segunda-feira, 3 de novembro de 2014

DA INFANTILIDADE MODERNAÇA

Uma lei não escrita da civilização é que esta é tão mais bem sucedida quanto menos infantil ela for. Ou seja, quanto mais adulta uma sociedade for mais tendência ela terá para ser bem sucedida. Porquê? Porque adultos lidam com o real enquanto que as crianças atascam-se em sonhos e birras. Três bons exemplos da infantilidade contemporânea: primeiro, a obsessão com a juventude e a completa incapacidade de lidar com os ciclos naturais da vida e da morte. Vivem as cidades em bolhas eternas e pejadas de humanos que iludem-se ao pensar que parecer (e agir como) novo equivale a ser novo. O sonho, lá está. Depois, em segundo lugar, o egocentrismo individualista. Só quem não cresce não apreende que há mundo para lá do 'eu', aliás, há todo um mundo que não quer saber do nosso pequenito 'eu' para nada. Porquê? Porque somos irrelevantes. Mas isso é algo que uma criança que enche todo o seu pequeno mundo com o seu - proporcionalmente - grande ego não consegue compreender. Finalmente, em terceiro lugar, a constante desresponsabilização. A culpa é sempre do outro. Que nem as crianças lambuzadas de açúcar a dizerem que não foram eles que foram ao pote também os ditos modernaços assobiam para o lado. Um bom exemplo? Os críticos do sistema. A culpa da pobreza? É do sistema. A culpa da desigualdade? É do sistema. A culpa da infelicidade social? É do sistema. O único que nunca é culpado de nada é, curiosamente, aquele de quem todo e qualquer sistema depende, desde a sua invenção, planificação, implementação e reformulação: a natureza humana. Quando chamados à razão, os culpados serão sempre os outros, os maus, o bicho papão que escraviza os inocentes. Já olhar bem para dentro de nós e ter a humildade de reconhecer as nossas limitações? Isso é coisa que as crianças não conseguem. Sejam elas directores de jornais, comentadores televisivos ou militantes políticos dessa fabulosa birra em que se transformou a nossa brilhante esquerda modernaça. No fim, são todos maus menos eles.

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