terça-feira, 9 de julho de 2013

O PREÇO

Heraclito explicava que a nossa existência se separava da harmonia universal pela tensão entre opostos, uma espécie de limitação subjectiva em relação ao todo. É uma ideia importante: se estamos vivos, então estamos contidos - limitados - numa tensão permanente, numa espécie de conflito permanente entre antagonismos. Esta é a primeira grande aprendizagem do verdadeiro conservador: não pode haver uma verdadeira solução que traga a paz e a harmonia - a perfeição - pois a nossa condição humana não o permite: a harmonia é no plano do todo: o divino, portanto. A nossa limitação comprova-se com facilidade: a vida tem valor porque morremos; e o preço que pagamos por viver é a angústia da morte. Da mesma forma, a insatisfação permanente é o preço que pagamos por termos coisas com que nos satisfazemos. Não há almoços grátis.

2 comentários:

Anónimo disse...

Talvez um dia ainda deixes de ser conservador. Porque qdo se vive na limitação subjectiva com arte, sabendo-se que se é eterno, por isso, sem lugar para a angústia da morte, a insatisfação vai-se, mesmo que nem tudo seja perfeito - o todo -, porque também o conceito de perfeição é ele subjectivo e por isso pode ser vivido pelo homem sábio que está sintonizado com o todo.
Mas isto a só a minha experiência pessoal...
S.

Nuno Lebreiro disse...

É precisamente isso que o meu post preconiza.