segunda-feira, 21 de maio de 2018

APOLOGIA DO(A) POLÍTICO(A)

Os homens e mulheres inteligentes, educados(as) e bem informados(as) do Século XXI sabem perfeitamente, sem margem para dúvidas, que os assuntos da comunidade não podem ficar entregues às mãos rapaces dos "privados", que é como quem diz dos(as) cidadãos(ãs) individuais; não, esses apenas pensam no seu interesse próprio. Para que a justiça seja cumprida é evidente que aquilo que é comum, e isso significa tudo o que é importante para a maioria, deverá ficar nas mãos santas, proto-divinas, puras, do Estado. O Estado garante a bondade da gestão pública, e não há dúvida sobre o mérito de tamanha evidência. Um pormaior será que o Estado não é governado pela máquina de inteligência artificial ainda por inventar e que garantirá futuramente a gestão perfeita, lá chegaremos mas infelizmente ainda não: faz-se a gestão do Estado por intermédio de alguns(as) indivíduos(as), pessoas de assinalável mérito pessoal, académico e moral que, atente-se!, ao contrário dos(as) restantes indivíduos(as) apenas pensam no interesse colectivo, nunca no seu próprio umbigo. Estes seres impolutos, graças a Deus!, gerem então o património comum, bem como os dias de trabalho que a maioria da população transforma em impostos para contribuir para a causa pública. Daqui se deve concluir que a maior das virtudes do homem, ou mulher, civilizado(a) é aceitar que, muito melhor do que ele(a) próprio(a), é o(a) político(a) o homem, ou a mulher, adequado(a) para a gestão dos frutos de uma grande fatia do seu trabalho, i.e. todo o esforço anual traduzido em impostos, bem como todo o património cultural, económico e infra-estrutural do seu país. A grande virtude do homem, ou mulher, civilizado(a) será, portanto, a confiança que lhe merece o(a) político(a), pois é no(a) político(a) que o homem, ou mulher, civilizado(a) confia o que lhe pertence, e ainda a regulação da forma como irá o homem, ou mulher, civilizado(a) trabalhar, casar, cozinhar, passear o cão, comer, enfim: viver. E a cada momento que, azar do Destino!, o Estado atropela algum(a) incauto(a), falha de alguma forma, ou falha com alguma coisa, logo grita o homem, ou mulher, civilizado(a): que se regule mais, que se taxe mais, que se dê mais poder ao(à) político(a)! O(A) político(a) será o(a) arauto moral da civilização, naturalmente. A esta evidência não encontra o homem, ou mulher, civilizado(a) qualquer demonstração empírica de falibilidade. Muito pelo contrário: o(a) político(a) é infalível. Deus o(a) abençoe.

Sem comentários: