Pensamento, m. - Acto ou efeito de pensar. Qualquer acto de inteligência. Fantasia. Ideia. Espírito. Uso da razão. Reflexões

terça-feira, janeiro 19, 2016

CONTROL FREAKING E SOCIALISMO

A necessidade de controlo representa duas coisas: por um lado, um abdicar face ao medo, por outro um isolamento face ao mundo. Uma abdicação, porque representa a ilusão de transcendência face às potenciais adversidades: criando a ilusão de que se está no controlo, alimenta-se a utopia de que nada de mal nos vai acontecer. Lá está: o medo - em última instância da morte. Representa também um isolamento porque querermos controlar o que nos acontece implica termos que eliminar as possibilidades de imprevistos ocorrerem: e apenas retirando o mundo, e os outros, das nossas vidas (ou, pelo menos, de onde nos possam magoar) as conseguimos controlar. Apenas reduzindo as vidas a nós próprios as podemos dominar em absoluto. Naturalmente, o esforço é inglório: nem o mundo se reduz a nós próprios, nem se pode tirar satisfação de uma vida onde as ocorrências são decididas unicamente por nós próprios: é a solidão. No entanto, é dessa isolada insatisfação que se alimenta ainda mais a necessidade de maior controlo porque, precisamente, a razão inicial que levou a tudo se querer controlar foi a recusa da infelicidade, infelicidade essa que a crescente insatisfação alimenta cada vez mais. E assim, inadvertidamente, cria-se um ciclo vicioso do qual é difícil sair: quanto mais se aperfeiçoa o controlo, maior é a insatisfação - o perfeccionismo controlador deriva num processo degenerador de isolamento, insatisfação permanente e, não havendo mais ninguém para culpar, de ódio-próprio. A infelicidade é, pois, o preço que se paga pela transitória - e falsa - sensação de segurança que o controlo oferece. Nas comunidades ocorre o mesmo fenómeno. Quando a doença mental que é o controlo do mundo passa do indivíduo para a comunidade, o esforço colectivo é tão inglório quanto o individual: onde no processo individual o indivíduo perde a felicidade pela ilusão de controlo - segurança, no processo colectivo a comunidade perde a liberdade e, consequentemente, a par da possibilidade de cada indivíduo existir por si próprio, desaparece também a capacidade da comunidade gerar prosperidade (o maior garante de paz e segurança). Claro está que numa comunidade maioritariamente composta por pessoas genericamente isoladas - ignorantes face ao mundo, e profundamente influenciada por doentes do controlo, essa perda de liberdade em nome de uma segurança utópica será celebrada como o caminho da felicidade: o grande aliado do socialismo das sociedades pós-modernas é o crescente isolamento dos homens face ao mundo - e a sua arma é a oferta ilusória da salvação.

terça-feira, janeiro 05, 2016

ALGUÉM VIU POR AÍ O PROFESSOR MARCELO?

Pelo que me vai chegando - e por mais que evite acaba mesmo por chegar - o Professor Marcelo encarna na perfeição, julgo que de forma deliberada, o espírito destes nossos tristes dias vazios: não se compromete, nada afirma que lhe possa custar um votinho que seja, apenas tenta passar pela chuva sem se molhar e, por essa razão - e apenas por ela - aspira legitimamente ao mais alto cargo da república. Fica, naturalmente, a lição que o professor exemplarmente nos ensina: nos dias de hoje, fala mas não digas nada, pensa mas não contes a ninguém, age mas despercebidamente. Que nem uma enguia, com o sorriso aberto, mostra-se amigo de todos, fiel a todos - que é como quem diz que não é amigo de ninguém, muito menos fiel, a alguém além dele próprio. Se algum eleitor mais incauto ainda achava que o comentador eleitoral traria alguma coisa para este país no seu primeiro mandato que se desengane: na busca da reeleição a sua estratégia no cargo de PR será a mesma: não fazer nada, não mexer, não ofender - mesmo que isso signifique afundar o país nos braços delirantes do Dr. Costa e da extrema-esquerda. Ora, se o Sr. Professor não se digna a representar-me no seu primeiro mandato pode muito bem ficar com a certeza que não leva o meu voto na primeira volta. Isso é garantido. E se por algum milagre do destino o seu adversário na segunda volta for o Henrique Neto, olha, é como diz o outro: azarito. Para vazio já bastava o Dr. Costa e as suas "torrentes" de asneiras.

ZOMBIES AND MODERNITY (AND MICHAEL JACKSON)

"Apart from zombie films, only pornography repeats the same plot, requires no acting skills, and is watched obsessively by a mass audience. The story is irrelevant, the dialogue pointless. The fascination lies in the image, not in the characters or a narrative arc. The act holds viewers’ attention, and continues to fascinate when one actor after another performs it. (...) The closest thing to an actual zombie among prominent Americans was, of course, Michael Jackson, whose face began to fall off after too many surgeries. Jackson’s 1983 zombie video, “Thriller,” gave us the defining image of late 20th-century America: Peter Pan as zombie, the perpetual youth as a walking corpse. (...) More than any figure of popular culture in the past century, Jackson embodied the burning desire of his generation never to grow up. Oscar Wilde’s Dorian Gray had a portrait that revealed his inner decay. Michael Jackson had a nose, which narrowed, shrank, shriveled, and finally fell in, perfectly reflecting the spirit of the times. In his self-disfigurement and ultimate self-destruction, this fey child-man fought and died in the service of the mad fantasy of eternal youth.(...)We define our life by how we view our eventual death. In the Christian past, life on earth was for most people a preparation for the eternal life promised by religion. In today’s America we strive instead to perpetuate life in our own skins. (...)No wonder so many American women have come to abhor their bodies. According to the National Eating Disorders Association, anorexia and bulimia threaten the lives of ten million American women.Psychology Today reports that these disorders “afflict 40% of women at some time in their college career.” More than a third of American women are obese. We live among hordes of female zombies—anorexic zombies on Manhattan’s Upper East Side, morbidly obese zombies in Des Moines, cosmetic-surgery zombies in Southern California, and Prozac-dependent zombies coast-to-coast. The sexual revolution has transformed a frightening number of American women into the walking dead, victims of a failed social experiment. We know that the object of our narcissism will look a little worse in the mirror each day no matter how much Botox we inject. The older we get, the harder we strive to stay young, and the less convincing we find our efforts. The aging metrosexual on his way out of the plastic surgeon’s knows that he is one day closer to joining the discarded elderly, subject to the same contempt with which he regards the last generation.(...)How quaint, how superstitious these ancient notions of eternal life seem to the secular modern world, and how strange and primitive the rituals that sustained the Psalmist’s conviction that God would not abandon his servants to the grave. Modernity tells that nothing in the universe cares whether we exist or not. Where the meaning of our lives is concerned, all of us are on our own. We are enthralled by the same images, but in reverse: the walking dead in place of the dead awaiting resurrection, decaying corpses instead of wholesome priests and uncorrupted saints, the zombie herd instead of the happy pilgrimage of God’s people to the holy courts of the Temple".
           David P. Goldman, no Asia Times

segunda-feira, janeiro 04, 2016

SKILL AND PRACTICE

"And yet so sensible were the Romans of the imperfection of valour without skill and practice, that, in their language, the name of an army was borrowed from the word which signified exercise".

Edward Gibbon, The Decline and Fall of the Roman Empire (1788)

[Wordsworth Classics of World Literature, Ch 1, p. 16]


TETRASELFIE

                                                                                  Daqui.

THE MAGICAL SLUMBER

"Regarding everything, which we call by the proud metaphors “world history” and “truth” and “fame,” a heartless spirit might have nothing to say except:
“Once upon a time, in some out of the way corner of that universe which is dispersed into numberless twinkling solar systems, there was a star upon which clever beasts invented knowing. It was the most arrogant and mendacious minute of world history, but nevertheless only a minute. After nature had drawn a few breaths the star cooled and solidified, and the clever beasts had to die. The time had come too, for although they boasted of how much they understood, in the end they discovered to their great annoyance that they had understood everything falsely. They died, and in dying they cursed truth. Such was the nature of these desperate beasts who had invented knowing.”
This would be man’s fate if he were nothing but a knowing animal. The truth would drive him to despair and destruction: the truth that he is eternally condemned to untruth. But all that is appropriate for man is belief in attainable truth, in the illusion, which draws near to man and inspires him with confidence. Does he not actually live by means of a continual process of deception? Does nature not conceal most things from him, even the nearest things- his own body, for example, of which he has only a deceptive “consciousness”? He is locked within this consciousness and nature threw away the key. Oh, the fatal curiosity of the philosopher, who longs, just once, to peer out and down through a crack in the chamber of consciousness. Perhaps he will then suspect the extent to which man, in the indifference of his ignorance, is sustained by what is greedy, insatiable, disgusting, pitiless, and murderous- as if he were hanging in dreams on the back of a tiger.
“Let him hang!” cries art. “Wake him up!” shouts the philosopher in the pathos of truth. Yet even while he believes himself to be shaking the sleeper, the philosopher himself is sinking into a still deeper magical slumber. Perhaps he then dreams of the “ideas” or of immortality. Art is more powerful than knowledge, because it desires life, whereas knowledge attains as its final goal only- annihilation".

Friedrich Nietzsche, On the Pathos of Truth (1872) [link]