sábado, 22 de novembro de 2014

DAS ROLHAS

Desde que emigrei tenho tentado contribuir activamente para as exportações portuguesas. Por exemplo, por norma, tento sempre comprar vinho português. Aliás, gosto mesmo de pensar que, entre convidados para jantar cá em casa, oferendas quando sou convidado ou pelo mero passa-palavra, tenho, de forma modesta, ajudado a divulgar os produtos portugueses, em particular o vinho. No entanto, tenho vindo a verificar que os produtores de vinho branco, pelo menos aqueles que vendem aqui na Bélgica, estão todos aderir à cápsula de rosca e a abandonar a nossa rolha de cortiça. Ora, como eu já estou farto de aqui divulgar, a exportação de cortiça, em particular a sua utilização nas garrafas de vinho, é, para além de um importante recurso económico português, a razão pela qual o sobreiro é economicamente viável e, por isso mesmo, a forma como o montado alentejano vai conseguindo resistir aos ímpetos destrutivos dos caciques de serviço. É por isso que me recuso a comprar vinho que não seja enrolhado com cortiça. Muito menos português! Da mesma forma como, numa prova de vinhos de grande relevo nacional, já deixei um patetinha da Quinta do Côto de garrafa estendida (um grande escolha ainda por cima) por me recusar a provar tamanha zurrapa enquanto acusava a empresa de traição à pátria, não tenham dúvidas que deixar de comprar os míseros vinhos brancos portugas que por aqui aparecem é coisa fácil. Brancos novo mundo, aliás, tendem a ter muita qualidade e baixos preços, um argumento simpático para quem simpatiza com o mercado como eu. Já estes enólogos inimigos da pátria e armados em modernaços (era o que o idiota marquetista da Quinta do Côto balbuciava: que era mais moderno, melhor, novo, mais fácil, etc.) da cápsula de rosca, esses podem ir à merda. Eles e mais as suas garrafinhas pervertidas por insuportáveis cápsulas de plástico.

Sem comentários: