quarta-feira, 23 de outubro de 2013
EM CHATELAIN
Hoje, Quarta-Feira, é dia de mercado em Chatelain, Bruxelas.Para além das normais bancadas de bugigangas, roupas, etc., aquilo que distingue o típico mercado flamengo são as iguarias: todo o tipo de queijos, patês, enchidos, tapenades, frutos ou vegetais, tudo o que se possa imaginar. Ao mesmo tempo a apresentação das montras é sempre charmosa e cuidada. Espalhadas pelo mercado estão também bancadas com provas de vinhos e comida pronta-a-comer. Um chique. Entretanto, hoje - graças ao que apanhámos no mercado - para jantar, após o Benfica, vamos ter: saladinha de polvo, azeitonas com basílico e alho, um chévre au lait cru, isto para as entradas, e uns tortelini au fromage trufée como prato principal. Não me parece mal. Para comprovar que afinal os bárbaros do Norte até se sabem tratar bem no que que concerne à culinária aqui fica a reportagem fotográfica da nossa ida ao mercado hoje.

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BÉLGICA,
FOTOGRAFIA
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
CIVILIZAÇÃO
Fui roubar aqui ao João esta preciosidade:
"Tu, qu'inventaste as Sciencias e as Philosophias,
as Politicas, as Artes e as Leis,
e outros quebra-cabeças de sala
e outros dramas de grande espectaculo...
Tu, que aperfeiçoas a arte de matar...
Tu que descobriste o cabo da Boa-Esperança
e o Caminho-Maritimo da India
e as duas Grandes Américas.
e que levaste a chatice a estas terras.
e que trouxeste de lá mais Chatos pr'aqui
e qu'inda por cima cantaste estes Feitos...
Tu, qu'inventaste a chatice e o balão,
e que farto de te chateares no chão
te foste chatear no ar,
e qu'inda foste inventar submarinos
pr'a te chateares também por debaixo d'agua...
Tu, que tens a mania das Invenções e das Descobertas
e que nunca descobriste que eras bruto,
e que nunca inventaste a maneira de o não seres...
Tu consegues ser cada vez mais bêsta
e a este progresso chamas Civilização!"
José de Almada-Negreiros, A Scena do Odio (1915)
"Tu, qu'inventaste as Sciencias e as Philosophias,
as Politicas, as Artes e as Leis,
e outros quebra-cabeças de sala
e outros dramas de grande espectaculo...
Tu, que aperfeiçoas a arte de matar...
Tu que descobriste o cabo da Boa-Esperança
e o Caminho-Maritimo da India
e as duas Grandes Américas.
e que levaste a chatice a estas terras.
e que trouxeste de lá mais Chatos pr'aqui
e qu'inda por cima cantaste estes Feitos...
Tu, qu'inventaste a chatice e o balão,
e que farto de te chateares no chão
te foste chatear no ar,
e qu'inda foste inventar submarinos
pr'a te chateares também por debaixo d'agua...
Tu, que tens a mania das Invenções e das Descobertas
e que nunca descobriste que eras bruto,
e que nunca inventaste a maneira de o não seres...
Tu consegues ser cada vez mais bêsta
e a este progresso chamas Civilização!"
José de Almada-Negreiros, A Scena do Odio (1915)
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LITERATURA
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
A VERDADEIRA OPÇÃO
Sobre a questão dos estatutos do PSD e as candidaturas independentes
deixo aqui já um breve, e rápido, apontamento sendo certo que voltarei
com mais profundidade a esta questão quando tiver tempo nos próximos
dias. No Folia do Caos
escrevi eu que:
Guarde-se a ideia e, considerando que o Presidente da Distrital de Lisboa do PSD (detentor de um curriculum ético e moral tudo menos recomendável) depois de ter rebentado com o poder autárquico do PSD no distrito de Lisboa, anda aí de espada na mão e exigir expulsões, a questão que os militantes do PSD se deverão colocar será precisamente sobre quem mais respeita a ética e os valores verdadeiramente matriciais do PSD. Assim, serão os independentes que inclusive granjearam fielmente interpretar o sentimento do povo, chegando mesmo a ser por este positivamente sufragado onde enfrentaram o partido, que são uns malandros? Ou serão os caciques de algibeira que de tacho em tacho tanto percebem da alma social-democrata que viram as suas opções derrotadas pelo mesmo povo em toda a linha? Quem será que faz pior ao PSD? Aqueles que apesar do PSD continuam a lutar por um povo que neles se reconhece? Ou aqueles que com o seu caciquismo amoral pervertem o PSD guiando-o à derrota? Escolha o PSD a segunda opção e acabarão sozinhos os caciques a terem votações de 13% a nível nacional como o tiveram em Sintra.
"O triunfo da norma geral e abstracta deriva no legalismo quando se defende a ideia de que a lei tudo consegue definir. Sendo aquela soberana e fundamental, o momento em que tudo na vida das pessoas passa a ser regulado por ela não traz apenas benefícios: pelo contrário, também faz com que se escondam os piores comportamentos por detrás da capa da legalidade. Ao mesmo tempo, num mundo onde tudo se regula, passando o bom e o mau a serem identificados com o que está de acordo ou contra a norma, assume-se que se a lei não proíbe determinado comportamento então, independentemente de ser bom ou mau, aquele é aceitável. Da mesma forma, se o comportamento é considerado ilegal, então ele é mau. (...) A consequência é que, passando o ónus da soberania meramente para a lei, sendo esta aquilo que verdadeiramente nos rege, deprecia-se o instrumento que é o discernimento humano ético e moral: eu não tenho que pensar se o comportamento A ou B é certo ou errado, apenas me interessa se ele é legal ou não. Ou seja: o legalismo positivista excessivo tenderá a gerar uma sociedade amoral que se preocupa com comportar-se de acordo com as leis e não em seguir uma conduta ética e moral que entenda como boa".
Guarde-se a ideia e, considerando que o Presidente da Distrital de Lisboa do PSD (detentor de um curriculum ético e moral tudo menos recomendável) depois de ter rebentado com o poder autárquico do PSD no distrito de Lisboa, anda aí de espada na mão e exigir expulsões, a questão que os militantes do PSD se deverão colocar será precisamente sobre quem mais respeita a ética e os valores verdadeiramente matriciais do PSD. Assim, serão os independentes que inclusive granjearam fielmente interpretar o sentimento do povo, chegando mesmo a ser por este positivamente sufragado onde enfrentaram o partido, que são uns malandros? Ou serão os caciques de algibeira que de tacho em tacho tanto percebem da alma social-democrata que viram as suas opções derrotadas pelo mesmo povo em toda a linha? Quem será que faz pior ao PSD? Aqueles que apesar do PSD continuam a lutar por um povo que neles se reconhece? Ou aqueles que com o seu caciquismo amoral pervertem o PSD guiando-o à derrota? Escolha o PSD a segunda opção e acabarão sozinhos os caciques a terem votações de 13% a nível nacional como o tiveram em Sintra.
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POLÍTICA
terça-feira, 1 de outubro de 2013
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
A POSTERIORI
Alguns apontamentos sobre os resultados eleitorais de ontem:
1. Em Oeiras, um ex-inspector da Polícia Judiciária foi encavado por um indivíduo que foi festejar para a prisão da Carregueira. Esta contada aqui na Flandres e ninguém acredita.
2. No Porto, ganharam as boas contas contra o despesismo populista que vinha do outro lado do Rio. Esta contada aqui há uns dias atrás e também ninguém acreditava.
3. Em Sintra, o PSD de Lisboa e nacional fartaram-se de gerir a câmara e resolveram deitá-la fora.
4. Em Gaia, o PSD achou melhor, já que perdia o Porto, deitar fora a câmara também. Resultado: o independente que candidatou ficou taco a taco com o social-democrata independente... no segundo e terceiro lugar.
5. Entretanto, em Loures, prepara-se a ditadura do proletariado.
6. No Alentejo, é a CDU quem mais ordena.
7. Em Lisboa, a máquina do PSD levou uma tareia monumental: valeram mesmo a pena todos os processos legais contra a lei de limitação de mandatos para impor uma candidatura que teve 22% dos votos? Se há inabilidade e amadorismo evidente em política este é um exemplo evidente.
8. Em Faro, o povo não ficou assim tão zangado com o partido do Macário e não deu a vitória ao PS.
9. Em Braga, o outro Rio finalmente ganhou.
10. Na Madeira, não se ouviu João Jardim.
1. Em Oeiras, um ex-inspector da Polícia Judiciária foi encavado por um indivíduo que foi festejar para a prisão da Carregueira. Esta contada aqui na Flandres e ninguém acredita.
2. No Porto, ganharam as boas contas contra o despesismo populista que vinha do outro lado do Rio. Esta contada aqui há uns dias atrás e também ninguém acreditava.
3. Em Sintra, o PSD de Lisboa e nacional fartaram-se de gerir a câmara e resolveram deitá-la fora.
4. Em Gaia, o PSD achou melhor, já que perdia o Porto, deitar fora a câmara também. Resultado: o independente que candidatou ficou taco a taco com o social-democrata independente... no segundo e terceiro lugar.
5. Entretanto, em Loures, prepara-se a ditadura do proletariado.
6. No Alentejo, é a CDU quem mais ordena.
7. Em Lisboa, a máquina do PSD levou uma tareia monumental: valeram mesmo a pena todos os processos legais contra a lei de limitação de mandatos para impor uma candidatura que teve 22% dos votos? Se há inabilidade e amadorismo evidente em política este é um exemplo evidente.
8. Em Faro, o povo não ficou assim tão zangado com o partido do Macário e não deu a vitória ao PS.
9. Em Braga, o outro Rio finalmente ganhou.
10. Na Madeira, não se ouviu João Jardim.
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POLÍTICA
NOITE ELEITORAL
Ontem, do exílio belga, fui comentando a noite das estrelas autárquicas no Facebook. Aqui ficam as bocas e os apontamentos:
21h00 (hora belga) - Este Luís Delgado, na SIC Notícias, é de rir: no Porto, com a direita dividida entre duas candidaturas fortes, diz-nos este "comentador independente" que Seguro se perder por poucos tem um grande resultado. Já Menezes imagino que ganhar (dividindo o seu tradicional eleitorado) seria uma obrigação. E se, muito possível, ganhar Moreira será uma derrota catastrófica do Governo. Uma análise independente, claro.
21h15 - No Porto parece-me que o povo escolheu sabiamente; já em Lisboa, a verdadeira dimensão de um descalabro (que se anunciava) deixa-me absolutamente boqueaberto.
21h41 - O Telmo Correia, onde se mete, dá sempre asneira.
21h42 - A Judite de Sousa já abriu o espumante?
21h57 - Com este resultado, se o Fernando Seara queria ir para o Parlamento Europeu, já só vai como assessor. Vá, pronto, chefe de gabinete.
22h06 - O ambiente no Altis, na candidatura do António Costa, é de profunda partilha com os lisboetas.
22h09 - E na candidatura de Seara já devem estar todos em Cascais, onde trabalham.
22h15 - O Marques Mendes, na SIC, faz muito bem o seu papel de não parecer nada feliz com a derrota de Menezes no Porto.
22h20 - A CDU ganhou Cuba.
22h41 - Naturalmente, o PS, no Porto, face a uma candidatura onde o presidente não se recandidata e o seu eleitorado se divide em dois, naturalmente, repito, o PS - e Seguro - não sofrem aí nenhuma derrota. Entretanto, Manuel Alegre discursa em directo a falar da vitória do PS nas autárquicas e como futura alternativa de governo do país. Naturalmente.
22h49 - Ah, este Pizarro, coitadinho. E o PS não teve uma derrota na câmara do Porto?
23h20 - Aquele desgraçadinho que falava como porta-voz do PS deu uma bela imagem de alternativa governativa.
23h28 - É o Louçã Jr. que fala pelo bloco de esquerda?
23h33 - Em Oeiras ganha a candidatura que tentou apresentar um presidiário condenado - e a cumprir pena - a candidato à Assembleia Municipal. Está bem entregue, o município.
23h34 - Quem quiser vistos para a Coreia do Norte dirija-se ao gabinete do novo Presidente da Câmara Municipal de Loures sff.
23h44 - Insatisfeito com a cobertura da SIC mudámos para a TVI e depara-mo-nos com a Teresa Guilherme aos gritos. A TVI já não cobre actos eleitorais. Sim senhor, apesar de a qualidade não ser muito diferente de alguns candidatos autárquicos, a escolha não deixa de ser deplorável (mas bem indicativa). Execrável.
23h48 - E na SIC passa a passar uns tristes aos saltos. Confere.
23h50 - Resta-me registar que, para aqueles que não têm cabo, não há "direito" a noite eleitoral. Eram a SIC e a TVI que diziam que não queriam os canais de notícias na TDT?
00h05 - Portanto - e não é influenciado certamente pela Beatriz Soares Carneiro -, o CDS, que aumentou em 500% os seus presidentes de câmara e apoiou o Rui Moreira no Porto, safou-se muito bem. Ele há estratégias que, mesmo estando no Governo, dão resultados positivos afinal.
00h13 - Quantos eleitores socialistas estarão agora, enquanto ouvem o discurso - e os resultados - de António Costa em Lisboa, a pensar que preferiam ver António Costa à frente do PS em vez do Tozé dos devaneios inseguros.
00h16 - Já eu, como militante do PSD do distrito de Lisboa, estou muito impressionado com o trabalho estratégico da máquina aparelhística social-democrata. Mesmo. Pior era difícil.
00h44 - Porto just got dunphied.
00h45 - O Seguro acabou de ler um poema de Manuel Alegre?
00h56 - Amanhã, em Loures.
01h27 - Em Sintra, o desvario do PSD Lisboa (e nacional) dá uma abébia ao socrático-ex-centrista-novo-so cialista
Basílio Horta ao candidatar o desaparecido-em-combate Pedro Pinto
contra ao sintrense Marco Almeida e oferece emoção à noite eleitoral.
Certo mesmo, apenas a passagem do PSD a terceira força mais votada.
01h30 - O Bloco de Esquerda hoje perdeu 100% das câmaras municipais que detinha. Vá lá, menos mau.
01h34 - O Bloco de Esquerda (que perdeu 100% das câmaras municipais que detinha) reclama por não ter tido cobertura televisiva. Ou seja, o BE sem televisões não é nada.
01h43 - Na Madeira estão 18º. Deve ser a Primavera (outonal) a chegar.
01h57 - Sintra é que é!
02h05 - Entretanto, na SIC notícias entram em acção os palhacinhos de serviço. Isto de acompanhar os resultados eleitorais só pela net mesmo.
02h16 - O sucessor do presidiário de Oeiras é um portento de oratória.
02h31 - O Basílio Horta, como bom socialista, vai "estudar" como proteger a costa de Sintra. Depois fala dos amigos. Confere. Faltou gritar PS com os seus amigos.
02h45 - E pronto: em Bruxelas são 2h45. Roger and out.
21h00 (hora belga) - Este Luís Delgado, na SIC Notícias, é de rir: no Porto, com a direita dividida entre duas candidaturas fortes, diz-nos este "comentador independente" que Seguro se perder por poucos tem um grande resultado. Já Menezes imagino que ganhar (dividindo o seu tradicional eleitorado) seria uma obrigação. E se, muito possível, ganhar Moreira será uma derrota catastrófica do Governo. Uma análise independente, claro.
21h15 - No Porto parece-me que o povo escolheu sabiamente; já em Lisboa, a verdadeira dimensão de um descalabro (que se anunciava) deixa-me absolutamente boqueaberto.
21h41 - O Telmo Correia, onde se mete, dá sempre asneira.
21h42 - A Judite de Sousa já abriu o espumante?
21h57 - Com este resultado, se o Fernando Seara queria ir para o Parlamento Europeu, já só vai como assessor. Vá, pronto, chefe de gabinete.
22h06 - O ambiente no Altis, na candidatura do António Costa, é de profunda partilha com os lisboetas.
22h09 - E na candidatura de Seara já devem estar todos em Cascais, onde trabalham.
22h15 - O Marques Mendes, na SIC, faz muito bem o seu papel de não parecer nada feliz com a derrota de Menezes no Porto.
22h20 - A CDU ganhou Cuba.
22h41 - Naturalmente, o PS, no Porto, face a uma candidatura onde o presidente não se recandidata e o seu eleitorado se divide em dois, naturalmente, repito, o PS - e Seguro - não sofrem aí nenhuma derrota. Entretanto, Manuel Alegre discursa em directo a falar da vitória do PS nas autárquicas e como futura alternativa de governo do país. Naturalmente.
22h49 - Ah, este Pizarro, coitadinho. E o PS não teve uma derrota na câmara do Porto?
23h20 - Aquele desgraçadinho que falava como porta-voz do PS deu uma bela imagem de alternativa governativa.
23h28 - É o Louçã Jr. que fala pelo bloco de esquerda?
23h33 - Em Oeiras ganha a candidatura que tentou apresentar um presidiário condenado - e a cumprir pena - a candidato à Assembleia Municipal. Está bem entregue, o município.
23h34 - Quem quiser vistos para a Coreia do Norte dirija-se ao gabinete do novo Presidente da Câmara Municipal de Loures sff.
23h44 - Insatisfeito com a cobertura da SIC mudámos para a TVI e depara-mo-nos com a Teresa Guilherme aos gritos. A TVI já não cobre actos eleitorais. Sim senhor, apesar de a qualidade não ser muito diferente de alguns candidatos autárquicos, a escolha não deixa de ser deplorável (mas bem indicativa). Execrável.
23h48 - E na SIC passa a passar uns tristes aos saltos. Confere.
23h50 - Resta-me registar que, para aqueles que não têm cabo, não há "direito" a noite eleitoral. Eram a SIC e a TVI que diziam que não queriam os canais de notícias na TDT?
00h05 - Portanto - e não é influenciado certamente pela Beatriz Soares Carneiro -, o CDS, que aumentou em 500% os seus presidentes de câmara e apoiou o Rui Moreira no Porto, safou-se muito bem. Ele há estratégias que, mesmo estando no Governo, dão resultados positivos afinal.
00h13 - Quantos eleitores socialistas estarão agora, enquanto ouvem o discurso - e os resultados - de António Costa em Lisboa, a pensar que preferiam ver António Costa à frente do PS em vez do Tozé dos devaneios inseguros.
00h16 - Já eu, como militante do PSD do distrito de Lisboa, estou muito impressionado com o trabalho estratégico da máquina aparelhística social-democrata. Mesmo. Pior era difícil.
00h44 - Porto just got dunphied.
00h45 - O Seguro acabou de ler um poema de Manuel Alegre?
00h56 - Amanhã, em Loures.
01h27 - Em Sintra, o desvario do PSD Lisboa (e nacional) dá uma abébia ao socrático-ex-centrista-novo-so
01h30 - O Bloco de Esquerda hoje perdeu 100% das câmaras municipais que detinha. Vá lá, menos mau.
01h34 - O Bloco de Esquerda (que perdeu 100% das câmaras municipais que detinha) reclama por não ter tido cobertura televisiva. Ou seja, o BE sem televisões não é nada.
01h43 - Na Madeira estão 18º. Deve ser a Primavera (outonal) a chegar.
01h57 - Sintra é que é!
02h05 - Entretanto, na SIC notícias entram em acção os palhacinhos de serviço. Isto de acompanhar os resultados eleitorais só pela net mesmo.
02h16 - O sucessor do presidiário de Oeiras é um portento de oratória.
02h31 - O Basílio Horta, como bom socialista, vai "estudar" como proteger a costa de Sintra. Depois fala dos amigos. Confere. Faltou gritar PS com os seus amigos.
02h45 - E pronto: em Bruxelas são 2h45. Roger and out.
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POLÍTICA
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
TAXAÇÃO E REPRESENTAÇÃO
Depois destas autárquicas, como sempre plenas de promessas e festanças (o campeão da festa deve ser Carreiras em Cascais e o chefe da promessa Menezes no Porto), faz-me estar cada vez mais certo de que o simples princípio que levou à revolução americana, a saber, no taxation without representation, deveria ser aplicado também na sua forma invertida: isto é, se os americanos reclamavam que não queriam ser taxados por Londres sem terem direito a representação no parlamento, também nós deveríamos exigir que nenhum dos nossos representantes fosse financiado de outra forma que não a taxação directa. Ou seja, acabe-se com o financiamento das câmaras municipais por via do orçamento geral do Estado e obrigue-se os senhores autarcas a financiarem-se exclusivamente por impostos directos sobre as empresas e os seus munícipes. Assim fosse e seria ver o pagode, depois de pagar os seus impostos, a ir lampeiro para a festa e para o foguete. Ou talvez não: é que a melhor forma de acabar com o despesismo é garantir que os profissionais da cacicagem são obrigados a assumir perante quem os financia - ou seja, perante os contribuintes - que lhes estão a ir ao bolso. Também seria agradável garantir que os desvarios dos Menezes desta vida fossem pagos pelas populações que tiveram a falta de tino de os eleger: por que razão teremos todos nós que não vivemos em Gaia de pagar a dívida que aquele lá deixou? Mais: com esta reforma, autarca que mais gastasse mais teria que taxar os seus munícipes correndo, por essa razão, o risco de perder eleitores: é que a malta não gosta de pagar impostos. E assim seria mais popular baixar impostos (e poupar dinheiro público) em vez do imoral esbanjamento no foguetório, na festa ou no concerto a que todos vamos assistindo. Claro está que tamanha reforma nunca será posta em prática porque vai directamente contra duas coisas absolutamente basilares do regime socialista em que vivemos: por um lado o centralismo burocrático que nos governa e que muitos enriquece; depois porque as autarquias configuram a principal porta de entrada do financiamento partidário e, fruto desse poder, nunca veremos os senhores autarcas a querem ser alvos de tanto escrutínio e a perderem a mais absoluta impunidade em que agora alegremente vão vivendo.
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DA CACICAGEM
Acho muita piada a ver as declarações solenes de apoio político ao candidato A ou B por parte de pessoas que devem o seu salário mensal, ou a sua colocação actual, ao candidato A ou B.
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013
NO EXÍLIO
Longe das trombas dos caciques locais que precisam, pedem, suplicam ou, pior, exigem os nossos votos, vou até Bailly para ler o meu livro em paz, enquanto bebo uma (ou duas) tripel karmeliet. É uma estranha - e triste - sensação de alívio, esta que me assalta ao ver-me longe da claustrofóbica mediocridade política, mediática e burocrática tuga.
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NADA
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
A CIDADE E OS CAMPOS
De regresso à metrópole apetece-me comentar: na cidade, essa bolha que nos separa do mundo de predadores e caçados, tudo gira a uma enorme velocidade. Aí, na cidade, a única constante das nossas vidas somos de facto nós próprios: tudo o resto muda num constante fluxo de eterna (ilusória, é certo) mudança. Mas no campo, imersos no mundo verdadeiro, aí, a estória é outra: parados, debaixo de um chaparro ou em cima de um monte, deparamo-nos com um cenário que não muda, um cenário que é constante. E aí, na presença do imutável mundo que nos engole compreendemos que quem varia, que quem representa o movimento e a mudança, somos afinal nós. O contraste não poderia ser maior: na cidade, sendo nós a constante, agarramo-nos ao certo, ou seja a nós próprios: daí o individualismo, o egoísmo, a obsessão para que o corpo não mude, que não envelheça, etc. Já no campo, compreendendo que o fluxo imemorial que manda no mundo somos também, e principalmente, nós, então, sendo outra a constante, mergulhamos nela - no mundo - em busca da certeza que, na cidade estando em nós próprios, no campo é forçosamente exterior (e muito maior!) do que nós, é uma certeza que está nos outros e no mundo. É, por esta razão, outro mundo em que se vive: a comunidade ganha um peso que no egoísticamente individualizado mundo das mecânicas cidades nunca poderia ter. A ligação ao mundo, aos ciclos das noites e dos dias, das Primaveras e dos Verões, ganha uma força que nos transcende e nos inspira. Enquanto isso, na cidade, dentro de um centro comercial, nem se sabe se faz sol ou lua. Aí, as luzes eléctricas escondem a via láctea e as estrelas às quais pertencemos. No campo, vive-se e morre-se ao ritmo do mundo; na cidade, as crianças mimadas irritam-se por haver falta de morangos no Inverno.
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NADA
THE HANGOVER
"A large constituent of a hangover, after all, is a sense of guilt which does not seem to be guilt for anything in particular."
Herbert Mccabe, On Aquinas (2008)
Herbert Mccabe, On Aquinas (2008)
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013
O MEU AMIGO ANTÓNIO GRANJO
Morreu-me um amigo. Não é coisa pouca. Ao Tó, levou-o um cabrão de um cancro aos trinta e oito anos de vida. Uma filha da putice, portanto. Encontrei-me com o Tó, já há muitos anos, pelos meandros do PSD e da JSD de Cascais. No início, e durante muito tempo, sempre tivemos o condão de estar em lados opostos. Não apenas por isso, creio eu que muito mais por termos feitios firmes que chocavam, irritámo-nos várias vezes um com o outro mas, ressalve-se, sem que alguma vez nos faltássemos ao respeito. O tempo passou e acabámos por ter a oportunidade de privar no mesmo grupo, que muito mais do que de politiquices, era um grupo de amigos. Conheço, portanto, o Tó há menos anos do que aqueles em que eu já o conhecia. E aí, finalmente, com o atraso que as boas coisas da vida sempre têm, conheci um bom amigo: frontal, de voz firme e com quem se podia contar. Uma vez, num aperto, sem gasolina, foi o Tó que às quatro da madrugada saiu de casa e se meteu no seu carro para, meio a dormir, ir à bomba e depois vir entregar-me uma garrafa de litro e meio de água cheia de gasolina 98. Fiquei a dever-lhe uma. Infelizmente, o tempo não me deixou que a devolvesse. O Tó gostava de dar murros na mesa: quando a conversa entrava num impasse lá vinha ele, muitas vezes com voz de trovão, resolver o que apenas dois ou três gritos poderiam resolver. Isso e uns goles de vinho ou de cerveja. O Tó era do Benfica. Foram muitos os jogos que vimos e, sorte a nossa, foram tantas as coincidências entre os jogos que víamos e as vitórias que o Benfica tinha que nos convencemos que, de alguma misteriosa forma, se nos juntássemos os dois para ver a bola era garantia de que o Benfica lá iria ganhar. E assim foi até ao dia em que perdemos. E nesse dia, desconsolados, vingámo-nos num belo pica-pau e numas quantas cervejas. O Tó era transmontano de coração. Mirandela, terra de Granjos, encerrava para ele o mito dos fortes, dos corajosos e dos casmurros e era nessa forma de ser que o Tó se sentia em casa. O Tó tinha um belo dedo para a cozinha. Lembro-me, em particular, de uma vez em que me convidou para ir almoçar umas favas com chouriço. Ó Tó, disse-lhe, olha que eu não sou grande fã de favas. Respondeu-me que as dele eu tinha que experimentar. Porra, e se não foram as melhores favas com chouriço que eu alguma vez experimentei! E não estou a exagerar: repetimos várias vezes, tantas que após o repasto nada mais consegui fazer além de apenas deitar-me à sombra, saciado, perfeito, feliz, apreciando a brisa leve de um Verão que eu não imaginava que fosse o último do Tó. Gritava ele lá de cima: ó Leeeeeeeeebres, estás vivo? Respondia eu lá de baixo, do jardim, que sim, que estava vivo e que tinha tido as melhores favas da minha vida. O Tó era gordo. Grande. E isso fazia-o perfeito porque ninguém que cozinhasse aquelas favas com chouriço poderia ser magro e escanzelado. Os magros e escanzelados cozinham pratos gourmet, armam-se em finos e dão nomes estrangeiros às suas mistelas. O Tó não. O Tó gostava do que era nosso porque o que era nosso era o melhor. Não podia estar mais de acordo com o Tó: chique, chique a valer, apenas a cozinha tradicional portuguesa. O Tó também se safava bem com as miúdas. Mas não era daqueles que quando arranjava uma miúda desaparecia ou deixava de atender o telefone. Pelo contrário. Lembro-me de uma vez em que, a meio de um processo eleitoral qualquer, me atendeu o telefone ofegante. Eu, a pensar que ele estava a subir escadas, lá lhe perguntei o que queria e ele, vendo da não urgência da situação, lá me disse: epá, já te ligo que agora estou aqui a meio de uma coisa. Mais tarde lá me confessou que "a coisa" era uma moça engraçada com quem ele andava de caso. O Tó era dedicado. Podia-se contar com ele. Sempre. O Tó tinha muitos amigos. E eu tenho a honra de me considerar um deles. O Tó faz falta. A muita gente. No outro dia, enquanto com esforço os homens da funerária carregavam o caixão, é que me bateu bem que nunca mais iria ver o Tó. E depois, naquele momento pior que é o som cortante das pás que enterram os nossos, ao meu lado, um amigo dizia-me desconsolado: cabrão do gordo, resolveu ir-se embora e deixou-nos cá. E foi isso. Deixou-nos cá. E a vida fica bem mais pobre sem o Tó. Mas também é verdade que a vida é mais rica porque tivemos o Tó: ele foi mas deixou muita coisa. A morte já se cruzou comigo antes, quando me levou o meu Pai. E eu penso agora, acerca do Tó, o mesmo que, naquela semana em que o meu Pai me morria, eu me repetia centenas de vezes para mim próprio: vamos todos para o mesmo sítio e, num universo com biliões e biliões de anos, umas míseras décadas que separam a partida de uns da partida dos outros não faz diferença absolutamente nenhuma a não ser aquelas migalhas de tempo que sobram para aqueles que ainda vivem. É uma merda, a condição do homem. É uma puta, a morte. Mas é daqueles que a enfrentam também que podemos dar mais força à vida. Aproveitemos, portanto. Celebremos, então. E, enquanto por aqui andarmos, que a partida precoce do Tó nos ajude a viver melhor, a aproveitar mais, a dar mais força, sentido e paixão às nossas vidas. E que a amizade que ele nos deixou nos faça sorrir de gratidão pela sorte de nesta fugaz viagem nos termos cruzado com ele. Talvez nos voltemos a encontrar. Eu gostaria disso.
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O MEU AMIGO ANTÓNIO GRANJO
MARCELO, O CACIQUE
O Prof. Marcelo e o seu enorme ego continuam a idealizada caminhada rumo a uma hipotética candidatura presidencial e, por essa razão - e unicamente por causa dela -, vive o nosso professor obcecado com o agradar à estrutura do PSD, faça esta o que fizer, diga esta o que disser, custe o que custar ser uma figura consensual - que agrade a todos. Onde houver um cacique local a desbaratar o dinheiro dos contribuintes para tentar a eleição, lá está o professor a apoiar. Onde houver um mau candidato de quem (em off) diz cobras e lagartos mas que o aparelho do PSD compungidamente indicou, lá estará o professor a apoiar. Isto vai tão longe que agora até vale uma desavergonhada mentira: diz o professor que "Rui Rio exige a demissão da Ministra das Finanças". É falso. Quem vir a entrevista de Rio, tal como eu vi, pode muito bem ouvir Rio a dizer que a dita senhora foi uma má escolha, que não tem qualidades para o cargo, que isto e aquilo mas, atenção, agora que lá está, "Deus nos livre" que se exigisse uma demissão porque apenas agravaria o problema. Ora, isto não é diferente do que o que o próprio Marcelo disse acerca da senhora. Deve ter ouvido mal, pobre Prof. Marcelo. No final, o interesse dos portugueses e uma análise profunda sobre os méritos e os deméritos dos candidatos (nomeadamente, neste caso, uma comparação entre o trabalho de Rio no Porto e o de Menezes em Gaia para que se perceba o que os verdadeiramente divide) que era o que um suposto analista profundo e verdadeiramente preocupado com o país deveria fazer, isso já é coisa que o professor não faz ou, talvez melhor, porque não daria jeito, não quer fazer. Prefere ser uma espécie de Carlos Castro do comentário da política nacional. Ora, desses comentadores eu dispenso: principalmente para a Presidência da República.
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terça-feira, 9 de julho de 2013
O MITO DA CONDENAÇÃO
Sísifo foi condenado, para sempre, a empurrar a pedra até ao cimo da montanha apenas para a ver rebolar de novo encosta abaixo. Foi condenado, atente-se. No entanto, eu permito-me duvidar desta condenação: se não fosse o acto de empurrar a pedra o que restaria a Sísifo que fosse capaz de o entreter? Por outras palavras: o que justificaria a sua existência? Podemos ver a pedra como uma condenação mas também podemos vê-la como a limitação que nos confere a existência: cada um tem a sua.
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O PREÇO
Heraclito explicava que a nossa existência se separava da harmonia universal pela tensão entre opostos, uma espécie de limitação subjectiva em relação ao todo. É uma ideia importante: se estamos vivos, então estamos contidos - limitados - numa tensão permanente, numa espécie de conflito permanente entre antagonismos. Esta é a primeira grande aprendizagem do verdadeiro conservador: não pode haver uma verdadeira solução que traga a paz e a harmonia - a perfeição - pois a nossa condição humana não o permite: a harmonia é no plano do todo: o divino, portanto. A nossa limitação comprova-se com facilidade: a vida tem valor porque morremos; e o preço que pagamos por viver é a angústia da morte. Da mesma forma, a insatisfação permanente é o preço que pagamos por termos coisas com que nos satisfazemos. Não há almoços grátis.
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domingo, 7 de julho de 2013
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