Pensamento, m. - Acto ou efeito de pensar. Qualquer acto de inteligência. Fantasia. Ideia. Espírito. Uso da razão. Reflexões

quinta-feira, abril 29, 2010

O QUE VALE É QUE EM PORTUGAL É MUITO DIFERENTE POR ISSO NÃO ESTAMOS PERTO DE NOS ACONTECER A MESMA COISA

"Desde que a crise grega se tornou conhecida do mundo inteiro e arredores que ando a pensar em escrever sobre o assunto. Não o tenho feito porque ter morado naquele país durante três anos não me habilita a falar sobre o estado das suas finanças públicas. Tenho, contudo, a experiência quase radical de querer fazer uma pequena obra numa casa em Atenas. À espera de uma autorização que nunca mais chegava, perguntei aos meus amigos gregos se nada funcionava no berço da democracia. Responderam com uma palavra: fakeláki. Em português, envelopezinho. Marcus Walker, no The Wall Street Journal, escreve sobre a realidade ingovernável dos fakelákia e dos rousfétia. Entre pequenos envelopes e favores especiais, os gregos chegaram ao ponto de ouvir o seu próprio primeiro-ministro, Giorgos Papandreou, a reconhecer que «o principal problema do país é a corrupção sistémica». Uma cultura de evasão fiscal e de suborno levou o país à ruína agora tão noticiada. Não foram os crimes cometidos por alguns, mas um modo de vida partilhado por todos, que arruinou o país. Quem quisesse escapar aos envelopes via a sua vida protelada para dia de São Nunca à tarde. Lá tive de mudar de casa."
Aqui.

domingo, abril 25, 2010

MASTER DAVIS


Depois da vitória épica ontem de Steve Davis (52 anos!) frente a Higgins e da grande recuperação de Robertson, hoje, Sephen Hendry com excelentes frames contra Selby. A velha guarda está em grande tal como este excelente Campeonato do Mundo de Snooker. Mas há que ressaltar a exibição de Steve Davis. Aquele que é um dos melhores jogadores de sempre (seis títulos mundiais, todos nos anos 80) continua a mostrar que, mesmo aos 52 anos de idade, uma vez grande, sempre grande.

REVOLUÇÃO


Seria bom que o ideal romântico e utópico que nos trouxe a revolução de 25 de Abril de 1974 se estendesse à noção que a liberdade é uma conquista permanente (e perpétua) muito longe deste momento em que nos acomodamos nesta videirice peçonhenta pantanosa da pré-falência; de facto, hoje, neste país estagnado pelo peso de uma dívida contraída pelo desvario de uns irresponsáveis parasitas, uma revolução seria aquilo mesmo que seria necessário.  Uma revolução na mente, na mentalidade; uma revolta contra o socialismo pseudo-fascizante no seu marquetismo do respeitinho e do politicamente correcto e que nos atrofia a uma existência do mais ou menos, do pobrezinho, do triste fado que não nos larga. Um revolta contra o sistema do esquema do chico-esperto, dos negócios obscuros à conta dos mesmos; uma revolta contra os grilhos da mediocridade que o egoísmo individualista desta máfia dos pequeninos nos coloca prendendo-nos, roubando-nos a vida que mereceríamos, a que temos direito, roubando-nos a liberdade. Mas contenta-se o povo com cantar as virtudes da liberdade sem perceber que aqueles que mais dela falam sempre foram aqueles que contra ela mais conspiraram: hoje, tal como sempre. Mas, enfim, liberdade também pode ser isto: afinal não há maior acto de liberdade que o acto de suicídio. Fiquemo-nos nesta espécie de suicídio lento, masoquista e sem luz ao fim do túnel até ao dia do desastre e talvez aí acordemos, talvez aí nos revoltemos novamente e talvez, quem sabe, trinta e seis anos depois desse dia, voltemos a cantar outra vez. 

quinta-feira, abril 22, 2010

A MENTIRA

"Outro dia li que a função da mentira é «substituir meios mais violentos». A ideia de que a mentira tem uma «função», e logo uma função positiva, é um bocado repugnante. É como dizer que os genocídios regulam a demografia. Mas além disso, não percebo o que seja um «meio mais violento». A violência física, por exemplo, é uma agressão, tal como a mentira, mas pelo menos opera dentro da realidade. A mentira distorce a realidade. Não conheço nada mais violento do que distorcer a realidade."
Pedro Mexia

domingo, abril 18, 2010

DO IMPÉRIO


E agora para coisas realmente importantes: o Benfica (excelso e glorioso) com jeitinho é Campeão (formal, porque materialmente é Campeão em permanência) já para a semana. Quando voltar a Portugal levo uma caixa de Kompensan Holandês. Diz que é mais eficaz.

APOLOGIA DA DECADÊNCIA HUMANA

A quebra dos valores de sempre não resulta da ausência da discussão sobre os valores nem das proclamações de valores. Pelo contrário. Proclama-se o que não se tem e discute-se o que não se compreende. Um prova de tal afirmação será, por exemplo, o facto de todos respirarmos e não passarmos o dia a discutir quantas vezes inspiramos ou deixamos de inspirar. Os valores são o alicerce da interacção humana; não há leis que os substituam, não há palavras que os protejam, apenas actos, apenas a experiência dos valores como o arauto da confiança humana. Por outras palavras: os valores são a linguagem da comunhão humana; é através deles que nos entendemos. Por estas razões, este triunfo avalorativo na civilização dita "moderna" significa, para quem tiver os olhos bem abertos, o prenúncio de uma catástrofe eminente. Na quebra de confiança, da fidelidade, da amizade pura e verdadeira, da comunhão emocional, na quebra de tudo o que de facto "significa" através da apologia do materialismo individualista e da cedência de uma forma generalizada (por preguiça ou ignorância) à superficialidade emocional e intelectual damos cabo do cimento da edificação humana permitindo uma retumbante vitória do Mal sobre o Bem. Evidentemente, o atomismo atávico, auto-implosivo, cego e desvairado será a triste consequência: a quebra da confiança na civilização humana representará um buraco negro para onde nos precipitaremos a toda a exponencial velocidade na exacta medida do falhanço de tudo o que um dia foi (ou deveria ter sido) considerado o essencial. Perdendo-se os fins, ficamos pelos meios, enredados no materialismo que nos atola a uma existência infeliz de inveja e cobiça. O Inferno, portanto. Não se pode construir uma casa sem cimento: sobram os tijolos. E depois do desastre, espera-se que talvez alguma aprendizagem venha. Insisto no 'talvez'. E desse pequenito 'talvez', talvez venha um novo ciclo onde recomeçaremos a construir um mundo novo. Talvez me perguntem porque derivo eu de tamanho pessimismo o optimismo de um sucesso futuro?  Respondo que  me sobeja a noção que da irrelevância de todo este pequeno ego que se agiganta perante nós (mostrando o quão pequenos somos) desponta o desespero da decadência humana: perante a morte que nos há-de colher a todos nada tem importância. Quer seja o falhanço no desastre, quer seja o deslumbre do sucesso que nos assole tudo cederá perante a inexorável decadência humana. Mais tarde ou mais cedo, todos, todos mesmo, seremos deitados que nem pó para esta terra que nos viu nascer. Mortos. Decadentes. Irrelevantes. Por isso meus caros materialistas: a irrelevância da vossa escolha não afecta o falhanço que nos espera; a seguir à vossa derrota outros virão, uns bons, outros maus, para serem derrotados também. Aquilo que vocês, meus idiotas, ainda não perceberam é que no fim, mortos e enterrados, fodemo-nos todos. Ámen.

ANDREW BIRD

"Darkmatter", Armchair Apocripha (2007)

SOU LOUCO, PORTANTO

Quando damos por nós a intuir que a forma como os outros interagem, pensam e actuam nada tem que ver com a forma como nós interagimos, pensamos e actuamos só se pode tirar uma conclusão: não fazemos parte desse mundo. E cria-se, dessa forma, uma espiral de desconexão solitária que num assomo de ascensão ilusória nos liberta da interacção com os que nos rodeiam, por um lado, mas que, por outro, nos mostra claramente que, estando tudo errado, os loucos só poderemos mesmo ser nós. Eu vivo num mundo onde a palavra conta, onde a frontalidade se assume e onde a coragem vibra; vivo num mundo onde as ligações emocionais superam as materiais, onde as coisas valem a pena quando a alma não é pequena. Vivo num mundo onde a mesquinha pequenez atávica e cobarde fica à porta. Mas pelos vistos, esse meu mundo não é mais do que isso mesmo: o meu mundo. Sou louco, portanto.

POR DETRÁS DA BANDEIRA







Uma perspectiva muito interessante sobre a evolução da bandeira Portuguesa. A não perder aqui.
Encontrado aqui.

sábado, abril 17, 2010

UMA EXCELENTE ENTREVISTA

Porque somos pobres, não temos experiência democrática, não estamos bem colocados geograficamente no mundo, porque temos um péssimo clima. Só pensa que Portugal tem um bom clima quem cá vem de férias para a praia. Quem faz agricultura, sabe que temos um péssimo clima, péssimo. Porque não neva onde devia nevar ? a neve conserva as terras, a chuva estraga as terras ? e nós temos chuva e não temos neve. Temos muito maus terrenos, só em certos sítios é que são bons, o resto não presta para nada. Estivemos 200 anos a fazer cereal onde não se devia. Não temos boas condições na agricultura, a não ser para a floresta. Devíamos gastar milhões por ano com o desenvolvimento florestal, com o tratamento das doenças da floresta, do pinheiro, do sobreiro. Não fazemos nada disso, ou quase nada. Devíamos gastar com o mar. Há 30 anos que deixámos de investir no mar ou de gastar com o peixe. Há um único caso em que, em 30 ou 40 anos, Portugal conseguiu vencer em quase todas as frentes, que é o caso do vinho. E curiosamente, no vinho o Estado não meteu o bedelho. Foram os empresários, os técnicos, os enólogos que criaram dezenas de boas empresas, dezenas de bons vinhos que são vendidos no mundo inteiro, que ganham prémios no mundo inteiro. Há 15 dias ?vou dizer isto e parece que vem do além ?, um vinho português teve a classificação 100 em 100, o que é raríssimo. Na história de Portugal houve três casos.

COMO A IGNORÂNCIA E O MEDO DESTROEM A LIBERDADE

É precisamente este discurso que é o responsável pela fascização crescente na civilização ocidental. Estes "peritos" iluminados não compreendem que a total segurança é uma impossibilidade e que apenas o risco e a incerteza são garantidos companheiros da vida. A pseudo-segurança será sempre, por um lado, ilusória porque não existindo absoluta segurança (tal como não existe nada em absoluto a não ser a absoluta incerteza que nos acompanha pela vida fora) andaremos a comprar aquilo que não pode ser comprado; por outro lado, a pseudo-segurança, demonstra-se muito perigosa porque nunca se atingindo o objectivo da "segurança" então o tal "preço a pagar por ela" será uma factura que, infinitamente, será sempre maior e, nunca deixando de crescer, porque o objectivo que se propõe adquirir nunca chega, haverá o triste momento em que da liberdade não restará mais do que uma longínqua e saudosa memória. Mas vá-se lá explicar isto a estes materialistas dialécticos cheios de convicções e certezas como o Sr. Comissário.

FIM DE CICLO

O problema da mentira é que tem perna curta. Bem podem estes nela continuar a insistir que o resultado será sempre o mesmo: o desastre. E, num assomo de arrogante premonição, arrisco dizer que quando o desastre chegar a culpa será daqueles que há muito o tentam impedir. Os marquetistas trauliteiros que desbarataram o que não tinham, esses, serão as vítimas da perfídia dos insidiosos inimigos da pátria que contra tudo e contra todos bem tentaram avisar do que já há muito deveria ser por demais evidente. Assistindo a tudo isto, de fora é certo, passo rapidamente da frustração irritada a uma espécie de aceitação pacífica. E com a mesma tranquilidade assumo que, na evidência (porque é disso mesmo que se trata) da falência do instrumento da razoável e racional discussão humana como solução para a problemática do futuro, sou forçado a compreender que tamanha tarefa não se pode fazer com todos. Cá estarei para ver como, após o desastre, muitos dos que vergonhosamente se calaram serão os primeiros a pedirem o pelourinho e o bidão de gasolina. Eu empresto-lhes o isqueiro que se queimem uns e outros, os que se calaram e os que nos roubaram, que se queimem todos numa enorme e frondosa fogueira de vaidades que o que isto precisa é mesmo de uma limpeza generalizada. E depois começamos de novo. Como sempre.

quinta-feira, abril 08, 2010

8 DE ABRIL

O meu pai faria anos hoje. Não consigo deixar de o ver nas suas coisas, consigo, connosco e comigo, aqui e ali, cá e acolá. Respiram-me as coisas que ele considerava importantes, a que dava valor, das quais se ria e as que o irritavam ou entristeciam. E já cá não está. E perante tal facto tudo o que achamos tão importante deixa cair a máscara da importância e permite entrever a verdadeira irrelevância da sua essência. Também eu um dia deixarei de estar. Todos nós. E tudo o que achamos importante hoje mais não será do que as recordações de alguns que por aí sobram e que, tal como nós hoje, se espraiam esvoaçando por um espaço e um tempo para o qual se viram atirados, despejados sem saber de onde nem para onde, sem saber porquê. É assim a vida: faz-se de incompreensões em vida e de memórias em morte. Incompreensões sentidas e memórias sentidas. No desespero da irrelevância de tudo consola-me aquele abraço, aquelas palavras que mais do que nunca, são e serão tudo para mim.

CONFUSÃO

Faz-me confusão (muita) o vazio emocional de algumas pessoas. Nesta era de rápida e superficial tecnologia, estes humanos agarrados aos telemóveis e aos portáteis interagem sem ter de ser cara-a-cara. E quando não é preciso dar a cara o valor da interacção decresce de imediato. O outro não é alguém perante quem nos sentimos julgados nos nossos erros ou a quem atribuímos o valor do "outro"; não, ao invés, o outro é um mero conjunto de pixeis que descartamos com um leve e displicente toque de dedo no ecrã. E nascem estes novos seres, atarefados no seu materialismo dialéctico, cheios de reuniões e afazeres muito importantes, que na penumbra da distância tecnológica são assim e na angústia do toque e do cara-a-cara são assado. Faz-me confusão. Na superfície parecem uma coisa e quando vamos a perscrutar na profundidade do seu ser afinal descobrimos serem outra. Faz-me mesmo confusão porque não percebo como podem estes seres almejar outra coisa que não a angústia permanente da ausência do outro. É que sem o outro, não há felicidade. Apenas solidão.

E DEPOIS DA PAUSA

Temos um novo Residente do PSD. Não votei nele mas, considerando que o clima de guerrilha interna que tem degradado o PSD é absolutamente insustentável, reconheço-lhe a legitimidade da vitória, o grande resultado que obteve e dele espero a capacidade de juntar o melhor do PSD para ultrapassar as dificuldades que se avizinham para o país.  Que não haja dúvidas: o objectivo é o de salvação nacional desta videirice peçonhenta socialista que nos atola, afunda e deprime neste miserabilismo auto-infligido. O objectivo é a justiça e a liberdade de uma melhor qualidade de vida para o nosso país. E, evidente será, que só com o PSD no seu melhor tais nobres e essenciais objectivos serão possíveis. A partir de Domingo, nas eternas palavras de Camões, "cesse tudo o que a antiga musa canta que valor mais alto se levanta". Ámen.

Adenda: uma última palavra para Manuela Ferreira Leite que sai de cena. Uma senhora. Séria, correcta, preferiu perder uma eleição a perder a razão. E teve razão, antes de todos, em tudo o que disse. O país é o que fazemos dele e a escolha do socretinismo sobre ela foi nossa. Nossa e só nossa. Cada um tem o que merece. Fica a referência a alguém que me parece dever ser uma referência.