quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
DESRESPONSABILIZAÇÃO
O apelo do pós-modernismo para a extrema-esquerda tipo-bloco assenta na
desresponsabilização individual: não és rico? A culpa é do sistema
capitalista que não te deixa enriquecer. Falta-te dinheiro? A culpa é do
teu vizinho rico que ficou com ele e tem mais que tu. Vives em
ansiedade? A culpa é da tua família que te oprimiu inculcando valores
que não são teus. Sentes-te diferente sexualmente? A culpa é da
sociedade que te faz sentir diferente. Sentes-te intranquilo com a tua identidade
sexual? A culpa é do sexo biológico que tens e que não corresponde ao
teu “género” verdadeiro. A dinâmica é sempre a mesma: na tensão entre o
indivíduo e o mundo, o mundo é que está errado. É assim, sempre
desresponsabilizando, que se gera o novo revolucionário: “eu sinto-me
mal, a culpa é tua“ é o novo slogan do rebelde do Século XXI. No
entanto, e este é o reverso da medalha, sem responsabilidade não pode
haver liberdade: quem coloca no mundo a causa, e portanto também a
solução, dos seus problemas abdica de os resolver sozinho, por si
próprio, ou seja, fica dependente do mundo para se sentir melhor. Para
preencher esta necessidade artificialmente criada então lá virá o Estado
salvar, resolver e proteger: da desresponsabilização à dependência, e
desta à subserviência, eis a agenda subversiva da extrema-esquerda. Até
agora está a resultar.
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