sábado, 13 de janeiro de 2018

MANICÓMIO

Quando em Portugal, dada a minha aversão à publicidade, propaganda e televisão, costumo, quer no carro quer em casa, ouvir a Antena 2. Gosto, naturalmente, da música - exceptuando as horas dedicadas ao experimental e ao folclore brasileiro -, dos locutores e, também, das entrevistas. Gosto, acima de tudo, do ritmo: tranquilo, profundo, humano. Pelo meio, as notícias permitem, dentro do limite do tolerável porque são curtas, manter-me informado sobre a desgraça do dia. O momento cómico também não falha: dia sim, dia não, lá aparece o/a intelectualóide de meia tigela, produto que Portugal é tão perito em produzir, a arrotar sobre a sua especialidade. Ontem, por exemplo, uma sumidade a quem não apanhei o nome, proclamava que o grande desafio social da Europa é apostar forte na integração dos filhos gerados pelas uniões entre os jihadistas entretanto mortos e as mães europeias que fugiram para o estado islâmico. O grande desafio, atente-se. Aqui do meu retiro Alentejano, entre gargalhadas, só pude agradecer-lhe: não fosse ela e ontem era capaz de me ter escapado a recolecção sobre o manicómio em que vivemos.

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