segunda-feira, 10 de junho de 2013

AUTÁRQUICAS

Ir vendo o desfile de candidaturas, mais ou menos independentes, que pululam por Portugal à cata do voto em Setembro próximo apenas tornou mais fortes duas profundas convicções que tenho: a primeira é que as autarquias esbanjam muito dinheiro; a segunda é que se aplicássemos, mesmo que invertido, o princípio que esteve na origem da revolução americana - no taxation without representation - e tivéssemos a quase totalidade das receitas das autarquias provenientes da taxação directa dos seus munícipes (que proporcionalmente pagariam menos impostos ao Estado central), então teríamos o problema resolvido: autarcas armados em senhores locais (que os há aos pontapés) a esbanjar o erário público não duravam tanto numa câmara municipal. Ao mesmo tempo, gostava de ver se o foguetório, o bailarico ou o concerto pimba continuariam a ser tão populares: quando percebemos que nos sai do bolso - e vemos para onde vai o guito - a coisa é capaz de ser um pouco diferente.

3 comentários:

Endhoscopy disse...

Boas tardes, Nuno, o "poder" local é de facto um dos nossos grande s problemas. O que poderia significar (e, significa - pelo menos nalgumas localidades) a proximidade entre a população e a tomada de decisão, representa um desbaratar impune dos parcos recursos do país.

Haja coragem para alterar este cenário...

Nuno Lebreiro disse...

A vantagem da falta de dinheiro, vulgo falência, é precisamente a de forçar a ter a coragem de viver com menos. Resta saber que tipo de reforma se quer fazer: se a que racionaliza recursos, se a que mantém o status quo oligárquico e caciqueiro a expensas dos cidadãos. De uma forma ou de outra cá estaremos.

Endhoscopy disse...

Há algum tempo que considero esta crise mais do que um mero tumulto económico.

Não apreciando conotações fáceis no domínio da "Moral" ou da "Ética", parece-me que deveríamos crescer para um exercício pleno da cidadania.

Infelizmente esse crescimento dá trabalho e colide com o horário da novela...