domingo, 13 de dezembro de 2009

A ARCA DE SÓCRATES

Vi há uns dias o tenebroso filme 2012 (2009). O filme é francamente mau mas a minha queda por filmes catástrofe maus (quanto piores, melhor) permitiu-me vê-lo até ao final. O enredo (fraquinho, fraquinho...)a determinada altura centra-se no facto de, sendo certo que o mundo ia acabar e os meios para salvar parte da Humanidade serem muito escassos, ter de se escolher métodos para decidir quem salvar numa espécie de Arca de Noé II e repovoar o planeta no pós-fim do mundo. No filme, uma das personagens principais fica muito chocada ao tomar conhecimento que quem tem lugar na arca salvadora ou é um cientista proeminente ou comprou (literalmente) o bilhete para ali estar. Isto pôs-me a pensar. Estas situações pouco plausíveis de extrema necessidade tendem a representar exercícios mentais interessantes. Coloquei a mim próprio a seguinte questão: E se houvesse uma qualquer catástrofe desta natureza em Portugal e só alguns pudessem ser salvos, o que aconteceria? Comecei imediatamente a rir-me com a visão da Comissão Política Nacional do PS a puxar os cordelinhos para os filhos, enteados, amigos e amigos dos amigos, o desfile dos Joaquim's Oliveiras e sucateiros Godinho, os Varas e Penedos, os acessores de imagem, comunicação e marqueting e etc, etc... todos eles agarrados à pratas lá de casa, a salvar as riquezas tão arduamente conquistadas, todos eles agarradinhos, agarradinhos às suas razões de existência a subirem as escadas da sobrevivência, tão aliviados por terem mais uns anos para olhar as pratas, mais uns anos para se gramarem uns aos outros. Que belo repovoamento genético seria esse depois da catástrofe. Eu, por mim, digo desde já que não me faz confusão nenhuma não ter lugar nessa arca do Sócrates, venha a onda, se é para passar o resto da vida na companhia dessa gente prefiro comprar o bilhete para o outro mundo mais cedo. Ámen.

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