quinta-feira, 10 de abril de 2014

OS IDIOTAS ÚTEIS

Um relato em primeiro mão acerca da democracia do Sr. Bernardino:

"I had to be careful of my thoughts because I believed Kim Jong-il could read my mind. Every couple of days someone would disappear. A classmate's mother was punished in a public execution that I was made to attend. I had no choice – there were spies in the neighbourhood. (...) I realised that everything I thought was a lie. I had not been a real person – I was created for the regime to work for them. If they ordered us to die, I would've died for them. I wasn't a human – I was something else. I certainly wasn't treated like one. I knew nothing of freedom".

 É por estas e por outras que eu não olho para o PCP, e os demais extremo-esquerdistas, com a complacência paternalista assente na noção de que as oposições, quando em democracia, são todas saudáveis. Não são. Pelo contrário, o peso da estrema-esquerda em Portugal apenas atesta a triste realidade de um país em que um quinto dos votantes insiste em votar em partidos que legitimam, desculpam e defendem regimes como o de Pyongyang. E isso é triste, perigoso e algo que a mim, particularmente, me causa vergonha. Pior: com alternativas tão inaceitáveis acaba por sobrar suficiente espaço de manobra para no chamado arco da governação ser-se tão incompetente a governar e, mesmo assim, conseguir escapar-se impunemente por não haver outra opção aceitável. Aquilo que os idiotas úteis que votam nos lunáticos da extrema-esquerda não compreendem é que da sua imaginada revoluçãozinha de IPhone na mão apenas sobra a inimputabilidade dos verdadeiros donos do regime. É, mais uma vez, o síndrome de Lampedusa: ao quererem que tudo mude, apenas garantem que tudo fique na mesma.

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