Pensamento, m. - Acto ou efeito de pensar. Qualquer acto de inteligência. Fantasia. Ideia. Espírito. Uso da razão. Reflexões

quinta-feira, setembro 17, 2009

segunda-feira, setembro 14, 2009

EVIDÊNCIA

A técnica de dizer permanentemente aquilo que toda a gente concorda, nem que para isso tenha de inventar ou mentir, atesta a superficialidade, inutilidade e perversidade daquele que fala, sendo a absoluta necessidade da sua refutação um teste à inteligência daquele que ouve. Só temos o que merecemos. Esclarecendo: Dia 27 vamos a votos.

TEMPO DE ANTENA

sexta-feira, setembro 04, 2009

PRENDA DESBLOGUEADA


Para quem cresceu com as músicas da Ana Faria, ainda antes dos queijinhos frescos, o seu álbum fantástico "Brincando aos Clássicos" de 1982, está disponível para download gratuito aqui. De nada, estão à vontade, disponham sempre.

quinta-feira, setembro 03, 2009

O DIÁRIO DOS MOMENTOS PERDIDOS (IV)


“A chuva caía lá fora, forte e pesada, batia no empedrado passeio salpicando, saltando e rolando por entre os intervalos das pedras rumo à estrada alcatroada. A harmónica sinfonia aquática não parava, monótona, cinzenta, contínua e imparável, deixando a janela decorada por pequenas gotas, umas maiores, outras mais pequenas, gotas que se aguentavam um pouco até que, ao som de trovões e com a luz psicadélica dos relâmpagos por detrás, soltavam-se pelo silício, escorriam, escorriam, alargavam-se indo de encontro a um parapeito branco de mármore. Aí chegadas, livres como sempre, certamente, o haveria desejado ser, soltas como penas ao vento, deixavam-se cair até ao tal empedrado passeio, calçada lisboeta, rumo dessas gotas, as tais momentaneamente aprisionadas numa janela, tal como o de todas as suas irmãs, afinal vinham todas do mesmo sítio, seria apenas normal que o seu fado fosse o mesmo também.
O pequeno petiz, fechado em casa, refugiado no quarto, amplo de espaço e singela representação física de um diminuto mundo infantil ainda por se expandir, talvez por precisamente esta razão, estava com medo. A chuva. O trovão. O raio. Tudo acossava a sua, até aí tranquila, vivência, é assim a vida, faz-se de momentos de alegria, de tristeza e também, não esquecer, momentos de convicta força e, claro, evidente está, momentos de incerto medo.
O barulho da trovoada chamou, no entanto, também a atenção da sua mãe que, sábia dos medos e dos anseios do seu filho, entrou com calma e um sorriso pelo quarto dentro. Leu ela, porque sabia essa linguagem de caras de miúdos, que o filho estava necessitado de algo que levasse o seu infante espírito para paisagens mais agradáveis, de menos raios e coriscos, locais de menor agitação atmosférica. Calmamente, com a serenidade que só as mães têm, o miúdo viu aparecer, como que por artes mágicas, o disco de vinil que mais apreciava e que mais vezes ouvia. A tranquilidade inundou-lhe logo a face, consequência da passagem do seu espírito para paragens mais serenas. A antecipação da memória certa, a certeza do imediato oferecem à criança o fim da insegurança do desconhecido. Nem um minuto depois, o Miguel, aconchegado na sua manta preferida, acompanhado com o Cão Azul, seu fiel companheiro, mesmo que pano e espuma fosse a sua constituição não seria errado apelida-lo de mais fiel amigo, deitados, os dois, o Miguel e o Cão Azul, lado a lado, os dois a olhar para a capa do disco de vinil que o Miguel segurava nas mãos, deliciavam-se no regaço da felicidade, a ouvir os eternos versos da Ana Faria: Lá vem o Miguel, dos olhos de mel, sempre a cavalgar, a galopar no seu corcel, que valente e diligente que nos saiu o Miguel; Lá vem o Miguel, dos olhos de mel, sempre a cavalgar, a galopar no seu corcel, e a seu lato corre, pula e salta o cão (Azul pensava o Miguel) Fiel, Traz uma espada de pau e um chapéu de papel; O cavalo de pau só balança, e é por isso que nunca se cansa, Para o Miguel também nunca há horas, A cavalo vai contando estórias: Zás Trás Pás, com a espada já venci sete malvados, Com a espada, Miguel, arrancaste os cortinados, Catrapum com um soco já venci mais um ladrão; Com um soco, Miguel, atiraste a jarra ao chão; Lá vem o Miguel, dos olhos de mel, sempre a cavalgar, a galopar no seu corcel, que valente e diligente que nos saiu o Miguel; Lá vem o Miguel, dos olhos de mel, sempre a cavalgar, a galopar no seu corcel, e a seu lato corre, pula e salta o cão (Azul pensava o Miguel) Fiel, Traz uma espada de pau e um chapéu de papel; O cavalo de pau só balança, e é por isso que nunca se cansa, Para o Miguel também nunca há horas, A cavalo vai contando estórias; Lá vem o Miguel, dos olhos de mel, semp
re a cavalgar, a galopar no seu corcel, que valente e diligente que nos saiu o Miguel…”
(Cont)

FASCIZANDO


(imagem tirada daqui)

"A administração da TVI já aceitou o pedido de demissão da direcção de informação e as chefias de redacção da estação televisiva, devido à suspensão do Jornal Nacional, liderado por Manuela Moura Guedes, apurou o SOL. Uma investigação da equipa de Manuela Moura Guedes sobre o caso Freeport, visando o primeiro-ministro, José Sócrates, ia marcar o regresso do Jornal Nacional, amanhã.
Ao SOL, Manuela Moura Guedes disse que «nada fazia adivinhar este desfecho».
A TVI fez uma promoção do telejornal de sexta-feira à noite da TVI, com imagens polémicas de Sócrates e Marinho Pinto, o bastonário dos Advogados, mas o spot nunca foi para o ar."

Seja qual for a razão para a suspenção do Jornal Nacional, considerando a forma como decorreu, das duas uma: Ou implica um ataque sem vergonha à independência jornalística; ou, por oposição, revela uma inabilidade total a roçar a imbecilidade atávica. Aquilo que fica no ar é precisamente a falência dos valores democráticos e uma interferência absolutamente inaceitável de interesses obscuros (?) no acesso dos cidadãos à informação. Lá está, ou perderam de vez a vergonha, ou nunca vi tamanha incompetência.

THE MOODY BLUES

quarta-feira, setembro 02, 2009

O SISTEMA (ou por que razão um voto em Ferreira Leite é um voto anti-sistema)

Em Portugal fala-se muito sobre o “sistema”. Desde o “sistema” que regula o futebol ao “eles” que influenciam, normalmente mal, a nossa vida. E como a vida, para um Português, costuma ir torta e jamais se endireita, o “sistema” é a raiz de todos os problemas. De facto, olhando para a realidade socio-económica portuguesa, aparenta existir um “sistema”. Tal como em qualquer outro país, existe, de facto, uma elite que detém mais poder de influência sobre a sociedade do que o comum dos cidadãos. Ela revela-se nos interesses económicos entrelaçados com os objectivos políticos, a maior parte das vezes confundindo-se uns e outros, assente numa estrutura que os marxistas entenderiam como opressora, ou que os liberais entenderiam como a consequência natural da desigualdade humana. É a vida. Para quem está dentro do “sistema” as coisas correm melhor do que para quem está fora, logo, com naturalidade, uns defendem-no e outros atacam-no.
A questão que todos nos devemos colocar é se o “sistema” vigente funciona bem para o país e para os Portugueses: O país cresce? Desenvolve-se? As pessoas vivem bem? A pobreza diminui, a felicidade aumenta? Ou, por outro lado: O país estagna, a pobreza aumenta, as pessoas vivem menos bem? Se a resposta for a primeira, não há razão para se criticar o “sistema”, a não ser pontualmente onde se verificar necessário. Já se a resposta for a última, as coisas mudam de figura. E em Portugal as coisas não estão a correr bem.
No nosso país, o “sistema” assenta, essencialmente, no controlo, por parte de interesses diversos, uns legítimos outros nem tanto, do sistema político. Os partidos controlados por aparelhos partidários comercializam indecentemente lugares no Aparelho de Estado, principalmente o PS e o PSD, mantendo um bloco central de interesses que serve, precisamente, o “sistema”. Dessa forma, pertencer ao “sistema” é conseguir influência partidária que garanta influência no Estado, e vice-versa, sendo que toda esta influência se consegue investindo dinheiro. Os caciques locais precisam de dinheiro para ter votos, de votos para ter lugares e de lugares para ter influência. De caciques locais passam a caciques distritais e finalmente nacionais. De repente já falam na TV, escrevem nos jornais ou comentam com autoridade mediática. Mas sempre com a noção que sem os lugares, votos ou dinheiro que os pôs ali nada são. De pensamento, ideologia ou vontade independente nada têm e, dessa forma, se processa a infinita dança das cadeiras para ver quem mantém o seu pequeno poder. Um pequeno poder ao serviço do grande poder, o tal “sistema” que não serve o país.
Criou-se a ideia, marquetizada e irrealista, que, para recusar este “sistema” é preciso votar num qualquer partido “anti-sistema“, seja ele novo ou velho. O melhor exemplo é o chamado voto de protesto que tem feito crescer o BE. Esta ideia é falsa por duas razões: Primeiro ao votar-se BE (o mesmo vale para o PCP), vota-se numa noção radical de um comunismo idílico que resulta, na prática, numa opção altamente estatizante e controlada da economia, o que, paradoxalmente, reforça o “sistema” que precisamente se diz combater na medida em que é mais fácil influenciar o que está controlado por poucos do que aquilo que depende de muitos; Em segundo lugar, ao se votar BE não se vota num partido que, efectivamente, governe o país, logo impedindo o escrutínio saudável da Democracia no que aos Governos diz respeito: Votar BE pune o Governo e a Alternativa, logo não premeia ninguém, ao não premiar ninguém o voto de protesto não ajuda a regenerar o que de mal está no arco da governação.
Assim, o verdadeiro voto anti-sistema não está necessariamente fora dos partidos do arco da governação. Onde está então?
A resposta reside dentro dos partidos. Dentro do PS e do PSD existirão ideias, ou mesmo ideologias diferentes. Tal como os militantes: Uns que vivem do - e para - o aparelho do partido, outros que o combatem, que tentam diminuir os seus tentáculos para campos eticamente aceitáveis. Esses são a linha da frente do combate ao “sistema“: Aqueles que atacam a superficialidade de discurso, as medidas marquetistas de eleitoralismo barato, a corrupção, o tráfico de influências, etc., etc.. Nem sempre temos a sorte de ter um combatente do “sistema” como candidato a Primeiro-Ministro. Num país ideal teríamos - talvez num futuro não tão longínquo de maior profundidade e proficuidade democrática assim seja - vários combatentes do “sistema” por onde escolher. Mas na nossa realidade, comparando os dois potenciais vencedores das eleições, não é difícil de descortinar quem é o combatente do “sistema”, quem é que ganhou o seu partido contra o aparelho, quem é genuíno e sério nas suas propostas e, por outro lado, quem é o garante da continuidade de uma ilusão superficial amarga que se alimenta do país ás custas do seu desenvolvimento e do bem estar das gerações vindouras.
Dia 27 votarei Manuela Ferreira Leite.