quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O VÍCIO SOCIALISTA

A propósito de uma imberbe possibilidade de colaboração com alguns colegas de outras áreas num projecto de investigação andei a ler umas coisas sobre a adição (no sentido anglófilo "addiction"). Em bom português, o vício: a forma como se apresenta, impõe e as condições onde, eventualmente, se consegue ultrapassá-lo. Na prática, o vício aparece como algo que se revela de uma forma tão forte no presente que o indivíduo, preso ao desejo momentâneo, perde a capacidade de prezar os seus próprios objectivos de longo prazo em nome dessa gratificação imediata. Assim, não será de estranhar que indivíduos que não estejam clara e fortemente comprometidos com objectivos, ou perspectivas, de longo prazo (família, sucesso profissional, alguma meta longínqua, etc.) sejam mais permeáveis a ceder ao presente: é onde o futuro não se vislumbra que o imediato se assume como uma opção mais forte, e por isso mais apetecível. Naturalmente - porque é a área que me ocupa -, algumas possibilidades como este mecanismo do vício pode ser traduzido para o campo da comunidade saltaram-me logo à mente. Por um lado, a forma como a sociedade actual onde o Estado vai progressivamente usurpando o papel anteriormente consignado à família vai nublar um dos horizontes fundamentais para impermeabilizar indivíduos mais em risco face à adição: que objectivo maior poderá haver que nos force a recusar o imediato em nome do longo termo além da responsabilidade que temos para com as nossas famílias - quer aqueles que apenas gostam de nós, quer aqueles que dependem de nós? Depois, naturalmente, ocorreu-me como o crescente papel do Estado na vida das pessoas pode legitimar-se ele próprio perante os indivíduos através de um mecanismo de adição: desde o paternalismo que promete o conforto e o alívio imediato de um problema através de uma solução legislativa até à forma como todo o discurso político se foca "nos problemas concretos dos cidadãos", ou meramente em chavões que representam programas populares - e por isso aliciantes -, mas sempre se deixa de fora a necessidade de apresentar estratégias de longo prazo credíveis, em tudo isto se manifesta o mecanismo do vício. E assim se encontra uma explicação para a facilidade com que alguns se deslumbram pelos cantos das sereias que vendem mundos perfeitos, mesmo que ainda há bem pouco tempo essas mesmas sereias os tenham deixado na mais perfeita bancarrota - ou seja numa ressaca completa. É o vício, camaradas, é o vício que os alimenta. E, como qualquer dealer numa esquina obscura, é assim que encontramos os pressurosos socialistas, perante os "clientes" bem agarrados, já nem se dando ao trabalho de mentir, disfarçar ou dourar as consequências negativas do seu produto para a felicidade a longo prazo do seu cliente. Não. É com o desprezo dos traficantes que os senhores que nos governam destilam ódio, fazem o contrário do que apregoam e, sentindo-se acima de todos, sem pudor, saqueiam a seu belo prazer as oportunidades que se lhes apresentam. É a impunidade de quem não sente que se tenha de justificar: isto porque, afinal, que mais pode um agarrado fazer além de comer e calar?

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