sábado, 30 de janeiro de 2010

A APANHAR BONÉS

Este governador do Banco de Portugal mais este Ministro das Finanças que temos quando dizem que ficaram surpreendidos com o défice, logo se vê que andam a apanhar bonés. Decididamente estes dois ou não percebem nada disto ou, então, é mais fogo de vista para esconder o facto de terem mentido descaradamente durante a campanha eleitoral. Portanto, das duas uma: ou são incompetentes ou são mentirosos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

SOBRE A RECUSA

À medida que crescemos e amadurecemos, o mundo que nos compõe torna-se progressivamente mais complexo. E, dessa forma, passa a ser cada vez mais difícil separarmos decisões racionais de actos motivados por desejos ou simples anseios; compreender os porquês de estados de espírito; destrinçar virtudes que passam a defeitos de defeitos que podem ser virtudes num outro momento. Em suma, cada vez é mais difícil compreendermos-nos a nós próprios. Evidentemente que tal situação tem como consequência próxima e imediata o facto de o exercício da auto-compreensão se tornar mais árduo: é cada vez maior o despender de tempo e energia para compreendermos os nossos próprios anseios e, igualmente, compreendermos os dos outros. 
Na actual cultura de facilitismo o difícil é cada vez mais rejeitado. Nesta sociedade "moderna" recusa-se o difícil porque "não há tempo", tem de se abreviar, acelerar, modernizar. Por isso mesmo, na correria, acabamos por perder a capacidade de nos compreendermos a nós próprios tal como aos que nos rodeiam. E é precisamente ao recusarmos a reflexão complexa, demorada e difícil que a nossa intrínseca complexidade exigiria que acabamos por nos afundar numa superficialidade ilusória que na sua cada vez maior extensão se torna, a cada momento, mais frágil por ausência dos alicerces fundamentais. E isto é verdade tanto para a construção individual do "eu" como para as redes de contactos, amizades e interesses que se montam entre os diferentes "eus". A tragédia é que, parecendo o caminho da simplificação o mais fácil e eficiente, se revelará inexoravelmente como um estado de constante ansiedade e frustração: ânsia, se bem que escondida e incompreendida como tal, de nos entendermos, de superarmos o vazio da ausência de significado; frustração ao nos recusarmos a nós próprios. Evidentemente que a situação é insustentável: nunca pode um corpo colectivo funcionar através da auto-negação das partes que o compõem.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

BOM AUGÚRIO

"Transformar directamente células normais da pele de ratinhos em neurónios, sem ser preciso passar pela fase de células estaminais, foi o que uma equipa de cientistas a trabalhar na Califórnia relata ter conseguido fazer na edição de hoje da revista científica Nature."

MAIS UMA CENOURA

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

SOBRE OS ANIMAIS


Diz-se que o nível de desenvolvimento de uma sociedade se mede pela forma como trata os seus animais. Neste vídeo podemos ver um cão (de quem não se conhece dono) a mobilizar cerca de cinquenta bombeiros e dois helicópteros para o seu salvamento. Realmente, só nos Estados Unidos. O bombeiro responsável pelo retirar do canídeo de dentro de água ainda foi mordido pelo animal que estava em pânico e teve que ser internado no hospital para receber tratamento. Por comparação, lembro-me do dia em que um dos meus animais, um gato de seu nome Mago (infelizmente já não está por entre nós), se esgueirou por uma janela aberta e chegado ao telhado do meu prédio, passou de lote em lote até que, cheio de medo e perdido, se foi esconder na outra extrema da urbanização, próximo da beira do telhado. Ao passar na rua ouvi os seus incessantes miares e percebi onde ele estava. Chamados os bombeiros, lá se aventurou um deles até ao telhado para, passado uns minutos, regressar para dentro dizendo que via o gato mas que "não poderia ir mais longe não fosse partir alguma telha" e que o "chefe de certeza que não deixava porque o departamento não podia ter mais despesas". Reclamei que o gato ia morrer ali e que eu pagava as telhas; a resposta foi a de que não poderia ser porque as "coisas não funcionam assim". E foram-se embora. Acabei por ser eu a tentar ir ao telhado mas não tive nem a ciência nem a capacidade de chegar tão longe quanto se supunha o gato estar e tive de me contentar em ficar umas horas a chamar por ele e a bater com o seu tacho de comida nas telhas. Felizmente o Mago acabou por encontrar (era pequenino na altura) o caminho de regresso a casa. Quanto aos bombeiros, há que admitir, não partiram nenhuma telha. Fica aqui a comparação.
Vídeo encontrado aqui.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

JAMES, GETTING AWAY WITH IT ALL MESSED UP

O CULTO DA JUVENTUDE

"De Heidegger ao homossexual ginasticado, há uma obsessão recorrente com uma sociedade de gente "perfeita", uma sociedade em que a verdade e a beleza se equivalem. O culto absolutista do corpo e da vitalidade leva a uma idolatria da juventude. Idolatria indigna de uma sociedade civilizada."
Pedro Mexia no Jornal I

ORGULHO PÁTRIO

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

PANDEMIA DA TRETA

"O presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa fala de uma “falsa pandemia” em relação à gripe A (H1N1), aludindo a eventuais pressões exercidas pelas farmacêuticas para desenvolver vacinas contra a doença. Na sua opinião o alarme era escusado o e custou muito dinheiro aos governos - só na Europa, foram gastos 5 mil milhões de euros com as vacinas, nota, acrescentando que este investimento resultou da pressão da indústria farmacêutica."
No Jornal Público.


Tenho de admitir que fico aliviado por ver que nos media ainda há espaço para desmontar aquilo que, numa sociedade saudável, crítica, atenta e madura deveria ter sido desmontado desde o início. Todos os dados apontavam nesta direcção. E o que dizer do nosso Primeiro Ministro que se fotografou a ser vacinado? Eu que, não só não me vacinei como aconselhei todos aqueles com quem discuti o assunto a não se vacinarem, olho para a campanha de vacinação promovida pelo Governo e penso que das duas uma: ou os que nos governam são menos atentos e mais facilmente ludibriáveis do que eu, o que é preocupante; ou, então, deliberadamente promoveram um interesse particular alimentando uma histeria mediática, o que seria intolerável. E para não falar da estupidez acéfala dos jornalistas que "investigaram" esta matéria e que todos os dias nos enfiaram medo pelos olhos dentro. Esses, mais do que incompetentes, representam a vergonha superficial e infantil dos nossos dias. Claro que "ouvida pela TSF, Maria de Belém Roseira, a deputada socialista que vai estar presente na reunião de hoje, considera negativo que um organismo internacional lance suspeitas em relação à idoneidade de outro organismo internacional." Haja paciência.

sábado, 23 de janeiro de 2010

DA EMPATIA (II)

Pressupõe a leitura disto.

Ao contrário do que o "hino à criança" que tanto ecoa por aí poderia fazer parecer, as crianças revelam muita dificuldade em compreender o mundo de uma perspectiva diferente da sua porque não desenvolveram ainda a capacidade para a empatia. Não é fácil desenvolvê-la. É preciso arriscar e perder o medo. É preciso viver: no fundo, é preciso sofrer. No que me é dado a compreender, a marca da maturidade será mesmo essa capacidade de criar empatia, de criar condições de partilha e desejos de altruísmo egoísta baseados na compreensão de que a nossa própria realização depende do outro. E essa é a tragédia da sociedade dita moderna: não atingindo a marca da maturidade, permanece num estado de infantilidade; não processando a empatia acaba por não partilhar o verdadeiro conteúdo emocional apesar de partilhar quase tudo o resto. Ficam pela espuma, pela superfície como crianças a brincar aos pais e às mães, imitam comportamentos de empatia sem verdadeiramente a compreender. E, também, como as crianças que querem sempre o próximo brinquedo, obcecam os infantis adultos com os seus pequenos mundos e (sub)objectivos pessoais. Pior: perdendo a capacidade de se colocar no papel do outro, sem empatia, são capazes das mais horríveis crueldades. Não é por serem maus; são simplesmente crianças sozinhas e infelizes à procura de algo que na (e devido à) sua perspectiva única e egoísta nunca irão encontrar. São seres sem empatia. Querem ser felizes e fazem tudo o que lhes dizem que dá felicidade esquecendo que, sendo a felicidade algo que se atinge na partilha - empatia, na sua solidão ávida de materialista felicidade apenas a frustração os acompanhará. E dessa infantil e mimada frustração nasce um apetite voraz que, a pouco e pouco, nos faz correr sem ninguém saber muito bem para onde se vai. Anseia-se o novo, o moderno, o diferente na busca de algo que não se compreendeu que depende apenas de nós. No nosso infantil egoísmo afundamos-nos num mar de solidão.

DA EMPATIA

A subjectividade da perspectiva humana, apesar de nunca ultrapassada, é proporcionalmente minorada na exacta medida da capacidade do dito humano aumentar os seus pontos de perspectiva. Ou seja: com a capacidade de se colocar nos pés do outro. A isto chama-se empatia e é fundamental para comunicarmos e compreendermos o que nos rodeia. Uma conversa com empatia pressupõe que ouvimos, em vez de esperarmos pela vez de falar; pressupõe que o interlocutor tem valor, em vez de representar um obstáculo à nossa razão. A empatia é a chave da compreensão. Quem não tem esta capacidade para a empatia será, forçosamente, egoísta porque é alguém que nunca saindo da sua perspectiva nunca compreenderá verdadeiramente o que o rodeia, seja o outro, seja ele próprio; e daqui resulta a incapacidade de conexão emocional porque o egoísta só preza o seu desejo, o seu sentir e o seu pensar o que resulta numa necessária interiorização do sentir. Já a conexão pressupõe o oposto: a partilha, a compreensão e a exteriorização da intimidade através do sentir. E não nos enganemos: não há verdadeira partilha sem empatia porque não se pode partilhar o que não se compreende. É trágico porque, não partilhando, o humano sem empatia acaba por agonizar na sua íntima unidade, nunca se liga, nunca muda de perspectiva, nunca se realiza no outro: uma perspectiva única é, portanto, sinónimo de solidão.

BOB DYLAN, SLOW TRAIN COMMING - 1979

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

NÃO HÁ...

... coisa mais dura do que a indiferença. Pelo outro, por nós, por tudo. A indiferença é a morte. E com tanto tempo para morrer é uma pena que se deitem fora tantas e tantas coisas pelas quais vale a pena viver.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

GEORGE ORWELL (1903 - 1950)

Morreu há 60 anos.


"Until they become conscious they will never rebel, and until after they have rebelled they cannot become conscious."
 George Orwell, 
1984, Book 1, Chapter 7

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

BELLE & SEBASTIAN

UM BOM EXEMPLO DE INSANIDADE

"Os alunos da Universidade de Sevilha já podem copiar nos exames. Isto porque a Universidade reconheceu o seu "direito" a fazê-lo, pelo que os professores já não poderãochumbar, expulsar ou suspender os alunos que forem apanhados a copiar."
Aqui.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

TORRADAS

Tenho de dizer que já experimentei muitas iguarias confeccionadas nas mais diversas cozinhas, desde as mais recônditas e deliciosas tascas até aos mais refinados restaurantes; no entanto, devo admitir, nunca deixo de ser surpreendido pela explosão hedonista que se alastra pelas minhas sinapses cerebrais de uma forma inesperada (apesar de reiterado hábito) e sincera quando dou mais uma trinca numa torrada de pão alentejano a pingar de manteiga açoriana. Lá na Holanda não há disto.

A FOGUEIRA DAS VAIDADES

"Gente que pouco preza a liberdade mas que tem acima de tudo um enorme fascínio pelo poder como ele se exerce nos dias de hoje, entre o culto da imagem, o pedantismo das causas "fracturantes", o vanguardismo social, o "diabo que veste Prada" ou Armani, e o "departamento dos truques sujos" à Richard Nixon, tudo adaptado à mediania provinciana da capital. A ascensão ao poder de uma geração de diletantes embevecidos com os gadgets, pensando em soundbites, muito ignorantes e completamente amorais, que se promovem uns aos outros e geram uma política de terra queimada à sua volta, é a entourance que o "socratismo" criou e vai deixar órfã."
José Pacheco Pereira, aqui.

domingo, 17 de janeiro de 2010

SOBRE A MAIS PROFUNDA ESTUPIDEZ

Encontramos aqui um grupo de imbecis. Coitados, será que ainda não perceberam que mais tarde ou mais cedo serão todos expulsos por excesso de idade? E depois de todo o botox? Um tiro na cabeça? Pobres miseráveis escravos da aparência numa eterna e inglória luta contra si mesmos.

sábado, 16 de janeiro de 2010

SOBRE O AMOR

Aparece-me cada vez mais como evidente que na dualidade existencial permanente a opção terá de ser sempre o amor por oposição ao medo afirmando a felicidade por oposição ao controle. E tão longe estamos nós disso.

DA CORRERIA, OUTRA VEZ

Ocorre-me perguntar a quem tanto corre se sabe para onde vai.

ARLO GUTHRIE

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

DA CORRERIA

Nessa correria louca pela modernidade redentora cada vez mais cabe a pergunta se serei eu mais feliz nesse mundo perfeito, asséptico, fasciszantemente higiénico e normal; serei eu, nesse mundo feito de plástico e PVC, branco e sem mácula, pejado de regras normais para regular indivíduos iguais, todos eles sem pêlos ou sexo, sem defeitos ou excessos, indistintos mas normais; serei eu mais feliz nesse admirável mundo novo? Nem pensar. Vão lá para a vossa correria idiota e não contem aqui com o je. Prefiro acabar os meus dias num pequeno, velho e sujo sítio campestre, rodeado do que não é normal nem passa na ASAE; cheio de micróbios, roupa suja e velha e com a barba por fazer entretido a plantar batatas irregulares e tomates sem E's. E a fazer alguns filhos. À maneira antiga, se faz favor.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O CULTO DA MODERNIDADE






















Com a devida vénia para a Romeiro que me mandou estes cartoons do Quino por email.

sábado, 9 de janeiro de 2010

SOBRE O “DIREITO” AO CASAMENTO HOMOSSEXUAL

1.  A discussão sobre esta temática está errada desde o início. Existe muito a mania actual de lutar por “direitos”, direitos sobre tudo e sobre nada numa gritaria normalmente infantil sobre “ter o direito a” sem perceber que a essência de um direito assenta sempre num dever. Por esta razão a discussão sobre o casamento homossexual representa simplesmente uma discussão sobre se deverá ser permitido aos homossexuais casarem-se entre si;


2. Outro erro é assentar a discussão na questão da discriminação. Mais uma vez esta sociedade dita moderna, eu diria mimada, de cada vez que alguma coisa não é feita de acordo com a vontade expressa de um indivíduo logo vem esse indivíduo reclamar que está a ser discriminado. É certo que existem muitas discriminações; a ilusão está em pensar que a legislação pode acabar com todas as discriminações ou que algumas delas não são uma escolha da própria sociedade. Vamos acabar a legislar sobre o grau de beleza de uma hospedeira de bordo ou os músculos de um segurança? Espero que não. Vamos acabar a aceitar tudo a propósito de tudo só para não descriminar? Também espero que não.


3. Para mais, nesta questão em particular não existe discriminação nenhuma. De facto, todos os indivíduos têm o direito a casar-se. Um homossexual tem tanto direito ao casamento com uma mulher quanto eu. A realidade é que o homossexual não quer o mesmo casamento que eu quero. É fácil de perceber que esta questão não é de discriminação (porque temos todos o mesmo direito) mas sim de alteração do regime do casamento de forma a consagrar possibilidades que respondam a necessidades dos cidadãos; necessidades que o actual regime não consagra.


4. Chegamos finalmente ao âmago da questão: Devemos alterar o regime do casamento para permitir que este seja realizado entre pessoas do mesmo sexo? Devo começar por dizer que, à partida, não tenho nada contra. Se ser casado é algo que faz feliz duas pessoas, por princípio, nada teria a objectar não fosse um pequeno problema: Do regime do casamento decorre o direito à adopção. É precisamente por esta razão que a solução do Governo – PS é uma idiotice de primeira apanha: Ao permitir o casamento do mesmo sexo mas impedindo a adopção cria uma discriminação efectiva que antes não existia: antes todos tínhamos o direito ao casamento, sendo que algumas pessoas preferiam não utilizar essa instituição mas todos (porque os solteiros podem adoptar) podiam adoptar sendo que agora um cidadão que se case, se fizer parte de um casal homossexual, já não o pode fazer. Em conclusão um homossexual casado é efectivamente discriminado por lei face a um heterossexual casado e, pior, um homossexual que se case perde um direito que tinha, o direito à adopção. É de uma imbecilidade sem nome.


5. O ponto fulcral é precisamente a adopção. No entanto, será assim tão importante considerando que hoje em dia já é possível um homossexual adoptar? É importante porque a adopção, ao contrário do que os activistas homossexuais querem fazer parecer, não consagra apenas um direito para duas pessoas (ou uma) que queiram adoptar. Implica também um dever do Estado entregar um terceiro que tem à sua responsabilidade. A questão que permanece é a seguinte: Deve o Estado permitir a adopção por casais homossexuais? E esta pergunta implica outra: Será indiferente a uma criança ser educada por um casal hetero ou homossexual? Não estou convencido disto e teria sido este o debate que julgo que poderia esclarecer os cidadãos porque, como é evidente, a transferência de responsabilidades sobre terceiros será algo que diz respeito ao soberano: o Povo.


6. Não estou convencido que seja indiferente a uma criança ser educada por um casal homo ou heterossexual. Intuitivamente parece-me que o modelo masculino e feminino familiar é parte importante da formação da personalidade de uma criança. No entanto, isso não me faz pensar que deva ser proibido que uma criança seja educada por um casal homossexual porque me parece preferível que seja educada num seio familiar do que por uma instituição. No entanto, preferiria que fosse educada por um casal heterossexual.


7. Não havendo casamento sem adopção (tirando neste mundo de fantasia do Governo – PS a que já estamos habituados mas que mais tarde ou mais cedo terá de enfrentar a realidade) o argumento de alguma esquerda de que a população não se deve pronunciar sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo porque é “uma questão de direitos individuais que não afectam o resto da sociedade que como tal não tem nada que ver com o assunto” não é válido porque estão em jogo os interesses de um terceiro, a potencial criança.


8. Aceito (e aí de facto não tenho nada que ver com o assunto) que um casal homossexual deva ter os mesmos direitos conjugais que um casal heterossexual mas não concordo que, apesar de não ser proibido que casais homossexuais adoptem, seja indiferente que os pais adoptivos sejam homo ou heterossexuais. Ora, o casamento implica que seja igual para todos. Por esta razão, uma união civil registada como o PSD propôs pareceria uma boa solução porque consagra todos os direitos exceptuando o da adopção. Ao mesmo tempo essa união não deveria proibir a adopção, seria meramente atribuída preferência adoptiva a casais do que a uniões. O problema estaria resolvido consagrando todos os “direitos” desejados por todos, apenas regulando esses direitos por um sistema de preferências.


9. Sobra a reclamação homossexual de que o “casamento é um reconhecimento social importante para a comunidade homossexual”. Compreendo o argumento e até lhe posso atribuir alguma validade. No entanto, não assumindo indiferença perante a hetero ou homossexualidade de casais adoptivos só concordaria com tal situação se ao mesmo tempo fosse bem definido o regime de ponderação de preferências na adopção, implicando diferenciação dentro do casamento. Não é a solução que mais me agrada mas se o nome “casamento” é assim tão importante levem lá a bicicleta.


10. Concluindo, a lei PS é péssima e não passará muito tempo até ter que ser mudada. Nesse momento seremos forçados a decidir sobre a totalidade casamento – adopção tal como deveríamos ter feito desde o início. A mesma legitimidade adoptiva para todos os casais será aquilo que estará em discussão e sobre esse assunto assumo a minha preferência por casais adoptivos heterossexuais sobre os homossexuais da mesma forma que assumo uma preferência por casais em relação a solteiros adoptivos. Também isto não é estanque, são ponderados vários factores, até poderia acontecer que após a ponderação um casal homossexual acabasse a ser preferido em relação a um heterossexual, tal como um solteiro poderia ser preferido em relação a um casal. Apesar de tudo são discriminações, lá virão uns a gritar que não pode ser mas, enfim, na minha visão fazem parte da vida e devem ser assumidas.


11. Numa última nota, guardo a superficialidade panfletária do debate, a incompetência governativa na resolução da questão, a posição interesseira da maior parte dos intervenientes (desde a esquerda que vota este diploma ao mesmo tempo que diz que é mau só porque dá jeito para mais à frente não se voltar atrás até ao Governo a quem evidentemente interessa distrair o povo do que é a situação catastrófica a que trouxe o país) e, finalmente, o triunfo do culto da modernidade dos direitos e anti-discriminações que, de tão pobre, tanto inquina esta sociedade não tanto pelos seus feitos (que são pouco relevantes) mas pelo empobrecimento do debate público e político. No final de contas, a dita modernidade na sua ânsia de simplificar quer fazer crer que o mundo é preto e branco. O único problema é que não é.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

DA PORTUGALIDADE

Ontem foi dia de me deliciar com um salmão assado no forno em cama de alho, cebola e tomate, temperado com segurelha e azeite e acompanhado de batata assada e de um Esporão Branco reserva; hoje é dia de camarão cozido acompanhado de um alvarinho Deu la Deu de Monção. Só me faltava aprender a fazer a minha própria mayonnaise que não há melhor que a caseira. Talvez este ano.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

E QUE TAL, NÃO?

Ode peterpantesca

A surpresa da realidade,
através de sobeja sinceridade,
não deixou de me surpreender
pela sua triste crueldade.

Talvez seja esta pequena desilusão,
uma disfarçada e inesperada bênção;
intuísse eu tamanha crueldade,
e teria esquecido a imberbe ilusão.

Não estarei arrependido, no entanto,
de perseguir o seu inocente canto;
mesmo que tenha sido só eu,
é no sonhar que está o encanto.

Sonho pequenino,
talvez próprio de menino;
sorrio para mim mesmo,
com o meu pouco tino.

Coisa boa e invejável,
Essa do desatino;
Conclusão formidável:
Não quero ser mais do que um menino.