sexta-feira, 22 de março de 2013

AINDA O COMENTADOR

Tenho visto por aí alguns comentários a defender a ideia de que, mesmo considerando sócrates, o pequeno, um crápula, não se pode advogar a ideia de que o dito não pode ser comentador na RTP. Ou seja, é como quem diz que não se deve assinar a petição que pede o seu afastamento (que já tem quase 100 000 assinaturas). O argumento vai mais ou menos na linha jurídica de "sócrates, o pequeno, é igual perante a lei a tantos outros logo não pode ser tratado de forma diferente". Eu percebo o argumento mas não concordo. E não concordo porque o dito argumento de igualdade jurídica falha em dois aspectos. O primeiro - e mais óbvio - é que a RTP, sendo um canal público e onde, infelizmente, todos somos forçados a a contribuir financeiramente, implica a noção de que os contribuintes são seus accionistas. Dessa forma, qualquer português tem o pleno direito de peticionar contra ou a favor os conteúdos que considera mais ou menos aviltantes, ou mais ou menos necessários, numa instituição que é gerida com o seu dinheiro. Ponto final. O segundo argumento é mais subtil e prende-se com o tradicional legalismo português: a tão propalada ética socialista republicana. Aqui importa esclarecer o seguinte e que consagra, no essencial, uma posição filosoficamente conservadora: uma lei não aparece do ar nem representa um desígnio que, vindo do transcendente racional, tem um mérito em si mesmo; pelo contrário: uma lei reflecte um conjunto de valores e princípios que sendo partilhados por uma comunidade são consagrados como lei por forma a serem obrigatoriamente respeitados. Ou seja, e trocando por miúdos: até pode o Engº não ter infringido nenhuma lei que isso não o iliba de um julgamento que deverá ser mais do que meramente político, digamos, um julgamento ético e moral. Um julgamento no campo dos valores. A verdade é que o senhor em causa é o principal responsável por (1) levar um país à falência; por (2), ao mesmo tempo que empobrecia todo um povo, enriquecer uma clique de interesses obscuros que circulavam à sua volta; por (3) não ter a vergonha na cara de aceitar qualquer tipo de responsabilidade; por (4) interferir perigosamente com princípio éticos e políticos fundamentais como, por exemplo, a liberdade de imprensa; por (5) representar uma peculiar e inadmissível soma de casos suspeitos que culminam com o, igualmente peculiar e nada claro, súbito enriquecimento de si próprio bem como da sua mãe sem que ninguém perceba como; finalmente, por (6) ser notória a ambição desmedida em regressar ao poder para, imagina-se, uma vez que não aceita erros nem qualquer responsabilidade da sua parte na trágica situação portuguesa, fazer mais do mesmo ou, quiçá, ainda pior. Pode alguma destas seis razões ser julgada por algum tribunal? Não. Por isso mesmo, numa sociedade que se preze, deverá haver uma defesa fundamental por valores - que transcendem até os tribunais - tais como a honra, uma determinada moral e uma particular interpretação de bem. É por esses valores que um povo se guia e se dá ao respeito. É por esses valores - que o putativo comentador infringiu - que o povo tem o direito de recusar sócrates, o pequeno, no seu canal de televisão. E é por esses valores que, a haver algo de errado nisto tudo, é a vergonha do ordenamento jurídico português deixar escapar com total impunidade alguém que criminosamente pôs o futuro pátrio em jogo. Ridículo assinar uma petição contra o comentador? Eu diria que ridículo é tentar encontrar argumentos para não se dar ao respeito. Com cem mil assinaturas em tempo record bem se vê como em Portugal ainda há muitos que exigem ser respeitados. Até porque apenas um ingénuo acreditaria que serviria tal programa para o dito prestar alguma espécie de contas sobre a sua criminosa governação. Propaganda financiada com os nossos impostos, é o que é.

UM AUTÓGRAFO

John Lennon giving an autograph to Mark Chapman, the man that would kill him five hours later (December 8th, 1980) .

quinta-feira, 21 de março de 2013

O PRÁTICO

Uma vez, a propósito dos meus problemas com a possibilidade do Dr. Relvas integrar o Governo de Portugal, um destacado militante do PSD referiu-se a ele, em tom de justificação, como um "prático". Ora, um prático pode ter feito muitas asneiras mas não deixa de ser prático: querem ver que este zunzum todo a propósito de sócrates, o pequeno, ingressar na RTP como comentador até tem o dedo do Dr. Relvas?  Afinal, a coisa destabiliza mais o inseguro Tozé tanto como diverge as atenções do mais grave momento da governação até agora. Não me admirava nada. Mesmo. Claro está, que tal coisa não justifica menor coro de protesto face a uma evidente barbaridade: admito que ver a indignação popular para com tamanho ernegúmeno político - um peçonhento videirinho! - representa um dos poucos prazeres políticos que me lembro de ter tido ultimamente. É muito pequenino, eu sei. Mas isso só atesta a tristeza de tempos que vamos vivendo.

O DESGASTADO

 A minha querida Mãe tem vindo a desenvolver um talento grande para a fotografia digital. Eu, estando fora do país, não vejo o nosso Primeiro-Ministro há uns tempos valentes mas a minha Mãe fez o obséquio de me elucidar acerca do verdadeiro desgaste a que está acometido o nosso Passos Coelho.


KIDNAPPING


SERVIÇO PÚBLICO

Serviço público são os saltos do Fernando Mendes, do João Baião e... do sócrates, o pequeno. A cara de pau desta funesta personagem não tem mesmo fim tal como a utilidade como idiota de serviço da RTP também não. Serviço público pago com os nossos impostos? Só se o objectivo do dito serviço for mesmo mostrar - de forma bem evidente - a mediocridade indígena. Para quem imaginava o Dr. Relvas como o homem que ia controlar a RTP e colocar a liberdade de informação em risco (como o outro fez) aqui se vê como nem nisso o homem se amanha. Aliás, deixo um desafio à RTP: que ponha o Dr. Relvas também no programa. O Dr. junto com o Engº a debater o futuro do país só pode mesmo melhorar a grelha de comédia da nossa querida RTP.

quarta-feira, 20 de março de 2013

MÁ ESTRATÉGIA

A decisão de várias estruturas locais e distritais do PSD (e a respectiva aprovação nacional) em candidatar a várias autarquias pessoas que já desempenharam, pelo menos, três mandatos em outras autarquias era um risco óbvio. Agora, com a notícia de que Seara não pode ser candidato a Lisboa, vem o retorno e um problema de difícil resolução: qualquer outro candidato será sempre um candidato de segunda bem como a manutenção dos actuais representará um infindável combate judicial que, entre recursos e decisões, inabalavelmente depreciará as candidaturas dos próprios. É o que se chama um imbróglio. Que havia dúvidas sobre a legalidade de tais candidaturas era sabido; que era legítimo argumentar-se pela sua legalidade também; agora, o que não se poderia ter negligenciado era a inevitável confusão que é a justiça portuguesa: alguém acha que isto se resolve até às eleições? Vão fazer pré-campanha por candidatos que poderão não o ser? E quem aceitará ser candidato substituto? Pois.

RUI RIO

Hoje saiu no Diário Económico aquilo que há muito tempo já se sabia: que Rui Rio deixa a Câmara Municipal do Porto com as contas em absoluta saúde de ferro, das melhores situações financeiras do país. Devo dizer que há algumas coisas que são imagem de marca em Rui Rio: a sua competência, a sua determinação bem como a sua independência face a interesses instalados. Mais do que palavras, o que conta - e o que define - os homens são os seus actos pelo que, numa altura em que em Portugal aquilo que mais grassa é a incompetência, o pequeno interesse ou a incapacidade de efectivamente reformar uma saída para a grave situação em que nos encontramos, numa altura em que a luz no fundo do túnel parece cada vez mais ténue, é um bálsamo de esperança ver que há quem em Portugal parece ter as qualidades indispensáveis a uma boa liderança política. E com factos para o demonstrar.

terça-feira, 19 de março de 2013

1945


Moscow celebrating the end of World War II (May 9th 1945)

segunda-feira, 18 de março de 2013

AVISO À NAVEGAÇÃO

A coisa está mesmo mal quando é um conservador (liberal) que grita desesperadamente a pedir "mudança": quando o optimismo na mudança inunda a mente do - necessariamente - pessimista as coisas só podem estar muito más. Mesmo.

E A MUDANÇA?

Escrevi este post há dois anos, quase. Continua muito actual; apenas a minha esperança em que a hipótese de decisão sobre a mudança tivesse sido aquela se vai esboroando a cada dia que passa.

UMA CONSTANTE

Este plano cipriota deve ter o dedo do Constâncio. Só pode.

UMA ILUSÃO

Provavelmente a maior ilusão dos mais optimistas foi pensar que os governantes "lá da Europa" eram mais competentes do que os nossos. Não são.

FIRST WORLD PROBLEMS


A JANELA

Aqui há uns tempos atrás eu falava do quão estreita era a janela de oportunidade para Portugal: entre a inevitabilidade de colocar as contas em dia e o único caminho viável para tal desiderato ser a efectiva reforma do Estado, o caminho era estreito, muito estreito, de facto. Infelizmente, a janela parece estar a fechar-se: temos um Governo que, apesar de voluntarioso, não consegue perceber que a saída da crise passa essencialmente por um abandono do socialismo estatista que nos conduziu à crise e por uma efectiva criação de condições para a economia recuperar: o que o Governo deveria estar a negociar com a troika não deveriam ser mais pontos percentuais no deficit por forma a adiar os cortes da despesa; pelo contrário: deveria negociar prazos mais alargados para deficits se estes fossem motivados por um corte nas receitas fiscais (que acompanhariam os cortes profundos na despesa): aí pedir-se-ia tempo para a economia recuperar, aumentando as receitas no futuro, não por via de aumentos fiscais mas, sim, através do crescimento económico. O tempo que o Governo pede - ao mesmo tempo que a reforma do Estado vai ficando por fazer - é para pagar mais tarde, mais dívida e com uma economia mais depauperada pela extorsão fiscal a que entretanto nos vai obrigando. Assim não vamos lá: com este Estado a economia atrofia logo a espiral recessiva torna-se inevitável. Ao mesmo tempo, o Governo desbaratou o capital político fundamental para garantir lastro às difíceis reformas (que ainda teria que fazer) com, entre medidas difíceis a conta gotas que pouco adiantam no que concerne à cura da doença, a esdrúxula  manutenção do Dr. Relvas no Governo (lá continua e continuará até ao fim). Assim, com diminuída margem de manobra para o mais difícil - que estando por fazer não deixa de ser inevitável - é cada vez mais pequena a possibilidade de sucesso. Para piorar a questão temos uma oposição demagógica, desonesta e profundamente irresponsável que não distingue o interesse nacional da ânsia de voltar ao controlo do Estado (e dos seus negócios) pelo que a ideia de que no PS poderia estar uma ajuda ao resolver da situação é uma quimera tão ridícula quanto considerar que o pasteleiro é o homem certo para ajudar a emagrecer. Pelo caminho, temos uma extrema-esquerda que vale vinte por cento dos votos a afiar as facas para o colapso económico iminente e uma muito salivada eventual oportunidade única para tomas as rédeas à questão. No meio disto tudo ficam os verdadeiros entalados: os Portugueses. Começo seriamente a duvidar da capacidade (ou utilidade) do actual Governo cumprir o seu mandato: de que serve uma retórica liberal se as políticas são as mesmas de sempre, entenda-se, mais e mais impostos ao mesmo tempo que os mesmos de sempre lá vão continuando nos seus negócios à sombra do Estado? Agora, do que não duvido - nem por um segundo! - é da absoluta necessidade de os mandatos parlamentares democraticamente eleitos serem escrupulosamente cumpridos: eleições antecipadas seria o desbaratar completo do positivo que este Governo alcançou. Sobrará, eventualmente, a responsabilidade do Presidente da República. Será que podemos contar com ele? Não sei. Aquilo que sei é que este diagnóstico de Rui Rio continua absolutamente correcto: "para Portugal chegar onde chegou, tiveram de ser cometidos muitos erros. Por desonestidade, porque há pessoas que percebem estar a fazer mal, mas interessa-lhes fazer mal. Por fraqueza de personalidade, porque há quem perceba que tem de ser diferente, mas não tem força interior para combater o que acha que tem de ser combatido. E por pessoas que pensavam estar a fazer bem, mas eram ignorantes".

THE PAPER CUTTER

The enlisting of Alphonse Capone, an 19 year old paper cutter.

quinta-feira, 7 de março de 2013

PALHAÇADA

Achei estranha e pouco estética a apresentação toda a vermelho com que me deparei hoje no site do DN. Descubro* agora - para minha completa estupefacção - que tal coisa serve para homenagear o ditador populista Chavez recentemente falecido. Faltam-me as palavras... A sério. Que vergonha de jornal! E é nesta gente que confiamos para nos transmitir as "notícias", atente-se bem. Como vantagem vislumbro a impossibilidade para sobrarem dúvidas sobre o complexo de esquerda que permeia e inquina a comunicação social portuguesa: na dúvida sobre alguma polémica sobre números de manifestantes ou outra coisa qualquer em disputa, lembrem-se: o DN fez luto, e bem vermelho, pelo ditador socialista que tão bem tentou enfrentar os imperialistas americanos (que lhe compravam o petróleo) e que apenas foi derrotado pela vil e torpe doença (quiçá transmitida pelos ditos malandros americanos). Querem agora, os "jornalistas" do DN fazer de herói um homem que, em nome do seu próprio ego, destruiu a economia venezuelana, desbaratou anos futuros de petróleo para enriquecer a sua família e a sua oligarquia de poder, pelo caminho desrespeitando a constituição do seu país e muitas das mais elementares liberdades económicas e políticas dos seus concidadãos? Muito bem. Quanto a mim concluo que não há, de facto, limite para a burrice nem para os tolos. Há, no entanto, limite para a paciência para aturar esta propaganda medíocre, idiota e disfarçada de notícias em que se tornou aquele que um dia foi um jornal dito de "referência".  Deixo de ser cliente, apenas lá continuarei a ir aos Domingos para ler as crónicas do Alberto Gonçalves ansiando pelo momento em que este passe a escrever noutro pasquim de melhor reputação. No fim tudo está bem quando acaba bem: está muito bem o DN nas mãos de cataventos políticos como os Baldaias e os Marques Lopes desta vida, mentes tão iluminadas quanto um pirilampo septuagenário e bem apropriadas ao nível intelectual de um detestável manifesto propagandístico travestido de jornal, bem como ao nível ético e moral do seu dono: o inenarrável Oliveira dos esquemas da bola. Bardamerda para essa gente: nem para atear a lareira quero tamanha javardice.

* Aparentemente fui levado ao engano por um post no Insurgente e tudo não passa de uma campanha publicitária da Vodafone. De qualquer forma, retirando o exemplo concreto, no que diz respeito aos cataventos políticos do DN, ao nível do seu dono ou à fraca qualidade jornalística derivada de um complexo de esquerda não tenho nada a alterar.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

LAZY BONES

Fantástico rock psicadélico contemporâneo: Wooden Shjips, ao vivo na Rádio KEXP de Seatle  em 2011.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

NOÇÕES PANTEÍSTAS (X)

"For even if one were willing to permit you to make that inference and by means of it to assume a separate being as the cause of that moral world-order, what have you then actually assumed? This being is supposed to be distinct from you and the world. It is supposed to be active in the world by means of concepts. Consequently, it is supposed to be able to have concepts, to possess personality and consciousness. What, then, do you denote as personality and consciousness? Perhaps what you have found within yourselves, have gotten to know about yourselves, and have labeled with these names? However, the least attention to your construction of these concepts can teach you that you simply do not and cannot think of personality and consciousness without limitation and finitude. Consequently, by attributing these predicates to this being you make it into something finite, into a being similar to yourselves; and you have not thought of God, as you wished, but rather you have only multiplied yourselves in your thinking. You can just as scarcely explain this moral world-order by appealing to this being as you can explaining it by appealing to yourselves. It remains, as before, unexplained and absolute; and in using such words you have in fact not been thinking at all but rather have merely vibrated the air with an empty sound. You could have easily foreseen that you would fare this way. You are finite. How could that which is finite encompass and comprehend the infinite?"

J. G. Fichte, On the Ground of Our Belief in a Divine World-Governance, 1798