Pensamento, m. - Acto ou efeito de pensar. Qualquer acto de inteligência. Fantasia. Ideia. Espírito. Uso da razão. Reflexões

segunda-feira, maio 25, 2015

SERVIÇO PÚBLICO

Esta entrevista da Joana Amaral Dias ao Observador é serviço público - e, ainda por cima, serviço público que não custou um tostão a qualquer contribuinte - para se aferir a mentalidade da esquerda indígena. O BPN? Uma vergonha a nacionalização - e aí estamos de acordo. Então e o BES? Ah, esse já deveria ter sido nacionalizado. É a coerência de uma visão profunda e adulta da vida. A cada momento e cada impressão, lá vem mais um palpite. Naturalmente, quando a coerência é para com a ansiedade do momento não se pode pedir que bata certo com a exaltação do momento anterior. E as certezas? Essas são mais do que muitas, o que apenas é natural para quem tanto afirma sem nada se questionar e, por essa razão, as suas soluções são sempre "óbvias" e "evidentes". E quando confrontada com duas ou três questões que colocam a sua "narrativa" do mundo em causa? "Desculpe mas não pode impor-me [atente-se no termo 'impor' para uma mera pergunta] a sua visão da realidade". E é isto: para estes eternos infantes a vida torna-se assim a modos como que um exercício permanente de recusa daquilo que é em nome daquilo que eles gostariam que fosse. E enquanto berram para que ninguém lhes imponha uma qualquer narrativa da realidade sonham com o dia em que terão a capacidade para impor a sua versão a todos os outros. A lição que se aprende - e daí o serviço público - é compreender que, paradoxalmente, tal como tudo na vida, é precisamente quem mais enche a boca em nome da democracia que menos percebe, ou pratica, aquilo que é a base de uma democracia funcional e competente: abertura de espírito, tolerância de discussão e capacidade de compromisso. Naturalmente, o principal problema é que uma democracia esclarecida é coisa para adultos e, como se comprova, ser adulto não é para todos.

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