental. O problema não reside tanto no ataque à religião cristã mas, pior, na alternativa pela qual os "iluminados" racionalistas a pretenderam substituir: a crença na razão absoluta. A razão universal traduzida para o mundo moral-legal humano através de imperativos categóricos transformados em lei mais não fez do que substituir o indispensável julgamento humano, sempre individual, por uma pretensa solução universalmente válida que, primeiro, poderia decidir por nós e, depois, criar uma paz perpétua tão utópica como qualquer outro sonho de um paraíso na terra. Pelo contrário, porque a razão universal não existe, porque, precisamente, estamos como humanos que somos condenados a uma cacofonia infinita de entendimentos subjectivos, tantos quantos os indivíduos que existam, a ausência de uma estrutura unificadora no campo moral, ao ser substituída por uma mão cheia de ilusões, apenas nos pode legar o conflito perpétuo. Pior: como a História nos ensina, nos regimes em que a moralidade é tutelada pelo Estado apenas sobra o totalitarismo - e tanto quanto mais científico e racional pior ele foi.

Concluindo: Freud, por exemplo, sempre aludiu ao facto de por debaixo da capa civilizada do homem moderno continuarem a existir as forças inconscientes, e contraditórias, dos animais. O homem racional, em teoria, não seria suposto ser animal. Mas é. E, na ausência de um sistema de valores aceites comunitariamente como moralmente válidos, nada sobrará além da libertação das forças inconscientes que alimentam as vontades humanas. E, aí, no coração do Homem, onde há desejo de paz, harmonia e ordem também há desejo de destruição, guerra e poder. A quebra do consenso social acerca de quais são os valores moralmente partilhados e, por essa razão, aos quais nos submetemos, representa apenas o maior, e mais grave, indício de desagregação social. A questão sexual é apenas um sintoma, por ventura um dos menos importantes, desta doença muito maior.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

SOBRE AS ELEIÇÕES NO PSD

A minha primeira opção para Presidente do PSD seria, naturalmente, Pedro Passos Coelho. Pela sua coragem, desapego, resiliência, seriedade, tudo qualidades que não abundam no PS, mais ainda pela forma como lidou com o episódio "irrevogável" de Paulo Portas - a queda do governo teria sido catastrófica para o país - e, em particular, a forma como foi imune aos cantos das sereias do bloco central de interesses onde, e foi aí que conquistou o meu apoio, Passos Coelho foi o principal responsável por deixar cair o antigo "dono disto tudo", o infame Ricardo Salgado. O país perde muito com a saída de cena de Passos Coelho, uma saída de cena naturalmente celebrada em êxtase pelos poderosos oligarcas que mandam no país e que não querem perder o seu poder.

Posto isto, a vida continua. O PSD também. As duas candidaturas que se apresentaram são, pois, o futuro imediato do partido e uma delas será vencedora. Para inferir qual seria a melhor para o partido e para o país parece-me que são três os critérios fundamentais a analisar. Em primeiro lugar, qual a candidatura que melhor representa o posicionamento ideológico do partido. Em segundo lugar, qual a candidatura que melhor condições reúne para fortalecer o partido e, finalmente, em terceiro lugar, qual a candidatura que representa uma melhor alternativa à governação socialista e à Situação.

Como já aqui escrevi variadas vezes, considero que os valores do PSD são fundamentalmente compatíveis com a mudança de paradigma que é necessária para Portugal: a rejeição do socialismo. A social-democracia em Portugal afirmou-se não como o corolário de uma visão socialista para a sociedade mas, pelo contrário, como o contraponto liberalizante e ontologicamente conservador face ao socialismo moderado do Partido Socialista e ao socialismo radical da extrema-esquerda portuguesa. O PSD tem na génese uma coligação de valores que justificou o realismo pragmático que sempre assumiu e que ao qual o interesse nacional sempre obrigou. Essa coligação de valores congregou, desde a primeira hora, sectores tradicionalmente social-democratas da oposição ao regime de Salazar e Caetano mas também, não menos importante, significativos elementos da burguesia liberal, principalmente nortenha, bem como elementos conservadores que muito facilmente poderiam ser descritos como defensores da democracia-cristã europeia. A base ideológica do PSD congrega, portanto, um ideário social-democrata, democrata-cristão e, naturalmente, liberal.

Tal coisa também se revelou na prática. Primeiro, através de Sá Carneiro e a forma como visou libertar o país da influência militar; depois, com Cavaco Silva, no processo de liberalização – e o correspondente progresso material – que o PSD conseguiu implementar nos anos 80 e 90 do Século XX. Não será demais, nem despropositado, relembrar que foi precisamente nesses anos que – com a oposição feroz do PS e da extrema-esquerda – se conseguiram implementar reformas, na altura igualmente "neo-liberais" e heréticas para a esquerda, mas que eram tão evidentemente fundamentais, tais como os bancos, as seguradoras e os órgãos de comunicação social poderem existir fora da esfera do Estado. Não será igualmente demais, nem despropositado, relembrar que foram precisamente esses anos os de maior progresso material da democracia portuguesa. Essa é a matriz do PSD: reformar para dar força e liberdade à sociedade por oposição ao estatismo socialista.

O PSD não visa acabar com o Estado-Social ou, muito menos ainda, com o Estado. Ser pela liberdade não implica ser libertário. A mudança preconizada pelo PSD passa essencialmente por ter um Estado limitado pelos cidadãos ao invés de ter os cidadãos ao serviço do Estado e dos indivíduos que o controlam. Ou, por outras palavras, salvar o estado-social tornando-o mais eficaz, acessível, justo e menos dispendioso para os contribuintes. Este é o principal desígnio do PSD.

Neste sentido, o que se exige à liderança futura do PSD é um esforço de libertação face aos constrangimentos herdados do salazarismo e do fervor revolucionário marxista, nomeadamente os constitucionais, que obrigam o país a ir vivendo no pântano estatista da perpétua criação de dívida. Acima de tudo, mais uma vez, aquilo que se pede do PSD é que seja capaz de implementar uma política séria, credível e eficaz para voltar a colocar Portugal na rota da prosperidade e do progresso material. Para isto é forçoso que o PSD seja fiel às suas origens e rejeite o papel colaboracionista com o PS que a oligarquia de interesses instalada em Portugal gostaria de lhe ver atribuído. Da mesma forma, no discurso, é fundamental que se compreenda que é pela rejeição do modelo socialista que Portugal poderá reencontrar-se com o caminho da prosperidade. Fundamentalmente, ao PSD exige-se que seja a alternativa ideológica e pragmática face ao PS (que sonha com o Bloco Central) e à coligação de extrema-esquerda (incluindo parte do novo PS) que sonha com o regresso do PREC e das nacionalizações.

Ao mesmo tempo, a nova liderança do PSD não poderá rejeitar, sob pena de defraudar a legítima expectativa da maioria dos portugueses que deram uma vitória ao partido nas últimas eleições legislativas, o legado que Passos Coelho deixa. A vitória que teve em 2015 nas condições em que as eleições foram disputadas apenas comprova que grande parte do país compreende a necessidade de mudar de paradigma governativo. E a irresponsabilidade que a governação de esquerda tem posto em prática, num terrível regresso ao passado, apenas tornará mais evidente a curto prazo que a visão de Passos Coelho para o país mais não foi que uma continuação lógica, coerente e fundamental dos legados de Sá Carneiro e Cavaco Silva - e que era a correcta para o país.

Assim, tudo considerado, não posso deixar de considerar que a candidatura de Rui Rio não reúne as condições que considero pivotais para o futuro a médio prazo do PSD. Primeiro, erra quando quer fazer passar a mensagem que o PSD é um partido de centro-esquerda. Dessa forma, não assume a alternativa que o país precisa, não honra a história do partido e, mesmo de uma perspectiva eleitoral, não assume um posicionamento inteligente: centro-esquerda por centro-esquerda, os portugueses já têm o PS em quem votar. Depois, erra ao rodear-se daqueles que mais criticaram de forma pública a liderança de Passos Coelho nos momentos mais difíceis da governação 2011-2015. Dessa forma, não assume o legado de Passos Coelho, pelo contrário, procura repudiá-lo, bem como promove autênticos submarinos subversivos que, movidos por ódios pessoais, nunca tiveram pejo em aliar-se a comícios da extrema-esquerda ou em pagar as despesas da verdadeira oposição ao seu próprio partido. Uma liderança nascida em Azeitão com aqueles que mais mal fizeram ao PSD nos últimos anos nunca será uma liderança que conquiste o respeito das bases do partido. São os militantes de base que bem sabem da dificuldade que os últimos anos representaram para o país e para o partido.

Por outro lado, a candidatura de Santana Lopes parece-me configurar a melhor abordagem face aos critérios que acima anunciei: Santana assume representar o PSD na sua tradição reformista, não quer fazer do PSD aquilo que não é: um PS de segunda. Depois, Santana, melhor que ninguém, representa, como sempre representou, o sentir e o pulsar das bases do partido. E, em altura de crise, quando vem o toque a reunir, é um líder das bases que o PSD precisa: não de um representante de uma elite passada, ideologicamente próxima do PS e, aparentemente, mais preocupada com os seus ódios de estimação do que com aquilo que que o partido precisa. Finalmente, Santana parece-me defender  com profunda convicção que aquilo que o país precisa é de uma alternativa factual, substancial e corajosa à "frente de esquerda" que nos desgoverna. É preciso compreender que o adversário de Portugal, e consequentemente do PSD, é o ataque cerrado que a extrema-esquerda - e o PS cínico dos interesses oligárquicos que representa - faz ao nosso modo de vida, às instituições mais importantes da nossa sociedade, desde a família até à escola, e ao posicionamento histórico, e fundamental, do país no mundo (NATO, UE e Euro).

Ouvidas as duas apresentações de candidatura sinto-me esclarecido. E, ontem, enquanto ouvia o discurso de Santana Lopes, ocorreu-me que o pior discurso que lhe ouvi foi o da tomada de posse como Primeiro-Ministro em 2005. Os adversários dirão que essa é a sua grande fragilidade. Mas eu vejo aí uma coisa muito diferente: nesse dia ficou evidente que ao Santana Lopes a responsabilidade política pesa. E, ao contrário dos líderes que o PS ofereceu ao país nos últimos dez anos, é muito importante que se tenha como líder alguém a quem a responsabilidade política, de facto, lhes pese nos ombros. Apenas aos irresponsáveis ela não pesará. Em 2005, fruto das circunstâncias, por sacrifício, Santana Lopes aceitou aquilo que ele hoje nunca aceitaria: governar contra a oligarquia (que o atacou por todos os lados na comunicação social chegando ao ponto de dissolver uma Assembleia da República que tinha uma maioria estável e duradoura) sem ter a legitimidade do voto popular. Tem aqui, portanto, a sua oportunidade para preparar-se convenientemente para suportar o peso que a responsabilidade de governação exige. E para isso terá todo o meu apoio.

Em Janeiro, votarei no Pedro Santana Lopes.

FRESH START


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O PSD E A SOCIAL-DEMOCRACIA (II)

No que consiste então uma ruptura com o estatismo socialista?
É assumir que os indivíduos são donos do seu próprio destino, que não há soluções perfeitas para a sociedade, e que o Estado deverá ser meramente um instrumento dessa sociedade, não para a formar, dirigir, ou controlar, mas para a proteger garantindo o respeito pelos valores que essa mesma sociedade entende como fundamentais.
É assumir que o Estado não pode continuar a ser um monstro burocrático que, tudo controlando, se torna, como Burke muito bem avisava, demasiado poderoso e capaz de esmagar a frágil, porque individual, liberdade dos cidadãos.
É assumir que o motor da economia são as pessoas e que são estas apenas que, livremente, perseguindo os seus objectivos individuais, são capazes de gerar a riqueza.
É assumir que a igualdade de facto é impossível de ser atingida, quer no ponto de partida, quer no ponto de chegada da vida e que, como Rawls famosamente estabeleceu, apenas se pode garantir que quanto melhor estiverem os que mais têm, mais recompensados deverão ser também os que menos têm.
É assumir que tudo o que é humano é naturalmente falível e que, por essa razão, a responsabilidade das tentativas, dos sucessos e dos erros deverá ser dos cidadãos. Ao Estado, igualmente falível porque composto por pessoas, cabe apenas evitar no natural campo das disputas sociais abusos de uns indivíduos face aos outros. No fundo, assuma-se que liberdade é igual a responsabilidade e que a perda – ou recusa – da segunda implica a perda da primeira.
É assumir que o Estado não pode ser ele próprio instrumento de abuso de uns indivíduos sobre os outros e que, por essa razão, uma das principais obrigações da sociedade é garantir que o Estado é limitado, fiscalizado e controlado pelos cidadãos, e não o inverso.
Finalmente, é assumir que o caminho da felicidade reside no trabalho, no engenho e na perseverança individuais e não nos negócios, nas benesses, nas honrarias ou nas oportunidades que o Estado pode garantir.
São palavras simples aquelas que aqui se exprimem, mas revelam uma revolução tão difícil quanto fundamental para com o status quo socialista e oligárquico que prende Portugal à situação actual. Na prática, implicam uma política que assuma estes valores, cortando com os interesses económicos poderosos que controlam o Estado, apelando aos eleitores para que lutem – eles próprios! – pela sua liberdade mostrando-lhes que aqueles que vendem facilidades e sonhos mais não oferecem do que uma mão cheia de nada e uma outra, escondida, cheia de uma dívida que nos agrilhoa o futuro. Trata-se de assumir com verdade e frontalidade que um futuro de bem estar e prosperidade apenas é possível se mudarmos de paradigma, se cortarmos de facto com o socialismo estatista.
O PSD é o único partido capaz de representar essa alternativa em Portugal. E apenas o poderá fazer diferenciando-se do PS (que representa a "situação") apresentando a alternativa que aqui se descreve, nunca esbatendo as diferenças ideológicas profundas que separam os dois partidos e assumindo um discurso complacente com o modelo estatista e socialista que é imperativo rejeitar.

(adaptado parcialmente daqui)

O PSD E A SOCIAL-DEMOCRACIA

Os valores do PPD|PSD são fundamentalmente compatíveis com a mudança de paradigma que é necessária para Portugal: a rejeição do socialismo. A social-democracia em Portugal afirmou-se não como o corolário de uma visão socialista para a sociedade mas, pelo contrário, como o contraponto liberalizante e ontologicamente conservador face ao socialismo moderado do Partido Socialista e ao socialismo radical da extrema-esquerda portuguesa. De facto, apesar de, como Maritheresa Fraín nos lembra, “os fundadores do PSD [terem adoptado] um programa não ideológico e pragmático”[1] onde “a designação do partido como social-democrata ajudou a reforçar as... credenciais «esquerdistas» [do PSD] no período em que ser de direita poderia significar um suicídio político”[2], não deixa de ser igualmente certo que o PSD, como representante da direita emergente no pós-25 de Abril, “procurou representar os interesses económicos e sociais dos homens de negócios, dos proprietários agrícolas, das profissões liberais, da classe média e dos trabalhadores não-marxistas das cidades e dos meios rurais”[3]. Ao mesmo tempo, o pragmatismo do PPD|PSD corresponde a uma coligação de valores que justificava o realismo pragmático que assumiu e que a imperiosa salvação nacional obrigava. Essa coligação de valores congregava sectores tradicionalmente social-democratas da oposição ao regime de Salazar e Caetano mas também, não menos importante, significativos elementos da burguesia liberal, principalmente nortenha, bem como elementos conservadores que muito facilmente poderiam ser descritos como defensores da democracia-cristã europeia. Marcelo Rebelo de Sousa resume: “É, pois, da confluência destes legados – social-cristão, social-liberal com afloramentos social-democráticos e social-tecnocrático – que nasce, ideologicamente o PSD”[4]. Em suma, a base ideológica do PPD|PSD congrega um ideário social-democrata (segundo Rebelo de Sousa em minoria), democrata-cristão e, naturalmente, liberal.
Não será, portanto, extremanente polémico afirmar-se que a social-democracia portuguesa tem raízes, quer no campo dos valores, quer no campo das pessoas que visava representar, bem díspares das suas congéneres europeias que se identificam com o socialismo. Tal coisa também se revelou na prática. Primeiro, através de Sá Carneiro e a forma como visou libertar o país da influência militar; depois, com Cavaco Silva, no processo de liberalização – e o correspondente progresso material – que o PPD|PSD conseguiu implementar nos anos 80 e 90 do Século XX. Não será demais, nem despropositado, relembrar que foi precisamente nesses anos que – com a oposição feroz do PS e da extrema-esquerda – se conseguiram implementar reformas, na altura igualmente "neo-liberais" e heréticas para a esquerda, mas que eram tão evidentemente fundamentais, tais como os bancos, as seguradoras e os órgãos de comunicação social poderem existir fora da esfera do Estado. Não será igualmente demais, nem despropositado, relembrar que foram precisamente esses anos os de maior progresso material da democracia portuguesa.
A mudança de paradigma político não visa acabar com o Estado-Social ou, muito menos, com o Estado. Ser pela liberdade não implica ser libertário. A mudança preconizada pelo PPD|PSD passa essencialmente por ter um Estado limitado pelos cidadãos ao invés de ter os cidadãos ao serviço do Estado e dos indivíduos que o controlam. Ou, por outras palavras, salvar o estado-social tornando-o mais eficaz, acessível, justo e menos dispendioso para os contribuintes.
Neste sentido, o que se exige é um esforço de libertação face aos constrangimentos herdados do salazarismo e do fervor revolucionário marxista, nomeadamente os constitucionais, que obrigam o país a ir vivendo no pântano estatista da perpétua criação de dívida. Acima de tudo, mais uma vez, aquilo que se pede do PPD|PSD é que seja capaz de implementar uma política séria, credível e eficaz para voltar a colocar Portugal na rota da prosperidade e do progresso material. Para isto é forçoso que o PPD|PSD seja fiel às suas origens e rejeite o papel colaboracionista com o PS que a oligarquia de interesses instalada em Portugal gostaria de lhe ver atribuído. Da mesma forma, no discurso, é fundamental que se compreenda que é pela rejeição do modelo socialista que Portugal poderá reencontrar-se com o caminho da prosperidade.


[1] Maritheresa Fraín, PPD\PSD e a Consolidação do Regime Democrático, Editorial Notícias, 1998, p. 243
[2] Ibidem, p. 243
[3] Ibidem, p. 14
[4] Marcelo Rebelo de Sousa, A Revolução e o Nascimento do PPD, Editora Bertrand, 2000, Volume I, p. 15

(adaptado parcialmente daqui)

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

PORTUGAL NO DIVÃ

Na ausência de explicações tradicionais para o estado de loucura generalizada em que o espaço público português vive parece-me que só falta uma visão psico-analítica para compor a coisa. Ora, cá está ela. São dois os arquétipos fundamentais que norteiam a vida humana, o arquétipo da Mãe e o do Velho Sábio, ou o do Pai. A Mãe é carinhosa, protectora, dá força, segurança e vitalidade. É o útero aconchegante. Em Portugal, a Mãe de todos nós é o PS. Dá empregos, estabilidade, promete que tudo vai correr bem e dá-nos sempre força para seguir no mesmo rumo. Daí, naturalmente, o país é do PS. Gosta de aeroportos, TGV's, estações de metro, fins da austeridade, reposição de rendimentos e demais guloseimas. A Mãe é boazinha e dá coisas. Guterres era bonzinho. Soares era bonacheirão. O outro arquétipo é a figura do Pai. Este é severo, austero, impõe limites e regras. Ensina-nos lições. Empurra-nos para a frente, mesmo se formos a berrar e a espernear. Em Portugal, o Pai é o PSD. Quer que cresçamos, exige trabalho e responsabilidade, fala de mudança. Quer regras e contas certas. Promete pouco, fala menos ainda. Cavaco foi o pai de toda uma geração de portugueses. Assim, o ciclo normal da coisa é o país escolher por regra o PS, a mãezinha que nos embala e diz que tudo vai ficar bem mas, quando o arquétipo maternal se transforma na sua variante negativa, o útero transformado num buraco escuro que nos engole, no nosso caso prático através da falência, então lá vamos nós a correr a pedir a ajuda, e a orientação, do Pai. O novo Pai é Passos coelho. O Pai que agora os infantes portugueses sonham matar como forma de afirmação adulta. Há algumas excepções, atenção, que confirmam a regra. Sócrates é a evidente: uma espécie de hermafrodita, juntou de forma megalánoma os dois arquétipos num só: a figura maternal do rosa PS com a postura inédita do governante austero. Resultado? A primeira maioria absoluta do PS e a maior falência do Estado dos últimos 40 anos. Outro hermafrodita arquetipal é Assunção Cristas: sobre a manta da direita conservadora (e austera) lá vai vendendo estações de metro ao quilo: é a Mãe Natal. Pelo que se vê, até agora a coisa vai resultando. António Costa, a mãe de todos nós, esse, vai de vento em poupa: até ao Quantitative Easing acabar. Quando a "Europa" deixar de comprar a dívida pública que sustenta a festa portuguesa, o útero gigante de Costa será, como sempre, substituído pela caverna abissal de uma nova falência. E os portugueses lá correrão atrás do paizinho, leia-se, o actual culpado de tudo o que há de errado no mundo, Passos Coelho. A questão é se ele ainda lá estará. Nos entretantos, as crianças lambuzam-se com o pote que a Mãe, às escondidas, lhes vai oferecendo. Deliciadas, sonham que durará para sempre. E, inconscientemente, dormem descansadas porque sabem que o Pai está ali ao virar da esquina para os vir safar do buraco em que, por teimosia infantil, se vão enfiando. Não, Portugal ainda não está pronto para matar Passos Coelho.

sábado, 30 de setembro de 2017

O CERCO (V)

Recebo a newsletter do Observador e, mesmo em dia de reflexão!, a segunda notícia em grande destaque, e única relativa à campanha autárquica, é para o facto de "a candidatura de Leal Coelho ter avisado [o observador] de que o PR ia passar na campanha", logo Leal coelho terá mentido quando afirmou que o encontro agora na berra seria casual. A seguir dá nota que Marcelo repudia Leal Coelho por esta dizer que o PR lhe teria ido dar uma palavra amiga. Este é o enredo ou, se preferirem, a "narrativa" da última polémica autárquica em Lisboa. Ora, três notas: (1) nem em dia de reflexão o Observador se abstém de, na única notícia relativa a eleições autárquicas, aproveitar para criticar Leal Coelho. (2) Um jornal revelar as informações que obtém de uma campanha por forma a obter notícias (neste caso que o PR ia passar) é, na essência, uma quebra de sigilo que as fontes esperam, legitimamente, ser respeitado por parte dos jornalistas. É um comportamento deplorável que mais não mostra do que a perseguição política que tem sido feita contra o PSD, Leal Coelho, tendo Passos Coelho como alvo máximo, pelo Observador na campanha autárquica de Lisboa. (3) Finalmente, quanto aos factos. O Observador foi lesto a apelidar Leal Coelho de mentirosa, reforçando a ideia com uma notícia em pleno dia de reflexão, e alicerçada na revelação de informação dada a título confidencial, mas esquece-se convenientemente de um pormenor: se foi avisado o Observador vinte minutos antes de que o PR ia ali passar, e se foi avisado pela campanha de Leal Coelho, então o PR terá avisado a campanha de Leal Coelho que iria ali passar. Isto é evidente e inegável. Se assim é, o PR avisaria Leal coelho, ou a sua campanha, de que iria visitar a sua campanha por que outra razão além de "dar uma palavra amiga"? Sobre isto o o Observador não se pergunta? Seria para quê a visita de Marcelo se não para dar uma palavra amiga? Seria para vilipendiar Leal Coelho? Para a criticar? Para lhe espetar uma facada nas costas? (esta talvez mas não seria anunciada) Ou seja, Leal Coelho, para proteger o PR, não diz que foi avisada, apesar de o ter sido, e o PR, para salvar a pele, acaba a fazê-la passar por mentirosa. Dez minutos depois o Observador larga a "notícia" de que Leal Coelho era mesmo mentirosa e a partir daí o palco está montado para mais um show "vamos todos bater na candidatura do PSD a Lisboa". O que vale é que todos sabemos que Marcelo não é dado a planos mirabolantes e maquiavélicos e que o Observador é um jornal independente. E assim se faz política (e suposto jornalismo) em Portugal. Chique a valer, hein?
#portugalnasmãosdosoligarcas

O CERCO (IV)

Tirando a névoa mediática, indo ao tutano, o facto mais relevante para o sistema político-partidário-económico português dos últimos anos foi a queda de Ricardo Salgado da sua posição central no (Prof. Marcelo dixit) "bloco central de interesses". Ponto. Desde aí, tudo o que se tem passado é uma tentativa de reorganização desse bloco que, para sua estabilidade, necessita de ver o grande responsável pela queda de Salgado, Passos Coelho, removido da sua posição central no sistema político português, sobrando o PS (sempre amigo dos poderosos que o sustentam) e Marcelo Rebelo de Sousa (amigo pessoal de Salgado). Daí a campanha negra mediática que está em curso contra ele, Passos Coelho, e, por arrasto, contra o PSD nestas autárquicas, levada a cabo pelos meios de comunicação social (detidos na sua larga maioria pelos poderosos oligarcas portugueses). É isto. Espantoso é ver a esquerda portuguesa, por conveniência, do lado do banqueiro arguido, unida em uníssono contra alguém que mais não fez do que a sua obrigação.
#portugalnasmãosdosoligarcas

O CERCO (III)

Consegue-se aferir o incómodo que alguém representa para a oligarquia de interesses instalada nos bastidores do estado-espectáculo português pelo nível de violência com o qual esse alguém é atacado na praça pública. Não tenho memória, sinceramente, de uma campanha negra concertada, tanto no nível político, como no partidário e, em particular, no mediático, tão violenta como aquela a que vou assistindo contra Passos Coelho. A nova intentona - de facto nova pois nunca tinha visto tal coisa - é uma candidata, sem se demitir, vir criticar o líder do partido pelo qual se candidata, tal como a sua própria cabeça de lista, na véspera das eleições. Na véspera das eleições, atente-se. Que outro motivo poderá haver para lá da pura e dura sabotagem? Salvo alguma incapacidade mental grave, que imagino não ser o caso, nenhum outro motivo se poderá imaginar. A oligarquia não brinca em serviço. No entanto, intuo eu, de tanto baterem no ceguinho, tal é o exagero, ainda o elevam a santo. E de santo a primeiro-ministro são apenas dois ou três Passos. Quanto mais batem no homem mais eu acredito que ele lá vai chegar outra vez.
#portugalnasmãosdosoligarcas

LINHAS DIREITAS T3




O Linhas Direitas, agora na crista da onda mediática, estará de regresso para a semana. Entretanto, fica aqui uma grande reportagem (3min) num programa de rádio de referência nacional sobre o iminente, e muito aguardado, regresso do Linhas Direitas para a sua terceira temporada.

PARADOXO

Existe algo intrinsecamente paradoxal no artista "rebelde", o roqueiro de longos e despenteados cabelos, com profusas tatuagens e cheio de piercings, que abre as portas de sua casa a jornalistas, apenas para mostrar as suas amplas salas confortavelmente atapetadas, plenas de cortinados de veludo, sofás almofadados de cor creme, paredes forradas com espelhos e quadros de talha dourada e muitas almofadinhas de decoração. Eu ainda sou do tempo em que os heróis, estes sim rebeldes, se finavam novos, exauridos, afogados em poças do seu próprio vómito, agarrados a garrafas ou seringas ou, ainda, com tiros auto-inflingidos, todos tragicamente auto-destruídos pelos excessos aos quais a sua recusa da normalidade os condenou. Eram os relembradores da tragédia. Sinceramente, quem é quer saber destes betinhos de hoje em dia, todos apologistas do saudável, todos muito salvadores do mundo, todos muito bonzinhos, e que se ofendem com umas bocas se forem "politicamente incorrectas", isto enquanto se ocupam a rodar anúncios televisivos que lhes rendem milhões para gastar em decoradoras de interiores?