Pensamento, m. - Acto ou efeito de pensar. Qualquer acto de inteligência. Fantasia. Ideia. Espírito. Uso da razão. Reflexões

quarta-feira, setembro 22, 2010

ESTADO DE ESPÍRITO

Quando vejo a capa do Correio da Manhã e logo a seguir vejo o aldrabão do Primeiro-Ministroa prometer tudo e mais umas botas tecnológicas completamente imune ao abismo para onde, através da propaganda e da incompetência, nos trouxe a todos lembro-me de Orwell:
"Quanto aos restantes, a sua existência, tanto quanto se davam conta, era semelhante ao que sempre fora: andavam geralmente esfomeados, dormiam na palha, bebiam água da lagoa e trabalhavam nos campos; de Inverno sofriam com o frio, de Verão com as moscas (...) apenas podiam basear-se nas listas de números de Tagarela, que , invariavelmente, demonstravam que tudo estava a correr cada vez melhor."
George Orwell, A Quinta dos Animais
 A verdade é que o Primeiro Ministro não passa de um mentiroso. Já foi apanhado em mentiras várias, esquemas de corrupção menor, abusos de poder e nos meandros de perigosas influências. Nada lhe aconteceu. Consegue (uma capacidade sub-humana) andar de cabeça erguida como se nada fosse com ele; o que só lhe revela ainda mais a ausência de vergonha e, consequentemente, de carácter. Mas destes há muitos. Pior mesmo é que, além de tudo o acima descrito, a funesta personagem, no seu aterrador delírio, utilize todos os poderosos instrumentos que tem ao seu dispor para justificar o injustificável: que tudo está bem. Que dirá o aldrabão quando o FMI por aí entrar? Quem será o responsável? Uma coisa me parece certa: a aldrabice não se torna decente; tem de ser exterminada. Este bando de marquetistas sem carácter tem de ser removido. Mas depois vejo a apatia generalizada, a opinião pública lobotomizada e a vontade que se me aloja é o de ir de volta para a Holanda, um país com muitos defeitos mas que, em última análise, é um país decente. Em Portugal a indecência grassa: nos serviços, no futebol, no amiguismo que ninguém condena, nos esquemas interesseiros, nos compromissos que não se cumprem; grassa desde o pequeno fiscal da ASAE que a troco de umas notas lá assina o papel até ao cacique que feito banqueiro do Estado empresta dinheiro àqueles que lhe vão dar o emprego quando do Estado esse banqueiro mais não se puder servir; em Portugal, a indecência grassa desde os miúdos que batem nos professores e disso se orgulham até aos velhos que são abandonados por aí à fome e à miséria.
Toda esta indecência se reflecte, de forma tão tristemente evidente, nos dirigentes que temos. Reflecte-se num Estado imoral que exige sem cumprir e que impõe a indecência do interesse de quem o controla. Reflecte-se na institucionalização da indecência. Reflecte-se na indiferença perante a indecência. É um problema nosso, próprio de um subdesenvolvimento qualquer que nos atola neste pântano imundo. E é deste pântano que pequenos indecentes como Sócrates e a sua entourage se fazem grandes indecentes. É deste pântano que Portugal se faz um país indecente. Porque os Portugueses não se dão ao respeito.

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