sexta-feira, 1 de março de 2019
PROPAGANDA
Por exemplo, o Pai Natal é evidentemente propaganda comunista: veste-se
de encarnado, é a cara chapada do Marx e ocupa-se a responder aos
desejos de toda a pequenada distribuindo gratuitamente bens materiais de
uma forma que qualquer pessoa consciente percebe ser física e
realisticamente impossível. Comunistas, no fundo, são adultos que ainda
continuam teimosamente a querer acreditar no Pai Natal - e com todo um
ódio dentro de si por interior e secretamente reconhecerem o logro com o
qual os seus pais, e a sociedade em geral, os ludibriaram.
19%
No dia em que o Dr. Rio abre mais uma vez a porta a um entendimento
pós-eleitoral com o PS - a porta, imagina-se, de tantas vezes aberta já
estará desengonçadamente escancarada - logo aparece o Dr. Costa a dizer
que a coligação à esquerda é para manter. Havia dúvidas? O único mérito
das declarações do Dr. Rio será desvalorizar a posição negocial do BE -
coisa que, naturalmente, o Dr. Costa agradece - ao mesmo tempo que
diminui a sua - sua, do PSD, entenda-se. Nos entretantos,
à direita, CDS, Santaliança Lopes, Iniciativa Liberal e Chega
acotovelam-se para gritar mais alto e a quem os ouvir sobre quem mais se
opõe ao Dr. Costa. Hoje, em Portugal, a dúvida à direita será
maioritariamente sobre em qual destes partidos votar. A última sondagem
apresentava 19% de intenções de voto directas no PSD e 15% de indecisos.
Acham que esses indecisos estão onde? Eu respondo: será em grande
medida o eleitorado do PSD que farto, fartinho, das declarações de amor
do Dr. Rio ao Dr. Costa agora pondera em que alternativa à direita
votar. A verdade é que entre a notoriedade do Dr. Santana Lopes, o
eficaz comando da oposição na Assembleia da República da Dra. Cristas, a
inteligência e boa comunicação da Iniciativa Liberal e a oportunidade
do conservadorismo popular do Doutor Ventura, posso estar a ver isto
mal, mas continuando por este caminho 19% é bem capaz de ser demais.
PROCURA-SE CANDIDATO
Ainda a propósito do Prof. Marcelo, parece-me que o CDS cometeu um erro
estratégico ao apoiar desde já uma recandidatura do Prof. Marcelo: a
sério que não há espaço à direita para uma candidatura alternativa, uma
candidatura credível e que motive o eleitorado defraudado com o Big Show
Marselfie? E, mesmo não sendo ganhador, não será esse espaço mais
abrangente que os 8-10% tradicionais do CDS? Aliás, não seria até mais
uma oportunidade de ir buscar eleitorado do PSD e segurar algum que
possa cair para o Chega ou outros novos projectos à direita? Eu diria
que sim, que há esse espaço, acrescento que faço parte dele, e espero
sinceramente que apareça essa candidatura. Em não aparecendo, e não
estou a brincar, sobra-me o Tino ou o Candidato Vieira. Em branco não
voto para não ser racista.
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POLÍTICA
MARCELO, O HIPERACTIVO
Depois
da prestação no Bairro Jamaica tenho uma nova teoria sobre o Prof.
Marcelo: não, não é maquiavélico. Não, não está a ser mais esquerda que a
esquerda. Não, não é um génio da táctica e um mestre da técnica
política. Não. Chama-se Transtorno do Déficit de Atenção com
Hiperatividade e cerca de 4% da população padece da condição. O TDAH é
uma condição grave que se caracteriza por um padrão crónico de
desatenção, hiperactividade e impulsividade, podendo afectar seriamente a
qualidade de vida. Os adultos portadores de TDAH apresentam
dificuldades frequentes em cumprir horários e compromissos, têm extremos
impedimentos em organizar-se, ou sequer terminar uma tarefa antes de
começar outra, transformando a rotina em caos. As pessoas afectadas com
TDAH apresentam desvios de comportamento repentinos e dificuldade de
seguir regras, tal como uma pulsão irresistível para mudanças repentinas
e comportamentos imprevisíveis, não previamente planeados ou
ponderados. Em suma: planeiam uma coisa, começam outra e, antes de a
acabar, se é que acabam, já começaram outra por ventura antagónica à
primeira. Tudo por impulso, sem controlo. Aos doentes de TDAH
aconselha-se que não conduzam: estão sempre a olhar para trás ou para
instrumentos, telefones p.ex., e não mantêm atenção na estrada. Não vem
nos livros mas, imagino, que se desaconselhe também o desempenho de
cargos de responsabilidade política. Conclusão? Não vale a pena
continuar a criticar o Prof. Marcelo: ele não se controla. Aquilo é mais
forte do que ele.
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POLÍTICA
TELEVISÃO TUGA
Lamento, mas a televisão portuguesa só pode ser para atrasados mentais,
essa é que é a triste realidade. Fomos almoçar a um restaurante
português aqui em Bruxelas (uma bela Tiborna de Bacalhau e Polvo bem
regado com um tinto alentejano que me consolou para o resto do dia) e,
como é natural em qualquer estabelecimento português, a televisão estava
ligada. Mal menor, que o bicho estava sem som. No entanto, mesmo assim,
mesmo que involuntariamente, lá se acabou por ir seguindo o
que lá passava. Primeiro, as “notícias”. Depois? Bola, claro. A
propósito de um jogo que começa às 17h30 a missa futebolística começou
logo pelas 14h00. Non stop, bola, bola, bola. Depois virá o jogo, ou
seja, a verdadeira bola, e logo a seguir a “análise” que acaba por ir
pela noite dentro. Finalmente, amanhã, virão os “debates” entre umas
quantas tristes personalidades, todos aos berros e aos urros a
babarem-se e a insultarem-se sobre os “casos” do jogo. Horas e horas
desta miséria. É para atrasados mentais, é o que vos digo. Que tristeza.
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PORTUGAL NO SEU PIOR
DA OPRESSÃO
Durante milénios os homens olharam o céu e invejaram os pássaros que os
cruzavam. Voar, pois claro, o mais antigo sonho da Humanidade. Hoje, no
entanto, qualquer adolescente já nos seus vinte e tal anos ressona
enquanto vai disparado pelas nuvens a mais mil metros de altitude, isto
depois de reclamar durante um quarto de hora pelo facto de não haver
Wi-Fi no avião. Já cá em baixo, revigorado pelo sinal agora recebido no
seu IPhone, há que meter mãos à obra: logo à noite há reunião sobre os
próximos passos a dar na luta heróica para mudar-se o sistema. Há que
acabar com o capitalismo, pois claro. Sente-se oprimido, o desgraçado.
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NADA
COMUNISTAS
Não é tanto que eu não goste de comunistas, apenas acho que são enviados de Satanás à Terra para destruir a Humanidade.
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POLÍTICA
EVIDÊNCIA
Qual é a novidade em comprovar que a extrema-esquerda comunista trata
dos seus em detrimento dos outros? No comunismo quem faz, quem decide e
quem ganha com os negócios do Estado são sempre os líderes do partido,
sempre foi assim, desde a URSS, a Cuba e à Venezuela. A única diferença é
que em Portugal o PCP está tristemente condenado a ganhar uns milhões
com seguros nas suas autarquias, ou com umas trocas de lâmpadas, ao
invés de controlar todos os bens dos cidadãos portugueses e mandar para
trabalhos forçados, ou sumariamente executar, todos os que se lhe
oponham. Comunistas são comunistas, e comunistas tratam dos seus contra
todos os que não são os seus. Tudo o resto é propaganda.
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POLÍTICA
TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
Sinceramente, este posicionamento do PSD de Rui Rio apresenta-se-me como
tão esdrúxulo que tenho vindo a considerar a possibilidade de não estar
bem a ver o filme. Ao mesmo tempo, o processo repentino de saídas do
PSD rumo a novos projectos políticos, em particular o de Santana Lopes,
apesar da mise-en-scène, não deixa de me colocar bastantes dúvidas.
Voltemos ao início.
Há apenas um ano atrás, o PSD, órfão do seu último grande presidente, vive uma disputa acesa e renhida para a sua liderança. Santana Lopes perde por poucos e, em nome da unidade do partido, aceita, promove e apoia um acordo com Rio para a composição das listas nacionais do PSD. Poucos meses depois, sem qualquer conflito público que se conheça, sem aviso, sem qualquer justificação plausível, resolve sair do partido e fundar o Aliança. Isto vindo de um militante histórico do PSD acabado de concorrer para a liderança do partido e onde, considerando o seu excelente resultado (46%), bem como a fraca prestação de Rio, se antecipava que ainda seria uma peça fundamental no xadrez político do partido durante os próximos anos. Estranho, não?
Depois, toda a liderança de Rio. Conhecido pela sua frontalidade, rectidão, por cortar a direito, pela sua paixão pelas boas contas, apesar de tudo isto, Rio abdicou de frontalmente criticar a governação Costa, apresenta-se calado, pouco interventivo, não me recordo, aliás, de um único confronto com qualquer líder partidário. Mentira: a violência, frontalidade e vigor com que enfrentou Luís Montenegro foram notórias. Ou seja, Rio continua o mesmo, apenas que não o demonstra para fora do partido. Estranho, não?
Mas o enredo ainda se adensa mais. Rio assume que a vitória já em 2019 não é obrigatória. Mais: toda a sua conduta leva a generalidade dos observadores à direita a assumir que o objectivo de Rio parece passar mais por ser Vice-PM de Costa do que por apresentar uma alternativa credível a Costa. Isto vindo do homem das boas contas, que dizer de vermos agora esse mesmo homem a branquear a aldrabice contabilística de Centeno e Costa? Estranho, não?
Pior: um estratega com a experiência de Rio, um homem que se gaba de "nunca ter perdido uma eleição", atirar a toalha ao chão para ser Vice de um PM que já assumiu que quer continuar a governar com o PCP e o BE? Aliás, por que razão quereria Costa governar com um PSD que - como ocorreu em 1985 e com a agravante de ser o bloco central ainda tanto ou mais contra-natura hoje - a qualquer momento poderia mudar de liderança e terminar a coligação? Ainda para mais quando já percebeu que com a extrema-esquerda, em particular o BE, a coisa até corre sobre rodas? E Rio não vê isto? Estranho, não?
Nos entretantos, uma crise mundial espreita no horizonte e, com o final anunciado do Quantitative Easing do BCE, Portugal parece acelerar de novo para mais uma bancarrota. Não verá Rio a necessidade de apresentar uma alternativa? Enlouqueceu? Embruteceu?
Ou será que, dando algum crédito a Rio, esta leitura estará errada? Será que o jogo é outro?.
A geringonça veio mudar o panorama político português. Hoje, com a extrema-esquerda, para mal dos nossos pecados, incluída no arco da governação, para que o PSD seja governo a direita terá que eleger 116 deputados. Não o fazer resulta numa geringonça. Esta é a posição default do sistema português. Verdade seja dita que Passos Coelho provou que apresentar um programa diferenciador, honesto e credível foi capaz de derrotar Sócrates e dar uma maioria absoluta à direita. No entanto, as mazelas do período da Troika, uma comunicação social adversa e o ciclo económico altamente favorável, bem como o Quantitative Easing do BCE, permitiram a Centeno e Costa mascarar a realidade portuguesa e faz adivinhar que a probabilidade de o PSD conseguir, sozinho ou em coligação, liderar um bloco de 116 deputados será muito reduzida.
A estratégia passa, então, por afirmar o PSD como um PS 2.0, um partido que renega a austeridade ideológica de Passos Coelho (um embuste mediático, é certo, mas que pegou) um partido até disponível para governar com o PS e que se apresenta ao eleitorado com uma continuidade ideológica socialista mas que acrescenta o slogan da imagem de grande seriedade de Rio. Seja em 2019 ou, provavelmente um pouco mais tarde, aquando da chegada do Diabo, Rio conta pois conquistar o voto do centro. O problema, evidente aliás, é como não desguarnecer a direita: se o PSD corre ao centro então logo a manta destapa do outro lado e, como Lisboa demonstrou, o CDS pode aparecer como uma alternativa credível e cada vez mais representativa, quiçá colocando em causa a hegemonia do PSD nesse espaço. Aliás, a vontade do CDS é tanta que Cristas apenas descobriu que "um voto no CDS nunca viabilizará um governo PS" depois de Rio ter ocupado esse lugar. Até aí Cristas queria ultrapassar Passos pela esquerda. No entanto, agora, com o CDS virado à direita, como evitar que a perda de eleitorado de direita do PSD vá cair nos braços do concorrente directo do PSD? Ora, é aqui que a Aliança de Santana parece cair que nem ginjas: Santana não apenas impede o voto mais de direita do PSD de cair directo no CDS como, com a sua popularidade, vai buscar votos que Rio nunca iria. Ao mesmo tempo, os descontentes com Rio, mesmo os militantes do PSD, que pensassem votar CDS como despeito para com Rio vêem maior vingança ainda em votar Santana, um produto directo da "loucura esquerdista" de Rio.
Tudo somado, uma pergunta começa a fazer sentido colocar-se: e se a resposta à estranheza do comportamento de Rio e Santana passar pelo facto de a conduta de ambos ser coordenada e planificada em conjunto?
A estratégia de Rio, vista da perspectiva interna do PSD, é praticamente suicida: entre a subida do CDS, o Aliança e o Chega, há pelo menos 10% de votos desperdiçados. No entanto, se virmos esta estratégia como uma estratégia que inclua Santana e o Aliança, talvez, - e repiso o talvez - a estratégica possa vir, se não agora talvez um pouco a seguir, a revelar-se como vitoriosa.
Desta perspectiva conspirativa a saída de Santana do PSD, uma saída por ventura integrada numa estratégia mais alargada, passaria a fazer mais sentido. Do mesmo modo, também o comportamento de Rio passaria a ser mais inteligente.
Uma questão subsiste: quem foi o mandante? Rio? Santana? Ou, quiçá, o maquiavélico-mor, aquele que mais tem feito por granjear popularidade ao centro, alguém que não consegue parar quieto enredado em estratégias e planos, alguém que mal um alfinete cai na São Caetano logo trata de marcar uma audiência, mais ainda, alguém que foi presidente de Rio nos idos de 96 e comparsa de Santana na "nova esperança" contra o bloco central em 1985? Alguém que, já num segundo mandato, poderá marcar o embate para quando for oportuno? Eu avisei que era uma teoria da conspiração.
No jogo de espelhos da política portuguesa, o PS parece ser rei. No entanto, considerando a "pedronunização" esquerdista dos socialistas, talvez "os poderes que são" estejam a começar a ver a manutenção da ordem política, a par da necessidade de algumas reformas sempre impossíveis com o PCP e o BE, a apenas serem possíveis através deste novo arranjo da direita em Portugal.
Voltemos ao início.
Há apenas um ano atrás, o PSD, órfão do seu último grande presidente, vive uma disputa acesa e renhida para a sua liderança. Santana Lopes perde por poucos e, em nome da unidade do partido, aceita, promove e apoia um acordo com Rio para a composição das listas nacionais do PSD. Poucos meses depois, sem qualquer conflito público que se conheça, sem aviso, sem qualquer justificação plausível, resolve sair do partido e fundar o Aliança. Isto vindo de um militante histórico do PSD acabado de concorrer para a liderança do partido e onde, considerando o seu excelente resultado (46%), bem como a fraca prestação de Rio, se antecipava que ainda seria uma peça fundamental no xadrez político do partido durante os próximos anos. Estranho, não?
Depois, toda a liderança de Rio. Conhecido pela sua frontalidade, rectidão, por cortar a direito, pela sua paixão pelas boas contas, apesar de tudo isto, Rio abdicou de frontalmente criticar a governação Costa, apresenta-se calado, pouco interventivo, não me recordo, aliás, de um único confronto com qualquer líder partidário. Mentira: a violência, frontalidade e vigor com que enfrentou Luís Montenegro foram notórias. Ou seja, Rio continua o mesmo, apenas que não o demonstra para fora do partido. Estranho, não?
Mas o enredo ainda se adensa mais. Rio assume que a vitória já em 2019 não é obrigatória. Mais: toda a sua conduta leva a generalidade dos observadores à direita a assumir que o objectivo de Rio parece passar mais por ser Vice-PM de Costa do que por apresentar uma alternativa credível a Costa. Isto vindo do homem das boas contas, que dizer de vermos agora esse mesmo homem a branquear a aldrabice contabilística de Centeno e Costa? Estranho, não?
Pior: um estratega com a experiência de Rio, um homem que se gaba de "nunca ter perdido uma eleição", atirar a toalha ao chão para ser Vice de um PM que já assumiu que quer continuar a governar com o PCP e o BE? Aliás, por que razão quereria Costa governar com um PSD que - como ocorreu em 1985 e com a agravante de ser o bloco central ainda tanto ou mais contra-natura hoje - a qualquer momento poderia mudar de liderança e terminar a coligação? Ainda para mais quando já percebeu que com a extrema-esquerda, em particular o BE, a coisa até corre sobre rodas? E Rio não vê isto? Estranho, não?
Nos entretantos, uma crise mundial espreita no horizonte e, com o final anunciado do Quantitative Easing do BCE, Portugal parece acelerar de novo para mais uma bancarrota. Não verá Rio a necessidade de apresentar uma alternativa? Enlouqueceu? Embruteceu?
Ou será que, dando algum crédito a Rio, esta leitura estará errada? Será que o jogo é outro?.
A geringonça veio mudar o panorama político português. Hoje, com a extrema-esquerda, para mal dos nossos pecados, incluída no arco da governação, para que o PSD seja governo a direita terá que eleger 116 deputados. Não o fazer resulta numa geringonça. Esta é a posição default do sistema português. Verdade seja dita que Passos Coelho provou que apresentar um programa diferenciador, honesto e credível foi capaz de derrotar Sócrates e dar uma maioria absoluta à direita. No entanto, as mazelas do período da Troika, uma comunicação social adversa e o ciclo económico altamente favorável, bem como o Quantitative Easing do BCE, permitiram a Centeno e Costa mascarar a realidade portuguesa e faz adivinhar que a probabilidade de o PSD conseguir, sozinho ou em coligação, liderar um bloco de 116 deputados será muito reduzida.
A estratégia passa, então, por afirmar o PSD como um PS 2.0, um partido que renega a austeridade ideológica de Passos Coelho (um embuste mediático, é certo, mas que pegou) um partido até disponível para governar com o PS e que se apresenta ao eleitorado com uma continuidade ideológica socialista mas que acrescenta o slogan da imagem de grande seriedade de Rio. Seja em 2019 ou, provavelmente um pouco mais tarde, aquando da chegada do Diabo, Rio conta pois conquistar o voto do centro. O problema, evidente aliás, é como não desguarnecer a direita: se o PSD corre ao centro então logo a manta destapa do outro lado e, como Lisboa demonstrou, o CDS pode aparecer como uma alternativa credível e cada vez mais representativa, quiçá colocando em causa a hegemonia do PSD nesse espaço. Aliás, a vontade do CDS é tanta que Cristas apenas descobriu que "um voto no CDS nunca viabilizará um governo PS" depois de Rio ter ocupado esse lugar. Até aí Cristas queria ultrapassar Passos pela esquerda. No entanto, agora, com o CDS virado à direita, como evitar que a perda de eleitorado de direita do PSD vá cair nos braços do concorrente directo do PSD? Ora, é aqui que a Aliança de Santana parece cair que nem ginjas: Santana não apenas impede o voto mais de direita do PSD de cair directo no CDS como, com a sua popularidade, vai buscar votos que Rio nunca iria. Ao mesmo tempo, os descontentes com Rio, mesmo os militantes do PSD, que pensassem votar CDS como despeito para com Rio vêem maior vingança ainda em votar Santana, um produto directo da "loucura esquerdista" de Rio.
Tudo somado, uma pergunta começa a fazer sentido colocar-se: e se a resposta à estranheza do comportamento de Rio e Santana passar pelo facto de a conduta de ambos ser coordenada e planificada em conjunto?
A estratégia de Rio, vista da perspectiva interna do PSD, é praticamente suicida: entre a subida do CDS, o Aliança e o Chega, há pelo menos 10% de votos desperdiçados. No entanto, se virmos esta estratégia como uma estratégia que inclua Santana e o Aliança, talvez, - e repiso o talvez - a estratégica possa vir, se não agora talvez um pouco a seguir, a revelar-se como vitoriosa.
Desta perspectiva conspirativa a saída de Santana do PSD, uma saída por ventura integrada numa estratégia mais alargada, passaria a fazer mais sentido. Do mesmo modo, também o comportamento de Rio passaria a ser mais inteligente.
Uma questão subsiste: quem foi o mandante? Rio? Santana? Ou, quiçá, o maquiavélico-mor, aquele que mais tem feito por granjear popularidade ao centro, alguém que não consegue parar quieto enredado em estratégias e planos, alguém que mal um alfinete cai na São Caetano logo trata de marcar uma audiência, mais ainda, alguém que foi presidente de Rio nos idos de 96 e comparsa de Santana na "nova esperança" contra o bloco central em 1985? Alguém que, já num segundo mandato, poderá marcar o embate para quando for oportuno? Eu avisei que era uma teoria da conspiração.
No jogo de espelhos da política portuguesa, o PS parece ser rei. No entanto, considerando a "pedronunização" esquerdista dos socialistas, talvez "os poderes que são" estejam a começar a ver a manutenção da ordem política, a par da necessidade de algumas reformas sempre impossíveis com o PCP e o BE, a apenas serem possíveis através deste novo arranjo da direita em Portugal.
ESQUERDA 2.0
O grande objectivo da esquerda é que onde agora legalmente apenas
existem portugueses, pessoas iguais perante a lei, no futuro passemos a
ver brancos e pretos, homens e mulheres, homo e hetero, velhos e novos, e
todos organizados por cor, raça, sexo, orientação sexual e idade, todos
nas devidas quantidades e proporções. Ora, quem poderá garantir esta
justa distribuição de quotas? O Estado, pois claro. Já que a História
tratou de demonstrar que o Estado a gerir a economia apenas resulta na
destruição dessa mesma economia, logo causando miséria generalizada, a
esquerda 2.0 quer agora vender a ideia de que deverá ser o Estado a
gerir a sociedade. O resultado, claro, será o mesmo: opressão, desgraça,
miséria e destruição.
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POLÍTICA
NEO-MARXISMO
A razão pela qual a esquerda e a extrema-esquerda abraçam com tanto
vigor as causas ditas estruturantes e inventam uma suposta opressão
identitária (sexo, orientação sexual, raça) é uma derradeira tentativa
de, primeiro, escamotear o tremendo sucesso da civilização ocidental e
do seu sistema capitalista de economia de mercado em retirar as pessoas
da miséria. Depois, e decorrente da primeira, com cada vez menos
miseráveis na sociedade, a esquerda, forçada a continuar a justificar
a sua existência através de uma suposta representação dos agora cada
vez menos oprimidos, teve que inventar novas formas de opressão. Hoje,
na sociedade mais rica, pacífica, segura e com maior bem-estar da
história da humanidade, a esquerda resigna-se a acicatar complexos e
invejas, inventar opressões e desgraças, louvar ditaduras como as da
Venezuela e, pior, distribuir culpas e impropérios por todos aqueles que
não a apoiam.
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DIRECTAS JÁ
Sinceramente não acredito que os cinquenta por cento de militantes do
PSD que votaram em Rui Rio, na sua maioria, tenham votado nesta triste,
inexistente, conivente mesmo, oposição colaborante para com o maior
embuste político do Portugal democrático que é a coligação PS-BE-PCP.
Há, para mim, uma evidente dissonância entre o programa de candidatura
de Rui Rio à liderança do PSD e a sua consubstanciação prática nesta
espécie de muleta mediática do PS, uma muleta esperançada em alcançar
uma vice-presidência de um hipotético, e pouco provável, futuro governo
de bloco central. O PSD não é isto já desde 1985, essa é a realidade, e
se é para passar a ser isto então os militantes terão que o assumir sem
vergonha em eleições internas, algo que ainda não foi feito. Uma
clarificação estratégica torna-se, pois, fundamental e saudável.
DUAS VIAS
No PSD há duas opções: primeiro, a via do “PSD não é um partido de
direita“ que, do alto das suas reformas douradas nos cadeirões do regime
ou das televisões, vive bem, e convive, ou espera conviver, sempre pelo
silêncio e por uma vergonhosa ausência de oposição, com o governo do
Dr. Costa. Depois, como alternativa, a opção pelo PSD reformista de
sempre, um PSD que não renegue o legado de Passos Coelho, um PSD que
rejeite frontal e cabalmente, sem ambiguidades, a governação embusteira
do Dr. Costa e um PSD que pretenda apresentar com coragem um caminho de
futuro para Portugal para lá da divida e das cativações. Quem tiver a
coragem de encarnar, liderar, lançar esta segunda opção prestará um
grande serviço ao partido, bem como um ainda maior a Portugal.
MARCELO, O TELEFONADOR
A característica dos dias de hoje é que por mais que se troque o
sentido às coisas vai tudo dar ao mesmo: “Marcelo Rebelo de Sousa
emociona-se com telefonema de Cristina Ferreira” é título tão ou mais
credível como o outro, o que apareceu, tudo redondo, tudo muito lindo,
tudo irrelevante. Já do outro senhor, o da foto de Pedrógão, aquele da
foto que deu a volta ao mundo, aquele a quem Marcelo tudo prometeu,
aquele que tudo perdeu e já morreu, esse não voltou a ver ou ouvir um
telefonema do senhor presidente. Não, o Professor Marcelo salta,
mergulha, cabriola, chora, troca de calções, faz chorar, afecta e
afecta-se mas, curioso, é sempre à frente das câmaras, chega lá antes
até, eléctrico, ávido, sedento, sempre em directo, e, depois, quando já
não há TV então já não há Marcelo, já não há afectos, já não há nada. Em
vez de ligar para uma multimilionária celebridade da TV à cata de votos
e de popularidade teria feito melhor o Professor Marcelo em cumprir a
palavra que deu ao senhor de Pedrógão, a palavra que não honrou, e uma
falta tremenda da qual nem lhe ocorreu pedir perdão, e também ninguém
lhe perguntou, pediu ou exigiu, nem uma alma do caldo televisivo,
jornaleiro, político, se lembrou de apontar ao Sr. Presidente para a
pouca vergonha que configura o seu esquecimento. No final, a choldra
também é isto, uma choldra televisiva, nada afectuosa, pelo contrário, é
sebosa e fedorenta, falsa que nem uma vichyssoise já apodrecida, tudo
igualmente desgraçadamente desavergonhado, tudo passa, ninguém se
pergunta, amanhã é outro dia e o Prof. Marcelo lá estará a lamber as
lágrimas dos populares para garantir a reeleição.
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POLÍTICA
OLIVEIRA SALAZAR

A propósito de Oliveira Salazar, na biblioteca que vou construindo entre o Alentejo e Bruxelas já vou tendo um certo espaço dedicado ao antigo ditador. Desde a obrigatória biografia de Franco Nogueira até à mais recente de Filipe Ribeiro de Menezes, passando pelo ‘Como se Reergue um Estado’ até ao meu mais recente devaneio alfarrabista que consistiu na aquisição de uma primeira edição de capa dura das Edições Coimbra (1967) dos seus Discursos. Ainda não li tudo, nem pouco mais ou menos, mas volta não volta lá vou parar, continuando já desde há muito a pensar que, independentemente dos meios que veio a utilizar, Oliveira Salazar tinha, primeiro, uma raridade substanciada num pensamento muitíssimo profundo e estruturado (por ventura como nenhum outro em Portugal) sobre a absoluta necessidade da conservação dos valores que unem a comunidade e, depois, uma portugalidade extrema condensada na rejeição do ideal democrata-liberal. Não poderia estar mais em desacordo com a segunda premissa, tal como com os meios utilizados para a realização da primeira, no entanto não cesso de me espantar com o espelho que os seus escritos revelam da realidade portuguesa. Ainda hoje, talvez seja melhor dizer: especialmente hoje, compreender Oliveira Salazar é compreender o Portugal contemporâneo. Já dos surrobecos e histéricos supostamente anti-fascistas, o que de mais curioso fica é que na sua rejeição do Salazarismo acabam a personificar a exacta mesma rejeição do ideal democrata-liberal de Oliveira Salazar. O ideal liberal, temo, tardará a surgir em Portugal por uma razão muito simples: Portugal, incluindo os iluminados da extrema-esquerda, é muito mais Salazar do que outra coisa qualquer.
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LITERATURA,
POLÍTICA
SINTOMÁTICO
Coisas que me irritam em Portugal? As televisões sempre ligadas nos
restaurantes, tascas, cafés e cafetarias. Entramos em qualquer sítio
para pequeno ou grande almoço, lanche ou jantar, com duas crianças
menores de seis anos que não estão habituadas a ver televisão (um
ocasional boneco animado) e logo ficam expostas a uma panóplia de
videoclips proto-eróticos de manifestações sonoras de uma mediocridade
atroz, explosões e assassinatos cinematográficos plenos de efeitos
especiais ou, igualmente mau, às
notícias e imagens das desgraças variadas da realidade portuguesa
fielmente relatadas pelos jornalistas de microfone na mão. Sinceramente,
não consigo compreender o que há de agradável em estar num
estabelecimento gastronómico a gramar com a sarrazina da televisão; a
mim, lamento, enerva-me. E ter que lembrar ao empregado que o conteúdo
não é apropriado para crianças e pedir que desligue a dita ou, no
mínimo, mude de canal, faz-me parecer, imagino, um extraterrestre. O
normal, e isto de normal não tem nada, imagino que seja ter crianças a
enfardar hipnoticamente o dia inteiro o lixo evacuado pelos canais
televisivos. Sintomático.
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PORTUGAL NO SEU PIOR
NA NÉVOA
Cercados pela névoa, voltamo-nos para dentro de casa. Livros, música,
palavras. Lá fora, um resfolegar prende-me a atenção. Abro a
porta-janela para o jardim e espreito. O som recrudesce, intensificado
pelo eco das montanhas. Valente, indago em voz forte: “quem vem lá“?
Ninguém responde, o som cessa. Mal reentro no escritório, o resfolegar
recomeça. Desta feita, vou explorar. Saio para o jardim, dou a volta à
casa, subo umas escadas, desço outras, e eis que me deparo com um cavalo
negro, altíssimo, mesmo defronte de mim. Em cima, a montado, uma figura
disforme, esvaída em carnes mortas e putrefactas mas guardadas por uma
armadura quinhentista, um pouco danificada, contudo ainda dona do seu
resplandecente fulgor original. Por detrás da máscara, um gemido rouco
quase imperceptível. Com esforço, consigo ouvir uma voz que me quer
dizer algo. “D. Sebastião”, pergunto eu com incerteza, “é Vossa
Majestade quem nos vem visitar”? O cadáver diz-me que não, que não é
El-Rei D. Sebastião, mas que vem da parte dele, e que traz recado. “Ah
sim? E que recado traz”, inquiro eu com curiosidade. Responde a
criatura: “O Rei manda dizer que afinal já não vem”. E logo se lançou à
montanha, desaparecendo na névoa de forma tão fantástica como aquela com
que havia aparecido. “Olha que bom, podia ter avisado antes, ó palhaço
“, ainda lhe gritei. Acho que já não ouviu. Irritado, regresso a casa
resmungando entre dentes e, se me é permitido o desabafo, com razão:
afinal, andamos para aqui à espera do desgraçado que desbaratou o
Império e o malandro, sem se dignar a aparecer, só quase quinhentos anos
depois é que manda dizer que afinal já não vem? “Bom proveito lhe façam
as areias do Norte de África”, pensei. Entretanto, um choro aparece ao
longe. Não vem de fora mas sim lá de cima. Vai descendo as escadas,
entra pela porta envidraçada e, vejo agora, acorda-me do sono profundo
em que me encontrava. Na biblioteca, com o livro já caído no chão, olho
em volta e também não havia D. Sebastião: apenas o meu filho em busca do
conforto paternal face à última desfeita que a vida lhe havia
apresentado. Enxoto os resquícios da sonolência, endireito-me no
cadeirão e devolvo-me à consciência. Tratemos, pois, da ocorrência. Na
vida, só conta quem cá está.
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PORTUGAL CATIVADO
A triste realidade do Portugal contemporâneo, um Portugal estatista e
socialista, é que o país gasta mais de metade do seu produto interno
bruto com um Estado que é extremamente competente a cobrar impostos mas
também extremamente incompetente a proteger os seus cidadãos, seja nas
estradas que desabam (e ninguém é responsável), seja na floresta que
arde (e ninguém é responsável), seja nos hospitais que se desfazem
entalados entre as direcções compostas por nomeações políticas
e a falta de verba (cativada). Tudo isto mata pessoas verdadeiras,
pessoas de carne e osso, portugueses, ricos e pobres, remediados e mais
enrascados, todos eles contribuintes, todos pessoas de bem, todos
tramados por igual por um Estado que não os merece. Ou seja, em resumo,
os portugueses trabalham mais de metade do ano para uma classe de
políticos e funcionários que tratam muito bem de si próprios, mas que
não ligam peva a quem produz, a quem lhes paga os salários, a quem os
elege. Pior: ainda conseguem atazanar, prejudicar, limitar a vida
daqueles que querem trabalhar, criar, produzir. É uma sociedade
arrestada, sequestrada mesmo, por uma oligarquia de interesses apostada
em que nada mude: a corrupção, o compadrio, os esquemas, tudo à conta do
contribuinte, do trabalhador, do empreendedor. E, depois, o moralismo:
porque quem não gosta disto é um malandro, porque os funcionários
públicos e o Estado são um supra-sumo de competência, porque querer
reformar, limitar, diminuir, restringir, controlar o Estado é coisa de
fascista. Mas fascistas são eles, esses demagogos da esquerda populista
da maioria de esquerda e extrema-esquerda governamental que apregoam
virtudes morais que não cumprem, que afirmam defender os pobres e
oprimidos que empobrecem e oprimem, os demagogos que, sem ganharem
eleições, fizeram juras de destruir o slogan da austeridade, a mesma que
agora impõem através das cativações, deixando o país numa decadência
triste, rumo a uma miséria amoral, cínica, onde os defensores do povo
condenam esse mesmo povo aos corredores decrépitos dos serviços sociais
que oferecem com uma mão mas que cativam com a outra. Aldrabões, no fim
de tudo não são nada mais do que uma cambada de aldrabões.
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