A minha primeira opção para Presidente do PSD seria, naturalmente, Pedro Passos Coelho. Pela sua coragem, desapego, resiliência, seriedade, tudo qualidades que não abundam no PS, mais ainda pela forma como lidou com o episódio "irrevogável" de Paulo Portas - a queda do governo teria sido catastrófica para o país - e, em particular, a forma como foi imune aos cantos das sereias do bloco central de interesses onde, e foi aí que conquistou o meu apoio, Passos Coelho foi o principal responsável por deixar cair o antigo "dono disto tudo", o infame Ricardo Salgado. O país perde muito com a saída de cena de Passos Coelho, uma saída de cena naturalmente celebrada em êxtase pelos poderosos oligarcas que mandam no país e que não querem perder o seu poder.
Posto isto, a vida continua. O PSD também. As duas candidaturas que se apresentaram são, pois, o futuro imediato do partido e uma delas será vencedora. Para inferir qual seria a melhor para o partido e para o país parece-me que são três os critérios fundamentais a analisar. Em primeiro lugar, qual a candidatura que melhor representa o posicionamento ideológico do partido. Em segundo lugar, qual a candidatura que melhor condições reúne para fortalecer o partido e, finalmente, em terceiro lugar, qual a candidatura que representa uma melhor alternativa à governação socialista e à Situação.
Como já aqui escrevi variadas vezes, considero que os valores do PSD são fundamentalmente compatíveis com a mudança
de paradigma que é necessária para Portugal: a rejeição do socialismo. A
social-democracia em Portugal afirmou-se não como o corolário de uma
visão socialista para a sociedade mas, pelo contrário, como o
contraponto liberalizante e ontologicamente conservador face ao
socialismo moderado do Partido Socialista e ao socialismo radical da
extrema-esquerda portuguesa. O PSD tem na génese uma coligação de
valores que justificou o realismo pragmático que sempre assumiu e que ao qual o interesse nacional sempre obrigou. Essa coligação de valores
congregou, desde a primeira hora, sectores tradicionalmente social-democratas da oposição ao
regime de Salazar e Caetano mas também, não menos importante,
significativos elementos da burguesia liberal, principalmente nortenha,
bem como elementos conservadores que muito facilmente poderiam ser
descritos como defensores da democracia-cristã europeia. A base ideológica do PSD congrega, portanto, um ideário social-democrata, democrata-cristão e, naturalmente,
liberal.
Tal coisa
também se revelou na prática. Primeiro, através de Sá Carneiro e a forma
como visou libertar o país da influência militar; depois, com Cavaco
Silva, no processo de liberalização – e o correspondente progresso
material – que o PSD conseguiu implementar nos anos 80 e 90 do
Século XX. Não será demais, nem despropositado, relembrar que foi
precisamente nesses anos que – com a oposição feroz do PS e da
extrema-esquerda – se conseguiram implementar reformas, na altura
igualmente "neo-liberais" e heréticas para a esquerda, mas que eram tão
evidentemente fundamentais, tais como os bancos, as seguradoras e os
órgãos de comunicação social poderem existir fora da esfera do Estado.
Não será igualmente demais, nem despropositado, relembrar que foram
precisamente esses anos os de maior progresso material da democracia
portuguesa. Essa é a matriz do PSD: reformar para dar força e liberdade à sociedade por oposição ao estatismo socialista.
O PSD não visa acabar com o
Estado-Social ou, muito menos ainda, com o Estado. Ser pela liberdade não
implica ser libertário. A mudança preconizada pelo PSD passa
essencialmente por ter um Estado limitado pelos cidadãos ao invés de ter
os cidadãos ao serviço do Estado e dos indivíduos que o controlam. Ou,
por outras palavras, salvar o estado-social tornando-o mais eficaz,
acessível, justo e menos dispendioso para os contribuintes. Este é o principal desígnio do PSD.
Neste
sentido, o que se exige à liderança futura do PSD é um esforço de libertação face aos
constrangimentos herdados do salazarismo e do fervor revolucionário
marxista, nomeadamente os constitucionais, que obrigam o país a ir
vivendo no pântano estatista da perpétua criação de dívida. Acima de
tudo, mais uma vez, aquilo que se pede do PSD é que seja capaz de
implementar uma política séria, credível e eficaz para voltar a colocar
Portugal na rota da prosperidade e do progresso material. Para isto é
forçoso que o PSD seja fiel às suas origens e rejeite o papel
colaboracionista com o PS que a oligarquia de interesses instalada em
Portugal gostaria de lhe ver atribuído. Da mesma forma, no discurso, é
fundamental que se compreenda que é pela rejeição do modelo socialista
que Portugal poderá reencontrar-se com o caminho da prosperidade. Fundamentalmente, ao PSD exige-se que seja a alternativa ideológica e pragmática face ao PS (que sonha com o Bloco Central) e à coligação de extrema-esquerda (incluindo parte do novo PS) que sonha com o regresso do PREC e das nacionalizações.
Ao mesmo tempo, a nova liderança do PSD não poderá rejeitar, sob pena de defraudar a legítima expectativa da maioria dos portugueses que deram uma vitória ao partido nas últimas eleições legislativas, o legado que Passos Coelho deixa. A vitória que teve em 2015 nas condições em que as eleições foram disputadas apenas comprova que grande parte do país compreende a necessidade de mudar de paradigma governativo. E a irresponsabilidade que a governação de esquerda tem posto em prática, num terrível regresso ao passado, apenas tornará mais evidente a curto prazo que a visão de Passos Coelho para o país mais não foi que uma continuação lógica, coerente e fundamental dos legados de Sá Carneiro e Cavaco Silva - e que era a correcta para o país.
Assim, tudo considerado, não posso deixar de considerar que a candidatura de Rui Rio não reúne as condições que considero pivotais para o futuro a médio prazo do PSD. Primeiro, erra quando quer fazer passar a mensagem que o PSD é um partido de centro-esquerda. Dessa forma, não assume a alternativa que o país precisa, não honra a história do partido e, mesmo de uma perspectiva eleitoral, não assume um posicionamento inteligente: centro-esquerda por centro-esquerda, os portugueses já têm o PS em quem votar. Depois, erra ao rodear-se daqueles que mais criticaram de forma pública a liderança de Passos Coelho nos momentos mais difíceis da governação 2011-2015. Dessa forma, não assume o legado de Passos Coelho, pelo contrário, procura repudiá-lo, bem como promove autênticos submarinos subversivos que, movidos por ódios pessoais, nunca tiveram pejo em aliar-se a comícios da extrema-esquerda ou em pagar as despesas da verdadeira oposição ao seu próprio partido. Uma liderança nascida em Azeitão com aqueles que mais mal fizeram ao PSD nos últimos anos nunca será uma liderança que conquiste o respeito das bases do partido. São os militantes de base que bem sabem da dificuldade que os últimos anos representaram para o país e para o partido.
Por outro lado, a candidatura de Santana Lopes parece-me configurar a melhor abordagem face aos critérios que acima anunciei: Santana assume representar o PSD na sua tradição reformista, não quer fazer do PSD aquilo que não é: um PS de segunda. Depois, Santana, melhor que ninguém, representa, como sempre representou, o sentir e o pulsar das bases do partido. E, em altura de crise, quando vem o toque a reunir, é um líder das bases que o PSD precisa: não de um representante de uma elite passada, ideologicamente próxima do PS e, aparentemente, mais preocupada com os seus ódios de estimação do que com aquilo que que o partido precisa. Finalmente, Santana parece-me defender com profunda convicção que aquilo que o país precisa é de uma alternativa factual, substancial e corajosa à "frente de esquerda" que nos desgoverna. É preciso compreender que o adversário de Portugal, e consequentemente do PSD, é o ataque cerrado que a extrema-esquerda - e o PS cínico dos interesses oligárquicos que representa - faz ao nosso modo de vida, às instituições mais importantes da nossa sociedade, desde a família até à escola, e ao posicionamento histórico, e fundamental, do país no mundo (NATO, UE e Euro).
Ouvidas as duas apresentações de candidatura sinto-me esclarecido. E, ontem, enquanto ouvia o discurso de Santana Lopes, ocorreu-me que o pior discurso que lhe ouvi foi o da tomada de posse como Primeiro-Ministro em 2005. Os adversários dirão que essa é a sua grande fragilidade. Mas eu vejo aí uma coisa muito diferente: nesse dia ficou evidente que ao Santana Lopes a responsabilidade política pesa. E, ao contrário dos líderes que o PS ofereceu ao país nos últimos dez anos, é muito importante que se tenha como líder alguém a quem a responsabilidade política, de facto, lhes pese nos ombros. Apenas aos irresponsáveis ela não pesará. Em 2005, fruto das circunstâncias, por sacrifício, Santana Lopes aceitou aquilo que ele hoje nunca aceitaria: governar contra a oligarquia (que o atacou por todos os lados na comunicação social chegando ao ponto de dissolver uma Assembleia da República que tinha uma maioria estável e duradoura) sem ter a legitimidade do voto popular. Tem aqui, portanto, a sua oportunidade para preparar-se convenientemente para suportar o peso que a responsabilidade de governação exige. E para isso terá todo o meu apoio.
Em Janeiro, votarei no Pedro Santana Lopes.
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
O PSD E A SOCIAL-DEMOCRACIA (II)
No que consiste então uma ruptura com o estatismo socialista?
É assumir que os indivíduos são donos do seu próprio destino, que não há soluções perfeitas para a sociedade, e que o Estado deverá ser meramente um instrumento dessa sociedade, não para a formar, dirigir, ou controlar, mas para a proteger garantindo o respeito pelos valores que essa mesma sociedade entende como fundamentais.
É assumir que o Estado não pode continuar a ser um monstro burocrático que, tudo controlando, se torna, como Burke muito bem avisava, demasiado poderoso e capaz de esmagar a frágil, porque individual, liberdade dos cidadãos.
É assumir que o motor da economia são as pessoas e que são estas apenas que, livremente, perseguindo os seus objectivos individuais, são capazes de gerar a riqueza.
É assumir que a igualdade de facto é impossível de ser atingida, quer no ponto de partida, quer no ponto de chegada da vida e que, como Rawls famosamente estabeleceu, apenas se pode garantir que quanto melhor estiverem os que mais têm, mais recompensados deverão ser também os que menos têm.
É assumir que tudo o que é humano é naturalmente falível e que, por essa razão, a responsabilidade das tentativas, dos sucessos e dos erros deverá ser dos cidadãos. Ao Estado, igualmente falível porque composto por pessoas, cabe apenas evitar no natural campo das disputas sociais abusos de uns indivíduos face aos outros. No fundo, assuma-se que liberdade é igual a responsabilidade e que a perda – ou recusa – da segunda implica a perda da primeira.
É assumir que o Estado não pode ser ele próprio instrumento de abuso de uns indivíduos sobre os outros e que, por essa razão, uma das principais obrigações da sociedade é garantir que o Estado é limitado, fiscalizado e controlado pelos cidadãos, e não o inverso.
Finalmente, é assumir que o caminho da felicidade reside no trabalho, no engenho e na perseverança individuais e não nos negócios, nas benesses, nas honrarias ou nas oportunidades que o Estado pode garantir.
São palavras simples aquelas que aqui se exprimem, mas revelam uma revolução tão difícil quanto fundamental para com o status quo socialista e oligárquico que prende Portugal à situação actual. Na prática, implicam uma política que assuma estes valores, cortando com os interesses económicos poderosos que controlam o Estado, apelando aos eleitores para que lutem – eles próprios! – pela sua liberdade mostrando-lhes que aqueles que vendem facilidades e sonhos mais não oferecem do que uma mão cheia de nada e uma outra, escondida, cheia de uma dívida que nos agrilhoa o futuro. Trata-se de assumir com verdade e frontalidade que um futuro de bem estar e prosperidade apenas é possível se mudarmos de paradigma, se cortarmos de facto com o socialismo estatista.
O PSD é o único partido capaz de representar essa alternativa em Portugal. E apenas o poderá fazer diferenciando-se do PS (que representa a "situação") apresentando a alternativa que aqui se descreve, nunca esbatendo as diferenças ideológicas profundas que separam os dois partidos e assumindo um discurso complacente com o modelo estatista e socialista que é imperativo rejeitar.
(adaptado parcialmente daqui)
É assumir que os indivíduos são donos do seu próprio destino, que não há soluções perfeitas para a sociedade, e que o Estado deverá ser meramente um instrumento dessa sociedade, não para a formar, dirigir, ou controlar, mas para a proteger garantindo o respeito pelos valores que essa mesma sociedade entende como fundamentais.
É assumir que o Estado não pode continuar a ser um monstro burocrático que, tudo controlando, se torna, como Burke muito bem avisava, demasiado poderoso e capaz de esmagar a frágil, porque individual, liberdade dos cidadãos.
É assumir que o motor da economia são as pessoas e que são estas apenas que, livremente, perseguindo os seus objectivos individuais, são capazes de gerar a riqueza.
É assumir que a igualdade de facto é impossível de ser atingida, quer no ponto de partida, quer no ponto de chegada da vida e que, como Rawls famosamente estabeleceu, apenas se pode garantir que quanto melhor estiverem os que mais têm, mais recompensados deverão ser também os que menos têm.
É assumir que tudo o que é humano é naturalmente falível e que, por essa razão, a responsabilidade das tentativas, dos sucessos e dos erros deverá ser dos cidadãos. Ao Estado, igualmente falível porque composto por pessoas, cabe apenas evitar no natural campo das disputas sociais abusos de uns indivíduos face aos outros. No fundo, assuma-se que liberdade é igual a responsabilidade e que a perda – ou recusa – da segunda implica a perda da primeira.
É assumir que o Estado não pode ser ele próprio instrumento de abuso de uns indivíduos sobre os outros e que, por essa razão, uma das principais obrigações da sociedade é garantir que o Estado é limitado, fiscalizado e controlado pelos cidadãos, e não o inverso.
Finalmente, é assumir que o caminho da felicidade reside no trabalho, no engenho e na perseverança individuais e não nos negócios, nas benesses, nas honrarias ou nas oportunidades que o Estado pode garantir.
São palavras simples aquelas que aqui se exprimem, mas revelam uma revolução tão difícil quanto fundamental para com o status quo socialista e oligárquico que prende Portugal à situação actual. Na prática, implicam uma política que assuma estes valores, cortando com os interesses económicos poderosos que controlam o Estado, apelando aos eleitores para que lutem – eles próprios! – pela sua liberdade mostrando-lhes que aqueles que vendem facilidades e sonhos mais não oferecem do que uma mão cheia de nada e uma outra, escondida, cheia de uma dívida que nos agrilhoa o futuro. Trata-se de assumir com verdade e frontalidade que um futuro de bem estar e prosperidade apenas é possível se mudarmos de paradigma, se cortarmos de facto com o socialismo estatista.
O PSD é o único partido capaz de representar essa alternativa em Portugal. E apenas o poderá fazer diferenciando-se do PS (que representa a "situação") apresentando a alternativa que aqui se descreve, nunca esbatendo as diferenças ideológicas profundas que separam os dois partidos e assumindo um discurso complacente com o modelo estatista e socialista que é imperativo rejeitar.
(adaptado parcialmente daqui)
O PSD E A SOCIAL-DEMOCRACIA
Os valores do PPD|PSD são fundamentalmente compatíveis com a mudança
de paradigma que é necessária para Portugal: a rejeição do socialismo. A
social-democracia em Portugal afirmou-se não como o corolário de uma
visão socialista para a sociedade mas, pelo contrário, como o
contraponto liberalizante e ontologicamente conservador face ao
socialismo moderado do Partido Socialista e ao socialismo radical da
extrema-esquerda portuguesa. De facto, apesar de, como Maritheresa Fraín
nos lembra, “os fundadores do PSD [terem adoptado] um programa não
ideológico e pragmático”[1] onde “a designação do partido como
social-democrata ajudou a reforçar as... credenciais «esquerdistas» [do
PSD] no período em que ser de direita poderia significar um suicídio
político”[2], não deixa de ser igualmente certo que o PSD, como
representante da direita emergente no pós-25 de Abril, “procurou
representar os interesses económicos e sociais dos homens de negócios,
dos proprietários agrícolas, das profissões liberais, da classe média e
dos trabalhadores não-marxistas das cidades e dos meios rurais”[3]. Ao
mesmo tempo, o pragmatismo do PPD|PSD corresponde a uma coligação de
valores que justificava o realismo pragmático que assumiu e que a
imperiosa salvação nacional obrigava. Essa coligação de valores
congregava sectores tradicionalmente social-democratas da oposição ao
regime de Salazar e Caetano mas também, não menos importante,
significativos elementos da burguesia liberal, principalmente nortenha,
bem como elementos conservadores que muito facilmente poderiam ser
descritos como defensores da democracia-cristã europeia. Marcelo Rebelo
de Sousa resume: “É, pois, da confluência destes legados –
social-cristão, social-liberal com afloramentos social-democráticos e
social-tecnocrático – que nasce, ideologicamente o PSD”[4]. Em suma, a
base ideológica do PPD|PSD congrega um ideário social-democrata (segundo
Rebelo de Sousa em minoria), democrata-cristão e, naturalmente,
liberal.
Não será, portanto, extremanente polémico afirmar-se que a social-democracia portuguesa tem raízes, quer no campo dos valores, quer no campo das pessoas que visava representar, bem díspares das suas congéneres europeias que se identificam com o socialismo. Tal coisa também se revelou na prática. Primeiro, através de Sá Carneiro e a forma como visou libertar o país da influência militar; depois, com Cavaco Silva, no processo de liberalização – e o correspondente progresso material – que o PPD|PSD conseguiu implementar nos anos 80 e 90 do Século XX. Não será demais, nem despropositado, relembrar que foi precisamente nesses anos que – com a oposição feroz do PS e da extrema-esquerda – se conseguiram implementar reformas, na altura igualmente "neo-liberais" e heréticas para a esquerda, mas que eram tão evidentemente fundamentais, tais como os bancos, as seguradoras e os órgãos de comunicação social poderem existir fora da esfera do Estado. Não será igualmente demais, nem despropositado, relembrar que foram precisamente esses anos os de maior progresso material da democracia portuguesa.
A mudança de paradigma político não visa acabar com o Estado-Social ou, muito menos, com o Estado. Ser pela liberdade não implica ser libertário. A mudança preconizada pelo PPD|PSD passa essencialmente por ter um Estado limitado pelos cidadãos ao invés de ter os cidadãos ao serviço do Estado e dos indivíduos que o controlam. Ou, por outras palavras, salvar o estado-social tornando-o mais eficaz, acessível, justo e menos dispendioso para os contribuintes.
Neste sentido, o que se exige é um esforço de libertação face aos constrangimentos herdados do salazarismo e do fervor revolucionário marxista, nomeadamente os constitucionais, que obrigam o país a ir vivendo no pântano estatista da perpétua criação de dívida. Acima de tudo, mais uma vez, aquilo que se pede do PPD|PSD é que seja capaz de implementar uma política séria, credível e eficaz para voltar a colocar Portugal na rota da prosperidade e do progresso material. Para isto é forçoso que o PPD|PSD seja fiel às suas origens e rejeite o papel colaboracionista com o PS que a oligarquia de interesses instalada em Portugal gostaria de lhe ver atribuído. Da mesma forma, no discurso, é fundamental que se compreenda que é pela rejeição do modelo socialista que Portugal poderá reencontrar-se com o caminho da prosperidade.
(adaptado parcialmente daqui)
Não será, portanto, extremanente polémico afirmar-se que a social-democracia portuguesa tem raízes, quer no campo dos valores, quer no campo das pessoas que visava representar, bem díspares das suas congéneres europeias que se identificam com o socialismo. Tal coisa também se revelou na prática. Primeiro, através de Sá Carneiro e a forma como visou libertar o país da influência militar; depois, com Cavaco Silva, no processo de liberalização – e o correspondente progresso material – que o PPD|PSD conseguiu implementar nos anos 80 e 90 do Século XX. Não será demais, nem despropositado, relembrar que foi precisamente nesses anos que – com a oposição feroz do PS e da extrema-esquerda – se conseguiram implementar reformas, na altura igualmente "neo-liberais" e heréticas para a esquerda, mas que eram tão evidentemente fundamentais, tais como os bancos, as seguradoras e os órgãos de comunicação social poderem existir fora da esfera do Estado. Não será igualmente demais, nem despropositado, relembrar que foram precisamente esses anos os de maior progresso material da democracia portuguesa.
A mudança de paradigma político não visa acabar com o Estado-Social ou, muito menos, com o Estado. Ser pela liberdade não implica ser libertário. A mudança preconizada pelo PPD|PSD passa essencialmente por ter um Estado limitado pelos cidadãos ao invés de ter os cidadãos ao serviço do Estado e dos indivíduos que o controlam. Ou, por outras palavras, salvar o estado-social tornando-o mais eficaz, acessível, justo e menos dispendioso para os contribuintes.
Neste sentido, o que se exige é um esforço de libertação face aos constrangimentos herdados do salazarismo e do fervor revolucionário marxista, nomeadamente os constitucionais, que obrigam o país a ir vivendo no pântano estatista da perpétua criação de dívida. Acima de tudo, mais uma vez, aquilo que se pede do PPD|PSD é que seja capaz de implementar uma política séria, credível e eficaz para voltar a colocar Portugal na rota da prosperidade e do progresso material. Para isto é forçoso que o PPD|PSD seja fiel às suas origens e rejeite o papel colaboracionista com o PS que a oligarquia de interesses instalada em Portugal gostaria de lhe ver atribuído. Da mesma forma, no discurso, é fundamental que se compreenda que é pela rejeição do modelo socialista que Portugal poderá reencontrar-se com o caminho da prosperidade.
[1] Maritheresa Fraín, PPD\PSD e a Consolidação do Regime Democrático, Editorial Notícias,
1998, p. 243
[2] Ibidem, p. 243
[3] Ibidem, p. 14
[4] Marcelo Rebelo de Sousa, A Revolução e o Nascimento do PPD,
Editora Bertrand, 2000, Volume I, p. 15
(adaptado parcialmente daqui)
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
PORTUGAL NO DIVÃ
Na ausência de explicações tradicionais para o estado de loucura generalizada em que o espaço público português vive parece-me que só falta uma visão psico-analítica para compor a coisa. Ora, cá está ela. São dois os arquétipos fundamentais que norteiam a vida humana, o arquétipo da Mãe e o do Velho Sábio, ou o do Pai. A Mãe é carinhosa, protectora, dá força, segurança e vitalidade. É o útero aconchegante. Em Portugal, a Mãe de todos nós é o PS. Dá empregos, estabilidade, promete que tudo vai correr bem e dá-nos sempre força para seguir no mesmo rumo. Daí, naturalmente, o país é do PS. Gosta de aeroportos, TGV's, estações de metro, fins da austeridade, reposição de rendimentos e demais guloseimas. A Mãe é boazinha e dá coisas. Guterres era bonzinho. Soares era bonacheirão. O outro arquétipo é a figura do Pai. Este é severo, austero, impõe limites e regras. Ensina-nos lições. Empurra-nos para a frente, mesmo se formos a berrar e a espernear. Em Portugal, o Pai é o PSD. Quer que cresçamos, exige trabalho e responsabilidade, fala de mudança. Quer regras e contas certas. Promete pouco, fala menos ainda. Cavaco foi o pai de toda uma geração de portugueses. Assim, o ciclo normal da coisa é o país escolher por regra o PS, a mãezinha que nos embala e diz que tudo vai ficar bem mas, quando o arquétipo maternal se transforma na sua variante negativa, o útero transformado num buraco escuro que nos engole, no nosso caso prático através da falência, então lá vamos nós a correr a pedir a ajuda, e a orientação, do Pai. O novo Pai é Passos coelho. O Pai que agora os infantes portugueses sonham matar como forma de afirmação adulta. Há algumas excepções, atenção, que confirmam a regra. Sócrates é a evidente: uma espécie de hermafrodita, juntou de forma megalánoma os dois arquétipos num só: a figura maternal do rosa PS com a postura inédita do governante austero. Resultado? A primeira maioria absoluta do PS e a maior falência do Estado dos últimos 40 anos. Outro hermafrodita arquetipal é Assunção Cristas: sobre a manta da direita conservadora (e austera) lá vai vendendo estações de metro ao quilo: é a Mãe Natal. Pelo que se vê, até agora a coisa vai resultando. António Costa, a mãe de todos nós, esse, vai de vento em poupa: até ao Quantitative Easing acabar. Quando a "Europa" deixar de comprar a dívida pública que sustenta a festa portuguesa, o útero gigante de Costa será, como sempre, substituído pela caverna abissal de uma nova falência. E os portugueses lá correrão atrás do paizinho, leia-se, o actual culpado de tudo o que há de errado no mundo, Passos Coelho. A questão é se ele ainda lá estará. Nos entretantos, as crianças lambuzam-se com o pote que a Mãe, às escondidas, lhes vai oferecendo. Deliciadas, sonham que durará para sempre. E, inconscientemente, dormem descansadas porque sabem que o Pai está ali ao virar da esquina para os vir safar do buraco em que, por teimosia infantil, se vão enfiando. Não, Portugal ainda não está pronto para matar Passos Coelho.
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POLÍTICA
sábado, 30 de setembro de 2017
O CERCO (V)
Recebo a newsletter do Observador e, mesmo em dia de reflexão!, a
segunda notícia em grande destaque, e única relativa à campanha
autárquica, é para o facto de "a candidatura de Leal Coelho ter avisado
[o observador] de que o PR ia passar na campanha", logo Leal coelho terá
mentido quando afirmou que o encontro agora na berra seria casual. A
seguir dá nota que Marcelo repudia Leal Coelho por esta dizer que o PR
lhe teria ido dar uma palavra amiga. Este é o enredo ou, se preferirem,
a "narrativa" da última polémica autárquica em Lisboa. Ora, três notas:
(1) nem em dia de reflexão o Observador se abstém de, na única notícia
relativa a eleições autárquicas, aproveitar para criticar Leal Coelho.
(2) Um jornal revelar as informações que obtém de uma campanha por forma
a obter notícias (neste caso que o PR ia passar) é, na essência, uma
quebra de sigilo que as fontes esperam, legitimamente, ser respeitado
por parte dos jornalistas. É um comportamento deplorável que mais não
mostra do que a perseguição política que tem sido feita contra o PSD,
Leal Coelho, tendo Passos Coelho como alvo máximo, pelo Observador na
campanha autárquica de Lisboa. (3) Finalmente, quanto aos factos. O
Observador foi lesto a apelidar Leal Coelho de mentirosa, reforçando a
ideia com uma notícia em pleno dia de reflexão, e alicerçada na
revelação de informação dada a título confidencial, mas esquece-se
convenientemente de um pormenor: se foi avisado o Observador vinte
minutos antes de que o PR ia ali passar, e se foi avisado pela campanha
de Leal Coelho, então o PR terá avisado a campanha de Leal Coelho que
iria ali passar. Isto é evidente e inegável. Se assim é, o PR avisaria
Leal coelho, ou a sua campanha, de que iria visitar a sua campanha por
que outra razão além de "dar uma palavra amiga"? Sobre isto o o
Observador não se pergunta? Seria para quê a visita de Marcelo se não
para dar uma palavra amiga? Seria para vilipendiar Leal Coelho? Para a
criticar? Para lhe espetar uma facada nas costas? (esta talvez mas não
seria anunciada) Ou seja, Leal Coelho, para proteger o PR, não diz que
foi avisada, apesar de o ter sido, e o PR, para salvar a pele, acaba a
fazê-la passar por mentirosa. Dez minutos depois o Observador larga a
"notícia" de que Leal Coelho era mesmo mentirosa e a partir daí o palco
está montado para mais um show "vamos todos bater na candidatura do PSD a
Lisboa". O que vale é que todos sabemos que Marcelo não é dado a
planos mirabolantes e maquiavélicos e que o Observador é um jornal
independente. E assim se faz política (e suposto jornalismo) em
Portugal. Chique a valer, hein?
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O CERCO (IV)
Tirando a névoa mediática, indo ao tutano, o facto mais relevante para o
sistema político-partidário-económico português dos últimos anos foi a
queda de Ricardo Salgado da sua posição central no (Prof. Marcelo dixit)
"bloco central de interesses". Ponto. Desde aí, tudo o que se tem
passado é uma tentativa de reorganização desse bloco que, para sua
estabilidade, necessita de ver o grande responsável pela queda de
Salgado, Passos Coelho, removido da sua posição central no sistema
político português, sobrando o PS (sempre amigo dos poderosos que o
sustentam) e Marcelo Rebelo de Sousa (amigo pessoal de Salgado). Daí a
campanha negra mediática que está em curso contra ele, Passos Coelho, e,
por arrasto, contra o PSD nestas autárquicas, levada a cabo pelos meios
de comunicação social (detidos na sua larga maioria pelos poderosos
oligarcas portugueses). É isto. Espantoso é ver a esquerda portuguesa,
por conveniência, do lado do banqueiro arguido, unida em uníssono contra
alguém que mais não fez do que a sua obrigação.
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O CERCO (III)
Consegue-se
aferir o incómodo que alguém representa para a oligarquia de interesses
instalada nos bastidores do estado-espectáculo português pelo nível de
violência com o qual esse alguém é atacado na praça pública. Não tenho
memória, sinceramente, de uma campanha negra concertada, tanto no nível
político, como no partidário e, em particular, no mediático, tão
violenta como aquela a que vou assistindo contra Passos Coelho. A nova
intentona - de facto nova pois nunca tinha visto
tal coisa - é uma candidata, sem se demitir, vir criticar o líder do
partido pelo qual se candidata, tal como a sua própria cabeça de lista,
na véspera das eleições. Na véspera das eleições, atente-se. Que outro
motivo poderá haver para lá da pura e dura sabotagem? Salvo alguma
incapacidade mental grave, que imagino não ser o caso, nenhum outro
motivo se poderá imaginar. A oligarquia não brinca em serviço. No
entanto, intuo eu, de tanto baterem no ceguinho, tal é o exagero, ainda o
elevam a santo. E de santo a primeiro-ministro são apenas dois ou três
Passos. Quanto mais batem no homem mais eu acredito que ele lá vai
chegar outra vez.
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LINHAS DIREITAS T3
O Linhas Direitas, agora na crista da onda mediática, estará de regresso para a semana. Entretanto, fica aqui uma grande reportagem (3min) num programa de rádio de referência nacional sobre o iminente, e muito aguardado, regresso do Linhas Direitas para a sua terceira temporada.
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POLÍTICA
PARADOXO
Existe algo intrinsecamente paradoxal no artista "rebelde", o roqueiro
de longos e despenteados cabelos, com profusas tatuagens e cheio de
piercings, que abre as portas de sua casa a jornalistas, apenas para
mostrar as suas amplas salas confortavelmente atapetadas, plenas de
cortinados de veludo, sofás almofadados de cor creme, paredes forradas
com espelhos e quadros de talha dourada e muitas almofadinhas de
decoração. Eu ainda sou do tempo em que os heróis, estes sim rebeldes,
se finavam novos, exauridos, afogados em poças do seu próprio vómito,
agarrados a garrafas ou seringas ou, ainda, com tiros auto-inflingidos,
todos tragicamente auto-destruídos pelos excessos aos quais a sua recusa
da normalidade os condenou. Eram os relembradores da tragédia.
Sinceramente, quem é quer saber destes betinhos de hoje em dia, todos
apologistas do saudável, todos muito salvadores do mundo, todos muito
bonzinhos, e que se ofendem com umas bocas se forem "politicamente
incorrectas", isto enquanto se ocupam a rodar anúncios televisivos que
lhes rendem milhões para gastar em decoradoras de interiores?
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CRÓNICAS DO ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
O CERCO (II)
Já apenas por curiosidade, e considerando aquilo que aqui escrevi ontem,
vou ao Observador ver a sua cobertura das eleições autárquicas.
Sinceramente, a coisa está a tornar-se ridícula. Entre a notícia onde
Costa diz que o país está a recuperar (uma "notícia autárquica", claro) e
umas coisas do PCP no Alentejo, o destaque principal vai, naturalmente,
para alguém que não é nem autarca nem candidato a alguma câmara: Rui
Rio. Em grande manchete, lá nos vem relembrar que "o PSD está
numa situação muito difícil". Muito obrigado. Depois, outra notícia de
outro autarca: Morais Sarmento. Este diz que "Passos terá que prestar
contas". Tudo muito autárquico. Mais abaixo, um título que faz pouco de
Jerónimo de Sousa, de Rui Moreira e, claro está, da "sardinha" Leal
Coelho. E isto tudo ainda antes de chegar ao caderno de Lisboa onde se
relata a campanha na capital. Aí, duas notícias: a de ontem, sobre
Cristas (a líder que consolida a liderança) e Leal Coelho (a amiga do
líder, Passos Coelho, que fragiliza a sua liderança); e outro link, a
notícia de hoje, onde se dá nota que Portas aparece para apoiar Cristas e
que, no lado do PSD, aparece Fernando Negrão, qualificado imediatamente
como, e cito, "o candidato a Lisboa que teve o pior resultado de
sempre". Mas isto não chega, mais à frente, o subtítulo já é mais claro:
o apoio de hoje de Leal Coelho, Negrão, é "o pior candidato de sempre".
De facto, não é preciso mentir para se fazer campanha eleitoral - e
péssimo jornalismo. O cerco a Passos Coelho continua e os seus
adversários não são Morais Sarmento ou Rui Rio, os aliados
circunstanciais do momento. Não, os adversários de Passos Coelho são os
poderosos oligarcas do regime, os donos disso tudo, incluindo os
jornais.
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O CERCO
Não há dia que a newsletter do Observador, o último resquício de
imprensa portuguesa que acompanho, não me venha relembrar que a
liderança de Passos Coelho está "fragilizada", "em risco" ou, como hoje,
"em jogo". Ao mesmo tempo, recorrentemente, desde há anos, é anunciado o
seu sucessor, Rui Rio, o homem que "ganha apoios", "reúne com
apoiantes" ou "conta espingardas". E isto no Observador, supostamente um
espaço mediático liberto do complexo de esquerda. Ao mesmo tempo, Cristas,
a sucessora de Portas e fiel executante da sua estratégia de substituir
o PSD como o grande partido da "direita", oferecendo-se como o pilar
direito para sustentar, junto com o PS, o bloco central de interesses
que alimenta a oligarquia vigente, essa, Cristas, aparece-me todos os
dias em grande: a andar de mota, a andar de metro, a visitar isto e
aquilo, enquanto, e passo a citar, "consolida a sua liderança". A luta
autárquica é assim, convenientemente, reduzida a dois movimentos
proporcionais e, querem fazer-nos crer, interligados: o enfraquecimento
de Passos e o fortalecimento de Cristas. Só por isto, estivesse eu em
Lisboa, e já votaria (apesar do posicionamento sobre o alojamento local)
em Leal Coelho. Isto por uma razão: aquilo que permite que o CDS se
queira tristemente alçar a ser a pata direita da oligarquia de
interesses portuguesa é porque Passos Coelho representa, precisamente, o
grande adversário dessa mesma oligarquia dos interesses: afinal, foi
ele que deixou cair Salgado. Sobre isto, curiosamente, ninguém fala. E
assim temos uma situação onde o apoio a Passos Coelho se revela como
necessário e imprescindível: é ele o herói derradeiro que, sem
complexos, representa a maior ameaça para a rede de interesses que
comanda o país e da qual Costa, tal como Sócrates, nunca mais almejou
além do que dela fazer parte e, dessa forma, colher os seus frutos.
Passos Coelho, com todos os seus defeitos, é a alternativa. E por isso,
com toda a força, a oligarquia vigente através dos media que largamente
controla, o ataca, dia após dia, com todas as suas armas. Quanto mais
oiço, leio e vejo o ataque cerrado, concertado e global ao líder do PSD
mais me convenço que ele é o único que, de facto, representa uma
alternativa à pouca vergonha que tomou conta do país. Terá, portanto,
todo o meu apoio.
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UM EMBARAÇO
A ideia de que partilho o meu Teravô, um peixe perdido algures no Oceano
Pantalássico, com seres como o António Costa ou a Catarina Martins
atormenta-me o espírito e representa um embaraço para a família.
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ABJECTO
Se tivessem um professor na escola a perguntar ao vosso filho se não se
sentiria melhor deixando crescer o cabelo, ou à vossa filha se não
preferiria que esta rapasse o cabelo, eram capazes de pensar que o
professor tinha perdido o tino e que não tinha nada que andar a
importunar os vossos filhos sobre a forma como estes preferem ter o
cabelo. Na verdade, ninguém tem nada que ver com o assunto e perguntas
indiscretas, pessoais mesmo, deste género seriam rapidamente reportadas
como abusivas. Se isto é assim, então, por que raio haveremos de achar
normal que andem professores primários a perguntar aos nossos filhos se
se sentem bem como rapazes ou às nossas filhas se sentem bem como
raparigas? E que isto faça parte do curriculum da escola pública? Não
será isto um abuso, uma perversão asquerosa mesmo, ter professores a
indagar acerca do sexo dos nossos filhos? É que é isto que a
extrema-esquerda europeia acha que é o progresso.
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DO IRREVOGÁVEL
Estava eu a perorar sobre a decadência do jornalismo quando tenho
aqui um exemplo de que nem tudo estará perdido. Irei, certamente,
adquirir o livro. Nos entretantos, a ser verdade o que aqui se diz,
explica-se muita coisa e tiram-se algumas notas:
Primeiro, que Portas compreendeu que a via para cumprir o seu sonho (substituir o PSD como o grande partido da "direita") passa mais por ser o parceiro dos negócios da oligarquia vigente, e um dos pilares do status quo, do que pelo voto eleitoral que nunca conseguiu conquistar;
Primeiro, que Portas compreendeu que a via para cumprir o seu sonho (substituir o PSD como o grande partido da "direita") passa mais por ser o parceiro dos negócios da oligarquia vigente, e um dos pilares do status quo, do que pelo voto eleitoral que nunca conseguiu conquistar;
Segundo, que Cristas e a sua ligação angolana, a imediata ruptura com a
coligação que levou a cabo mal foi eleita, bem como a sua candidatura a
Lisboa, representam a continuação dessa estratégia;
Consequentemente, em terceiro lugar, percebe-se que o objectivo do CDS é mesmo uma aliança futura com o PS, nem que seja mais disfarçada e meramente no plano da gestão dos interesses partidários de ambos (que são coincidentes: isolar e neutralizar o PSD);
Finalmente, em conclusão, torna-se evidente que Passos Coelho representa hoje a derradeira alternativa ao bloco central dos interesses dos poderosos oligarcas que mandam em Portugal. Foi com ele que se conseguiu impedir que a factura da fraude do BES caísse em cima dos contribuintes e que Salgado, o Dono Disto Tudo, continuasse, impune, o seu reinado de bastidores. E assim se percebe porquê toda a imprensa (toda mesmo) mais não faz do que criticar e bater em Passos Coelho, do que publicar notícias sobre a sucessão de Passos Coelho ou anunciar a sua morte política: é ele o derradeiro adversário a abater. A oligarquia poderosa que manda não brinca em serviço.
Sim, sim, isto explica muita coisa.
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Consequentemente, em terceiro lugar, percebe-se que o objectivo do CDS é mesmo uma aliança futura com o PS, nem que seja mais disfarçada e meramente no plano da gestão dos interesses partidários de ambos (que são coincidentes: isolar e neutralizar o PSD);
Finalmente, em conclusão, torna-se evidente que Passos Coelho representa hoje a derradeira alternativa ao bloco central dos interesses dos poderosos oligarcas que mandam em Portugal. Foi com ele que se conseguiu impedir que a factura da fraude do BES caísse em cima dos contribuintes e que Salgado, o Dono Disto Tudo, continuasse, impune, o seu reinado de bastidores. E assim se percebe porquê toda a imprensa (toda mesmo) mais não faz do que criticar e bater em Passos Coelho, do que publicar notícias sobre a sucessão de Passos Coelho ou anunciar a sua morte política: é ele o derradeiro adversário a abater. A oligarquia poderosa que manda não brinca em serviço.
Sim, sim, isto explica muita coisa.
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ZEITGEIST (II)
Leio no Observador, a propósito das eleições alemãs, que "a
extrema-direita entra no parlamento alemão pela primeira vez desde
1945". Ou seja, para a jornalista, a AfD ou o Nacional-Socialismo de
Hitler são uma e a mesma coisa. Para se pensar de tal modo ou se é
profundamente ignorante (sobre a AfD e\ou o Nacional-Socialismo) ou se
quer, disfarçada mas conscientemente, passar a mensagem de que o inimigo
que assola a Europa são os nazis intolerantes agora súbita e
misteriosamente ressuscitados. Seja
ignorância seja intenção, no fundo, a conclusão é que no jornalismo
mainstream lêem todos da mesma cartilha simplista e papagueiam todos as
mesmas banalidades sem um pingo de reflexão sobre o filme que lhes passa
mesmo em frente do nariz. Ou seja, são terreno fértil para a propaganda
multiculturalista do status quo, sempre impingida nas entrelinhas do
politicamente correcto, e cuja falência, essa sim, está na origem da
subida eleitoral daqueles que a rejeitam. Comparar este fenómeno com o
racismo bélico e expansionista do totalitarismo Nazi é, do ponto de
vista intelectual, um atentado. Poucas coisas serão tão sintomáticas da
decadência democrática como o proto-desaparecimento do jornalismo
crítico, independente e inteligente. Mas a vida é assim: todos os
defuntos precisam das suas carpideiras.
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ZEITGEIST
Que na Alemanha a AfD tenha tido 13% dos votos e a CDU e o SPD,
parceiros na política governamental aberta de imigração recente, tenham
tido, ambos!, o pior resultado individual dos últimos 60 anos, tudo isto
só poderá ser uma enorme coincidência. A culpa será, para a
inteligência multicultural mediática, naturalmente, de Hitler e/ou da
contemporânea intolerância supostamente neo-liberal. Nada que mais uns
quantos programas sociais de desradicalização dos refugiados/imigrantes
não resolvam, pensarão eles. Para esses iluminados nada pode travar o
sucesso da ideologia multicultural: mesmo que o preço a pagar seja a
destruição, a curto prazo, do projecto europeu e, a longo prazo, o
desmoronar da civilização ocidental. Senão vejamos: aí no burgo,
certamente, a extrema-esquerda, agora governamental, continuará a sua
propaganda em frente de um silêncio mediático apropriado, mas,
igualmente triste, é que na Alemanha, tal como em França, ou na Holanda,
apenas os anti-europeístas se manifestem contra a destruição dos
valores europeus. Daí o inevitável deitar fora o bebé junto com a água
suja. Com o silêncio do centro sobram então dois extremos: de um lado,
os marxistas das mudanças de sexo aos 12 ou 16 anos e os vivas às
virtudes islâmicas, do outro, as chamadas extremas direitas. Quem acham
que, a tempo, ganhará? E, mais importante, entre uns e outros, a ter que
escolher, no segredo da cabine de voto, quem preferirão os europeus?
Não me parece que a resposta seja muito difícil. Triste, sem dúvida. E,
nos entretantos, tal como em França, celebra-se mais uma "vitória da
democracia". Abram o espumante, é beber enquanto é tempo.
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189
Oiço na Antena 2 que este ano os hóspedes do Airbnb já gastaram em
Lisboa 189 milhões de euros em restaurantes. Uma vergonha! O melhor
seria acabar com isto e por a malta toda que vive desse dinheiro em casa
a receber os 700 euros por mês que o governo quer dar aos jovens que nem
estudam nem trabalham. Isso e trazer as saudosas prostitutas de volta
ali para as ruínas agora recuperadas da zona do Cais do Sodré. Turista é
fascista, Portugal é para os portugueses (e refugiados).
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COMMUNISM KILLS
Destas vítimas as Catarinas, os Bernardinos e restante tropa fandanga não têm pena nenhuma. E, não tenhamos dúvidas, tal como o vizinho Iglesias e demais aliados de Chávez e Maduro, tendo o poder, acabariam a fazer exactamente a mesma coisa. Se há um facto historicamente comprovado é este: onde o socialismo radical e o comunismo triunfaram, triunfou igualmente a violência, a miséria e a morte. Isto, digam o que disserem estes mentirosos oportunistas, é um facto.
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