sábado, 6 de fevereiro de 2010

O VIDEIRINHO


Este Primeiro Ministro, a propósito de ter sido apanhado com a boca na botija, disse o seguinte: 

"Eu não contribuo para essa infâmia, nem para a degradação da nossa vida pública, baseando-se essas acusações e essas notícias em escutas telefónicas”, disse, à margem da cerimónia de adjudicação de contratos das redes de nova geração, em Vila Viçosa. " in Público

Portanto, se eu ouvisse aqui a minha vizinha do lado a dizer que tinha morto ali o meu vizinho do outro lado, isso não interessava nada e era uma "infâmia"? Claro que não; é demagogia barata de um demagogo ao nível do seu amigo Chávez. Só desconversa. Chama nomes a tudo e a todos quando, na realidade, ele é que é considerado suspeito (por um procurador público e um juiz) de um crime contra o estado de direito. A ser alguém infame, seria ele. Mais: a única razão pela qual a sua conversa foi escutada é porque fala constantemente ao telefone com pessoas investigadas por múltiplos crimes. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és. E como se não bastasse sabemos agora que andava com essas pessoas a combinar formas de controlar a comunicação social. Escroque. Isto é o ponto mais baixo da democracia Portuguesa. Este indivíduo, videirinho sem categoria, que se fez político de esquema em esquema, desde caciqueiro local até Primeiro-Ministro, com o seu curso forjado, as casinhas aprovadas em esquemas que toda a gente sabe quais são, com o seu paleio superficial e inócuo; assumamos: é uma pessoa de valores dúbios, sem o carácter que a função lhe exigiria; não tem dimensão intelectual, humana ou política para dirigir o Governo de Portugal. Os resultados, aliás, estão à vista. Este Primeiro-Ministro envergonha-me porque, infelizmente, é o meu Primeiro-Ministro. Mas o mais inacreditável é o facto dele por lá continuar, de tudo vir ao de cima e ninguém se revoltar; inacreditável é, também, o facto de não haver ninguém na rua a manifestar-se pelo seu direito fundamental a, mais do que ser bem governado, pelo menos a ser governado em verdade e com total respeito pela liberdade de informação. E, ainda, toda a apatia e a amoralidade que por aí grassa que desculpa tudo, que deixa andar, que, ao melhor estilo Estado novo, baixa as orelhas e faz de conta que nada se passa. Tudo isto, infelizmente, repito: infelizmente, tudo isto mostra muito do país que somos.

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