sexta-feira, 28 de novembro de 2014

TUDO BONS RAPAZES

A propósito da detenção do Sr. sócrates, a TSF pôs no ar um programa com dois comentadores isentíssimos para analisar a situação. E quem são os comentadores? O ex-advogado de sócrates, Proença de Carvalho, e a ex-ministra de sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues. Deve ser a tão propalada independência editorial. Mas a coisa melhora: Maria de Lurdes Rodrigues, relembremos, também anda a contas com a justiça, aliás, está mesmo a senhora com pena suspensa por ter sido condenada por crimes de prevaricação. E que prevaricação foi essa? Foi ter andado a financiar indevidamente o Dr. João Pedroso, também ele condenado, e sim, o apelido não é coincidência, trata-se mesmo do irmão do ex-ministro socialista Paulo Pedroso. A coisa fica ainda mais gira quando nos lembramos que, aquando do caso Casa-Pia, era precisamente a este João Pedroso que aludia então o Dr. António Costa, actual Secretário-Geral do PS, afirmando ao então deputado Paulo Pedroso - num telefonema que o Ministério-Público considerou como uma tentativa de influenciar o inquérito  - que quem ele deveria contactar para evitar a detenção era o próprio irmão porque "a coisa já ia no juiz". No mesmo dia, o Eng.º Ferro Rodrigues, actual porta-voz e presidente do grupo parlamentar do PS, dizia, com a elegância que lhe é reconhecida, que se estava "cagando para o segredo de justiça", isto ao mesmo tempo que lamentava que o almoço do exímio Dr. Jorge Sampaio, então Presidente da República, com o Procurador-Geral da República Souto Moura "não servisse para nada". Tudo isso pode ser visto, e lido, aqui. Sinceramente não sei o que é mais curioso: se a aptidão indescritível que o actual Secretário-Geral do PS, António Costa, e o actual presidente do grupo parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, mostraram para infringir o segredo de justiça e tentar influenciar processos de investigação para beneficiar companheiros de partido, se o facto de serem estes os líderes do partido que parece andar agora muito preocupado, e a clamar indignado mesmo, contra as fugas de informação e a quebra do segredo de justiça no caso sócrates. Já aqui disse e repito: sócrates não é nenhum demónio, pelo contrário, é o produto de um país, e de um povo. É esse o país onde é normal o ex-advogado e a ex-ministra condenada irem comentar, com a independência que se lhes reconhece, a detenção do ex-Primeiro-Ministro para quem ambos trabalhavam. É o país dos sem vergonha e dos inimputáveis. E é esse país das cunhas, dos esquemas e dos que "se estão a cagar" para isto e aquilo que se reflete que nem num espelho neste Partido Socialista que, segundo dizem, mesmo depois de levar-nos a todos à bancarrota, se prepara para regressar ao governo de Portugal. Entretanto, ironicamente, como um augúrio, Lisboa afoga-se imersa em inundações que, de acordo com o competente Dr. Costa, não têm solução. Mas, para mim, de facto, o que não parece ter solução é um país que consiga imaginar nesta pandilha medíocre um vislumbre de solução.

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