quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A FOGUEIRA

Todo este espectáculo tolinho das eleições primárias do PS é capaz de deprimir o mais entusiasta dos optimistas e levar qualquer guru da vida feliz à beira do suicídio. Primeiro, os candidatos: às turras, ocupados a chamarem nomes um ao outro, sempre entretidos com as mais tristes banalidades e incapazes de apresentarem uma ideia com princípio, meio e fim. Depois, as estratégias: desde o oportunismo disfarçado de messianismo do Dr. Costa à inabilidade do Dr. Seguro (que pensava que controlava o aparelho e afinal nem isso), tudo foi muito, mas mesmo muito fraquinho. A seguir, a cobertura jornalística e comentadeira: nunca uma pergunta tão simples como "como vai implementar (que é como quem diz: onde vai financiar) esses desígnios fantásticos que tem para Portugal" foi feita, apenas atestando que, enquanto os Antónios se entretinham a inventar soluções mágicas para o país, não havia um jornalista com três neurónios capaz de chamar os demagogos à realidade. Aliás, realidade é uma coisa com a qual os portugueses lidam muito mal: para muitos mais vale irem agora eleger quem os levou à bancarrota apenas porque, mais uma vez, mentindo com quantos dentes têm, lhes continuam a vender meia dúzia de frases feitas. Resta saber quantos vão na cantiga do bandido. Finalmente, a fotografia da vitória: ver o pateta poeta Alegre, o chavista Soares, o Almeida "é-melhor-construir-uma-terceira-ponte-sobre-o-Tejo-que-um-túnel-pode-ser-alvo-de-terroristas Santos, todos a acompanhar o antigo número dois de Sócrates (sim, o António Costa),  e todos de punho bem levantado já a fazerem as contas a quantos dias faltam para irem para o poleiro que consideram deles, tudo isso foi tão mau que ia vomitando o pequeno almoço. É essa gente que querem de volta? Que país, irra, falido está, falido há-de continuar. Depois reclamem.

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