sexta-feira, 28 de setembro de 2012

DO FUTURISMO

Scruton diz-nos que "substituindo «é» por «será» permitimos que o irreal vença o real e que mundos sem limites obliterem os constrangimentos que conhecemos." Trocando por miúdos: achar que os problemas sociais se resolvem com um mundo novo - um sonho, portanto - não é mais do que recusar os limites da realidade substituindo-os por um mundo de fantasia onde as nossas vontades, por mais ingénuas que sejam, serão sempre satisfeitas. Atirar para amanhã permite que conquanto tudo seja possível na nossa imaginação o mundo real verdadeiramente esteja a soçobrar à nossa volta hoje. Atirar para a manhã significa não ter que fazer nada agora a não ser recusar o que é. Uma birra, portanto. Entre a inacção e a recusa da realidade sobra a incapacidade de aceitar a vida tal como ela é; uma incapacidade própria dos humanos que mais sonham com o que não podem ter: as crianças.

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