"Daí vem o caso, talvez único na Europa, de um povo que, não só desconhece o patriotismo, que não só ignora o sentimento espontâneo de respeito e amor pelas suas tradições, pelas suas instituições, pelos seus homens superiores; que não só vive de copiar, literária e politicamente, a França, de um modo servil e indiscreto; que não só não possui uma alma social, mas se compraz em escarnecer de si próprio, com os nomes mais ridículos e o desdém mais burlesco. Quando uma nação se condena pela boca dos seus filhos, é difícil, senão impossível, descortinar o futuro de quem perdeu por tal forma a consciência de dignidade colectiva."
Oliveira Martins, História de Portugal (1879)
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
DO PESSIMISMO OPTIMISTA
O medo, a indiferença e a burrice fazem deste país uma choldra chique a valer.
Quanto pior a choldra, mais saborosa a vitória.
Quanto pior a choldra, mais saborosa a vitória.
Etiquetas:
NADA
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
ALENTEJANANDO
Lá fora, o vento uiva, a chuva bombardeia e os trovões explodem; cá dentro, no silêncio de uma luz amarela e amena, apenas perturbada pelos instantâneos dos relâmpagos, as sombras de labaredas dançam pela janela da salamandra enquanto o leve som do crepitar da madeira inunda a sala com os seus estalidos. A cadela, aos meus pés, dormita serenamente com a cabeça apoiada nas patas dianteiras e, agradecida pelo abrigo da tormenta, lança um longo suspiro enquanto eu viro mais uma página do meu livro.
Etiquetas:
NADA
DOS EMPRÉSTIMOS
"O Cohen colocou uma pitada de sal à beira do prato, e respondeu, com autoridade, que o empréstimo tinha de se realizar «absolutamente». Os empréstimos em Portugal constituíam hoje uma das fontes de receita, tão regular, tão indispensável, tão sabida como o imposto. A única preocupação dos ministérios era esta - «cobrar o imposto» e «fazer o empréstimo». E assim se havia de continuar..."
Eça de Queiroz, Os Maias (1888)
Eça de Queiroz, Os Maias (1888)
Etiquetas:
LITERATURA,
POLÍTICA
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
DA IRRELEVÂNCIA
Subitamente, reparei que passavam onze minutos das onze horas e que hoje era o décimo primeiro dia do mês de Novembro do ano de dois mil e onze. A repetição do número onze, a perfeição numérica do momento, divertiu-me e recostei-me, a sorrir, pensando que nada fazia aquele momento diferente de qualquer outro para além da arbitrária capacidade humana de numerar tudo o que existe. Depois apercebi-me que principiava a chover e, por isso, apressei-me a levantar-me para ir fechar a janela do quarto que sabia estar aberta.
Etiquetas:
NADA
DAS IMPORTAÇÕES
"Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, indústrias, modas, maneiras, pilhérias, tudo nos vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssima, com os direitos da Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..."
Eça de Queiroz, Os Maias (1888)
Eça de Queiroz, Os Maias (1888)
Etiquetas:
LITERATURA
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
O TRIUNFO DO IGUALITARISMO
Porque será que, num tempo em que se afirma a mais badalada liberdade e se assiste ao triunfo da vontade individual, essa vontade se manifesta querendo todos as mesmas coisas?
Etiquetas:
NADA
sábado, 22 de outubro de 2011
terça-feira, 18 de outubro de 2011
COISAS QUE ME IRRITAM
Os ernegúmenos grafiteiteiros que, não satisfeitos com decorar os comboios à sua vontade, ainda se preocupam em pintar as janelas e impedir os passageiros de gozar a magnífica vista que a linha de Cascais - Cais do Sodré nos oferece. Uma coisa é arte decorativa outra coisa é simples falta de respeito pelos outros e pelos bens públicos. Eu nem vos digo o que lhes fazia mais às suas latinhas de spray.
Etiquetas:
NADA
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
DOS INDIGNADOS
Anda tudo muito excitado com os indignados desde que os indignados chegaram aos Estados Unidos; agora é que vai ser, pensam muitos, vão mudar o sistema, acabar com os podres e "libertar" o futuro. Eu aconselho cautela: nos anos 60 os princípios e valores dos "rebeldes" eram melhores ainda, as ambições mais nobres ainda, as razões de queixa (guerra, pobreza) maiores ainda e no que deu tal coisa? Venderam-se, transformaram-se de hippies em yuppies e fizeram muito pior do que aqueles que criticavam. O mal do mundo não está num sistema de liberdades e garantias: está na ausência de valores que norteiem e limitem essas mesmas liberdades e garantias. E não são, com certeza, estes indignados de iphone na mão que vão oferecer esses valores ao mundo.
Etiquetas:
POLÍTICA
terça-feira, 11 de outubro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
GRATIDÃO
Tenho muitas razões para estar grato. Explicá-las? Enumerá-las? Não interessa: it's beside the point, como dizem os Ingleses. No entanto, a verdade é que tenho mesmo muitas razões para estar grato. E, por ter essa noção perfeitamente estabelecida dentro de mim, curvo-me duas vezes e abro os braços e o peito em profunda humildade: uma vez para cima, para o Universo que, de algum misterioso modo, se espelha nesta particular forma em mim; uma segunda vez, olhando para o lado, e pensando no meu Pai e na minha Mãe: porque sem eles eu seria nada. A gratidão é fodida e ao mesmo tempo maravilhosa porque transpira da única coisa que temos, que poderemos vir a ter e que permite tudo o resto: porque nos permite a nós.
Etiquetas:
NADA
A IDENTIDADE E A LIBERDADE (LUSITANA)
Hoje Portugal faz oitocentos e sessenta e oito anos de vida. Pelo caminho ficou o árduo processo de independência e a luta pela preservação da nossa liberdade. Que liberdade era esta? Era a liberdade de sermos Portugueses e não sermos forçados a ser outra coisa além disso, qualquer que seja o significado disso e qualquer que fosse o significado de ser essa estranha outra coisa que não fosse sermos Portugueses. Sermos livres seria, portanto, termos a possibilidade de sermos aquilo que já éramos: a manutenção de uma identidade e a recusa de uma outra identidade que outros pretendiam impor. A nossa liberdade vertida na sagaz e corajosa luta pela independência face aos invasores era, e outra coisa não poderia deixar de ser, a manifestação de um desejo profundo de manter um determinado modo de vida, alicerçado numa língua e numa cultura, que se entendia como distinto, único e auto-determinado - para utilizar um linguarajar modernista -; tínhamos, portanto, o direito a existir como uma comunidade livre e independente e por esse auto-intitulado direito nos batemos e - provavelmente - graças a essa força fomos vencedores. Ainda hoje a liberdade é, e sempre será, a capacidade de se ser aquilo que se é: a tal manutenção de uma determinada identidade. Claro está que num mundo onde a superficialidade impera, analisar as impenetráveis funduras do espírito humano em busca de uma identidade é objecto raro e que passa despercebido: hoje a identidade é o estilo de roupa, o penteado, os acessórios, o automóvel ou a orientação sexual; a liberdade é, por consequência, o poder vestir, falar e fornicar como a cada um lhe apetecer. Felizmente, tal como os quilos de antidepressivos vendidos todos os anos demonstram, a identidade humana é bem mais fecunda do que os modernistas progressistas igualitários ávidos de transformar o Homem numa única raça, com um género indistinto e cheio de iguais direitos nos querem fazer acreditar. Não somos, de facto, todos iguais; pelo contrário: somos todos diferentes. E é dessa diferença, da desigualdade portanto, que deriva a nossa capacidade de podermos ser quem somos. O progresso superficial que igualiza a espessura identitária à finura bidimensional de um rectângulo de pixéis pode ser o corolário evidente de um processo de harmonização das diferenças identitárias num mundo globalizado, no entanto, porque é ele próprio um processo superficial, nunca poderá dar resposta aos maiores anseios das profundezas da vontade humana sendo que estes anseios, estarão, como sempre, intrinsecamente ligados à identidade ontológica de cada um. Vivemos num mundo que não se questiona e não busca dentro de si próprio a primordial questão da identidade porque se preocupa a fazer de conta que essa profundidade é igual para todos: somos diferentes por fora (cada um com o seu brinco ou o com seu boné) mas somos todos iguais por dentro. Não há culturas: há uma multicultura. E é essa a essência totalitária do igualitarismo multiculturalista: ao deixar-nos meramente parecer aos olhos dos outros o que nos apetecer impede-nos de sermos de facto aquilo que somos - intrinsecamente diferentes - porque da celebração da multicultura vem a homogeneização identitária: somos todos iguais. O problema é que isto não é verdade e nada demonstra melhor a celebração da diferença identitária do que a raça, a geografia ou, no nosso caso: a fronteira entre Portugal e Espanha. Os Portugueses são diferentes dos Espanhóis e foi em nome da manutenção dessa heteronomia que lutaram pela sua independência. A nossa independência é uma manifestação de liberdade porque nos permitiu continuar a ser Portugueses e não nos transformou em Espanhóis, algo que não seria coerente porque, para os Portugueses, ser Português e ser Espanhol não é a mesma coisa. A luta pela nossa nação é, portanto a luta pela nossa identidade, algo que apesar de ser único a cada um, nos aproxima uns dos outros com maior profundidade do que outros mais distantes e menos ligados: ser Português é um laço identitário de uma comunidade de pessoas que se distinguem das demais. Por estas razões todas, os países celebram o seu aniversário tal como as pessoas exultam com mais uma volta do planeta em volta do Sol. Nestas alturas difíceis, de falência e desespero, de tristezas e apertos, lembrarmos o nosso passado comum assente numa identidade milenar que desde os Lusitanos até aos dias de hoje partilha e vive uma comunidade seria uma grande mais valia. No entanto - e infelizmente - vivemos os estertores finais do pós-marxismo onde o igualitarismo multicultural não nos permite isso porque isso seria a selagem do seu próprio falhanço. Um mundo internacional, multicultural, transgenérico e igual, a mecanização harmónica e perfeita, o velho sonho racionalista dos progressistas, não lida bem com o caos desorganizado da muitas vezes paradoxal confrontação das diferentes identidades; o velho mundo marxista não funciona na realidade da complexa profundidade humana. e por essa razão tentam tranformar-nos num novo Homem. Não serão bem sucedidos porque o homem é o que é; no entanto dessa tentativa pode bem resultar a destruição da nossa sociedade comunitária. Que país não celebra o seu aniversário?, é a questão que sobra. E a resposta é: um país milenar que, no melhor exemplo da autodestruição politicamente correcta Europeia, soçobra face aos boçais cantos das sereias populistas da extrema esquerda: cantam os nosso políticos ufanos de cravo ao peito as maiores hossanas à liberdade quando no dia em que se celebra o nascimento do nosso país, ou seja aquilo que nos permite vivermos como somos, em liberdade portanto, se calam revelando os ignorantes que realmente são. Não há maior exemplo da estúpida decadência nacional do que o cinco de Outubro. Malditos sejam.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
O EFEITO EASTWOOD
When a man's got money in his pocket he begins to appreciate peace. E por um punhado de dólares e alguns traumas de infância se faz a guerra em nome do Bem; ou, pelo menos é o que o Homem Sem Nome nos ensina em A Fistful of Dolars (1964).
Etiquetas:
NADA
Subscrever:
Mensagens (Atom)




