quarta-feira, 9 de junho de 2010

DA INFELICIDADE

"A infelicidade mineral, a de lei, ordena a nossa vida? Claro. Os super-arquivos, os cemitérios ( a infelicidade comprovada) e os álbuns de fotografias ( a infelicidade disfarçada) são a prova irrefutável."
Filipe Nunes Vicente, in Mar Salgado

segunda-feira, 7 de junho de 2010

OS BONS POLÍTICOS

"Portugal não tem políticos maus. O mal é, pelo contrário, que eles sejam excelentes. Para ace- derem ao poder e aí sobrevive- rem têm de acomodar os interesses, mesmo quando dizem enfrentá-los. Sob a retórica, a ver- dadeira estratégia de Sócrates em 2010, como em 2005, Barroso em 2002 e Guterres em 2001 é simples: dado ser impossível alterar a trajectória da despesa, enfrenta-se o défice aumentando os impostos. Isso reduz temporariamente o bu- raco, finge resolver o problema e é celebrado como sucesso. Claro que tempos depois tudo ressurge porque, sem mudar a aceleração, a despesa ultrapassa sempre a receita."
João Luís César das Neves, in DN

domingo, 6 de junho de 2010

SURREALISMO

"Cada vez é mais difícil distinguir o país real do irreal. O pagode que por aí vai é tal que me acontece duvidar se li determinada notícia ou se a notícia me apareceu em sonhos. Por exemplo, eu li ou sonhei que a reacção do eng. Sócrates ao "adiamento" da ligação a Portugal do TGV espanhol foi tentar levar o TGV para Marrocos e manter uma linha Lisboa-Madrid que começa num ermo e acaba noutro ermo? Eu li ou sonhei que, para efeitos de "prestígio", as "fontes" do costume espalharam que Chico Buarque andava mortinho por conhecer o eng. Sócrates? Eu li ou sonhei que o eng. Sócrates regressou à Covilhã para pedir "aos melhores jogadores do mundo" que "inspirem o povo"? Eu li ou sonhei que o ministro das Finanças jurou que nem a Constituição o impedirá de aumentar os impostos? Eu li ou sonhei que a ministra da Educação acha que a impossibilidade prática de reprovação é "um incentivo ao esforço"? Provavelmente li umas coisas, sonhei as restantes. Certo é que, ao contrário do que se diz, isto não é nenhum fim de ciclo: o ciclo, se quiserem chamar-lhe assim, terminou há muito. Aquilo a que agora assistimos é coisa talvez inédita: um Governo outrora inepto que se empenha em parodiar a própria inépcia. Quando muito, trata-se do fim de um circo, embora ainda seja de contar com mais dois ou três números de malabarismo, trapezistas e palhaços, imensos palhaços, ricos e pobres, sobretudo de espírito."

quinta-feira, 3 de junho de 2010

FAÇA O FAVOR DE NOMEAR OUTRO

Considerando o facto do Governo se preparar para, despudorada e abertamente, infringir a Constituição (contradizendo mais uma vez - já são centenas - aquilo que dizia nem há duas semanas) a propósito da questão da retroactividade fiscal, só posso concluir uma coisa: é o fim do mundo. Se a Constituição pode ser infringida em nome do interesse público então para que serve a Constituição? Eu elucido: a Constituição serve para garantir que os diferentes poderes não abusam, não se atropelam e que os "as liberdades, direitos e garantias" dos cidadãos - o povo - são cumpridos. Poder infringir a Constituição significa poder fazer o que apetece a quem pode, porque pode. A frase de Teixeira dos Santos só demonstra a debilidade de carácter, a fragilidade intelectual e a desenvergonhada vergonha desta gentalha que nos governa. Para eles, os dos gravadores, dos Freeports e das Faces Ocultas a lei, dobrada, forçada e espremida, só serve mesmo quando é para impedir escutas, depoimentos e que a verdade (parte dela, pelo menos) venha ao de cima. É por demais evidente que o Presidente da República, para assegurar o regular funcionamento das instituições, não poderá permitir tal coisa. Mais: já chega. Chega disto, chega de Sócrates, chega desta gente bandalha e incompetente. Chega de casos, chega de mentiras e chega de negociatas que lesam, roubam e depauperam o país em biliões. Chega. Basta. Não pode haver eleições por causa dos mercados e tal? Muito bem. Então combine-se com a Oposição, faça o Sr. Presidente o que tiver que fazer, mexa-se e remexa-se, este Governo tem de ser demitido e o Presidente da República, no actual quadro parlamentar, faça o favor de nomear outro Primeiro-Ministro.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

SITUAÇÃO VERÍDICA

Ao balcão de um pequeno supermercado relativamente perto de casa mas onde não costumo ir:
Eu: "Hi"
Ele: "Hallo, not Dutch?"
Eu: "Nope."
Ele: "Where are you from?"
Eu: "Portugal"
Ele: "Oh... One of the PIIGS country...."
Eu: "Yah... But I didn't vote for the pigs."
(...)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

CAMPANHA ELEITORAL

Este vídeo fez parte da campanha eleitoral para as eleições autárquicas da capital Islandesa por parte do Partido Best. Este partido, liderado por um comediante islandês, propôs coisas como um urso polar para o jardim zoológico e toalhas gratuitas nas piscinas da cidade. Vale a pena ver até ao final. Ah, é verdade. O Best ganhou as eleições.



Via Blasfémias
Post também publicado aqui.

domingo, 30 de maio de 2010

QUANDO O MUNDO ERA INOCENTE; OU PELO MENOS PARECIA

The Chapel of Love, The Dixies Cups (1964)

O SUCESSO MARQUETISTA ESTATÍSTICO DÁ NISTO (ou como se empenha o futuro)

"Em 50 anos, os portugueses mais do que duplicaram o seu tempo médio de permanência na escola, mas apesar deste salto Portugal continua a estar em penúltimo lugar entre os países da OCDE, mantendo assim a mesma posição relativa que ocupava em 1960, segundo confirmam dados da OCDE respeitantes a 2010 a que o PÚBLICO teve acesso. A escolaridade média dos portugueses entre os 15 e os 64 anos que já não frequentavam a escola era, em 1960, de 3,15 anos. Na OCDE só a Turquia estava então pior. À semelhança de Portugal, também não conseguiu descolar desta posição: é a mesma que ocupa em 2010, apesar de a escolaridade média ter subido para 6,89 anos. Em Portugal, situa-se agora em 7,89.  O mesmo já não aconteceu, por exemplo, com a República da Coreia. Passou de 4,98 anos de escolaridade média em 1960 para 13,34 em 2010. Era o país com a quarta pior escolaridade média da OCDE. Agora está entre os dois melhores, disputando o primeiro lugar com o Reino Unido."
Mas não andámos nós a revolucionar o sistema educativo nos últimos quinze anos? Com o inglês, o investimentos escolares, a diminuição estatística do drop out e a melhoria dos resultados nos exames de matemática? Tretas demagógicas. Nada se fez que realmente fizesse a diferença. Passaram estes socialistas os últimos anos a dourar estatísticas a pretender reformar aquilo que na realidade é a maior sacanice feita nos últimos anos em Portugal: a "democratização do ensino" não é mais do que gerações inteiras educadas para empregos inexistentes, para o desemprego portanto, sem qualificação para competir de igual para igual no mercado europeu, todos doutores, todos engenheiros, como o Sócrates, todos prontos para salários de miséria e impostos altos, todos sem esperança e sem qualificação. E tudo isto em nome da manutenção do poder político através de "boas" estatísticas que dão votos e que não custam o que os investimentos necessários na educação exigiriam. É esta a imagem do socialismo atávico português: estatísticas positivas que se esfumam na triste realidade dos relatórios internacionais. No final, olhando para estes números vemos que a conclusão é simples: a democracia Portuguesa não fez mais pela educação nacional do que uma ditadura que pretendia uma educação elitista, só para alguns, como forma de maior facilidade de controlo social e político. Nem as pretensas reformas e os números teria sido suficiente. Um sistema educativo de qualidade é aquele que ensina a pensar e esse custa muito dinheiro e dá muitos problemas: é que alguém que aprenda a pensar não aprecia os Malucos do Riso ou compra o lixo todo que nos querem impingir pelos olhos dentro para sermos felizes. O Salazar sabia isso muito bem.

NOTAS SOLTAS SOBRE O RIDÍCULO

Ou um pacóvio com a mania que é esperto.

MASSIVE ATTACK

Massive Attack; Blue Lines, Safe from Harm (1991)

FASCIZANDO

"O secretário de Estado das Obras Públicas e das Comunicações, Paulo Campos, anunciou hoje que vai ser obrigatório usar identificadores nos automóveis a partir de 01 de julho"
Estamos quase lá. Identificados, controlados; seguros, portanto. Se não percebe, Orwell explica.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

OS VALORES

"Numa época de grande liberdade de expressão sexual, como entender oassinalável progresso dos abusos sexuais de crianças? Não é difícil. Basta não entender a liberdade sexual como um valor culturalmente aperfeiçoador.
O velho Reich ( o primeiro 
psi a distribuir preservativos pelos operários) , se voltasse ao nosso convívio ficaria desiludido. Acreditava piamente que a dominação sexual das mulheres,(o culto da virgindade pré-nupcial e a diabolização do prazer), a preparação dos rapazes para chefes de família burguesas e repressivas e a penalização do aborto ( responsável pela impotência orgástica devido ao medo de uma gravidez indesejável) estavam na origem da neurose sexual.
As ideias feitas fazem o seu caminho."

Filipe Nunes Vicente, In Mar Salgado

terça-feira, 18 de maio de 2010

IAN CURTIS (1956 - 1980)

Faz hoje trinta anos que Ian curtis, por decisão própria, deixou de estar entre nós. Ou melhor, desejou deixar de estar entre nós porque, no meio de tanta merda, a pureza e a força de Ian nunca deixarão de estar, pelo menos, no meio de alguns de nós.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A ESTALAGEM DA RAZÃO

"A meio caminho entre a fé e a crítica está a estalagem da razão. A razão é a fé que se pode compreender sem fé; mas é uma fé ainda, porque compreender envolve pressupor que há qualquer coisa compreensível."

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, 176; pp. 194

PARA ALÉM DO BEM E DO MAL

"Teorias metafísicas que possam dar-nos um momento com a ilusão de que explicámos o inexplicável; teorias morais que possam iludir-nos uma hora com o convencimento de que sabemos por fim qual, de todas as portas fechadas, é o ádito da virtude; teorias políticas que nos persuadam durante um dia que resolvemos qualquer problema, sendo que não há problema solúvel, excepto os da matemática - resumamos a nossa atitude para com a vida nesta acção conscientemente estéril, nesta preocupação que , se não dá prazer, evita, ao menos, sentirmos a presença da dor.
Nada há que tão notavelmente determine o auge de uma civilização, como o conhecimento, nos que a vivem, da esterilidade de todo o esforço, porque nos regem leis implacáveis, que nada revoga nem obstrui. Somos, porventura, servos algemados ao capricho dos deuses, mais fortes porém não melhores que nós, subordinados, nós como eles, à regência férrea de um Destino abstracto, superior à justiça e à bondade, alheio ao bem e ao mal."

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, 177; pp. 195

A REALIDADE

"Reconhecer a realidade como uma forma de ilusão, e a ilusão como uma forma de realidade, é igualmente necessário e igualmente inútil"

Fernado Pessoa, Livro do Desassossego, 90; pp. 124

terça-feira, 11 de maio de 2010

DO IMPÉRIO










O Campeão voltou. Com todo o mérito, garra e contra todo o anti-Benfica o Benfica mostrou como se pode, de pleno direito, reclamar o título de maior clube do mundo. Ontem marchámos em todo o Portugal continental e ilhas, Cabo Verde, Moçambique, Angola, Venezuela, Porto, Braga*,Suiça, Luxemburgo, New Jersey e Paris, tomámos Paris. E isto só pelo que eu vi que, considerando todos os compromissos festejantes  não foi muito. Quanto aos pequeninos anti-Benfica, fiquem a saber: vem aí um tempo novo, sem fruta e com futebol total. Império universal. Pois é. O Campeão voltou.

*Porto e Braga vem na ordem que vem porque coloco na categoria de territórios sem lei e sem liberdade como o do Chávez e companhia; grande coragem dos valerosos combatentes do Bem que contra porcos e currais, na ausência de ordem e lei não deixaram de gritar bem alto o que lhes ia na alma.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

OUTRA BOA PERGUNTA

"Se é verdade que o controle de rendas é muito importante para proteger os cidadãos dos abusos dos proprietários de imóveis, porque é que as casas onde vivem os cidadãos protegidos estão a cair aos pedaços e as nossas cidades estão a desertificar-se?"
Aqui.

BOA PERGUNTA

"Se é verdade que as leis laborais devem proteger os trabalhadores para contrabalançar o poder das empresas, porque é que em Portugal, que tem as leis laborais mais rígidas da Europa, temos salários tão baixos e desemprego tão elevado?"
Aqui.