segunda-feira, 5 de maio de 2014

GUIA PRÁTICO PARA A COMPREENSÃO DA TUGARIA

Aqui, à distância de uns curtos milhares de quilómetros mas, igualmente à distância de um clique, proponho hoje um exercício que será capaz de explicar aos mais distraídos tudo o que se passa em Portugal, tim-tim por tim-tim. Ah-e-tal-eu-não-sou-muito-conhecedor-da-realidade-portuguesa-não-ligo-muito-acordei-agora-para-a-coisa-e-gostaria-de-perceber-mais-sobre-o-assunto-principalmente-as-razões-que-nos-levaram-à falência-e-que-nos-impedem-de-sair-dela é você? Então este guia prático é para si!

Muito fácil:

Primeiro passo é seguir até ao Diário de Notícias de hoje e começar a ler o artigo do João Luís César das neves (link). Mantenha o espírito aberto mesmo que não concorde com as opiniões religiosas, éticas ou morais do homem, afinal de contas, lembre-se, vivemos em Democracia e temos que respeitar as opiniões de todos.

Depois de começar a ler o artigo, carregue no play do vídeo que se segue.

 

Assim, enquanto lê as palavras de César das Neves, um economista respeitável, um académico de nomeada aliás, e que não precisa do seu voto, ou de um tacho governamental, para nada e, por isso, pode dizer a verdade tal como a vê (coisa rara em Portugal) pode igualmente apreciar a qualidade musical da Suzy, bem como a profundidade da letra de Emanuel. Num momento de maior perplexidade lembre-se que foi essa a música que uns quantos milhares de portugueses escolheram para o representar a si num festival de música internacional.

Mas, calma!, o guia não fica por aqui. Se está escandalizado com a eventual pacovice bardajona da música em questão a coisa fia mais fino: afinal, ao melhor estilo aí da tugaria, o festival da canção da RTP foi matraqueado e diz-se, contenha os risos, que o Emanuel andou a contratar call centers para garantir caciqueiramente, ao melhor estilo do Estado Novo, a vitória da sua obra prima. A estória é contada aqui (link).

Assim, para finalizar, até porque ler a estorieta da conspiração errtêpiano-emanuelina demora o seu tempo, pode entretanto carregar no play no vídeo que se segue e apreciar o esplêndido som da música que, aparentemente, de acordo com os boatos, deveria efectivamente ter ganho o festivalito da "canção".



Pois. Quando perceber que a música que deveria ter ganho é tão má quanto a que ganhou, a isso juntar o facto de nem num festivalito de música a pequena corrupção e o caciquismo nos deixarem em paz, que tudo se passou numa estação pública - paga, portanto, com os nossos impostos! - então volte ao início e leia o artigo do João Luís César das Neves outra vez. Pois é, não é?

2 comentários:

Rui José Mota disse...

Caro Nuno, suponho que seja emigrante. Afirmo-lhe todo o respeito e admiração pela luta que trava fora do seu País, muito possivelmente porque não lho permitiram por cá.
Não compreendo é o carimbo com que quer brindar todos os que por uma razão ou por outra permanecem na nossa Pátria.
Quero simplificar-lhe o raciocínio: o povo português é brilhante, as cúpulas são o problema. Sempre assim foi. Enquanto as nossas elites permanecerem numa consanguinidade obtusa nunca poderemos aspirar a outro nível.
Portanto caro Nuno, ajude-nos a livrar-nos desta cambada de energúmenos e um dia terá orgulho em ser português...
Obrigado
Rui Mota

Nuno Lebreiro disse...

Caro Rui,

Tenho todo o orgulho em ser português, só me faz ter mais ganas de exercer a crítica. Apenas discordo quando diz que as cúpulas são o problema: talvez sejam, mas um povo, no seu todo, é o responsável pelas cúpulas que tem. Não vivemos em ditadura.
Cumprimentos