sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

NOÇÕES PANTEÍSTAS (VI)

Santo Agostinho defendia a ideia de que, de alguma forma, nós merecemos o 'mal'; Leibniz argumentava de que o 'mal metafísico' é uma mera consequência da nossa limitação. Ambos estão certos: se entendermos o todo como eterno, temos forçosamente que o conceber também como harmonioso: onde não há tempo, não há acção; onde não há divisões, não pode haver tensões. Ora, a limitação, já dizia Heraclito, exerce-se precisamente pela oposição: a tensão entre os opostos configura a separação entre o finito (em tensão) e o infinito (o absoluto harmónico). O 'mal' apenas pode surgir da tensão: no eterno e absoluto não pode existir nem 'bem' nem 'mal' pois tudo simplesmente é em absoluta harmonia. Assim sendo, o 'mal' será certamente consequência da limitação; mas porque é também a essa limitação que devemos a nossa possibilidade de existência então temos que aceitar que o 'mal' é o preço que pagamos pela vida. Nesse sentido, a existência do 'mal', tendo como alternativa a não-existência, será justamente merecida: não há almoços grátis.

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