sexta-feira, 23 de novembro de 2007

JERRY SEINFELD

Secção dos grandes comediantes

FACTO ESTRANHO

"Curiosamente, facto estranho e que merece a mais atenta e precisa investigação, é precisamente de imposições sobre o que havemos e devemos de fazer que se fazem as nossas vidas. É de conselhos sobre o bom que tudo pode ser se fizermos, acreditarmos, seguirmos, concretizarmos ou comprarmos o que quer que seja que nos estão a vender. E vendem mesmo. Talvez a grande característica dos nossos tempos, vidas de suposta e desejada liberdade, seja a grande quantidade de pessoas que se dedicam à venda, ao lucro, ao marketing, pessoas tão altruístas que baseiam a sua existência no satisfazer as necessidades dos clientes, dos consumidores, sim, somos nós esses, mais do que pessoas, o paradigma do século vinte e um é que somos clientes e consumidores, números num balancete comercial, pessoas é só às vezes, cidadão é termo que não interessa, não interessa a ninguém, claro que não, não é uma necessidade dos clientes consumidores essa estranha coisa de se querer ser cidadão. E tanto mais estranhos são estes tempos em que vivemos que são uns poucos, uns quantos, um número mínimo de pessoas que andam a dizer aos outros, a todos, à maioria, quais são as coisas de que precisam, é assim mesmo, alguns idealizam, uns poucos constróem e uns quantos marquetizam, criam necessidades e dizem-nos a todos como devemos ser felizes. Estranho mundo este onde uns poucos nos dizem o que necessitamos. Talvez fizesse mais sentido ao contrário, talvez o mundo se devesse virar de pernas para o ar, e os rios nasciam no mar, indiferente, o que quer que seja, talvez devêssemos nós achar que somos todos inteligentes e capazes de saber quais são as nossas próprias necessidades, talvez os marquetistas devessem andar a falar com as pessoas e a ouvir aquilo que lhes faz falta, talvez devessem andar esses marquetistas a tentar convencer os poucos que constróem sobre aquilo que os muitos querem, em vez de andar a convencer os muitos sobre o que os poucos querem construir. Mas enfim, são estes mundos ideais coisas da imaginação e do devaneio, não é assim que as coisas funcionam nem poderiam funcionar, claro que não, onde estávamos nós com a cabeça. Ficam os sonhos para o mundo dos sonhos, voltemos nós aos nossos pesadelos, talvez seja isso mesmo, talvez o nosso maior pesadelo seja esse de nem sequer sabermos que necessidades temos. E logo vêm os vendedores de sonhos. Logo vêm eles com um sorriso na cara mostrarmo-nos como é tão fácil sermos mais felizes se tivermos aquela nova coisa inventada pelos melhores e maiores especialistas que nos vai satisfazer aquela necessidade que nós não sabíamos que tínhamos. Como era possível viver sem tal coisa, perguntamo-nos nós, estamos aqui para o servir, diz o vendedor de sonhos, não se preocupe, é só assinar aqui, passar aqui o cartão, endossar aqui o cheque, pode ser a débito, crédito, prestações, endivide-se, gaste, faça como quiser, não se preocupe com mais nada, agora goze o produto e seja feliz. E depois a novidade passa, a felicidade não apareceu, afinal tenho todos aqueles problemas para resolver, o miúdo que não estuda, o dinheiro que faz falta, o Amor, a Confiança que não existem, pois é, maleitas do espírito, para essas os vendedores de sonhos não têm solução, talvez seja precisamente por isso que a felicidade tarda em aparecer, talvez esta se faça com as coisas do espírito e do coração, coisas de difícil e árduo caminho, e não tanto com as coisas que com uma assinatuira e um cheque passamos a ter. Talvez a felicidade se faça mais de ser e menos de ter. Mas isso os marketistas não dizem. Não podem. Porque coisas do ser não se vendem. Enfim. Ficam as dores de quem escreve, os lamentos de quem vê, tantos e tantos e tantos a comprarem tanto e tanto e tanto e depois, falta qualquer coisa, pois, é isso, falta qualquer coisa e lá vão eles comprar mais tantos e tantos e tantos, esquecendo-se que se não foi à primeira que resultou porque diabo haveria de resultar agora. E é assim. É mesmo de vendedores de sonhos que se fazem os dias da nossa infelicidade."

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

STEPHEN LYNCH

Secção dos grandes comediantes

PERDIDOS E ACHADOS

Ode humanesca permanente

Ele há
Vidas perdidas.
Futuros não concretizados.
Anseios não respondidos.
Frustrações invadidas.
Aprendizagens explodidas.
E depois,
Futuros incertos.
Riscos novos.
Erros novos.
Humanos sentidos.
Aprender.
E o sol brilha.
E dão-se
Explosões de sentimentos.
Invasões de vitórias
Evasões de derrotas.
E
Vidas perdidas outra vez.
Erros declarados.
Sempre.
Mas
Para sempre há
Vidas novas.
Futuros incertos.
E
Sofrer é viver.
Viver é aprender.
Aprender é sofrer.
Sofrer é viver.
Ah, e
Viver é felicidade.
São
Felicidades perdidas.
Sim.
Felicidades vividas.
Sempre.
Felicidades sofridas.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

terça-feira, 20 de novembro de 2007

OLHOS QUE PERGUNTAM

Ode perscrutadora animalesca

Os olhos do Gato perscrutam.
Perguntam.
Querem saber.
Indagam.
A curiosidade matou o Gato.
E os olhos do Homem?
Perguntam?
Sim.
E respondem.
E têm certezas.
O Gato não responde.
O Homem pensa que sabe.
Dogma.
Para o Gato tudo é possível.
Para o Homem tudo é impossível.
Porque ele sabe.
Pensa que sabe.
E depois não pergunta mais.
O Gato não sabendo,
Sabe mais do que antes.
O Homem sabendo,
Sabe tanto quanto antes.
A curiosidade matou o Gato.
A certeza matou o Homem.

WAKING LIFE'S LIFE LESSONS



(Philosophy professor Robert Solomon, at the University of Texas at Austin)

"The reason why I refuse to take existentialism as just another French fashion or historical curiosity is that I think it has something very important to offer us for the new century. I'm afraid we're losing the real virtues of living life passionately, sense of taking responsibility for who you are, the ability to make something of yourself and feeling good about life. Existentialism is often discussed as if it's a philosophy of despair. But I think the truth is just the opposite. Sartre once interviewed said he never really felt a day of despair in his life. But one thing that comes out from reading these guys is not a sense of anguish about life so much as a real kind of exuberance of feeling on top of it. It's like your life is yours to create. I've read the postmodernists with some interest, even admiration. But when I read them, I always have this awful nagging feeling that something absolutely essential is getting left out. The more that you talk about a person as a social construction or as a confluence of forces or as fragmented or marginalized, what you do is you open up a whole new world of excuses. And when Sartre talks about responsibility, he's not talking about something abstract. He's not talking about the kind of self or soul that theologians would argue about. It's something very concrete. It's you and me talking. Making decisions. Doing things and taking the consequences. It might be true that there are six billion people in the world and counting. Nevertheless, what you do makes a difference. It makes a difference, first of all, in material terms. Makes a difference to other people and it sets an example. In short, I think the message here is that we should never simply write ourselves off and see ourselves as the victim of various forces. It's always our decision who we are."



(A blonde woman is talking in a house - Kim Krizan, screenwriter)

"Creation seems to come out of imperfection. It seems to come out of a striving and a frustration. And this is where I think language came from. I mean, it came from our desire to transcend our isolation and have some sort of connection with one another. And it had to be easy when it was just simple survival. Like, you know, "water." We came up with a sound for that. Or "Saber-toothed tiger right behind you." We came up with a sound for that. But when it gets really interesting, I think, is when we use that same system of symbols to communicate all the abstract and intangible things that we're experiencing. What is, like, frustration? Or what is anger or love? When I say "love," the sound comes out of my mouth and it hits the other person's ear, travels through this Byzantine conduit in their brain, you know, through their memories of love or lack of love, and they register what I'm saying and they say yes, they understand. But how do I know they understand? Because words are inert. They're just symbols. They're dead, you know? And so much of our experience is intangible. So much of what we perceive cannot be expressed. It's unspeakable. And yet, you know, when we communicate with one another, and we feel that we've connected, and we think that we're understood, I think we have a feeling of almost spiritual communion. And that feeling might be transient, but I think it's what we live for."


in Waking Life

Clicar no título para ver a ficha técnica do filme, clicar nos links a laranja para ver os excertos transcritos e ir até ao post "waking Life" de Октябрь 19, 2007 para ver o trailer. Ainda, para ver o resto das transcrições visitar o site Striving Life Ou então não. Life is yours to create...

domingo, 18 de novembro de 2007

ROADS

“Two roads diverge in a wood and I took the road less traveled by. And that has made all the difference.”

Walt Whitman

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO

Não é o meu caso, sou um conservador no que diz respeito à leitura, nada melhor do que um livro. No entanto para quem quiser ler esta obra em pdf, ou imprimi-la para ler em papel, fica aqui a prenda de aniversário do José Saramago...

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

SARAMAGO OITENTA E CINCO

José Saramago faz oitenta e cinco anos. Uma marca notável, ainda para mais se levarmos em linha de conta a contínua publicação de obras que mantém.

De toda a sua obra vejo-me forçado a fazer sobressair o impagável "Evangelho Segundo Jesus Cristo". Se por um lado foi uma obra considerada herege pelos conservadores círculos católicos portugueses, também não posso deixar de dizer que para mim é um dos grandes livros da minha vida, motivo de grande regozijo e prazer ao ler, de grande reflexão literária ao terminar e de grande influência na minha própria escrita.

Obra polémica que culminou com o então Sub-Secretário de Estado da Cultura Sousa Lara a retirar do conjunto de livros portugueses sujeitos a prémios internacionais, questão que motivou a saída do escritor de Portugal. É pena. Saramago veio a ser o único autor de língua portuguesa a receber o Prémio Nobel da Literatura, a maior distinção literária do planeta, e de Sousa Lara nunca mais ninguém ouviu falar, excepção feita ao período em que fez parte como arguido do mega processo da Universidade Moderna. Ele há coisas... A verdade é que o "Evangelho Segundo Jesus Cristo está traduzido em mais de dez línguas e é internacionalmente consagrado como uma das grandes obras da literatura mundial. E é nosso!



Mas nem só de polémicas vive a obra de José Saramago. Com um estilo inconfundível, o autor apresenta-nos um narrador omnipresente, majestático e imponente pelo seu próprio plural, onde comentando e opinando de forma sarcástica e irónica ao mesmo tempo que relata aquilo que pretende relatar, consegue levar-nos ao fantástico mundo da Sófia, por oposição à Doxa que parece imperar por esta tão triste caverna mediática em que somos forçados a viver.

E para quem critica sem ler que "Saramago é tão mau que não sabe usar pontuação" devo aqui deixar bem claro que talvez a leitura seja menos óbvia, mais difícil ao início, motivo para que tantos que o criticam talvez nunca tenham passado da primeira página, mas uma vez habituados percebe-se que ler Saramago é um investimento numa forma fantástica de escrita, um estilo original que conquista uma dinâmica narrativa única que resulta numa sintonia extraordinária entre o leitor e o contador de histórias. E é assim mesmo que deve ser.

Saramago, mais que um escritor, é um pensador ou - como ele próprio teve a ocasião de me dizer pessoalmente enquanto lhe cravava um autógrafo - um pensador é sempre um sonhador. E Saramago será certamente um sonhador do mundo em que vive, em que vivemos, do mundo que nos rodeia, influencia e, muitas vezes, nos faz esquecer muitas coisas importantes da vida.

Deixando politiquices de lado, debruçarmo-nos sobre a obra de Saramago, mais do que o prazer da leitura, é uma viagem à descoberta da nossa própria humanidade.



Toda a vida de Saramago é um facto extraordinário, nas suas próprias palavras "é a vida que não podia ter sido". Neto de criadores de porcos, filho de um guarda civil e de uma faxineira, serralheiro mecânico de profissão, Saramago veio a ser o maior vulto da literatura portuguesa contemporânea.

É de leitura obrigatória.

Aqui fica uma entrevista que José Saramago concedeu a uma canal brasileiro. Para mais informações sobre os livros do autor clicar no título do post.

PARABÉNS SARAMAGO! E obrigado.

Parte 1



Parte 2

CARLOS PAIÃO

Teria feito cinquenta anos em 1 de Novembro. Aqui fica o tributo tardio com a representação portuguesa no Festival da Eurovisão de 1981.

JOY DIVISION



















por Nuno Galopim

"Hoje, estreia-se em Portugal Control, filme no qual o fotógrafo holandês Anton Corbijn (célebre pelo trabalho com bandas como os U2 e Depeche Mode) retrata a vida de Ian Curtis (1956- -1980) e da banda mítica que liderou, os Joy Division.

Baseado na biografia assinada pela sua viúva, Deborah Curtis (publicada em Portugal, pela Assírio & Alvim, como Carícias Distantes) o filme preocupa-se mais com o homem que com a música que nos deixou. Numa perspectiva "familiar", descobrimos o jovem que admira David Bowie e que, como tantos seus contemporâneos na Inglaterra de meados de 70, vê a sua vida mudada pela descoberta do punk.

Estamos num bairro periférico de Manchester, em finais de 70. Ian Curtis, funcionário público das nove às cinco e criativo nas horas vagas, forma, com três amigos, os Warsaw, pouco depois mudando o nome para Joy Division. Em menos de dois anos, o grupo tornou-se num dos mais destacados fenómenos do movimento pós-punk, acabando inclusivamente transformado no paradigma de uma atitude que, entre nós, acabou conhecida como urbano-depressiva.

As letras e voz de Ian Curtis e o tom sombrio da música dos Joy Division foram expressão perfeita de um tempo e um lugar onde estas vidas aconteceram. Dividido entre um casamento precoce (e frustrado) e a descoberta de um novo amor numa jovem belga, atormentado por uma epilepsia (que se chegou a manifestar em palco), assustado com a ideia de uma carreira musical de cada vez maior relevo e mediatismo, Ian Curtis mergulhou numa espiral de tormentas que culminaram, a 18 de Maio de 1980, no seu suicídio, em véspera de partida dos Joy Division para a sua primeira digressão nos Estados Unidos.

A tragédia de Ian Curtis tem marcado gerações de músicos e melómanos desde então. Control assinala o reencontro de Anton Corbijn com uma das primeiras bandas que fotografou.|"

in DN 2007.11.15

A não perder! Para mais detalhes clicar no título do post.

Aqui fica um pequeno trailer do filme.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

H2O REVOLUTION

E que tal se, em vez de andarmos a destruir o planteta, fosse possível conduzirmos carros movidos a água?



QUANDO É QUE VAMOS ACORDAR?

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

E TU E EU O QUE PODEMOS FAZER?

Half of the solution to stopping climate change is simply saving the power we use. Yes, sure, we need to replace dirty energy with the green stuff (wind, solar, etc.)... But we also need to get rid of technologies and practices which waste power. That's why I'm writing you about Greenpeace's international energy efficiency campaign. This campaign is about people like us helping to outlaw products that waste energy. Every week, for seven weeks, Greenpeace sends out an email with instructions how to campaign effectively for energy efficiency.

Every ton of carbon dioxide pumped into the atmosphere, every coal burning power plant built and every energy wasting lightbulb installed makes it harder for us to stop climate change. Each one is one more thing we'll need to undo. Better to get it right the first time.

Let's start an energy revolution!

I hope you'll join me today: Click in the post title to join.