sábado, 10 de novembro de 2018

ESTADO LIVRE DO ALENTEJO

Lá fora, na varanda, a ausência de vento deixa a pairar na atmosfera húmida da serra alentejana o aroma a sobreiro ardido que a chaminé vai esfumando na noite. Cá dentro, rodeado de taipa e debaixo do tecto de madeira, no rádio toca o Vibrato da Antena 2, devidamente acompanhado pelo tique-taque do relógio de parede centenário que herdei do meu Pai. Ainda há pouco, cheio de corda, bateu as dez badaladas. Na minha poltrona, defronte da lareira e ainda confortado pelo jantar, leio o Camilo enquanto vou bebendo o medronho cá da casa. A liberdade, penso eu, é isto.

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