quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O QUE PREGA

Acabei de reparar que, por algum estranho azar do destino, a minha profissão, de acordo com o Sport Lisboa e Benfica, é ´pregador'. Parece-me bem.

GOVERNO DE SALVAÇÃO NACIONAL

Mas para que se fala tanto num governo de salvação nacional quando está uma maioria absoluta coligada no Parlamento? É só para meter o PS outra vez na gestão do aparelho de Estado, é? Não chegou já? Quando não há memória, não há futuro: fica-se no buraco a dar voltas, a dar voltas como um hamster na sua roda.

A DIFERENÇA

A grande diferença entre um Estadista e um ditadorzeco de segunda categoria é que o segundo nunca abandona o poder pelo seu próprio pé: tem que ser escorraçado. Assim se vê como pelo poder ele se define, dele depende e a ele se verga numa adoração idólatra: sem a sua coroa não é ninguém. Ora, os grandes homens não se vergam perante nada, não idolatram a glória (que percebem como fugaz) apenas passando pelo poder enquanto o seu espírito de missão patriota a isso os forçar.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

CREATIONISM


A FÓRMULA DE DEUS

Conhece-te a ti próprio, diz-nos Nietzsche. E como ele tem razão: persegue-te a ti próprio, fundo, fundo, tão fundo quanto o sempiterno presente que limita o passado e o futuro o permita. Aí, se te conheceres (e conseguires ir) ainda mais para lá dessa fronteira - a da subjectividade - então conhecerás Deus. Lá, no eterno, dissolvendo-te no todo ilimitado, tal como Alexandre, descansarás pois não haverão mais mundos para conquistar.

MERGULHO

Para se mergulhar a sério numa cidade não se pode ter bilhete de regresso.

sábado, 15 de setembro de 2012

MIMADOS

Esse slogan do "que se lixe a troika, queremos as nossas vidas" é a mais perfeita definição do comportamento das crianças mimadas: marimbarem-se nas obrigações (que se lixe a malta que nos paga os salários) e exigir aquilo que querem tal como os infantes que nem sequer compreendem que os pais muitas vezes não têm possibilidades para acomodar tais exigências. Querem eles as suas vidas, o que é deles por direito, independentemente da realidade poder ou não servir tais vontades. Aquilo que é - o plano do real - não interessa; apenas interessa o que eles querem que seja: o mundo da fantasia, portanto. No fundo temos, como se comprova facilmente, a sociedade que educámos: de meninos mimados com as vontades todas feitas até à infantilização social foram dois passos, pois claro.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

ANÁLISE DA SITUAÇÃO POLÍTICA

É muito simples: 1) como no imediato é preciso pagar contas (e respeitar as vontades daqueles que nos emprestam o dinheiro para pagar as ditas) a receita político-económica não poderia ser muito diferente desta. O que falta? O amanhã. Falta ser explicado aos Portugueses que aquilo que provisoriamente se lhes está a cortar agora no bolso será cortado noutro sítio amanhã. Onde? Nas benesses e honrarias do Estado, é certo, mas também em restruturações da despesa estatal que são necessárias de fazer. Isto não foi feito: não podemos vender uma conjuntura terrível e não explicar as alterações estruturais que estão (?) a ser feitas para que ela não se repita. E esse é um erro fundamental, restando apenas saber se será um erro de estratégia comunicacional (o que não acredito) ou um erro de estratégia governativa (ausência dela). Mau sinal que urge ser corrigido. 2) A responsabilidade directa pela situação actual é da governação socialista socretina: como pode o partido socialista que nos trouxe até aqui ser ainda mais cretino ao desmarcar-se da sua responsabilidade e vir, mais uma vez, como sempre, vender facilidades aos Portugueses? Que bando de oportunistas. É esta a alternativa? A conclusão é que se falha este governo estamos bem fodidos, estamos - e, sim, estou a medir as palavras. 3) Quanto aos indignados que agora rasgam as vestes a falar de percentagens e apelam a revoluções e manifestações, onde estavam eles em 2009 quando, em eleições livres, elegeram um aldrabão para PM ao invés de uma Senhora que, diga-se em abono da verdade, previu de forma séria tudo o que agora se está a passar? Onde estavam vocês então? Ai, Portugal, Portugal: tanto ódio e tanta ignorância.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

ON THE ROAD AGAIN

E a vida dá as voltas que dá, aqui vou eu de novo no caminho da emigração. A transmissão continua mas agora das terras do norte da Europa.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

VÁ LÁ

Gosto destas propostas da JSD, principalmente os impostos sobre rendas excessivas que consigam repor alguma justiça ao autêntico assalto que se fez aos cofres do Estado. Infelizmente, no país do regulamento e da norma, não sei se haverá forma legal de o fazer. Quanto ao resto, na mouche: está na hora de falar concretamente de como e quanto cortar na despesa em vez de apenas estes cortes que, arregimentando dinheiro, não resolvem o problema estrutural a longo prazo.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

DO CIRCO

O Primeiro Ministro fala ao país e a SIC e a TVI passam novelas. Isto diz tudo.

CURIOSO

Na RTP, momentos antes da comunicação de Passos Coelho ao país, discute-se como se pode ir buscar mais dinheiro aos contribuintes para pagar as despesas dos Estado. Onde cortar despesas do Estado é coisa que não ocorra a estes iluminados... pagos com o dinheiro dos contribuintes.

HAJA CONFIANÇA

Ver a conferência de imprensa do BCE com o Vítor Constâncio e o seu ar compungido e pleno de auto insuflada importância deixa-me muito mais descansado: esta gente sabe o que faz.

O NOVO E O BOM

Considerar que uma coisa por ser nova será, à partida, uma coisa boa  - o progresso é bom - é um postulado tão válido como considerar que um alimento apenas por ser saboroso fará bem à saúde.

STATISTICS


ÀS ARMAS: INVADA-SE A ESCADINÁVIA

Qual Troika, qual quê, isto sim seria um desastre. Enquanto se vai vivendo num tempo onde tudo aquilo que é novo significa forçosamente que também é bom, já eu, cada vez mais, vou vendo os senhores progressistas como o demónio destruidor de tudo aquilo que faz a vida valer a pena. No final sobrarão os demónios e as tristezas do que foi, raios os partam.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O VAZIO

Sobre as incoerências mentais do Sr. Carreiras já abundei com bastante precisão e aturada paciência aqui. Talvez por isso vou-me divertindo a ler as "suas" crónicas às Quartas-Feiras no jornal i, sempre curioso para descortinar no meio da retórica redonda  - redondinha - qual é o moinho de vento que Carreiras vai agora combater ou quais - também abundam - as soluções mágicas para os problemas do mundo: entre a retórica vazia contra a retórica vazia dos outros e as propostas de uniões dos mundos portugueses ou, consoante o seminário a que Carreiras assistiu nessa semana, talvez ibéricos para, segundo ele, constituírem blocos fundamentais e salvíficos no mundo (talvez ficasse bem sentado Carreiras ao lado de Chavez, não saberemos nunca), enfim, entre uns e outros há de tudo. Até manifestos sobre a bondade canina, os quais, aliás, também os partilho, principalmente na apologia das qualidades caninas, das quais, como todos sabemos, a fidelidade se realça perante todas as outras. No entanto, e a propósito de fidelidades caninas, assuma-se que, apesar do vazio, numa coisa Carreiras sempre foi coerente: palavra puxa palavra e, páginas tantas, lá está o homem a defender o chefe: sempre a elogiar, a enaltecer ou a puxar o lustro às botas de Passos Coelho. E assim se foi andando no mundo das "crónicas" de Carreiras. Até hoje. Ora, então não é que o homem hoje deu em mandar vir com a falta de rasgo e de esperança do discurso de reentré de Passos Coelho. Não deixa de ser curioso que é quando as águas se agitam e a coligação abana que logo vêm alguns ajudar a picar. E logo quem tanto lustro passava. Curiosa coincidência. E que crítica fundamentada faz Carreiras ao Primeiro-Ministro? Que falta rasgo, que não entusiasma, que falta esperança. E que pede Carreiras? "Que as lideranças políticas compreendam a necessidade de mostrar que o país  tem amanhã. Que há lugar à esperança.Está na hora de nos mobilizarmos todos num grande movimento de restauração da esperança em Portugal". Toda esta grandiloquência que grita muito alto sem dizer nada ao mesmo tempo que afirma que "a resposta não passa por discursos grandiloquentes e não passa por vender ilusões"... Para além da tendência inconsciente de Carreiras sempre advogar grandes "mobilizações" e grandes "movimentos" que juntem todos, fica aqui a capacidade infinita do vazio reclamar contra ao vazio ao mesmo tempo que clama pelo vazio. No fim sobra uma ideia: para cão fiel, Carreiras começou a morder a mão do dono: talvez lhe cheire a outro tempo; ou, quiçá, talvez os donos, não sei, por entre falados e não desmentidos aventais e ambições ferozes, hoje em dia já sejam outros. Infelizmente, entre Relvas e Carreiras, este é o PSD que temos. Eu bem avisei aqui que se queremos um Governo forte e capaz de atacar os interesses instalados precisávamos de um PSD liderado por outra gente. Quando vier a remodelação governamental (se calhar é por isso que os (in)fiéis se agitam) logo veremos para que lado isto vai tombar. Quanto a mim, pessimista estou e, infelizmente, mais pessimista vou ficando.

O ESPELHO DA PÁTRIA

Vale a pena ler este artigo sobre a "escrita" da Margarida Rebelo Pinto. A mim deixou-me fascinado e, ao mesmo tempo, profundamente agradecido a quem se deu ao trabalho árduo de ler o ilegível. No entanto, aquilo que me ocorre perguntar será: então e o que dizer do país que elege tamanha sapiência como a sua autora mais vendida? Falido, pois claro. Será caso para dizer que, como diria alguém, não há coincidências.

A PSIQUE SOCIALISTA

Como funciona a mente e o discurso socialista nesta "opinião": em primeiro lugar a falácia de que os rendimentos acima dos 10000€ são de uns privilegiados que não pagam a crise: é falso pois quem mais ganha mais impostos paga; não é à toa que os escalões do IRS são progressivos (quanto maior o rendimento maior a percentagem paga, o maior escalão está acima dos 40%!). Em segundo lugar, o desconhecimento de como a realidade de facto funciona: quanto mais quiserem taxar o capital mais o capital se vai posicionar noutras paragens que não nas portuguesas, ou seja, mais taxa e mais imposto dará no final menor receita; não adianta (ou não se deve) tentar combater a realidade. Finalmente, é mais uma das vozes a clamar por ter o Estado a sacar mais aos seus contribuintes em vez de ter o Estado a baixar as suas despezas para níveis comportáveis para esses mesmos contribuintes. Assim se vê como o socialismo pensa sempre como devem os cidadãos estar ao serviço do Estado em vez do Estado ao serviço dos cidadãos. A fotografia está, de facto, muito bem lá para os lados do Largo do Rato.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

DAS IDEIAS POLÍTICAS

Há duas posições no mundo que perfazem o combate ideológico: à direita, aqueles que procuram compreender a natureza humana e adaptar as regras da sociedade a essa mesma natureza e, à esquerda, os outros que procuram transformar a natureza humana levando-a a aceitar as regras que eles próprios entendem que devem nortear a sociedade. Já posições políticas há tantas quanto os infinitos interesses dos homens, infelizmente tanto menos legítimos quanto menor for a ideologia que o justifica: fortes ideias forçam a um rumo definido, logo a um debate claro. Quando o debate político se faz de acusações e de desmentidos, de cambalhotas e piruetas e não se percebe bem quem discorda ou quem concorda com quem, então, torna-se evidente a ausência das ideias e são os jogos de interesses de alguns que verdadeiramente comandam a vida de todos: onde imperam os interesses impera o status quo e, por mais que se grite o contrário, a impossibilidade de um rumo de mudança.