quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O CULTO DA MODERNIDADE

A ânsia permanente por aquilo que é novo e moderno apenas revela o estado de vacuidade que o consumismo acelerado quotidiano imprime nas nossas vidas. É um vazio que se transforma numa necessidade por cumprir, numa ânsia, numas ganas de qualquer coisa sem a qual a incompletude é uma sentença perpétua. E para fugir de tamanha pena capital, ao sabor de cantos de sereia com promessas tão vãs quanto irreais e infantis, seguem os humanos modernos e novos essas soluções imediatas que de tão imediatas se tornam fugazes e inglórias. E de compra em compra, de consumo em consumo se reza no altar da modernidade redentora, aquela que estando sempre ao virar da esquina quando se alcança se percebe que afinal é sempre na esquina a seguir. São cenouras, burro. São cenouras.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

SOBRE O DISCURSO DA MODERNIDADE

Tenho de dizer que me irrita. Muito. Irrita-me o facto de haver uma conotação evidente entre o novo e o bom. Basta ver um qualquer anúncio para perceber que devemos comprar determinada coisa porque é nova. E porquê? Porque se essa coisa é nova, então é boa. E isto é o que me entra nos nervos. Será que esta gente não percebe que a novidade tanto pode ser boa como má? Dizer que o novo é bom é a assumpção da identidade acrítica perante a mudança. A mudança não é um valor per si. É uma consequência da aceitação de algo novo que foi entendido como bom. Não se muda só por mudar. Muda-se quando vale a pena. Quando é para melhor. E, evidentemente, nem sempre é assim.
Esta idiótica ideia de que o que é novo é forçosamente bom leva ainda a outra imbecilidade: A ideia de que o que é velho é mau. O que não falta por aí é essa ideia glorificada em clínicas de operações plásticas e nessas personagens trágicas que para aí andam, todas com a mesma cara, coitadas. Logo, os valores, porque são velhos são maus. Isso é coisa do século passado. Logo, a tradição porque é velha é má. Logo, os nossos pais, porque são velhos são maus. Experiência? Que nada. Infantil idiotice, enfim. E é assim, nesta triste ilusão de uma modernidade ansiada, desejada e nunca sentida que as eternas crianças caminham, rindo e cantando, rumo ao abismo, que sendo novo não se entende como abismo, fugindo de um lobo mau que só foi idealizado por um qualquer escritório marquetista na tentativa de vender mais um computador Magalhães, ou outro lixo plastificado qualquer. No culto do futuro, aniquilam-no. Na busca de uma cenoura imaginária, morrem de fome.

SOBRE O SOCIALISMO (DITO) MODERNO

"F. é proprietário de um estabelecimento de equipamentos de escritório – mobiliário e produtos informáticos de grande consumo – numa pequena cidade do interior. Crianças e jovens em idade escolar eram os destinatários de grande parte das suas vendas. Com um empregado e o apoio da patroa na gestão administrativa, tinha a estrutura q.b. para levar o negócio a bom porto.
Há cerca de ano e meio as vendas de computadores começaram inexplicavelmente a baixar. E vieram continuamente a deslizar para os valores quase nulos de agora. Motivo: as centenas de milhares de Magalhães distribuídos gratuitamente nas escolas, em proveito exclusivo da J.P. Sá Couto.
As vendas de material informático de F. resumem-se agora a software e a pequenos componentes e equipamentos periféricos. Há 6 meses dispensou o empregado e neste ano lectivo mudou o filho de um colégio particular para a escola pública. Poupou nas propinas e ainda ganhou um Magalhães. Tem em stock alguns PCs que já são monos e que teria dificuldade em escoar, mesmo gratuitamente. Não conhece ninguém com filhos que não tenha Magalhães em casa: os que comprariam computador se não fosse oferecido e os que jamais pensaram em adquiri-lo.
Faça-se a extrapolação deste caso a nível nacional e imaginem-se os negócios destruídos, o desemprego criado pelo Magalhães e a irracionalidade pedagógica de viciar prematuramente crianças em joguinhos imbecis. Entretanto, a facturação da J. P. Sá Couto , para onde se transferiram os negócios de centenas ou milhares de PMEs, subiu em 2008 mais de 1.000%. Esta empresa não disponibiliza as contas no seu site, mas se considerarmos que o grosso das suas vendas decorrem do projecto Magalhães, isto significa, na prática, que a maior parte da sua produção é subsidiada. Ou seja, o valor acrescentado que a empresa gera (o seu contributo para o PIB) é seguramente negativo. Se a isto somarmos os empregos destruídos, o panorama é ainda mais negro.
O centralismo também passa por aqui, por uma economia crescentemente planificada, tanto mais pobre quanto mais dirigida e sujeita aos caprichos pseudo-modernistas de um 1º ministro de cariz fascizante."

OBRIGADO

"Como a república. Refiro-me ao aperitivo servido em quantidades industriais: "O PSD não existe politicamente". Esta palavra de ordem é falsa, claro, e é operacional, também é claro.
A falsidade destapa-se facilmente: ainda o novo governo não tinha tomado posse e já a propaganda fazia circular a ideia de que a direcção do PSD não existia.
A operacionalidade é óbvia. A falange
 coelhista ( hiper-mediática) pretende passar uma mensagem salvífica, pois sabe que é a única forma de se fazer ouvir. Com uma certa razão: se as pessoas estiverem desesperadas engolem qualquer coisa.
O problema é que MFL tem dito o que é preciso, tem insistido no que é necessário e tem-se mantido fiel ao que explicou aos cidadãos durante a última campanha. É o que o país espera de uma pessoa dedicada, sem ambições pessoais e responsável, que podia há muito ter ido para casa, mas não foi. E isto irrita, não é?"

Aqui.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL

e tal. Boa comida e bom vinho; poucas prendas que este consumismo já farta.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

DO INTERESSE


"Mas a quem interessa esta agenda política tão alienada da realidade? A quem interessa a intriga palaciana constante, também constantemente acompanhada por um discurso pouco polido, para não dizer desastradamente vulgar, na pior acepção do termo? Com cerca de 40% da população a atingir níveis de pobreza, não fora a ajuda pública. As últimas sondagens dizem tudo.
Chega de ruído, de desculpas, que o País precisa de trabalho, a começar pelo Governo.
Mas, se nos rodearmos de pequenos calígulas, a situação só propiciará mesmo a corrupção económica e moral desta nossa sociedade."
Paula Teixeira da Cruz, in CM

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

NEVE EM LEIDEN






O TRIUNFO DOS PORCOS


"Greece is just "the tip of the iceberg," said Norbert Barthle, budget spokesman for the ruling Christian Democratic Union of German chancellor Angela Merkel. The exploding budget deficits of weaker economies have forced Germany and other financially stronger countries to think about how to shore up other members of the euro zone against a potential financial-market rout.
Portugal, Ireland, Italy, Greece and Spain, a group traders have disparagingly dubbed "PIIGS," all have huge budget deficits and very low growth prospects, which means their debt is on course to rise further, fast."
In The Wall Street Journal. Apanhado aqui.


Temos, de facto, motivos de orgulho. Estamos a "avançar Portugal" e no rumo do "progresso". Não é que me afecte muito que por essa Europa fora nos chamem de PIIGS, já fomos PIGS e, tirando um ataque ao ego e ao orgulho nacional, não vem mal nenhum ao mundo, pelo contrário, talvez nos faça acordar. Não, isso não me chateia. O que me irrita verdadeiramente é que, desta vez, eles têm razão.

PORTUGAL NO CENTRO DO MUNDO



                     (ondas teoréticas causadas pelo sismo de ontem)


De alguma forma haveríamos de lá chegar.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

TALVEZ ISTO EXPLIQUE

"O stress crónico afecta a tomada de decisões em humanos, levando-os a basear-se mais no hábito do que em objectivos, segundo um novo estudo de um investigador português
(...)
a exposição ao stress crónico activa mais no cérebro o circuito neuronal implicado em comportamentos habituais e menos o implicado em comportamentos orientados por objectivos, o que é fundamental nos processos de decisão.
(...)
uma atrofia dos neurónios e uma perda de contacto sináptico entre as células neuronais", que se traduz, do ponto de vista comportamental, numa perda de capacidades cognitivas". 
No Jornal I


Talvez isto explique parte da loucura que estamos a assistir no nosso país. Os nossos governantes, loucos de stress, cheios de pressão, decidem por "hábito", perdem noção dos "objectivos" a longo prazo e são influenciados "por uma perda de capacidades cognitivas". De facto, há que admitir que bate certo. E também podemos ver pelo outro lado da questão: Numa sociedade cada vez mais stressada, cada vez mais imediatista e cada vez mais acelerada vemos o stress atacar todos os seus cidadãos que, em consequência disso, decidem maioritariamente por "hábito", perdem noção dos "objectivos" e são influenciados "por uma perda de capacidades cognitivas". Sem dúvida. Isto explica muito do que se passa neste país e porque temos os governantes que temos. Talvez a solução para a crise esteja numas caixas de calmantes.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

KEEP THIS DEVIL DOWN IN THE HOLE

FRIO

Está um frio de rachar. Menos três graus e meio. A caminhada até à biblioteca é longa e árdua. Na antevisão de tamanho desafio dou por mim a suspirar por um cachecol. Irrito-me por me ter esquecido de o trazer. De repente ocorre-me que tenho o cachecol do Benfica pendurado na parede. Maravilha. Em semana de jogo com os tripeiros só me fica é bem.

NÃO OS SUPORTO


Já não consigo ouvir esta personagem. É tão oco, demagógico e tenta falar tão alto, abrindo muito a boca e levantando o queixo para ver se tem mais razão, enquanto vomita asneira atrás de asneira, slogan atrás de slogan, transparente no seu pequeno interesse, tão lesivo do nosso interesse. A irresponsabilidade pura que acusa os outros de irresponsabilidade, enlameando-os no seu esterco. Irra que não o suporto. É o protótipo do politicozinho que anda para aí, tal e qual o nosso primeiro-ministro mais os seus ajudantes desde os tempos do Freeport Ministério do Ambiente e outros tantos, tantos em tantos partidos, em todos os partidos. Caruncho político. Essa pandilha é toda igual. Abre e fecha a boca, como um mimo, diz muitas palavras mas não é mais do que um papagaio que solta sons, a mando do mestre e doutrinador, em busca de uma recompensa. Esta personagem é um político. Um político como aqueles (muitos) que andam por aí. Na busca incessante da sua afirmação pessoal (pequenino, tão pequenino...) tudo fará, sem vergonha, rumo ao seu objectivo: o reconhecimento político e social. Quando deita a cabeça na almofada sonha, de uma forma quase erótica, consigo próprio a discursar do alto de uma tribuna, sonha com multidões afónicas de tanto gritar e com as mãos em ferida de tanto palmear que o aplaudem, que o elogiam, que o reconhecem como o grande, o grande político. Sonha que diz, fala e discursa mas, claro, não sonha com o que diz, com o que fala ou com o que discursa. Isso não interessa. O conteúdo não importa. Porque não o tem. Esta personagem na ânsia de sentir que é algo tenta simiamente imitar o comportamento daqueles que ele reconheceu como sendo alguém. Ele também quer ser alguém. E por isso imita. Faz de conta. Finge que é. Ele viu grandes homens e tenta ser um grande homem. No entanto, porque é de um pequeno homem que aqui falamos, aquilo que o pequeno descortina no grande será sempre pouco, será sempre pequeno também. E por isso imita a forma. Imita frases famosas sem que lhes conheça o significado. Imita o discurso mas sem perceber o seu conteúdo. É um palhaço. E os palhaços estão a dar cabo disto tudo. Irra que não os suporto.

A PROPÓSITO DO AQUECIMENTO GLOBAL

vale a pena ler esta entrevista.
Daqui.

NÍVEIS

Se na liberdade de imprensa vamos ao nível do Sudão, nos comboios vamos ao nível da Argélia.
Daqui.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O PALHAÇO, por Mário Crespo


"O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.

E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.

Ou nós, ou o palhaço."

JOHNNY CASH

"Personal Jesus"

NA DIVAGAÇÃO

Tendo começado a divagar por entre sonhos e hipóteses mirabolantes e fantásticas, dei por mim a rir-me de mim próprio, a rir-me comigo e de mim. Assim se reconhece a estupidez humana, o auto-riso; assim se afirma a inteligência humana, o auto-riso.

THE UNENCUMBERED SELF

"As bearers of rights, where rights are trumps, we think of ourselves as freely choosing individual selves, unbound by obligations antecedent to rights, or to the agreements we make. And yet, as citizens of the procedural republic that secures these rights, we find ourselves implicated willy-nilly in a formidable array of dependencies and expectations we did not choose and increasingly reject. In our public life, we are more entangled, but less attached, than ever before.
(...)
As the scale of social and political organization has become more comprehensive, the therms of our collective identity have become more fragmented, and the forms of political life have outrun the common purpose needed to sustain them."

Michael Sandel

domingo, 13 de dezembro de 2009

A ARCA DE SÓCRATES

Vi há uns dias o tenebroso filme 2012 (2009). O filme é francamente mau mas a minha queda por filmes catástrofe maus (quanto piores, melhor) permitiu-me vê-lo até ao final. O enredo (fraquinho, fraquinho...)a determinada altura centra-se no facto de, sendo certo que o mundo ia acabar e os meios para salvar parte da Humanidade serem muito escassos, ter de se escolher métodos para decidir quem salvar numa espécie de Arca de Noé II e repovoar o planeta no pós-fim do mundo. No filme, uma das personagens principais fica muito chocada ao tomar conhecimento que quem tem lugar na arca salvadora ou é um cientista proeminente ou comprou (literalmente) o bilhete para ali estar. Isto pôs-me a pensar. Estas situações pouco plausíveis de extrema necessidade tendem a representar exercícios mentais interessantes. Coloquei a mim próprio a seguinte questão: E se houvesse uma qualquer catástrofe desta natureza em Portugal e só alguns pudessem ser salvos, o que aconteceria? Comecei imediatamente a rir-me com a visão da Comissão Política Nacional do PS a puxar os cordelinhos para os filhos, enteados, amigos e amigos dos amigos, o desfile dos Joaquim's Oliveiras e sucateiros Godinho, os Varas e Penedos, os acessores de imagem, comunicação e marqueting e etc, etc... todos eles agarrados à pratas lá de casa, a salvar as riquezas tão arduamente conquistadas, todos eles agarradinhos, agarradinhos às suas razões de existência a subirem as escadas da sobrevivência, tão aliviados por terem mais uns anos para olhar as pratas, mais uns anos para se gramarem uns aos outros. Que belo repovoamento genético seria esse depois da catástrofe. Eu, por mim, digo desde já que não me faz confusão nenhuma não ter lugar nessa arca do Sócrates, venha a onda, se é para passar o resto da vida na companhia dessa gente prefiro comprar o bilhete para o outro mundo mais cedo. Ámen.

sábado, 12 de dezembro de 2009

MÁ FÉ

A simples ignorância ou incompetência já não explica isto. Ou é loucura ou má fé. Olhando para o PM, para o seu cursozinho fajuto, para as suas casinhas maravilha, para o seu linguarejar parlamentar insultuoso e superficial ou para as aprovações de "freeportes" e companhia, inclino-me para segunda opção.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

DESCUBRA AS DIFERENÇAS

Qual é a diferença entre isto e isto? Resposta: A diferença é nenhuma a não ser o facto de uma notícia ser do Público e a outra ser do Diário de Notícias. Dois jornais com o mesmo texto sobre a mesma notícia? A coisa mais normal do mundo. Simplesmente pegam nos comunicados da Lusa (gerida e controlada pelo Estado) e colocam-nos no jornal online. Censura para quê? Não há investigação jornalísitca. No entanto esta notíca até vale a pena ler porque Medina Carreira acerta na mouche.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

SEXO GRÁTIS

para os delegados da Cimeira de Copenhaga. Outros mundos.

OS DESLUMBRADOS

Um pequeno filme de terror num cinema perto de si. Quanto ao bilhete, esse já o estamos todos a pagar.

Aqui.

domingo, 6 de dezembro de 2009

CLIMATEGATE


As últimas semanas têm sido profícuas em acontecimentos altamente relevantes para com a questão ambiental. Mais concretamente para com a ideia de 'aquecimento global'. Curiosamente nas televisões e nos jornais parece que nada se passa. A conclusão é que o gap entre a realidade e aquilo que é transmitido pelos media generalistas é cada vez maior. Não sou de grandes teorias conspirativas mas parece-me cada vez mais evidente que há um status quo que vive da manutenção do seu poder e que reflecte mediaticamente essa necessidade numa noção do 'politicamente correcto' que nos transmite a nós, humildes cidadãos, a norma pela qual devemos reger a nossa vida.

Graças a Al Gore, o aquecimento global entrou no establishment actual e aquilo que era uma preocupação legítima partilhada por um grande número de pessoas preocupadas em manter o planeta sustentável passou a revelar oportunidades de negócio interessantes para o establishment. Basta pensarmos nos milhões investidos em novas tecnologias, nas novas oportunidades que as energias alternativas representam e no falado mercado internacional de emissões de CO2. A par, o discurso ambiental é etica e moralmente apelativo (até mesmo exigível) por isso conjuga na perfeição com a noção do politicamente correcto. De repente, todos têm preocupações ambientais, a máquina do establishment assume o discurso oficial e propagandeia a nova verdade. E ai de quem disser que o planeta não está aquecer. É que uma coisa é uma preocupação legítima com a sustentabilidade ambiental; outra coisa completamente diferente é a histeria acrítica sobre o aquecimento global. E tão eficaz é a máquina propagandista mediática que parece que estas duas coisas tão diferentes são uma mesma coisa. Ou seja, temos de ter preocupações ambientais porque o planeta está a aquecer demais. E daí para a noção de que impedir o planeta de aquecer resolve a questão da sustentabilidade ambiental. E isto não é verdade. A sustentabilidade ambiental é muito mais do que o debate sobre o aquecimento global. A verdade é que a sustentabilidade ambiental é que resolve o problema do aquecimento global (se este for causado pelo Homem).

Ora nas últimas semanas foi revelado através da Internet que os mais relevantes defensores da tese 'o planeta está a aquecer e a culpa é do Homem' adulteraram dados, silenciaram opositores, viciaram modelos de pesquisa e falsificaram conclusões. Na realidade, ao invés de fazerem 'boa' e verdadeira ciência, procuraram esconder o facto de o planeta não revelar índices de aquecimento desde 1998(!). [Para mais informações pormenorizadas ler este excelente artigo]

Quer isto dizer o quê? Que não é preciso preocuparmos-nos mais com o ambiente? Evidentemente que não. Como já disse preocupação por sustentabilidade ambiental e aquecimento global são duas coisas diferentes. Para mim a opção pelo renovável e sustentável continua a ser aquilo que económica e socialmente faz mais sentido. E é também o que é mais correcto para com o nosso planeta e os nossos companheiros menos racionais neste habitáculo espacial que é a Terra. Temos de ter em consideração que, independentemente do aquecimento global ser uma realidade mais ou menos relevante, a sustentabilidade ambiental continua a ser fundamental.

No entanto o escândalo do Climategate demonstra muito do que se passa hoje em dia: O bem comum, a honra, a ética, a seriedade e a responsabilidade individual são valores em perigo. Na realidade não é diferente do nosso primeiro-ministro a mostrar estudos (que dizem que Portugal é o melhor dos mundos) que diz serem da OCDE quando se vem a descobrir que eram estudos do próprio Governo. É tudo gente da mesma laia. Sem valores. E assim vai o nosso mundo.

PRESENTES SOLIDÁRIOS

Pelo segundo ano consecutivo recorri aos presentes solidários para as minhas prendas de Natal. O conceito é simples: Compra-se um certificado por uma determinada quantia e a pessoa a que se dirige o presente recebe o certificado. Este ano as opções variam entre latas de leite em pó para a Guiné-Bissau (6€), painéis solares para Cabo Verde (24€), um kit de construção para Angola (18€), um estojo de higiene para Timor-Leste (13€), uma cadeira de escola para São Tomé e Príncipe (9€) ou uma cabra para Moçambique (33€). Todos estes produtos visam suprir necessidades básicas, gritantes e específicas de certas regiões naqueles países. Os produtos são adquiridos nos próprios países servindo também para desenvolver os mercados locais. A ideia é fantástica e a mim parece-me muito mais interessante contribuir para o desenvolvimento e o amenizar de algumas dificuldades desses povos ao invés de gastar dinheiro em coisas supérfluas de que realmente não precisamos e que acabam invariavelmente por ficar esquecidas dentro de uma qualquer gaveta como um lastro que aumenta a cada mudança de casa. Ganham aqueles que mais precisam, ganhamos nós uma consciência mais tranquila. E isso é uma grande prenda.
Visitem o sítio: www.presentessolidarios.pt

DO SENTIDO

"É nesta gigantesca sociedade de consumidores que procuramos, desesperados, encontrar espaço para novos valores que nos orientem ou nos agarramos, como náufragos, aos escassos vestígios dos que aprendemos a respeitar. Porque, na ausência de um sentido para as coisas, cada um de nós não é mais do que um autómato de consumo, capturado pelo marketing e reduzido a um egoísmo estéril e deprimente."

Aqui.

NEM MAIS

"Criar filhos, e não caniches, e viver muitos anos com outra pessoa não é uma partitura compatível com a cultura sobre-capitalista e hiper-consumista dos nosso dias."

Aqui.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

JARED DRAKE, VISIONEERS


Este filme será tudo menos consensual. Num futuro próximo e distópico, os EUA são assolados por uma improvável vaga de explosões humanas. Aparentemente, certos indivíduos chegados a um certo ponto insustentável de stress acabam por literalmente rebentar. Até aqui pode parecer pura parvoíce mas não é. O que é é uma original e muito interessante crítica à sociedade moderna e ao materialismo consumista que parece alastrar e impregnar todos os domínios da nossa vida. Ao acompanharmos a personagem principal na sua tentativa de não rebentar acabamos por viajar rumo ao âmago da experiência humana e às grandes questões que, aparentemente, muitos de nós hoje em dia esquecemos. Este filme foi tudo menos aclamado pela crítica. Pelo contrário, ao ser classificado como comédia, muito do público que obteve foi à espera de umas boas gargalhadas. Claramente não teve tal coisa porque Visioneers não é uma comédia apesar de ter momentos de comédia e como protagonista um notório Stand Up comediant que obteve recentemente sucesso com The Hangover (2009). Visioneers é muito mais do que uma comédia. É, ao melhor estilo literário de Orwell com o seu 1984 ou do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, uma crítica satírica a uma sociedade cada vez mais desligada das suas mais profundas emoções, por isso mesmo cada vez menos humana a fazer lembrar o A Clockwork Orange (1971) de Stanley KubricK. O filme conta ainda com a excelente participação de Zack Galifianakis que acrescenta dimensão ao filme com uma interpretação séria e intensa, características aliás que fazem sucesso na sua comédia (aconselho vivamente o seu Special no Comedy Central). Ao mesmo tempo contamos com uma bem conseguida realização de estreia de Jared Drake que exalta a intensidade da narrativa. Finalmente o argumento, também de estreia, de Brandon Drake (são irmãos) é francamente bom. A estória está ligada, vem em crescendo e surpreende-nos, não por qualquer twist mas pela densidade que consegue transmitir. Uma surpresa completa. Um trabalho que pela desilusão imediata comercial e pela qualidade substantiva que apresenta tem tudo para ser um filme de culto de uma geração mais nova.
Votação IMDB: 6.5
Votação Desblogueada: 9

THE TARANTINO CODE

Muito bom, vale a pena dar uma olhadela. E agradeço a confirmação de que não estou louco, sim, tal como há anos ando a dizer, o Tarantino é igual ao Roger Federer.

Apanhado aqui.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

WOODY ALLEN, "WHATEVER WORKS"


No que diz respeito a este filme tenho de começar por uma declaração de interesses: Primeiro, tenho o Woddy Allen como o meu realizador preferido; segundo, considero o Larry David como, provavelmente, o maior génio da comédia televisiva dos últimos vinte anos. Juntar estes dois talentos gerou em mim grande antecipação. Não fiquei desiludido. Woody Allen, num estilo teatral, consegue fazer uma comédia simples e satírica onde, sem grandes surpresas, nos apresenta um conjunto de estereótipos que através de interacções banais tentam descobrir o amor. No fundo a tese, já conhecida é certo, baseia-se na ausência de sentido existencial e faz uma apologia do amor como, se não o sentido, pelo menos o significado dessa mesma existência. Simples, simpático e divertido. Não é de estranhar que temáticas filosóficas presentes em trabalhos mais antigos como Annie Hall (1977), Manhattan (1979) ou Hanna and Her Sisters (1986), reapareçam aqui porque este guião já tem mais de trinta anos. Não será o melhor trabalho de Woody Allen mas depois do seu "período inglês" e do, quanto a mim, pouco conseguido Vicky Cristina Barcelona (2008) este regresso a Nova Iorque merece uma especial saudação. Quanto a Larry David, o que dizer do talento por detrás de Seinfeld e de Curb Your Enthusiasm? Se é certo que o papel de Boris Yellnikov não foi escrito a pensar nele (nos anos 70 David andava a penar pelos bares de stand up comedy de Nova Iorque enquanto sobrevivia como motorista particular ou outros trabalhos do género)a verdade é que lhe assenta como uma luva. Quanto a mim um sucesso de casting. Uma última referência para Evan Rachel Wood. Já a conheço desde pequenina na série de final dos anos 90, Once and Again, e já se vislumbrava ser um talento natural. A confirmação da esperança nesse talento, para mim, veio com o espectacular The Wrestler (2008) onde faz uma lateral mas excelente aparição. Aqui volta a não desiludir no papel teatral de uma ingénua que chega à grande cidade. Ainda ouviremos falar muito dela, é a minha convicção. Quanto a Whatever Works, quem não gosta de Woody Allen ou de Larry David não vai gostar deste filme mas quem aprecia dará o tempo como muito bem empregue.
Votação IMDB - 7.4
Votação Desblogueada - 8

sábado, 14 de novembro de 2009

PLANO INCLINADO


Vejo este programa e penso naquela gente que anda para aí a defender com unhas e dentes o socretinismo vigente. E recrudesce em mim a firme convicção de que é preciso agir. Seja por olhos vendados, seja por ignorância, seja, como é tantas e tantas vezes, por interesse que ele agem, só poderão ser criticados pela acção política. Se o actual estado de coisas não representa a absoluta necessidade de um toque a reunir, ou representando-o não é percepcionado como tal, então "nuvens negras", muito negras virão no horizonte. Eu falo só por mim, é certo, mas prezo muito dormir de consciência tranquila. Esta gente tem que ser impedida.

HÁ ÁGUA NA LUA


"É a confirmação: no lado escuro da lua, nas crateras permanentemente obscuras do pólo sul, há muita água congelada. O choque do motor de um foguetão Centauro contra a cratera Cabeus, a 9 de Outubro, observado de perto pela sonda LCROSS da NASA, permitiu confirmar o que outros engenhos enviados até ao satélite natural da Terra tinham já sugerido com bastante certeza".

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O BOM, O MAU E O VILÃO


O Bom é Sócrates, evidentemente. O Mau é Armando Vara porque, ao contrário de Sócrates que não sabe nada de negócios privados, andou a fazer o que não devia. Já o Vilão é, como não poderia deixar de ser, o jornalista que nos mostra isto. Porquê? Porque insulta o Bom da estória.

O problema da repetição nauseabunda desta historieta (suspeitas sobre Sócrates e consequente resposta deste a acusar tudo e todos de calúnia) não é ter de ouvir incessantemente o indecente acto de vitimização de Sócrates, infelizmente esse sacrifício decorre da democracia que temos (já se sabia ao que se ia nas últimas eleições, voltámos a elegê-lo, isto é um problema também mas de outro nível). Não. O actual problema da repetição constante desta vitimização é a quantidade absolutamente inacreditável de "casos" em que o nosso Primeiro-Ministro está permanentemente envolvido. Vêm-me à memória dois provérbios populares: 'A mulher de César não basta ser séria, é preciso parecer'. E também o, muito popular, 'onde há fumo há fogo'. Com Sócrates, pelos vistos, aplica-se o inverso da sabedoria popular: Onde há muito fumo, não pode haver fogo nenhum e malandros dos que simplesmente dizem que há fumo, esses que se calem mesmo que de tanto fumo estejam intoxicados, malandros desses vilões que põem à vista de todos que, independentemente de ser séria ou não, a mulher de César pelo menos não o parece ser.

Há aqui uma diferença abissal: Existem uns que dizem que a mulher de César, por ser mulher de César ainda tem que ter mais cuidado em parecer séria, ou seja, não basta ser, é preciso que não existam dúvidas quanto à sua seriedade; por outro lado, existem outros que nos dizem que a mulher de César, só por ser mulher de César, é séria e por isso aqueles que nos mostram que, independentemente de o ser ou não, pelo menos não o parece ser, esses são caluniadores. Quem não percebe a gravidade desta inversão, não percebe a nobreza e especificidade da actividade política. É por isso que o provérbio não fala da mulher do João, fala da mulher de César. E quem não percebe isto não deveria exercer cargos públicos.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

SOMOS DOIS

"Tenho de dizer que não gosto nem da forma nem da substância da actividade governativa do primeiro-ministro, basicamente porque não lhe reconheço um projecto digno desse nome para o País e porque a arrogância me incomoda. Aliás, sempre entendi a arrogância como uma espécie de fraqueza.
Mas gosto ainda menos de ver uma das mais altas individualidades do Estado envolta em suspeitas e dúvidas (justas ou injustas), corrosivas da confiança dos Cidadãos na Democracia e demolidora para as Instituições. As desgraças dos adversários políticos não me contentam nem um pouco. E ainda se fossemos um País com um tecido social forte, sempre a sociedade teria respostas independentes e lá estaria, por si. Agora, um País habituado a depender dos Poderes Públicos, estando parte das estruturas e agentes políticos, ao mais alto nível, sob suspeita, é insustentável. Há clarificações que a transparência exige. Mesmo que o Governo apareça agora aparentemente tão dócil, tão dialogante, nada apaga esta situação dramática".

Paula Teixeira da Cruz, in CM

PAÍS A SAQUE

A história está toda aqui.

JÁ ERA TEMPO DE ALGUÉM O DEMONSTRAR

Há pouco jornalismo em Portugal que caiba no conceito de jornalismo de investigação.
“Quase nada o que é feito em Portugal cabe no jornalismo de investigação porque se baseia em fontes não identificadas e não garante que as coisas tenham uma verdade. O que sai do jornalismo de investigação tem de ser uma verdade que resiste ao tempo”, defendeu em declarações à Lusa o autor da tese cuja dissertação, orientada pela historiadora Magda Avelar Pinheiro, mereceu 19 valores.(...)
Segundo o trabalho, um jornalismo de investigação foge à agenda institucional ou, quando eventualmente a acompanha, fá-lo com propósitos de denúncia ou de revelação de situações não desejadas pelas entidades que a estabeleceram e selecciona os seus temas entre aqueles cuja relevância pode eventualmente mudar um juízo de valor dominante.(...)
Outro dos pontos da grelha refere que o jornalismo de investigação não é equívoco nem insinua - é afirmativo e factual, fornecendo os elementos necessários para que o público faça livremente o seu juízo de valor ponderado e autónomo."

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

PORTUGAL É O PAÍS QUE MAIS ENVELHECE NA UE

"Desde 1990 houve 28 milhões de abortos na União Europeia. Tantos como a população de Malta, Luxemburgo, Chipre, Estónia, Eslovénia, Letónia, Lituânia, Irlanda, Finlândia e Eslováquia"
Dá que pensar, no mínimo. A questão do aborto vai também para além dos argumentos de quando começa a vida ou de quando pode - deve haver liberdade de escolha. Há um imperativo categórico simples: Se toda a gente abortasse não nascia ninguém e era o fim da Humanidade. O mesmo imperativo categórico vale para o suicídio. Podem dizer-me que ninguém pode impedir-me de me suicidar mas não me digam que se todos o fizéssemos seria uma coisa 'boa'. Não seria. O problema da nossa sociedade dita 'moderna' é que cada vez mais a ponderação entre o 'bom' e o 'mau' têm menos peso face ao interesse pessoal. E isso para mim é 'mau'. Faz-me , no mínimo, muita confusão ver tantos a defender o direito à escolha, outros a defender o direito à vida quando, sejam os abortos legais ou ilegais, a questão deveria ser sempre como permitir que possibilidades de vida abortadas se transformem em vidas efectivas. E se o argumento de isto ser a 'boa' coisa a fazer de uma perspectiva moral não chega, que sirva o do interesse geral: Precisamos dessas vidas para rejuvenescer a nossa sociedade, para perpetuar a nossa cultura e os nossos valores, para continuar a nossa sociedade, para viabilizar a nossa espécie e, se mais nada serve, para pagar a nossa reforma. No final a diferença será sempre entre o interesse geral e os interesses particulares imediatos. Estes últimos tendem a ser egoístas (e pouco inteligentes pois tendem a ser contrários ao interesse particular a longo prazo, se estivermos todos pior então eu também estarei pior) e, interessante curiosidade, o interesse geral tende a ser 'bom' porque trata do bem de todos. É tão simples e, no entanto, como sempre, o debate fica pela superfície ideológica e dogmática. Ou pelo menos em Portugal, no que ao aborto diz respeito, assim foi. Legalizou-se e mais nada se fez. Típico da solução do menor esforço. A factura segue depois.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

DA ESTUPIDEZ DO INTERESSE AVALORATIVO

Um pequeno exemplo como a acção em nome de interesses particulares mas sem valores éticos e morais (que são universais) se transforma numa acção contrária aos superiores interesses de todos nós.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

HOLANDA VS PORTUGAL (XXII)


Num restaurante em Portugal, no final de uma refeição, somos questionados "se estava bom". Na Holanda perguntam-nos: "did you enjoy?". A diferença é, talvez, subtil mas parece-me que também profunda. Perguntar se estava bom é colocar em questão a qualidade do produto. Se respondermos "não" estamos a dizer que a refeição não era boa. É uma qualificação em relação à refeição. Já no caso holandês pergunta-se se apreciámos, logo a qualificação é em relação à nossa opinião sobre a refeição. Por outras palavras, os holandeses não questionam a qualidade do que servem; já os portugueses fazem (aparentemente) depender a qualidade da refeição que servem da opinião daqueles que a desfrutam. Podemos interpretar esta dicotomia como sendo falta de confiança dos portugueses mas isso não me parece o suficiente porque a comida portuguesa (estou convicto disto) é a melhor do mundo. A questão é outra: Os portugueses perguntam se estava bom porque querem o reconhecimento da qualidade que sabem que têm. E isso é o temperamento de um artista. Os holandeses, por outro lado, seguem uma receita que sabem dar bons resultados. É o traço da organização e do método. O cozinheiro português é um artista romântico. O cozinheiro holandês é um engenheiro eficiente. Sendo que as generalizações são sempre imprecisas, perigosamente vagas e, por vezes, até enganadoras, este traço dicotómico parece-me abrangente à cultura dos dois povos. Um mais romântico e sonhador, outro mais metódico e organizado. Os holandeses são o produto do trabalho árduo de querer sobreviver graças às vantagens da racionalidade humana. Já os portugueses são o sonho improvável de uma terra única e, por isso, um sonho irrepetível. São a corporização da emoção sentimental da luta por uma identidade. São Portugal. Os holandeses querem ser competentes, bem sucedidos e racionais. Já os portugueses querem ser os melhores do mundo e esse sonho romântico é o que faz de nós portugueses. Não tenho dúvidas que falta método e organização em Portugal. Mas isso arranja-se. Já aos holandeses falta-lhes, simplesmente, serem mais portugueses. E isso já não se arranja tão facilmente. Sorte a nossa, azar o deles.

CASCAIS, PORTUGAL




quinta-feira, 29 de outubro de 2009

MOMENTO AFRICANO


Imagem tirada daqui.

"Eram sete e meia da noite. Estava noite. Quente. A lua, essa entidade que nos habituámos a apelidar de mentirosa, já em África reformula-se, desdiz-se e mostra-nos que, afinal, não tem hábitos de mentira, pelo menos ali; pelo contrário, tal como tudo aquilo que rodeia quem coloca o seu pé em África, qualquer um dos dois, seja o esquerdo ou o direito, seja quando for, aquilo que se sente, de imediato, sem tempo a perder, sem hesitações, é a honestidade que nos bate directa e violentamente no peito, é um continente que grita, exclama a sua existência e a sua essência, espalhando-a aos quatro ventos, oferecendo-a aos seus deuses e ficando nós, os seus visitantes, com os ecos das oferendas que nos inundam de sensações novas, não estamos habituados, não estamos não senhor, não estamos habituados a honestidade franca e directa do que é bruto, forte e sem rodeios, da falta de maneiras, da ausência de pudor em revelar as suas misérias. Miséria há no mundo inteiro. Mas nessa Europa ela esconde-se envergonhada, ela vira atrás de uma esquina perdida e invisível, não assumida e disfarçada. Em África ela assume-se com abertura e naturalidade. Porque talvez a riqueza faça ainda mais do que esconder os que atrás dela andam mas não lhe chegam, talvez ela faça pior, não saberemos nunca se é dos tempos ou das vontades, não sabemos se é da terra ou riqueza, sabemos nós que os tempos de fausto e soberbo consumismo são também tempos de apagada e vil tristeza, são tempos de triste e apagada degeneração; mas não em África. Em África não. E é no momento que respiramos aquele ar pela primeira vez que tal, estranho e surpreendente facto nos apanha, desprevenidos e incautos, a olhar de esguelha, o que é que se passa aqui, onde estou eu, quem sou eu. Logo. Ali. Naquele primeiro e inesquecível momento. E o facto de África não perder tempo a dizer-nos o que é só atesta mais a sua profunda honradez. Moça proba, íntegra e séria, pejada de dignidade e virtude, pura e casta na sua pudica decência mostra-se orgulhosa da sua honestidade. E tamanha honestidade é essa que nem a lua nos mente. E era essa lua modesta, leal e incorruptível que banhava de luz quem se atrevesse, naquele início de noite, a experimentar o mistério das trevas espessas de Moçambique, trevas invadidas pelo calor opaco e pastoso áfrico. E não só: é uma noite inundada pelo receio
próprio de quem não é dali
de ser picado pelo célebre mosquito, o malárico, o malandro, o mensageiro da doença e a eterna personificação do desconhecido. Medo do medo. Medo de tudo e de todos. Medo de nós próprios. Medo do vazio. Mas, tal como tudo na vida, assim se fazem as estórias de cada um, desde os mais pequenos infantes até aos mais velhos anciães, é precisamente de superar os medos e aprender a gozar os riscos da vida que se fazem as felicidades, sejam elas pequenas ou grandes, pensadas ou sentidas, ou ainda, sonhadas ou vividas, sejam elas quais forem, a única coisa que as une na sua essência, aquilo que lhes é comum é precisamente o facto de se ter que superar o medo para se ser feliz, ou, melhor ainda: o facto de não haver pessoa feliz tolhida pelo medo. E era essa transcendência do medo que alimentava aquela lua verdadeira e, nela reflectida, resplandecia o reflexo de um continente perdido no tempo, algures entre o passado de colonial fausto
para quem coloniava
e o incerto futuro sem destino escolhido. E era esse sentimento latente, que brotava, tal como todas aquelas acácias em flor, do chão encarnado que inundara xxxxx ao longo dos últimos dias e que, mesmo no auge da sua divagação, lhe transmitia a estranha e paradoxal impressão de estar em casa. Estava em casa porque também ele se sentia verdadeiro, honesto e à vontade consigo próprio. Também ele não tinha agora um destino definido. Também ele tinha um fausto passado. Também ele estava perdido no tempo."

A VERDADE SOBRE O MENTIROSO

Arendt explica que o mentiroso, ao contrário daquele que diz a verdade, é um homem de acção, uma vez que distorce a realidade. Em contrapartida, aquele que diz a verdade precisa de recorrer a uma retórica que impõe não a verdade em si mesma mas a sua coincidência com um interesse específico. Ele (ou ela) faz isso porque a verdade não é evidente, e só convence travestida de interesse. Ao mesmo tempo, sabemos que quem faz coincidir uma verdade com um interesse está apenas a exercitar um truque. E desconfiamos.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

HOLANDA VS PORTUGAL (XXI)


Não é verdade que as mulheres holandesas sejam mais bonitas que as portuguesas. Apenas sorriem mais.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

TRANSTORNO DO DEFICIT DE ATENÇÃO CÍVICA COM HIPERACTIVIDADE SOCIAL EM REDE

Mais um excelente artigo do José Pacheco Pereira. A apologia da irrelevância decorrente da indiferença perante o que é público e da mediocridade daqueles que tinham a obrigação de contrariar o fenómeno. E ainda os que se aproveitam de tudo isso para satisfazerem os seus pequenos e mesquinhos anseios egóticos. Pergunto-me onde isto vai parar. Mas se continuarmos assim há uma coisa que, certamente, não irá sobreviver: a Democracia. Ler o artigo aqui.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ESPESSURA MEDIÁTICA


A vantagem da honestidade intelectual é, de facto, ter algo de genuíno e interessante para dizer. E isto não se finge. Ou se é, ou não se é. Muito raro nos dias que correm.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

MAIS UMA CAMPANHA NEGRA? INGLESA CLARO.


Aqui fica um fax onde é explicitamente referido a existência de suborno na aprovação do Freeport e onde, com a antecipação de eleições e o afastamento de Sócrates, se receia que não haja aprovação do empreendimento. Como é que não é notícia de abertura de telejornal e, uma vez anunciado, não é tema de discussão de TODAS as televisões? E porquê só agora DEPOIS das eleições? Curioso, considerando o cancelamento do Jornal de Sexta Feira da TVI. Noutro tempo, noutro país com outros dirigentes políticos o que não diriam estes socialistas sobre "condições" e "legitimidade" de governação. Estariam aí de facas espetadas a exigir demissões. Mas que nem Fátimas Felgueiras, a legitimidade do voto será toda a lei que é necessária. Depois perguntem-se por que será que estamos como estamos. Entretenham-se com o Saramago e a bíblia.

(A itálico as anotações do receptor do fax para o seu superior)

Strietly Confidential
17th December 2001
Ric Dattani
Freeport Plc
Cc Gary Dawson
Dear Ric,
Further to my telecom with you last week and having just returned from 5 days in Portugal, may I make the following
comments that I hope you made find helpful.
1. A environmental impact study is a relatively substantial piece of work involving a number of authorities. It is
mainly technical in its content.
2. If a rejection of such a study is envisaged, it is unlikely to be capable of reversal under any circumstances two
days before its formal rejection by the Minister of the Environment. before the bribe
3. The Minister of the Environment, Eng. Jose Socrates, is considered to be one of the pillars of the PS government
and the essence of integrity. confirmed by others
4. The effect of the weekend’s events with the PS reversals in the Municipal Elections (including Lisbon) and the
resignation of the Guteres Government means that Socrates is no longer the Minister of the environment and
there will be a stall process of four to five months until a new government is elected and a new Minister
appointed on the outcome of a new election.
5. To state the obvious, I would encourage you to determine the technical reasons for the rejection of your EIS and
establish the areas where differences can be bridged.
6. I would encourage you to take soundings outside the local team to establish independently what may be have
gone wrong – and to see if this meets the information you are provided within the local team. A personal visit to
the information you are provided within the local team. A personal visit to the DRAOT or whatever authority/s
has put the wedge in can often pay dividends in understanding the problem.
The political change in Portugal will delay due process on the planning and environment front but time can be spent
valuably in determining the cause of rejection and acceptable steps for correction.
The content of this communication is confidential to the addresses. It’s purpose is to share market experience with a
fellow PUKCC member in an equivalent sector.
Yours Sincerely
Keith Payne
Jonathan, this is the guy who rang me and is aware of the 2 million GbP bribe, a few
interesting parts (underlined) notably from 4. If parliament is dissolved pending elections
them the Sef. State is powerless to approve or reject anything?

Ric

PARABÉNS PENSAMENTOS DESBLOGUEADOS!


Foi em Outubro, dia 9, nem dei por ela mais uma vez, que em 2003 nasceu o pensamentos desblogueados. Já lá vão seis anos, o blog jáq sofreu muitas alterações, os conteúdos não são os mesmos mas eu também não sou o mesmo. É a vida. E recordar também é viver. :)

OS PEQUENINOS

"Em 1852, Victor Hugo escreveu um livrinho, Napoléon le Petit, comparando o imperador da época ao grande antecessor. Hoje também temos políticos pequeninos. Há 15 anos que não existe um verdadeiro objectivo nacional, uma finalidade grande que arrebate e mobilize o País. Vivemos de fins intermédios, interesses particulares, promessas próximas. Os sucessos e debates recentes centram-se em oferecer portáteis ou brincar aos comboios rápidos. A vida política não sobe acima das adições orçamentais."

João Luís César das Neves, in Dn

MEDO DE EXISTIR


Uma organização não-governamental formada por engenheiros, advogados e juízes, realça que no ensino da engenharia os alunos "não aprendem a calcular a Velocidade Crítica de Hidroplanagem", a partir da qual ocorre o 'aquaplanig' (hidroplanagem).
No trabalho volta a alertar-se para o facto de auto-estradas e vias rápidas nacionais violarem as condições de segurança contra hidroplanagem por defeitos de pavimento
"Os futuros engenheiros não estão a aprender nas escolas a calcular este dado essencial para garantir que a estrada cumpre todos os critérios de segurança. É fácil culpar só os condutores, mas está provado que estes tendem a reduzir a velocidade com o mau tempo, a má visibilidade ou até apenas com as condições do traçado das estradas", disse à Lusa Francisco Salpico, responsável pelo estudo.
Não é a única acusação de Salpico, segundo o qual os engenheiros não abordam os defeitos nas autoestradas nos casos de acidentes para não incomodarem as concessionárias ou o poder político. Como os especialistas nesta matéria “são engenheiros civis que trabalham para estes organismos”, se denunciassem esses organismos pelas más práticas “significava graves riscos para as suas carreiras profissionais”, acrescenta.

sábado, 17 de outubro de 2009

HOLANDA VS PORTUGAL (XX)


Os rés do chão das casas holandesas têm grandes janelas (qualquer pessoa na rua vê tudo para dentro da casa) e não têm grades. Em Portugal as janelas são mais pequenas e têm normalmente grades.

HOLANDA VS PORTUGAL (XIX)


As aceleras na Holanda circulam na faixa das bicicletas e não na estrada com os automóveis. Também podem circular nas ruas onde o trânsito automóvel é proibido.

HOLANDA VS PORTUGAL (XVIII)


As matrículas holandesas antigas são iguais às matrículas portuguesas. Quando passo por um automóvel clássico, a velhinha matrícula preta com um par de letras brancas e dois pares de números brancos faz-me sentir em casa. Agora usam dois pares de letras e um de números. Às vezes um trio de letras e dois pares de números. O que distingue uns dos outros já não sei.

HOLANDA VS PORTUGAL (XVII)


O parque automóvel holandês é mais velho do que o português. E não faço disto uma desvantagem, dá-me a ideia que os Holandeses sabem melhor onde gastar o seu dinheiro.

HOLANDA VS PORTUGAL (XVI)


Na Holanda há mais pontes levadiças do que em Portugal. Mas lembro-me de uma em particular, a de Alcácer do Sal, que deve ter feito mais filas do que todas as da Holanda juntas.

HOLANDA VS PORTUGAL (XV)


Na Holanda, ao contrário de Portugal, não é obrigatório utilizar capacete para andar de acelera.

PORTUGAL: 1959


O concurso de Miss Portugal de 1959 relatado com o texto original pelo comentador que o havia feito em directo na segunda edição do Telejornal. Fica a nota de que a concorrente de Cabo Verde ficou em segundo lugar.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

NEW LIGHT ON DARK MATTER


An international team of astronomers has found an unexpected link between dark matter and visible stars in stellar systems. This discovery may even cause us to reconsider our understanding of gravity. They published on their discovery in 'Nature' on 1 October.
Ver mais...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

HOLANDA VS PORTUGAL (XIV)


Na Holanda há um Partido dos Animais. Em Portugal há alguns animais dentro dos partidos. Mas segundo oiço dizer na Holanda também.

HOLANDA VS PORTUGAL (XIII)


Os gatos na Holanda são mais gordos e mais peludos. E vêm ter connosco. Em Portugal assustam-se e fogem. Cheira-me que na Holanda são melhor tratados.

NA MOUCHE (II)


«A questão é simplesmente que os portugueses deixaram de olhar para fora. Só contemplam o umbigo. Na ditadura, sonhavam com o império ou melhores dias. Depois, na era da liberdade, Portugal empolgou-se de valores abstractos. Na época do desenvolvimento assustou-se com as ameaças europeias. Até na era da facilidade se embebedou com benefícios do progresso. Agora deixou de ter impérios, ambições, desafios ou sequer desejos. Está mergulhado na intriga, palermice, acanhamento. Portugal não tem projectos, tem direitos. Não enfrenta a globalização, salva empresas. Não aumenta a produtividade, desinfecta as mãos da gripe A. Não se governa o País, aumentam-se a dívida, as polémicas e as manchetes da edição matutina. É a era do crime da Casa Pia, da tacanhez da ASAE e da teima do TGV, da euforia balofa do Euro 2004 e das escutas que nunca houve. São os anos que o gafanhoto devorou. Inventam-se "casos" e depois faz-se um caso de eles serem negados. Os responsáveis são criticados por desmentir o que nunca disseram. E passa-se ao caso seguinte no carrossel da vacuidade. Portugal viveu outras eras da mediocridade, em que esqueceu sonhos, perigos e até desejos para se perder em conflitos tolos e mexericos baixos, dançando na borda do vulcão.»

João Luís César das Neves, via Portugal dos Pequeninos

NA MOUCHE



"Os que acusavam Manuela Ferreira Leite de aceitar fazer parte de um "bloco central" (sem qualquer fundamento como se disse na altura, quando páginas e páginas do Diário de Notícias e do Diário Económico e dos blogues juravam que ia acontecer) são agora os que o defendem. Não me surpreende nada. É por estas razões que Manuela Ferreira Leite é fundamental à frente do PSD nestes dias de todas as tentações. Sabe o que quer e sabe o que não quer. E não vai em cantos de sereia. Nem em promessas de partilha de poder ou de lugares. Nem está ali a pensar na sua "carreira", nem nos interesses que alguns representam no partido, mas no país. Não está na moda, mas é uma diferença abissal."
É a novilíngua outra vez. Antes Ferreira leite era má porque queria o bloco central o que seria o fim do PSD, agora é má porque não quer acordos com o PS e isso será o fim da governabilidade do país. Quer-se tudo e o seu contrário, conforme as exigências da ocasião. Não há memória, não há conteúdo, apenas o papaquear irresponsável contra aqueles de quem não se gosta. Seja por que razões forem. Nem Ferreira Leite antes defendeu o bloco central, nem agora é contra a governabilidade. Tudo o resto é propaganda interesseira de quem não olha mais longe do que o seu umbigo ou a meios para os seus pequenos fins. E o mais incrível é que continuam soltos por aí, incólumes, passeando os seus mesquinhos egos pelos jornais, televisões e blogues sem que haja um cobrar das suas evidentes e repetidas contradições. É o país que temos.

O PAÍS DA BRINCADEIRA



"PGR acelera investigação do caso Freeport: A directora da PJ de Setúbal e os dois inspectores que já trabalhavam na investigação do caso Freeport vão agora dedicar-se em exclusivo a este inquérito, para que o mesmo termine rapidamente. A decisão foi tomada no final da semana passada numa opção conjunta entre o Ministério Público e a Polícia Judiciária."
Mas não tinha sido isto que tinham dito desde o início porque era importante e fundamental para a Democracia esclarecer a questão "Freeport" antes das eleições? As eleições já lá vão, o primeiro-ministro continua o mesmo e da investigação só convenientes comunicados antes da campanha a dizer que Sócrates não é suspeito. Quando tudo aquilo que é suspeito no Freeport envolve Sócrates. E daqueles que são considerados suspeitos, todos têm ou tiveram ligações directas ou indirectas com Sócrates. Isto não é investigação policial, é brincar aos investigadores. Eu também fazia isso quando era pequenino, o problema é que estas personagens parece que não crescem. Repetem-se as intenções, repetem-se os comunicados, muitos deles contraditórios, mas fica tudo na mesma. Como a brincadeira de uma criança na terra da novilíngua orweliana.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A VERDADE A VIR AO DE CIMA


"Passivo da EP dispara 1400% num ano e meio
O passivo da Estradas de Portugal (EP) ultrapassou no final de Junho passado os 15,2 mil milhões de euros, o equivalente a quase 10% do PIB.
"
Podiam não gostar da senhora mas falou sobre o que era realmente importante. Os outros mentiram, deturparam e esconderam. Mas era evidente. Depois não se queixem e não digam que não foram avisados.
Deparei-me com isto aqui.

HOLANDA VS PORTUGAL (XII)


Em Portugal parece que está verão e há quem vá à praia dar um mergulho. Ha Holanda a praia já acabou há muito, está frio e chove praticamente todos os dias. Isto desde final de Agosto. Aliás, no dia 25 de Agosto apanhei com uma trovoada em cima onde até granizo me caiu na cabeça. Ia caindo da bicicleta.

HOLANDA VS PORTUGAL (XI)


Os semáforos na Holanda são mais rápidos a mudar de cor do que em Portugal.

HOLANDA VS PORTUGAL (X)


Na Holanda não se encontra um ecoponto em lado nenhum. E quando se encontra ou é para vidro ou cartão. Em sítios diferentes, claro. Em Portugal abundam. Aqui não estou a conseguir separar o lixo.

HOLANDA VS PORTUGAL (IX)


O ordenamento urbano na Holanda é muito mais ordenado.

HOLANDA VS PORTUGAL (VIII)


Na Holanda cospe-se tanto para o chão como em Portugal.

HOLANDA VS PORTUGAL (VII)


Os holandeses parecem ter uma certa antipatia pela selecção portuguesa de futebol. Is to porque os eliminámos nas eliminatórias do mundial 2002, nas meias finais do Euro 2004 e nos quartos de final do mundial 2006, aqui num jogo polémico com muitas expulsões. Já os portugueses parecem-me ter bastante simpatia pela selecção holandesa de futebol.

HOLANDA VS PORTUGAL (VI)


Os holandeses não percebem nada de como explicar indicações espaciais. Nada. Em Portugal se perguntar em Lisboa como chegar ao Porto até me indicam o caminho para as antas se for preciso. Posso não chegar lá mas ao menos tentam.

HOLANDA VS PORTUGAL (V)


Na Holanda chove mais do que em Portugal. Mas vejo mais carros descapotáveis.

HOLANDA VS PORTUGAL (IV)


Em Portugal come-se e bebe-se muito melhor. E isto não tem comparação ou sequer discussão.

HOLANDA VS PORTUGAL (III)


Em Portugal às vezes os automóveis não param nas passadeiras. Na Holanda quase nunca param. E eu sei do que estou a falar que no final do primeiro dia ia sendo atropelado.

HOLANDA VS PORTUGAL (II)


Em Portugal, se abordados por um indivíduo de aspecto duvidoso, ele pede-nos simpaticamente cinquenta cêntimos. Na Holanda pede um euro.

HOLANDA VS PORTUGAL (I)


Na Holanda há mais bicicletas do que em Portugal. No entanto, dei à minha bicicleta holandesa um nome bem português, chama-se Deolinda. Fica à porta do prédio mas já várias vezes dei com ela em sítios bem diferentes. Alguns holandeses não parecem ter problemas em atirar as bicicletas dos outros para o chão. São todas velhas e amolgadas. Já os portugueses que pouco andam de bicicleta, tratam-nas com o mesmo cuidado que se fossem automóveis.