domingo, 14 de janeiro de 2018

SOBRE AS ELEIÇÕES NO PSD

Algumas notas breves e rápidas sobre a vitória de Rui Rio ontem para Presidente do PSD.

1. A vitória é indiscutível mas será preciso ter consciência do facto de a candidatura derrotada ter tido um score eleitoral muito elevado o que obriga a uma especial atenção por parte do presidente agora eleito para com os derrotados da noite. Se Rui Rio tem essas características pacificadoras é algo que eu há muito duvido, mas se não as tem então espero que as arranje, isto para bem do partido e de uma união fundamental que se exige para derrotar a frente de esquerda maioritária no parlamento. A sua primeira tarefa será essa, a de pacificar e unir q.b. o partido, coisa que não se apresenta nada fácil, e deverá, naturalmente, começar já no Congresso Nacional.

2. O meu maior receio prende-se com o relacionamento com o PS. Qualquer postura colaboracionista com um manipulador sem escrúpulos como é Costa será fatal para o PSD. Espero sinceramente que a conversa da treta do "PSD não é um partido de direita" acabe e que o rumo nacional de reversão do trabalho de Passos Coelho não se alargue ao PSD. Este receio foi a principal razão pela qual apoiei Santana Lopes. Espero também que os órgãos nacionais do partido não se tornem numa espécie de passerelle por onde se pavoneiem todos aqueles que passaram os últimos anos - tão difíceis para o partido - a maldizer o PSD, Passos Coelho e a governação da coligação.

3. Aguardo com curiosidade pelo prometido "banho de ética". Nomeadamente, que medidas serão tomadas no que concerne à militância interna do partido. Nova refiliação? Regime de incompatibilidades entre cargos partidários e lugares no aparelho de estado? Novo regime de quotas? Alterações positivas nestes âmbitos serão muito bem-vindas, desde que não controladas pelos caciques que apoiaram Rio, nem feitas à sua medida ou dos seus interesses.

4. Uma palavra para Pedro Santana Lopes. Santana pode ser acusado de muita coisa mas de falta de entrega ao partido, ou pouca dignidade e educação na forma como se apresentou aos militantes, não poderá ser ele acusado. Foi um bom candidato, representou uma postura coerente e válida dentro do partido, teve um resultado muito digno e merece o respeito, e agradecimento, de todos os militantes.

5. Uma outra palavra, naturalmente, para Rui Rio. Não tenho a menor dúvida que é infinitamente melhor do que Costa. Que é honesto, sério e trabalhador. Que é competente. Assim, feita a escolha dos militantes, terminadas as eleições, será ele o próximo Presidente do PSD e no que depender de mim será também o próximo Primeiro-Ministro de Portugal. Assim o espero e assim o desejo. Votos de muito boa sorte, bem precisa.

6. Finalmente, uma palavra para Pedro Passos Coelho. É, sem dúvida alguma, a pessoa que eu preferiria ver a liderar o PSD. Assim não foi, tenho muita pena mas a vida continua e o partido também. Espero, no entanto, que ande por aí. Portugal e o PSD continuam a precisar dele.


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