segunda-feira, 1 de julho de 2013
INEVITÁVEL
Após dois anos onde não foi capaz de apresentar uma reforma do Estado digna desse nome, com a troika a criticar - e bem - as tais (não) reformas, sem Gaspar, e com um peso pluma nas finanças ido buscar aos confins da cave, este governo está obviamente condenado. Regozijem-se os portugueses: vêm aí os socialistas (ainda mais do que estes) a prometer mundos e fundos, a apregoar o paraíso e a solução, apenas para confirmar uma velha máxima: que os portugueses nem se governam nem se deixam governar. Lá virão mais e novos impostos para pagar o sempre incontrolável déficit; lá virão os fiéis guardiões do Estado e da sua despesa pública explicar-nos como teremos nós, os contribuintes, que pagar os desvarios do bloco central de interesses que nos governa. Achavam que não aguentavam o Gaspar? Ai aguentavam, aguentavam.
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quarta-feira, 19 de junho de 2013
DA ESTUPIDEZ GENERALIZADA
1. O Dr. Seguro veio "surpreender" num qualquer encontro progressista com uma nova proposta: que os governos europeus proíbam a possibilidade de a taxa de desemprego de um determinado país ser superior à média das taxas de desemprego desse mesmo grupo de países. Será caso, não para surpresa mas, pior, para completa estupefacção. Alíás, a estupidez da coisa é tão grande que estupefacção é pouco também. Duas perguntas: o Dr. Seguro, e quem o assessoria, podem explicar-me como querem subjugar um conjunto de taxas de desemprego à média formada por essas mesmas taxas de desemprego? É que nem sequer faz sentido porque, como deveria ser evidente, a média é formada pelas taxas: quanto muito, o surpreendente Dr. Seguro, força a que todas as taxas de desemprego não possam ultrapassar um determinado valor (que não será a média mas um limite). Assim, chega-se à segunda pergunta: se fosse possível proibir o desemprego para lá de um qualquer limite, por que razão não se haveria de proibir totalmente? Erradique-se o desemprego! Será mera estupidez, ignorância, simples impreparação ou um caso de sem vergonha demagogia? Será que o Dr. Seguro acredita agora nalguma forma mais radical de doutrina marxista onde controlando os meios de produção, conseguirá controlar o desemprego como bem lhe aprouver ou, outra possibilidade, será que o Dr. Seguro simplesmente não faz ideia do que diz?
2. Já um senhor chamado Nogueira, um revolucionário comunista que afirma que "apenas abandona o PCP quando o PCP for Governo", pretende, apesar de não pôr um pé numa sala de aula há mais de vinte anos, saber o que é melhor para os alunos, os professores e, claro, para o país. E o que é melhor? Mais dinheiro e menos trabalho: com marxistas destes a URSS não teria durado cinco anos.
3. Entretanto, o CDS propõe o aumento do salário mínimo nacional: deve ser para contrariar o Dr. Seguro e ajudar a aumentar a estatística do desemprego em Portugal.
4. No resto do Governo convocam-se Conselhos de Ministros extraordinários, fala-se de roteiros para reforma do Estado e acenam-se com números de futuros cortes; já uma ideia concreta, um fogacho de uma proposta reformista de fundo ou uma, mesmo que ténue, linha de rumo para o país, isso, já seria pedir de mais. Para quê reformar quando basta dizer-se que se vai reformar?
5. Finalmente, critica-se por todo o lado no PSD - incluindo por pessoas que respeito - o "neo-liberalismo" do Governo. Já eu, que critico o "socialismo" do Governo, apelo a que se especifique o que significa isso de "neo-liberalismo" e, já agora, onde está "isso" no Governo. Talvez fosse conveniente ir-se um pouco mais longe do que os chavões do costume.
6. Esclareço: há três formas de lidar com a falência: a do Dr. Seguro que passa por fingir que ela não existe e que o dinheiro chove do céu; a do Governo que passa por fingir que corta a eito na despesa quando apenas corta em salários e aumenta impostos; finalmente, a única que poderia - a prazo - trazer algum benefício: cortar onde se deve, reformar, alterar, privatizar, concessionar onde se pode e racionalizar onde se consiga. Isto de acordo com dois princípios simples: menos Estado e mais responsabilidade individual. Deve ser o tal "neo-liberalismo". Uma achega: se não se for pela terceira opção, mais tarde ou mais cedo, a falência será mesmo efectiva: é que já nem a troika nos emprestará dinheiro.
7. Claro está que apelar a menos Estado e mais responsabilidade individual num país onde os seus principais actores políticos se comportam como se descreveu acima é capaz de ser tão idiota (pela esperança infundada) quanto as propostas políticas do Dr. Seguro (que raiam a imbecilidade pura).
8. Merda.
2. Já um senhor chamado Nogueira, um revolucionário comunista que afirma que "apenas abandona o PCP quando o PCP for Governo", pretende, apesar de não pôr um pé numa sala de aula há mais de vinte anos, saber o que é melhor para os alunos, os professores e, claro, para o país. E o que é melhor? Mais dinheiro e menos trabalho: com marxistas destes a URSS não teria durado cinco anos.
3. Entretanto, o CDS propõe o aumento do salário mínimo nacional: deve ser para contrariar o Dr. Seguro e ajudar a aumentar a estatística do desemprego em Portugal.
4. No resto do Governo convocam-se Conselhos de Ministros extraordinários, fala-se de roteiros para reforma do Estado e acenam-se com números de futuros cortes; já uma ideia concreta, um fogacho de uma proposta reformista de fundo ou uma, mesmo que ténue, linha de rumo para o país, isso, já seria pedir de mais. Para quê reformar quando basta dizer-se que se vai reformar?
5. Finalmente, critica-se por todo o lado no PSD - incluindo por pessoas que respeito - o "neo-liberalismo" do Governo. Já eu, que critico o "socialismo" do Governo, apelo a que se especifique o que significa isso de "neo-liberalismo" e, já agora, onde está "isso" no Governo. Talvez fosse conveniente ir-se um pouco mais longe do que os chavões do costume.
6. Esclareço: há três formas de lidar com a falência: a do Dr. Seguro que passa por fingir que ela não existe e que o dinheiro chove do céu; a do Governo que passa por fingir que corta a eito na despesa quando apenas corta em salários e aumenta impostos; finalmente, a única que poderia - a prazo - trazer algum benefício: cortar onde se deve, reformar, alterar, privatizar, concessionar onde se pode e racionalizar onde se consiga. Isto de acordo com dois princípios simples: menos Estado e mais responsabilidade individual. Deve ser o tal "neo-liberalismo". Uma achega: se não se for pela terceira opção, mais tarde ou mais cedo, a falência será mesmo efectiva: é que já nem a troika nos emprestará dinheiro.
7. Claro está que apelar a menos Estado e mais responsabilidade individual num país onde os seus principais actores políticos se comportam como se descreveu acima é capaz de ser tão idiota (pela esperança infundada) quanto as propostas políticas do Dr. Seguro (que raiam a imbecilidade pura).
8. Merda.
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quarta-feira, 12 de junho de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
AUTÁRQUICAS
Ir vendo o desfile de candidaturas, mais ou menos independentes, que pululam por Portugal à cata do voto em Setembro próximo apenas tornou mais fortes duas profundas convicções que tenho: a primeira é que as autarquias esbanjam muito dinheiro; a segunda é que se aplicássemos, mesmo que invertido, o princípio que esteve na origem da revolução americana - no taxation without representation - e tivéssemos a quase totalidade das receitas das autarquias provenientes da taxação directa dos seus munícipes (que proporcionalmente pagariam menos impostos ao Estado central), então teríamos o problema resolvido: autarcas armados em senhores locais (que os há aos pontapés) a esbanjar o erário público não duravam tanto numa câmara municipal. Ao mesmo tempo, gostava de ver se o foguetório, o bailarico ou o concerto pimba continuariam a ser tão populares: quando percebemos que nos sai do bolso - e vemos para onde vai o guito - a coisa é capaz de ser um pouco diferente.
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CICLO VICIOSO
Em Portugal não há verdadeira direita democrática, entenda-se, o cruzamento do conservadorismo antropológico com a consequente intransigente defesa da liberdade individual: há apenas um conjunto alargado de pessoas, normalmente caciques impreparados e ávidos de poder, que, quer à esquerda, quer à suposta direita, com maior ou menor habilidade, tentam à viva força querer enfiar uma ficha quadrada num buraco redondo: pagar ilusões com dinheiro que não se tem (e culpar os outros pelo seu inevitável falhanço).
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POLÍTICA
UMA FALÁCIA
Em Portugal - e cada vez mais no Ocidente inteiro - continua a ser um desafio exasperante desmontar a falácia de que aquilo que distingue a esquerda da direita é a preocupação social da primeira e a protecção dos interesses económicos da segunda. É mentira! Ambas pretendem melhorar as condições de vida da sociedade e, em particular, daqueles que menos têm: apenas discordam na forma como atingir tal objectivo.
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POLÍTICA
CHEIO DE CHIQUE
A julgar pela categoria das estações de metro, o PIB per capita de Chelas deve dar dez a zero ao do centro de Bruxelas.
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POLÍTICA
terça-feira, 4 de junho de 2013
HIPOCRISIA
Roger Scruton, um perigoso conservador, avisa que numa sociedade socialista - onde a solidariedade é uma função do Estado - ninguém se tem que preocupar com o bem-estar dos que menos têm: o Estado que o faça, é para isso que pago impostos. Esse paradoxo do socialismo, onde a apologia do Estado-Social e o desprezo pela "caridadezinha" (Louçã dixit) andam de mãos dadas com o desprezo pelas mãos estendidas no meio da rua, é uma característica que desmascara que o valor da solidariedade não é mais do que um falso argumento que sustenta uma mera estratégia de poder. Entretanto, culpam-se os políticos e vira-se as costas aos problemas do agora: a solução está no futuro radioso pós-revolucionário. Entretanto, para cúmulo, ainda se critica quem, de facto, faz alguma coisa: a Isabel Jonet e o seu Banco Alimentar acabaram de recolher mais de duas mil e quatrocentas toneladas de alimentos para quem mais precisa. Onde estão agora as vozes hipócritas que tantos nomes lhe chamaram por apenas ter dito o evidente (que em casa onde há crise comem-se menos bifes)? E quantos desses, que foram tão lestos a mandar pedras, fizeram alguma coisa por quem mais precisa? E desses hipócritas que tanto desprezam os mais necessitados - apesar de advogarem a revolução em nome deles - quantos têm a capacidade de enaltecer alguém, como a Isabel Jonet, que indubitavelmente faz uma coisa boa? Falar é fácil, fazer é mais difícil. Pior ainda quando não lhes interessa.
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POLÍTICA
sábado, 25 de maio de 2013
DO OPTIMISMO
Se se quer ter uma boa demonstração do intrínseco optimismo decorrente de uma quase inabalável crença no progresso tecnológico como algo inevitável e rápido basta pensar-se que a Odisseia de Kubrick passa-se em 2001 e a acção de Blade Runner em 2019. Até mesmo o cúmulo do pessimismo - a catástrofe distópica do fim da civilização - de Terminator previa que os computadores acordassem em 1997. Entretanto, em 2013, o vai-e-vem espacial foi descontinuado, o Concorde abatido, os carros não voam, as pessoas ainda comem e bebem (cada vez mais), a CDU continua com 10% dos votos e, imagine-se!, uma revolucionária alternativa ao papel higiénico ainda não apareceu. Futuro? Qual futuro?
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NADA
NOTAS CONSERVADORAS E LIBERAIS
Algumas notas conservadoras e liberais (já antigas e agora compiladas) sobre
as motivações e as consequências do excesso de legislação que publiquei
no Folia do Caos: A Questão do Legalismo.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
BUROCRACIA SAFA TOUROS
Esta notícia sobre dois touros que andam à solta nos montes de Viana enche-me as medidas: entre a bravura dos touros que lutam pela vida, o recorrer ao artifício manhoso do belo sexo (taurino) ou as burocracias das quinhentas entidades que têm que "supervisionar" o processo (e que impediram a sua resolução), nem sei o que mais gozo me dá à leitura. O Sr. Farinhoto, criador de gado há 50 anos decidiu reformar-se e, aos 66 anos de idade, estes foram estes os últimos touros que criou e vendeu. Diz-nos o DN que "esta tarde, depois da longa espera pela recaptura frustrada, acusava cansaço e desagrado pelo o complicado processo, previsto para este tipo de situação, que, já ontem, tinha admitido envolver muita 'burocracia'. 'Se forem avistados tenho que chamar a GNR e depois é preciso contactar várias entidades. Para coordenar tudo isso é difícil e os touros não vão esperar', adiantou." Não vão, pois não. Boa sorte aos touros, possam eles resisitir às tentações daquelas vacas com o cio que a burocracia estatista talvez seja o suficiente para que se safem.
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POLÍTICA
quarta-feira, 8 de maio de 2013
REVISING IDEALS
“The whole conception of man already endowed with a mind capable of conceiving civilization setting out to create it is fundamentally false. Man did not simply impose upon the world a pattern created by his mind. His mind is itself a system that constantly changes as a result of his endeavor to adapt himself to his surroundings. It would be an error to believe that, to achieve a higher civilization, we have merely to put into effect the ideas now guiding us. If we are to advance, we must leave room for a continuous revision of our present conceptions and ideals which will be necessitated by further experience. We are as little able to conceive what civilization will be, or can be, five hundred or even fifty years hence as our medieval forefathers or even our grandparents were able to foresee our manner of life today”.
F. A. Hayek, The Constitution of Liberty, 1960
quinta-feira, 2 de maio de 2013
IN VOLUPTAS MORS
Photograph taken in 1951 by Philippe Halsman, a Latvian (USSR) photographer, featuring Salvador Dali and a skull formed by seven naked women. This famous image would later be used - quite unnoticeable - in the poster of the blockbuster hit film from 1991, The Silence of the Lambs.
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FOTOGRAFIA
quarta-feira, 1 de maio de 2013
WORK AND PLAY
"Tom said to himself that it was not such a hollow world after all. He had discovered a great law of human action, without knowing it, namely, that, in order to make a man or a boy covet a thing, it is only necessary to make the thing difficult to attain. If he had been a great and wise philosopher, like the writer of this book, he would now have comprehended that work consists of whatever a body is obliged to do, and that play consists of whatever a body is not obliged to do. And this would help him to understand why constructing artificial flowers, or performing on a tread-mill, is work whilst rolling nine-pins or climbing Mont Blanc is only amusement. There are wealthy gentlemen in England who drive four-horse passenger-coaches twenty or thirty miles on a daily line, in the summer, because the privilege costs them considerable money; but if they were offered wages for the service that would turn into work, then they would resign".
Mark Twain, The Adventures of Tom Sawyer (1876)
Mark Twain, The Adventures of Tom Sawyer (1876)
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FILOSOFIA,
LITERATURA
quinta-feira, 25 de abril de 2013
O PROFESSOR MARCELO E O ESCRITOR CARREIRAS
Afirmo com muito à vontade: nem numa segunda volta renhida para a Presidência da República o Marcelo Rebelo de Sousa leva o meu voto. Da mesma forma como, já há muito, nem sequer oiço,
leio ou vejo o seu "comentário", aliás, para mim, a cada vez que vai
aparecendo, mais o seu valor se vai depreciando. Lembro-me, a
propósito, de um episódio curioso: aquando da hipotética - por ele muito desejada mas não assumida - candidatura a líder
do PSD sobre a qual o "comentador", apesar de afundado em excitados
telefonemas a angariar apoios, afirmava que apenas aceitaria se essa
fosse em lista única (um exemplo excelso de democracia e coragem política),
um destacado dirigente do PSD confidenciava-me que o Marcelo sabia
sobre tudo e parecia sempre um especialista, excepto quando calhava falar sobre
alguma coisa sobre a qual o dito dirigente é que era especialista: aí,
dizia ele, é que se via que afinal era muita parra e pouca uva. Também eu já o apanhei a
dizer barbaridades sobre temas dos quais eu percebo mas este frete que agora resolveu fazer ao Carlos Carreiras ao prefaciar e apresentar de forma elogiosa o "livro" que congrega os paupérrimos artigos escritos por aquele no Jornal i (analisados aqui) é paradigmático: o Marcelo sabe muito bem o que é o "carreirismo",
sabe muito bem o que são os interesses que com ele andam e sabe muito
bem o que é o aparelhismo do PSD e o dano que causa ao país. No entanto, não deixa agora o "Professor" de ter o nervo de vir cantar hossanas a um homem e ao livro que, pelo que me contam, o próprio Carreiras, imagine-se a comédia, assumiu não ter sido escrito por si. Diz Carreiras que apenas deu as "ideias", uma confissão fantástica, afinal não sendo o "livro" mais do que uma colectânea de artigos do Jornal i, significa a revelação, obviamente, que os artigos de Carreiras até podem reflectir as suas (pobres) ideias mas nem sequer são escritos por ele. Não fico admirado com a revelação pois, considerando a pobreza das ideias, até era de suspeitar a clareza da prosa, no entanto, ficamos, pelo menos, a saber que a autoria da única coisa de jeito dos artigos é afinal alheia à pessoa que os assina: é um ás das ideias dos artigos, o Carreiras. Enfim, dá para rir. Já deste episódio, para além da patética confissão do mais recente escritor da nossa praça, não deixam também de sobrar duas
conclusões sobre Marcelo e o seu apoio a Carreiras: a primeira, é que Marcelo é um jogador, como outro qualquer, que põe o seu interesse à
frente do país; a segunda, é que por se presumir mais sério, independente e melhor do que
os outros configura uma fraude ainda maior. Vê-lo vendido ao carreirismo faz-me
lembrar, com a devida distância, o The Damned do Luchino Visconti que retrata a obscena, triste,
quase pornográfica, forma como a aristocracia alemã, pelo seu próprio ego e olhando meramente para o seu umbigo, se deixa corromper e enlevar, acabando por abraçar o alastrante caruncho Nazi. Quanto a Marcelo, azar o nosso, pior para ele que há-de, fruto de
tanta maquiavélica ambição, nunca realizar o seu sonho mais inconfessável: a liderança
política do País. George Bernard Shaw dizia que quem consegue, faz,
quem não consegue ensina: no caso do nosso "Professor" substitua-se o
'ensina' por 'comenta' e temos aí um belo epitáfio de uma carreira
política que nunca aconteceu. Quando à "obra literária", e ao seu afinal não-autor, sobra apenas o ridículo. Que sejam todos muito felizes.
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