Pensamento, m. - Acto ou efeito de pensar. Qualquer acto de inteligência. Fantasia. Ideia. Espírito. Uso da razão. Reflexões

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

MARLANGO

"Madness"

AL GORE, "O ATAQUE À RAZÃO" II




















"A relação entre a fé, a razão e o medo assemelha-se por vezes àquele jogo infantil da pedra, do papel e da tesoura. O medo neutraliza a razão, a razão contesta a fé, a fé supera o medo.
(...)

O medo, porém, pode perturbar o equilíbrio fácil entre a razão e a fé - especialmente o medo irracional de um tipo que a razão tem mais dificuldade em dissipar. Quando o medo prevalece sobre a razão, muitas pessoas sentem uma necessidade maior da certeza reconfortante da fé absoluta. E tornam-se mais vulneráveis aos apelos de dirigentes seculares que manifestam uma confiança absoluta em explicações simplistas, apresentando todos os problemas como expressões da luta entre o bem e o mal.(...) Em termos simples, quando o medo e a ansiedade desempenham um papel mais importante na sociedade, a lógica e a razão têm um papel menor no nosso processo de decisão colectivo."

RODRIGO LEÃO

"Rosa"

AL GORE, "O ATAQUE À RAZÃO" I




















"A comunicação baseada na psicologia foi investigada pela primeira vez por um outro austríaco da geração de Hitler, Edward Bernays, sobrinho de Sigmund Freud. Bernays adptou as ideias revolucionárias do seu tio para criar a moderna ciência da persuasão de massas - tomando como base, não a razão mas sim a manipulação de sentimentos e impulsos subconscientes.

(...) Um dos primeiros êxitos de Bernaysesteve ligado ao seu trabalho para a American Tobacco Company, que o levou a entrevistar psicanalistasa fim de descobrir por que razão na década de 1920 as mulheres não fumavam cigarros. Ao tomar conhecimento da opinião dos psicanalistas de que as mulheres viam os cigarros como símbolos fálicos do poder masculino, considerando-os, como tal, impróprios para pessoas do seu sexo, Bernays contratou um grupo de mulheres para se vestirem e comportarem como sufragistas. Pô-las a desfilar pela Quinta Avenida em Nova Iorque, numa marcha a favor dos direitos das mulheres, e, ao passarem pelos repórteres fotográficos, elas deviam puxar de cigarros, acêndê-los e dizer que eram «tochas da liberdade». A estratégia resultou e venceu a resistência das mulheres aos cigarros.

Uma segunda vitória envolveu uma empresa que produzia misturas para bolos da marca Betty Crocker. Barnays descobriu que as mulheres não estavam a comprar misturas para bolos porque tinham vergonha de apresentar aos maridos um bolo que exigia tão pouco esforço. Aconselhou que se modificasse a fórmula de modo a ter de se acrescentar um ovo fresco, e, mais uma vez, a estratégia resultou. As mulheres passaram a sentir que acrescentar um ovo era suficiente para merecerem elogios pelos seus dotes culinários, e a mistura para bolos passou a vender-se muito bem.

O sócio de Bernays, Paul Mazur, percebeu que as novas técnicas de persuasão de massas tinham um significado mais amplo. "Temos de fazer com que a América deixe de ser uma cultura de necessidades para se tornar numa cultura de desejos", disse Mazur. "É preciso treinar as pessoas para desejarem, para quererem coisas novas mesmo antes de as coisas que já têm terem sido inteiramente consumidas. Temos de formar uma nova mentalidade. Os desejos do homem têm de se sobrepor às suas necessidades".

"Fazer publicidade", segundo uma frase frequentemente citada de George Orwell, "é agitar um pau dentro de um balde de comida para porcos". No meio de todos estes termos sublimes, vale a pena lembrar do que é que estamos a falar.

Aquilo que se deveria ter considerado mais preocupante quando estas novas técnicas foram introduzidas era o perigo que representavam para a lógica interna do capitalismo. A mão invisível de Adam Smith começava a dar lugar a uma marioneta invisível manipulada por operadores de mercado que estavam agora em posição de fabricar procura."

in Al Gore, "O Ataque à Razão", pp 113-114.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008