quinta-feira, 26 de abril de 2018

ÀS ARMAS

Graças a Deus, Portugal está cheio de patriotas. Graças a Deus, não, perdão, graças a eles: aos grandes líderes da nossa excelsa elite, da nossa grande vanguarda, tais como aqueles lutadores pela liberdade que desfilam pelas ruas e pugnam pela felicidade dos outros, não a deles, a dos outros, aqueles que procuram servir. São seres abnegados, justos, moralmente superiores pela sua humildade  que lhes permite, apesar de o saberem perfeitamente, guardar esse conhecimento para si próprios não se arvorando em mais do que os outros - os que são menos corajosos, altruístas e certos, os outros. Com os olhos fixos nos interesses supremos de todos, do todo que é o país, e não nos seus umbigos, não odeiam ninguém, não culpam ninguém, não demonizam ninguém, assumem nas suas costas os custos e as responsabilidades dos direitos e liberdades que advogam. São coerentes, responsáveis e, acima de tudo, são profundamente justos; são os guardiães do templo da felicidade futura, são eles que nos guiarão rumo à salvação. Que se cante o hino! E que se sinta o hino, como o poeta Alegre, pois que os nossos fiéis guardiães gritam conscientes pelo nosso bem, apelam às armas com garbo e, com a graça do grande fiel universal, serão eles, os nossos zeladores sem dúvida alguma!, os primeiros a marchar contra os canhões e a oferecer os seus imaculados peitos às balas dos inimigos. Que felicidade esta a de ser português. Deus os guarde, a esses ditosos bem aventurados, porque nós não merecemos tamanha fortuna.

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