segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A ESPECIALIZAÇÃO FILOSÓFICA

O filósofo modernaço obceca com ser um especialista. O especialista é aquele que leu tudo sobre um determinado autor, ou um período, ou uma escola, ou um debate ou, pelo menos, algo que justifique uma bolsa de investigação de uma fundação qualquer. Naturalmente, à medida que o tempo passa e mais humanos cheiram que isto de passar a vida a especializar-se é uma vida boa, com excelentes horários e benefícios, então o número de especialistas tende a multiplicar-se. E depois de todos os autores, escolas, e debates, estarem sob a alçada de inúmeros especialistas, que sobra então além de inventar novos campos, e pretensos argumentos, para continuar a acomodar a crescente tendência de especialização (e o dinheiro que vem com ela)? E então deparamo-nos com uma academia cheia de doutores, todos eles muito enfadados a partir do momento em que dão umas aulas na sua especialidade, todos muito cheios de si e todos muito especialistas. Claro está que quanto mais focam o seu enfoque especializado menos o especialista sabe do mundo, o que é como quem diz quanto mais especialista é o especialista menos filósofo é o pretenso filósofo. E não é apenas na Filosofia, está a academia cheia desta gente: tão pedantes como ignorantes. Nunca custou tanto dinheiro ao erário público gerar um número tão grande de idiotas.

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