quarta-feira, 10 de abril de 2013

A PAREDE

O problema das paredes é apenas um: não se movem. Pode ser uma boa parede, uma má parede ou uma parede mais ou menos: ela não vai sair do sítio. Já o condutor que bate na parede, sendo ele mais ou menos experiente, tendo ele mais ou menos razão, só evita a parede se mudar de curso. Ponto final. Portugal está, desde há muito, em rota de colisão com uma parede: ao gastar sucessivamente durante as últimas décadas mais do que produz e recorrendo à emissão de dívida para pagar a diferença, era apenas uma questão de tempo até atingir uma situação em que, não tendo condições de pagar a gigantesca dívida que criou, das duas, uma: ou passa a consumir menos ou passa a produzir mais. Ora, para produzir mais é preciso ter uma economia livre, coisa que Portugal não tem, nem nunca teve  - e razão pela qual consome mais do que produz - logo a única solução imediata face às exigências dos credores internacionais passa por consumir menos. O que é consumir menos? Gastar menos em educação, saúde e nas prestações sociais, tais como subsídios de desemprego ou reformas. Neste momento, ocupam-se os portugueses a gritar como a parede é má, feia e terrível mas cada um não quer abdicar do seu consumo habitual (que tal como todos tem que baixar) logo, lamentavelmente, a barafustar com a realidade lá vamos aos berros correndo rumo à parede. Aquilo que, pelos vistos, ainda não se aprendeu em Portugal são duas coisas que deveriam ser evidentes: primeiro, que se não há dinheiro não há palhaços; segundo, que as consequências do embate na parede serão muito piores do que os sacrifícios necessários para nos desviarmos do obstáculo.

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