quarta-feira, 26 de setembro de 2012

PARA OS SENHORES CONTRA-SISTEMA (e a extrema-esquerda em geral)

"Os optimistas inescrupulosos acreditam que as dificuldades e as desordens da espécie humana podem ser vencidas por um ajustamento em grande escala: basta inventar um novo arranjo, um novo sistema, e as pessoas serão libertadas da sua prisão temporária para um reino de sucesso. Quando se trata de ajudar os outros, portanto, todos os seus esforços são postos no esquema abstracto do melhoramento humano e absolutamente nenhum na virtude pessoal que lhes podia permitir o desempenho do pequeno papel que aos humanos é atribuído na na melhoria da sorte dos seus semelhantes. A esperança, no seu quadro mental, deixa de ser uma virtude pessoal que modera as dores e os problemas, que ensina a paciência e o sacrifício e que prepara a alma para o agape. Torna-se, em vez disso, um mecanismo de transformação dos problemas em soluções e da dor em exultação, sem fazer uma pausa para estudar a evidência acumulada da natureza humana, que nos diz que único melhoramento que está sob o nosso controlo é o melhoramento de nós próprios."

Roger Scruton, As Vantagens do Pessimismo (2009)

AS THE DAYS KEEP TURNING INTO NIGHTS


Alexi Murdoch, "All of My Days", Time without Consequence (2006)

UM ISALTINO, DOIS ISALTINOS, TRÊS ISALTINOS

Gosto desta notícia mas, como português honesto, já vou estando calejado: ver para crer, ver para crer. No entanto, entre estas ocorrências e os milhões da família abastadíssima de sócrates, o pequeno, vai-se percebendo o nível da governação socialista e porque estamos como estamos. Às vezes parece que os Portugueses já se esqueceram.

CONDICIONAMENTO DAS MASSAS

Aquilo que para os primeiros marxistas passava pelo controlo e organização do proletariado passou para os seus herdeiros, na ausência do proletariado que está hoje acomodado às benesses da vida burguesa, capitalista e tecnológica, por uma tentativa de condicionamento das massas que, sendo as massas mais ricas da História, carecem de um discurso diferente do original "opressão do proletariado através da usurpação da mais valia". Há, neste caso, uma aparente normalização democrática na tentativa de angariar apoios: os lobos vestem a pele de cordeiros, portanto. Enquanto no Século XIX um marxista era um revolucionário que pugnava pela luta armada e a instauração da ditadura do proletariado que iria libertar os oprimidos trabalhadores, hoje um radical de esquerda tem que ter mais cuidado: os trabalhadores já têm o suficiente para não gostar da ideia da igual distribuição da riqueza... através do Estado. Assim, sendo uma minoria, arranjam os radicais os mais variados estratagemas para se fazerem parecer mais do que são: desde ao aproveitamento da rua até à dissimulação da sua verdadeira agenda revolucionária. Um bom exemplo disto é a manifestação "contra a Troika": apesar do resultado da ausência da troika ser a saída do euro, a ausência de financiamento para sustentar as funções mais básicas do Estado e o consequente processo de miséria e caos que daí adviria, a manifestação foi organizada precisamente sob o desígnio de se seguir uma alternativa à austeridade ("queremos as nossas vidas") que seja melhor. Ora, que alternativa é essa que passa por recusar o financiamento? Nenhuma. Pelo menos nenhuma que a maioria dos Portugueses que se manifestavam verdadeiramente quisesse assumir. No entanto, a extrema-esquerda sabe bem que a recusa da troika passa por um processo de isolamento internacional português onde o Estado, sem possibilidades de se financiar no estrangeiro, teria de recorrer aos recursos económicos domésticos. Daí às nacionalizações, ao congelamento dos depósitos bancários e à integração da economia no Estado seria um pulo. A ditadura da esquerda, pois claro. Essa é a verdadeira agenda da extrema-esquerda. No entanto, como não pode ser assumida - porque seria rejeitada pela população - vai sendo posta em prática a coberto da dissimulação e da demagogia política: tentarem enxovalhar ao máximo os governantes, acusar o sistema como culpado da situação, exigir bens públicos (que custam dinheiro público) ao mesmo tempo que clamam pela "expulsão" da troika (que efectivamente garante o financiamento dos bens públicos que temos). Esta paradoxo desmascara a aldrabice demagógica que a extrema-esquerda (e o sedento de poder estatal PS aproveita a onda) representa na vida democrática portuguesa. Querem - e exigem - o sol na eira e a chuva no nabal; e dessa forma desonesta pretendem que tanto os partidários do sol na eira como os da chuva no nabal os sigam. Mas quem organizou a manifestação? E quão "independentes" são de facto? No final fica a demagogia de quem exige o que não é possível de ser exigido: que se gaste o que não se tem ao mesmo tempo que se exige que quem empresta para que se gaste deixe de emprestar. Esta tentativa de condicionamento da acção política através da rua já foi feita antes: também após o 25 de Abril, o PREC e o "verão quente" de 75, a extrema-esquerda das ocupações e das manifestações intentava o estabelecimento de uma "democracia popular" em Portugal. Curiosamente quando chegaram as eleições de 1976 para a Assembleia da República o PCP não chegou aos 15% e a restante extrema-esquerda toda junta não lhe acrescentava nem sequer 3%. Foi aí que perceberam que isto pelo voto popular não vai lá a não ser... que se engane as pessoas. É por isto que ganha todo o significado a notícia de que os organizadores da manifestação anti-troika querem juntar-se à manifestação da CGTP. Não é mais do que tentar cavalgar o descontentamento popular (legítimo) para causas particulares que, nalguns casos até podendo ser legítimas, não são aquelas causas que acomodam os problemas que levaram as pessoas a manifestar-se a 15 de Setembro. Claro que as pessoas têm todo o direito a manifestar-se; convinha é que soubessem ao que vão. E que as alternativas que lhes vendem não são mais do que o engodo de um projecto de poder que, na sua génese, na sua ideologia e no seu processo, é profundamente anti-democrático.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

OS ININPUTÁVEIS

O nível medíocre do espaço público português atesta-se facilmente pela capacidade que qualquer pateta tem em vomitar as maiores barbaridades e vê-las plasmadas em primeiras páginas. Num país decente declarações tão idiotas quanto estas seriam simplesmente descartadas por serem aquilo que são: politiquice rasteira, não credível e que trata os Portugueses como absolutos atrasados mentais. Daqui a uns anos teremos sócrates, o pequeno, a concorrer a Presidente da República e o Ministério da Educação a imprimir manuais de História a referirem a 'bancarrota Passos Coelho'? A sério: ainda aturam esta gente? Entre o pateta que tem o desplante de dizer o que diz, até ao jornal que faz manchete e aqueles que vão ler o artigo enquanto acenam colericamente em franca concórdia contra os bandidos dos fascistas da direita, entre uns e outros, eu apenas vislumbro a profunda miséria intelectual do meu país. Isso e uma grande falta de vergonha na cara.

sábado, 22 de setembro de 2012

AI PORTUGAL, PORTUGAL

Estou profundamente preocupado com o futuro próximo do meu país. Parece-me que, infelizmente, se afunilam as condições ideais para uma tensão inevitável e sem solução pacífica: um conflito forte, portanto. As condições para esta tempestade perfeita são três: a fragilidade governamental, a terrível situação estrutural da economia nacional e incapacidade da população interpretar fielmente a realidade dos factos.

Vamos por partes. A segunda e terceira causa estão profundamente inter-relacionadas: a população tem dificuldade em interpretar a realidade dos factos porque ninguém que esteja habituado a viver de uma determinada forma aceita e compreende bem que, repentinamente, tenha que mudar para pior. Mais: na melhor tradição progressista foi-lhe sempre - ao longo dos últimos quarenta anos - vendida a ilusão (até há bem pouco tempo) de que as coisas iriam melhorar sempre. O progresso caminha sempre, diziam eles, para a riqueza, para vivermos sempre melhor. Assim, o país, na senda progressista, abraçando o socialismo voluntarioso e eleitoralista, tem gasto sempre mais do que aquilo que produz precisamente para acomodar estes anseios e estas ilusões: verdade seja dita que nunca um político ganhou eleições a dizer que vamos passar a viver pior.

No entanto, infelizmente - e como era previsível -, porque ninguém pode viver acima das suas possibilidades, o dinheiro acabou-se e chegou a altura de mudar de vida. Das duas uma: ou se produz mais para se poder gastar o mesmo que se gastava ou, então, gasta-se menos para poder viver-se sem maior endividamento. Mas que não hajam dúvidas: o desequilíbrio estrutural da nossa economia há-de endireitar-se (não digo resolver-se mas pelo menos atenuar-se) porque ninguém empresta dinheiro a quem não pode pagar de volta. De uma forma ou de outra a vida vai mesmo ter que mudar. O problema é que a obrigatoriedade de produzir mais e gastar menos não é fácil de aceitar; e, como logo aparecem os oportunistas de serviço sempre a vender ilusões, entre aquele que diz aquela verdade e o político que vende ilusões há uma tentação de ir por este segundo. O mal é troika? Acabe-se com ela. O mal é o governo? Acabe-se com ele. O mal é o euro? Saia-se já. Tudo muito simples, tudo muito fácil de ser apreendido e propagado pelo espaço público: a solução está com os críticos. E quem são estes? Aqueles que ao longo dos últimos anos mais gastaram o que não tinham (o PS) ou que mais reclamaram e ainda reclamam para que se gaste ainda mais o que agora ainda menos se tem (PCP e BE). A desonestidade política da extrema esquerda é tenebrosa e muito perigosa até porque no desespero de não aceitar a situação, ouvir as sereias que cantam facilidades e utopias pode tornar-se tentador. Mas não nos admiremos da aparente estupidez das propostas da extrema-esquerda: no fundo a extrema esquerda deseja o colapso financeiro pois apenas este corroborará as suas teses marxistas; da mesma forma apenas o caos generalizado decorrente do colapso económico lhes permitirá  - imaginam eles - a implementação do seu novo mundo. Até lá, escondem-se na suposta protecção dos mais desfavorecidos. Não tenhamos dúvidas: são esses os mais perigosos adversários.

No entanto a questão de fundo é simples: a vida vai mudar radicalmente. E mais, o principal problema é que ela vai mudar inevitavelmente: qualquer que seja a alternativa que se escolha as condições de vida vão piorar sempre pois teremos que sustentar a vida que levamos e a esta factura ainda acrescentar a da vida que levámos (e que ainda não pagámos). Que o choque com a realidade seja duro e difícil ninguém nega; agora que se recuse a realidade é que não serve de nada. E na forma como nas manifestações populares - legítimas - e na contestação generalizada não existe a menor capacidade de apresentar uma alternativa credível vê-se como a crítica é mais contra o que é do que contra a forma como é. Assim sendo, juntando-se a inevitabilidade do ajustamento estrutural económico nacional com a recusa da aceitação desse facto pela população só se pode esperar um crescendo de insatisfação... e potencial conflito. Quanto mais se recusar o ajustamento mais ele virá à força; quanto mais vier à força maior será a recusa em aceitá-lo. Em última instância se a tese da extrema esquerda for ouvida o colapso do nosso modo de vida será inevitável. E com a miséria virá a violência e a natural perda de direitos liberdades e garantias. Como dizia: de uma forma ou de outra a vida vai mudar.

A única forma de evitar o colapso será através de uma governação forte, clara e, acima de tudo, credível. A  mim parece-me que Pedro Passos Coelho não "perde" o país (que não perdeu) naqueles quinze minutos a comunicar mais medidas de austeridade. Onde me parece que Passos Coelho "perde" a força de que mais necessitava agora é quando não deixa cair Miguel Relvas. A forma como Relvas continua sempre a pulular por aí (agora no estrangeiro para fugir à populaça como se esta o esquecesse), esgueirando-se pelos bastidores governamentais e partidários, "agarrado ao tacho" é uma coisa que irrita o comum dos cidadãos. Depois de sócrates, o pequeno, dar-se de caras o povo português com mais um chico-esperto da cacicagem partidária a quem literalmente nada acontece e não podemos admirarmo-nos por haver uma irritação generalizada: o povo a sofrer e o Relvas é inimputável? A malta a ser espremida e o Relvas no bem bom? Estas frases fizeram mais pela contestação generalizada do que qualquer corte salarial. Foi esta irritação para com uma gritante injustiça que ardeu em lume brando durante os últimos meses que fez saltar a ideia de que também este governo é mais um que está cheio d'eles, no fundo, no fundo, uns eles que são todos iguais. Não podemos exigir os sacrifícios que têm sido exigidos sem oferecer em contrapartida a máxima credibilidade. E foi aí que o Governo - e o o PM em particular - falharam.

Mas o enredo ainda piora. Na pior altura possível o até agora silencioso ministro Portas resolveu falar. Num oportunismo demagógico que deveria envergonhar o mais anónimo militante centrista, lá veio o politiqueiro fazer poitiquice. E se politiquice vale pouco, neste momento vale muito: ficamos com uma coligação governamental que demonstra que, por um lado, tem um partido refém dos seus interesses internos e caciqueiros (PSD e Relvas) e tem, pelo outro, um outro partido refém da sua ambição política desmesurada (CDS e Portas). Talvez a crise total e um PSD abaixo dos 20% seja um cenário que apeteça ao ambicioso Portas mas no meio disto tudo onde fica Portugal? Um joguete nas mãos dos fracos, corruptos e ambiciosos? Um alvo para os demagogos, anti-democráticos e anti-liberais? Um dependente dos ignorantes ou dos oportunistas? Que rumo para este país? Não estamos em alturas para brincadeiras e é bom que os senhores dirigentes dos partidos governamentais percebam isto. O mínimo deslize e as consequências podem ser fatais.

No fundo do buraco onde nos enfiaram os socialistas socretinos e os seus cúmplices (muitos estão aí à volta do novo governo) a vida não vai fácil e chegou a hora da coragem: coragem do povo recusar os cantos de sereias de quem vende ilusões - às quais bastando um pouco de investigação se percebe que não são credíveis: leiam os programas políticos da esquerda progressista e ponderem bem se querem trocar as liberdades que têm nas presentes dificuldades pela miséria escravizada que as soluções que eles preconizam sempre produziram onde foram implementadas. É preciso coragem para aceitar a realidade e recusar as facilidades oferecidas pelas ilusões. E é precisa ainda mais coragem para que os nossos governantes ponham o país à frente de tudo o resto e façam as reformas dolorosas que o país precisa. Estou certo que havendo credibilidade os Portugueses saberão aceitar a necessidade de mudança. Três anos e uma maioria absoluta dão para muita coisa: haja tino nos Srs. políticos porque apenas o fortalecimento virtuoso da governação pode evitar a tempestade perfeita que se avizinha. Isso e uma remodelação governamental.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O SISTEMA

Claro que o Tó Zé tem que vir bradar contra a ousadia de uma eventual privatização da Caixa Geral de Depósitos. Claro que sim. Que outro instrumento além da CGD tem sido tão bem utilizado pelos estatistas de serviço para financiar o seu poder? Será preciso lembrar que foi a Caixa do Vara que financiou a tomada de assalto do BCP para pôr lá, entre outros... o Vara? Uma coisa da penumbra pantanosa da politiquice portuguesa se pode retirar: quanto mais os socialistas (os do PS e os outros) estrebucharem mais se está a atacar o sistema que nos trouxe à falência. É só vê-los a saltar.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

COM OS CACIQUES É DIFÍCIL

Epá, então está tudo bem... Uma coisa o PM vai ter de perceber: com Relvas não há credibilidade que aguente: todos se vão perguntar para que é que o PM precisa dele assim tanto.

QUE SE LIXEM AS ELEIÇÕES

Perder as eleições daqui a três anos porque se reformou a sério, se mexeu onde ninguém tinha ousado mexer e se alterou firmemente o rumo do país, nomeadamente com uma séria e corajosa reforma do Estado (e da sua despesa), parece-me triste - pelo que significa acerca da maturidade democrática portuguesa -  mas aceitável politicamente; perder as eleições (ou nem lá chegar) porque os senhores políticos governamentais são umas primas donas obcecadas com os seus umbigos e no medo de agirem mal andam a jogar às escondidas, isso é brincar com os portugueses: não queiram deixar o país sem uma alternativa política credível porque se o fizerem será o abismo. Perguntem aos gregos.

FAÇAM-SE HOMENS

A sério, isto é completamente desnecessário, para não dizer insuportável. Tremo quando vou constatando o amadorismo governamental porque tenho bem presente que a alternativa socialista é o descalabro. Não sei o que se vai passando nos bastidores governamentais mas façam-se homens, resolvam as merdices e tratem de implementar as reformas que uma maioria absoluta no parlamento permite fazer. Considerando o desnorte "democrático" que reelegeu sócrates, o pequeno, ainda há dois anos atrás e as mais recentes sondagens a única forma que os dois partidos têm de se manter no poder é a de apresentar resultados. Quais resultados? A independência financeira, o levantamento das medidas de austeridade provisórias e as reformas estruturais que devolvam o crescimento económico. Fácil? Muito difícil. Agora, não é com esta novela de vão de escada que certamente chegamos lá. De garotada estamos nós fartos.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O QUE PREGA

Acabei de reparar que, por algum estranho azar do destino, a minha profissão, de acordo com o Sport Lisboa e Benfica, é ´pregador'. Parece-me bem.

GOVERNO DE SALVAÇÃO NACIONAL

Mas para que se fala tanto num governo de salvação nacional quando está uma maioria absoluta coligada no Parlamento? É só para meter o PS outra vez na gestão do aparelho de Estado, é? Não chegou já? Quando não há memória, não há futuro: fica-se no buraco a dar voltas, a dar voltas como um hamster na sua roda.

A DIFERENÇA

A grande diferença entre um Estadista e um ditadorzeco de segunda categoria é que o segundo nunca abandona o poder pelo seu próprio pé: tem que ser escorraçado. Assim se vê como pelo poder ele se define, dele depende e a ele se verga numa adoração idólatra: sem a sua coroa não é ninguém. Ora, os grandes homens não se vergam perante nada, não idolatram a glória (que percebem como fugaz) apenas passando pelo poder enquanto o seu espírito de missão patriota a isso os forçar.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

CREATIONISM


A FÓRMULA DE DEUS

Conhece-te a ti próprio, diz-nos Nietzsche. E como ele tem razão: persegue-te a ti próprio, fundo, fundo, tão fundo quanto o sempiterno presente que limita o passado e o futuro o permita. Aí, se te conheceres (e conseguires ir) ainda mais para lá dessa fronteira - a da subjectividade - então conhecerás Deus. Lá, no eterno, dissolvendo-te no todo ilimitado, tal como Alexandre, descansarás pois não haverão mais mundos para conquistar.

MERGULHO

Para se mergulhar a sério numa cidade não se pode ter bilhete de regresso.

sábado, 15 de setembro de 2012

MIMADOS

Esse slogan do "que se lixe a troika, queremos as nossas vidas" é a mais perfeita definição do comportamento das crianças mimadas: marimbarem-se nas obrigações (que se lixe a malta que nos paga os salários) e exigir aquilo que querem tal como os infantes que nem sequer compreendem que os pais muitas vezes não têm possibilidades para acomodar tais exigências. Querem eles as suas vidas, o que é deles por direito, independentemente da realidade poder ou não servir tais vontades. Aquilo que é - o plano do real - não interessa; apenas interessa o que eles querem que seja: o mundo da fantasia, portanto. No fundo temos, como se comprova facilmente, a sociedade que educámos: de meninos mimados com as vontades todas feitas até à infantilização social foram dois passos, pois claro.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

ANÁLISE DA SITUAÇÃO POLÍTICA

É muito simples: 1) como no imediato é preciso pagar contas (e respeitar as vontades daqueles que nos emprestam o dinheiro para pagar as ditas) a receita político-económica não poderia ser muito diferente desta. O que falta? O amanhã. Falta ser explicado aos Portugueses que aquilo que provisoriamente se lhes está a cortar agora no bolso será cortado noutro sítio amanhã. Onde? Nas benesses e honrarias do Estado, é certo, mas também em restruturações da despesa estatal que são necessárias de fazer. Isto não foi feito: não podemos vender uma conjuntura terrível e não explicar as alterações estruturais que estão (?) a ser feitas para que ela não se repita. E esse é um erro fundamental, restando apenas saber se será um erro de estratégia comunicacional (o que não acredito) ou um erro de estratégia governativa (ausência dela). Mau sinal que urge ser corrigido. 2) A responsabilidade directa pela situação actual é da governação socialista socretina: como pode o partido socialista que nos trouxe até aqui ser ainda mais cretino ao desmarcar-se da sua responsabilidade e vir, mais uma vez, como sempre, vender facilidades aos Portugueses? Que bando de oportunistas. É esta a alternativa? A conclusão é que se falha este governo estamos bem fodidos, estamos - e, sim, estou a medir as palavras. 3) Quanto aos indignados que agora rasgam as vestes a falar de percentagens e apelam a revoluções e manifestações, onde estavam eles em 2009 quando, em eleições livres, elegeram um aldrabão para PM ao invés de uma Senhora que, diga-se em abono da verdade, previu de forma séria tudo o que agora se está a passar? Onde estavam vocês então? Ai, Portugal, Portugal: tanto ódio e tanta ignorância.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

ON THE ROAD AGAIN

E a vida dá as voltas que dá, aqui vou eu de novo no caminho da emigração. A transmissão continua mas agora das terras do norte da Europa.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

VÁ LÁ

Gosto destas propostas da JSD, principalmente os impostos sobre rendas excessivas que consigam repor alguma justiça ao autêntico assalto que se fez aos cofres do Estado. Infelizmente, no país do regulamento e da norma, não sei se haverá forma legal de o fazer. Quanto ao resto, na mouche: está na hora de falar concretamente de como e quanto cortar na despesa em vez de apenas estes cortes que, arregimentando dinheiro, não resolvem o problema estrutural a longo prazo.